30/12/2006

Lugares #150

Há cerca de duas semanas, por motivos profissionais, tive que rumar ao sul. Planeei almoçar aqui, sem sucesso: completamente cheio, impossível fazer reserva. Para azar meu.



Planeei igualmente efectuar uma visita aqui
, lá mais para o fim da tarde; igualmente sem sucesso, não por estar completamente cheia, mas tristemente vazia. Porque religiosamente fechada, como tem estado nos últimos anos. Por pura incompetência. Para azar de todos nós.


Internet

Chico Elias
Região de Turismo dos Templários
/ O Guia da Boa Vida / Boa Cama Boa Mesa

Carlos Relvas
Câmara Municipal da Golegã / Portugal Dicionário Histórico / Os Grandes Portugueses

26/12/2006

Poemas Sinfónicos #3: Tapiola, Op.112, de Jean Sibelius

Nos cerca de 2 anos e meio de vida deste cantinho, tive a oportunidade de para ele convidar várias e importantes personalidades do mundo da música, muitas das vezes para contar acontecimentos curiosos com elas relacionados. O maestro e compositor Walter Damrosch (1862-1950) foi uma delas, em Maio de 2005, para assinalar o concerto de estreia do Carnegie Hall, em Nova Iorque. Conforme referi na altura, foi a bordo do navio Fulda que, quando se dirigia para a Alemanha, Damrosch travou conhecimento com o milionário Andrew Carnegie (1835-1919), de que resultaria poucos anos depois a construção da referida sala em Nova Iorque.

Já agora refira-se que, nesse ano de 1887, Damrosch ia para a Alemanha para ter lições de direcção de orquestra com Hans von Bulöw (1830-1894), pianista e maestro que também já por aqui passou, a propósito do 1º Concerto para Piano de Tchaikovsky (1840-1893) e da sua relação com o compositor Richard Strauss (1864-1949), cujo início da carreira von Bulöw apoiou.

Uns anos mais tarde, nos primeiros dias de 1926, Damrosch encomendou uma obra ao compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957), para a New York Symphony Society Orchestra. O facto dessa encomenda ter sido feita por telegrama fez-me lembrar aquela famosa explicação dada por Albert Einstein (1879-1955) sobre a telegrafia por fios: "(...) É uma espécie de um gato muito, muito comprido: a gente aperta-lhe o rabo em Nova Iorque e a cabeça mia em Los Angeles. Percebem?! É assim que funciona: enviamos um sinal daqui, e eles recebem-no ali. A única diferença é que não há gato!".

Dessa encomenda, e voltamos ao nosso assunto central, resultaria então o poema sinfónico Tapiola, composto entre Março e Maio desse ano, coincidindo com uma viagem que Sibelius fez a Itália. E se Kullervo, de que aqui se falou, foi uma das suas primeiras obras, Tapiola foi a última orquestral que Sibelius compôs, visto, aparentemente, não ter sobrevivido qualquer manuscrito completo de uma 8ª Sinfonia, de que apenas se tem a certeza dela ter escrito o primeiro andamento.

Nos últimos 30 anos de vida Sibelius pouco escreveu de novo, tendo-se apenas dedicado à revisão de uma boa parte das suas obras. Daí Tapiola ter sido a sua última obra orquestral, baseada no mítico deus das florestas Tapio:

Widespread they stand, the Northland's dusky forests,
Ancient, mysterious, brooding savage dreams;
Within them dwells the Forest's mighty God,
And wood-sprites in the gloom weave magic secrets.

A estreia de Tapiola teve lugar no dia 26 de Dezembro de 1926.


CD



Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63; No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from "Pelléas et Melisande", Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2
(1954, 1955)


Internet

Sibelius
Wikipedia / Classical Music Pages / Jean Sibelius / Tapiola by Jean Sibelius

Walter Damrosch
The Library of Congress / Wikipedia / Walter Damrosch

24/12/2006

Compositores #76: Alban Berg (1885-1935)

Passam hoje 71 anos sobre o falecimento do compositor austríaco Alban Berg (1885-1935). Se Mozart (1756-1791), Beethoven (1770-1827) e Schubert (1797-1828) formaram aquela que foi conhecida como a 1ª Escola de Viena, Berg, juntamente com Arnold Schoenberg (1874-1951) e Anton Webern (1883-1945) deram origem à 2ª Escola de Viena.

E se a 1ª escola marcou a transição do classicismo para o romantismo, sendo Schubert normalmente considerado o primeiro compositor romântico, a marcou decisivamente a música do século XX, com a introdução dos sistemas atonal e serial, surgidos como oposição ao sistema tonal e aos seus conceitos (tónica, consonância, hierarquia das notas, cadência,...). Alban Berg iniciou os estudos musicais em 1904, com Schoenberg. Foi nesse mesmo ano que Webern começou também a ter lições privadas com Schoenberg, diferindo apenas no facto de Webern já ter formação musical anterior.

Apesar de ter aderido às modernidades introduzidas por Schoenberg, a verdade é que Berg nunca negou a influência que Brahms (1833-1897), Schumann (1810-1856), Wagner (1813-1883) e, especialmente, Mahler (1860-1911) tiveram na sua música. A influência de Mahler é evidente na sua primeira obra, a Sonata para Piano, escrita entre 1907 e 1908, e vai-se fazendo sentir em diversas obras que compôs posteriormente, como as 3 Peças Orquestrais, de 1915, e a ópera Wozzeck, terminada em 1922. O sucesso de Wozzeck, estreada em Berlim no dia 14 de Dezembro de 1925, trouxe a Berg o reconhecimento generalizado e o desafogo financeiro. Na altura à frente da orquestra esteve o maestro Erich Kleiber
, o tal que levou a efeito 137 ensaios até a achar em condições...


CDs




Alban Berg
Violin Concerto.
Wolfgang Rihm
Gesungene Zeit.
Anne-Sophie Mutter (violino)
Chicago Symphony Orchestra
James Levine
Deutsche Grammophon 437 093-2

Alban Berg
Piano Sonata, Op.1.
Arnold Schoenberg
3 Piano Pieces, Op.11. 6 Little Piano Pieces, Op.19. 5 Piano Pieces, Op.23.
Suite for Piano, Op.25. Piano Piece, Op.33a. Piano Piece, Op.33b.
Anton Webern
Variations, Op.27.
Peter Hill (piano)
Naxos 8.553870

Alban Berg
Lulu suite. 3 Pieces for Orchestra, Op.6.
Margaret Price (soprano)
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon The Originals 449 714-2

Alban Berg
Wozzeck.
Walter Berry, Max Lorenz, Murray Dickie, Peter Klein, Karl Dönch,
Christel Goltz
Vienna State Opera Chorus & Orchestra
Karl Böhm
Andante AND3060

Alban Berg
Lulu.
Teresa Stratas, Yvonne Minton, Hanna Schwarz,Frans Mazura, Kenneth Riegel,
Robert Tear, Toni Blankenheim, Helmut Pampuch, Gerd Nienstedt
Paris Opera Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon The Originals 463 617-2


Internet

Alban Berg: Biografia 1
/ Biografia 2 / Biografia 3

22/12/2006

Concertos #49

O alemão Felix Mendelssohn (1809-1847) nunca correspondeu, nem de perto nem de longe, ao perfil típico do compositor romântico, que era suposto ser um libertino e levar uma vida, no mínimo, atribulada. Mendelssohn, oriundo de uma família judaica, burguesa e culta (uma não implicando necessariamente a outra...), teve uma vida que, de uma forma geral, pode ser descrita como pacata. O seu envolvimento com a música começou muito cedo e, com 7 anos, chegou a ter lições de piano em Paris com Marie Bigot (1786-1820), principalmente conhecida por, pelos vistos, ser a intérprete favorita de Beethoven (1770-1827).

O casal Abraham e Lea, além de Felix, teve mais 3 filhos: Fanny, Rebecca e Paul. Fanny Mendelssohn (1805-1847), refira-se, foi igualmente uma reputada pianista e compositora. Mas voltando ao nosso assunto: logo à nascença, os pais decidiram baptisar os filhos e, em 1822, eles mesmos converteram-se ao cristianismo. Pois foi no âmbito desse esforço de cristianização que Mendelssohn escreveu música coral sacra, com saliência para os Salmos. Hoje, naquele que será o último concerto a que assistiremos este ano, iremos começar precisamente por ouvir um desses salmos, o Salmo 42, Op.42, "Wie der Hirsch schreit", composto por Mendelssohn em 1837.

A segunda parte deste concerto, que terá lugar na Casa da Música, será preenchida com a Missa em dó menor, KV427, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Fica bem, terminar assim as nossas comemorações do ano Mozart que, naquilo que nos diz respeito, começaram com este DVD e meteram pelo meio uma visita a Salzburgo.


Felix Mendelssohn
Salmo 42, Op.42.
Wolfgang Amadeus Mozart
Missa em dó menor, KV427.
Letizia Scherrer, Katalin Halmai (sopranos),
Jan Kobow (tenor), João Fernandes (baixo)
Orquestra Gulbenkian
Michel Corboz


Internet

Felix Mendelssohn
Wikipedia / Classical Music Pages / The Works of the Composer Mendelssohn / Felix Mendelssohn

20/12/2006

Lugares #149

Não sei se a culpa é de uma, da outra, ou das duas em conjunto. Sei, de sabedoria vivida, que em qualquer viagem que envolva uma das duas o imponderável tem lugar cativo; envolvendo as duas, as hipóteses de se tornar numa aventura épica aumentam exponencialmente.

No passado Domingo tive que me deslocar à Holanda, por afazeres profissionais. Difícil arranjar vôos, que a época festiva incrementa as reuniões familiares. Lá se acabou por arranjar um para a ida, a meio da tarde, por forma a não estragar por completo o dia, e via Lisboa, que as ligações directas do Porto a Amesterdão não abundam. Cheguei ao hotel, em Eindhoven, um pouco antes da meia-noite. Desse Domingo, dia 17 de Dezembro de 2006, convém recordar. A mala também lá chegou, só que às 13:00 de Terça, dia 19. Pelo meio, parece que "andou meio perdida por Lisboa", que foi para a terra das tulipas "logo que possível", e que seguiu para o hotel "na primeira oportunidade". O resultado mais visível de tudo isto foi... invisível, mas asseguraram-me que aos olfactos mais sensíveis não escaparam os 3 dias com a mesma indumentária...

O regresso foi efectuado hoje, com partida bem cedo de Amesterdão, pelas 7 horas. Tudo normal até à chegada à Portela e à altura em que o avião se imobilizou, na porta A15. Avião imobilizado e nós, pobres passageiros, também, e aí por uns bons 5 minutos. Eu estava pronto para sair, assim como todos os outros, só que não havia maneira da porta da aeronave se abrir, até que o "hospedeiro-mor" teve a gentileza de nos explicar o que se passava: "Senhores passageiros, pedimos desculpa por este atraso. Aguardamos a chegada da manga para poder abrir a porta". Extraordinário, não havia ninguém para manobrar a maldita manga!

Resolvido o assunto, seguiu-se, algum tempo depois, o vôo para o Porto. Onde o avião chegou por volta das 11:35. Cerca de 5 minutos depois estávamos junto aos tapetes para recolha das malas. Apesar do novo Aeroporto Francisco Sá Carneiro dispôr de quatro, alguma mente mais retorcida tinha decidido fazer apenas uso de dois, indiferente aos vários vôos previstos para chegar num curto espaço de tempo. Como resultado disso, o monitor anunciava para o tapete número 3, que nos calhou por manifesta infelicidade, a chegada eminente das malas de 3 vôos. A aplicação perfeita do sistema LIFO (Last In First Out) fez com que as malas do vôo TP1964, o deste vosso infeliz escriba, pois claro!, começassem a aparecer às 12:38. E, enquanto bem mais de 100 pessoas estiveram 1 hora à espera, os tapetes 1 e 4 estiveram vazios e parados. "Burkina Faso!", foi o que alguém desesperado respondeu a certa altura ao telemóvel. Resposta óbvia para um igualmente óbvio "onde estás?!"...

17/12/2006

Compositores #75: Fernando Lopes Graça (1906-1994)

Fernando Lopes Graça nasceu em Tomar no dia 17 de Dezembro de 1906, celebrando-se assim hoje o centenário do seu nascimento. Ano especial, portanto, pelo que, felizmente, se tem falado e escrito amiúde de e sobre Lopes Graça. Ano também aproveitado para se terem programado inúmeros recitais e concertos com obras suas, de que aqui fomos dando alguns exemplos. Não sei, todavia ser terá sido aproveitado para recuperar de vez a casa onde o compositor nasceu; há cerca de dois anos, mostrei aqui o estado em que ela se encontrava; se nada de anormal se tiver passado desde então, a única diferença será o facto dela estar dois anos mais velha...

Rezam as crónicas que Fernando Lopes Graça terá entrado para o mundo musical mais ou menos por acaso, quando um tenente Aboim, hóspede do hotel que o pai de Lopes Graça possuía em Tomar, o viu dar pancada num piano que por lá sobrevivia e, impressionado com os toques artísticos do moço, sugeriu que ele tivesse lições de música. Daí o compositor ter afirmado, anos mais tarde: "Eu até entrei na música pelas mãos da tropa, e não pelas da igreja ou da nobreza (...)"!

Entre 1924 e 1931 estudou no Conservatório de Lisboa, tendo terminado o Curso Superior de Composição com a mais alta distinção. A década de 1930 ficaria ainda marcada pelas duas detenções por motivos políticos, numa altura em que ensinava em Coimbra. O que motivou o seu antigo professor Luís de Freitas Branco (1890-1955) a fazer o conhecido comentário: "O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça pode ter do valor de Shakespeare"... Valor reconhecido, por exemplo, pelo grande violoncelista Mstislav Rostropovich (1927-) para quem, sob encomenda deste, Lopes Graça comporia o Concerto da camera col violoncelo obbligato, e que o próprio Rostropovich viria a estrear.

continua


Internet

Fernando Lopes Graça
Instituto Camões / Vidas Lusófonas / Wikipédia

14/12/2006

CDs #110: Rosalyn Tureck

O nome da pianista norte-americana Rosalyn Tureck (1914-2003) ficará sempre ligado a Johann Sebastian Bach (1685-1750), de quem foi um dos maiores intérpretes de sempre. A relação de Tureck com a música de Bach começou desde muito cedo: aos 14 anos de idade já tocava as Invenções a Duas Vozes de cor e acredito que também salteado, se necessário; aos 18 anos aprendeu a tocar as Variações Goldberg num espaço de 5 semanas; em 1937, numa altura em que a música de Bach era geralmente considerada mais didáctica do que concertante, deu uma série de 6 recitais em Nova Iorque, tocando em exclusivo obras deste grande compositor alemão.

A partir da 2ª metade da década de 50, Rosalyn Tureck passou a dedicar-se também à regência, tendo dirigido, entre outras, a Orquestra Filarmonia
e a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, além dos Tureck Bach Players, um grupo por ela formado em Londres. Foi ainda nessa cidade que fundou a International Bach Society. Nos inícios dos anos 80, Tureck iria fundar o Tureck Bach Institute, um outro fórum para musicólogos e intérpretes.

Foram cerca de 70 anos dedicados à divulgação da música do grande compositor alemão, fazendo-nos por vezes esquecer que Tureck foi também uma excelente intérprete de vários compositores dos séculos XVIII e XIX, bem como de alguns seus contemporâneos. Foi ela que estreou, por exemplo, o Concerto para Piano, de William Schuman (1910-1992), e a Sonata para Piano Nº1 de David Diamond (1915-2005), um compositor falecido há 6 meses, no dia 13 de Junho, um dia antes do falecimento do maestro italiano Carlo Maria Giulini
(1914-2005). Rosalyn Tureck nasceu há 92 anos, no dia 14 de Dezembro de 1914.



Great Pianists of the 20th Century
Rosalyn Tureck
Partitas para Cravo, BWV825-830.
Rosalyn Tureck (piano)
Philips 456 976-2
(1956, 1957, 1958)


Internet

Rosalyn Tureck, a musical genius
/ Rosalyn Tureck, the "High Priestess of Bach" / Rosalyn Tureck, 88, Pianist and Bach Scholar / Tureck Bach Research Foundation

12/12/2006

CDs #109: The Art of Julius Katchen

O pianista norte-americano Gary Graffman (1928-), de quem aqui falámos recentemente, escreveu o seguinte sobre o seu compatriota, igualmente pianista, Julius Katchen (1926-1969): "Being with Julius was like standing in a swiftly flowing river. The enthusiasm - the sheer energy - he lavished on whatever caught his fancy inevitably swept his companions along. The force of his excitement affected us all."

Energia era certamente algo que não faltava a Julius Katchen; recordemos, por exemplo, o dia 23 de Outubro de 1960, no Royal Festival Hall, quando, após interpretar a Sonata em si bemol maior, D960, de Schubert (1797-1828), e as Variações Diabelli, Op.120, de Beethoven (1770-1827), Katchen ofereceu como encore a Sonata para Piano Nº23, Op.57, "Appassionata", também de Beethoven, na sua versão integral...

38 anos, no dia 12 de Dezembro de 1968, Julius Katchen deu o seu último concerto tendo, na ocasião, interpretado o Concerto para a mão esquerda, de Maurice Ravel (1875-1937). Faleceria 4 meses e meio depois, em Paris, vítima de cancro.

Há cerca de 2 anos a editora Decca editou um duplo CD em que Julius Katchen intepreta 4 dos 5 Concertos para Piano de Beethoven, com a Orquestra Sinfónica de Londres
a ser dirigida pelo maestro italiano Piero Gamba (1936-), recorrendo a gravações efectuadas entre 1958 e 1965.




The Art of Julius Katchen
Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.1 in C major, Op.18.
Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.19.
Rondo in B flat for Piano and Orchestra.
Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37.
Piano Concerto No.5 in E flat major, Op.73, "Emperor".
Julius Katchen (piano)
London Symphony Orchestra
Piero Gamba
Decca 460 822-2
(1958, 1963, 1965)


Internet

Julius Katchen
Decca Classics
/ Julius Katchen Discography / Wikipedia

Ludwig van Beethoven
Classical Music Pages / Wikipedia / Piano Concertos / lvbeethoven.com

10/12/2006

Lugares #148

A menor juventude, atestada por um BI algo caduco, e uma discutível robustez física, não têm sido suficientes para diminuir o meu interesse pelo BTT, que a falta de juízo tem sido argumento de peso, prevalecendo invariavelmente. A participação nos mais diversos eventos tem-me possibilitado, contudo, visitas a vários cantos de Portugal que, na medida do possível, fui procurando conhecer em detalhe. E com vagar, claro está, por forma a não ficar cansado antes das provas, e por o estar em demasia depois delas...



Numa dessas deslocações, em versão solitária, fui há relativamente pouco tempo participar numa prova em Beselga e, de caminho, aproveitei para efectuar uma pequena paragem em Marialva. Se pequena era para ser, mais abreviada o foi, acontecimento aqui
já relatado. Coisas de horários de funcionalismo público, mesmo sem estratégicas greves de Sexta-feira...



Frustada a tarde, procurei compensação à noite, passada em Penedono, por onde "erraram, pilhando haveres e aniquilando vidas, hordas de povos bárbaros, alanos, vândalos, suevos e godos, oriundas do leste europeu" (frase emprestada do site da Câmara Municipal de Penedono). Reconfortado por um gostoso jantar na estalagem lá do sítio, vagueei erraticamente pelas ruelas estreitas, empanturrado até à traqueia. Fiquei com a visão nocturna da vila, e com a certeza de lá querer voltar para me inteirar da versão solarenga. E aproveitar para, convém não esquecer, ficar finalmente a conhecer o aspecto do Castelo de Marialva... por dentro...


Internet

Penedono
Câmara Municipal de Penedono
/ Wikipedia / ANMP

06/12/2006

Obras Orquestrais #12: Capriccio Italiano, de Tchaikovsky

Nos finais de 1877, depois de um casamento falhado e de uma tentativa de suicídio, Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) começou a ser apoiado pela patrona das artes Nadezhda von Meck (1831-1894), passando a receber uma generosa pensão anual. Refira-se, como curiosidade, que os dois nunca se conheceram pessoalmente. Esse apoio iria permitir que Tchaikovsky, em 1880, deixasse a Rússia para se passear pela Europa, viagem por ele aproveitada para recolher melodias que mais tarde poderia utilizar em obras suas.

Por alturas do Carnaval de 1880 o compositor encontrava-se em Roma, e lá compôs o famosíssimo Capriccio Italiano, Op.45, onde usou livremente algumas das tais melodias que ouviu pelas ruas dessa cidade, algo referido pelo próprio: "Esta será uma obra plena de efeito, graças aos temas arrebatadores que pude reunir, alguns extraídos de recolhas, outros ouvidos nas ruas".

A estreia, ocorrida em Moscovo no dia 6 de Dezembro de 1880, contou com a direcção de Nikolai Rubinstein (1835-1881). Aquele mesmo que, meia dúzia de anos antes, tinha dito cobras e lagartos do 1º Concerto para Piano do mesmo Tchaikovsky, recusando-se terminantemente a tocá-lo. Coisas da vida...


CD



Piotr Ilyich Tchaikovsky
Capriccio italien, Op.45. Marche slave, Op.31. 1812, Op.49.
String Quartet No.1, Op.11 - Andante cantabile. Fate, Op.77.
Bamberg Symphony Orchestra
José Serebrier
BIS CD-1283


Bibliografia

Guia da Música Sinfónica, de François-René Tranchefort
All Music Guide to Classical Music, editado por Backbeat Books


Internet

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Wikipedia / Classical Music Pages / Tchaikovsky

04/12/2006

CDs #108: Britten, War Requiem

Sujeita a fortes bombardeamentos durante a 2ª Guerra Mundial, a Catedral de Coventry ficou quase totalmente destruída e, no concurso lançado em 1950 aberto a arquitectos da Commonwealth, venceu o projecto apresentado por Basil Spence (1907-1976). As obras estenderam-se entre 1956 e 1962 e, ainda antes de terminarem, já o nosso arquitecto era Sir Basil Spence, pois fica sempre bem reconhecer o mérito a quem o tem.

Benjamin Britten (1913-1976) foi convidado a escrever uma obra para a festa da inauguração da nova catedral, e apresentou um requiem que, de convencional, pouco tinha. A uma Missa de Requiem em Latim sobrepôs poemas do poeta inglês Wilfred Owen (1893-1918), morto em França durante as operações da 1ª Guerra Mundial, apenas uma semana antes do fim dessa guerra. A parte da missa é cantada pelo coro principal, por um coro de rapazes e por um soprano que, na estreia, deveria ter sido a russa Galina Vishnevskaya (1926-), mas que acabou por ser a irlandesa Heather Harper (1930-); os textos de Wilfred Owen ficam a cargo de uma orquestra de câmara, de um tenor e de um barítono que, na estreia, foram respectivamente Peter Pears (1910-1986) e Dietrich Fischer-Dieskau
(1925-).

A obra registou um enorme, quanto inesperado, sucesso e, num curto espaço de tempo, foi interpretada em várias cidades: Berlim, em Novembro de 1962; Londres, em Dezembro desse ano; Amesterdão, em Julho de 1964; e em Viena, em Outubro do mesmo ano. A lista de maestros envolvidos é igualmente impressionante: além do próprio Britten, Meredith Davies (1923-2005), Colin Davis (1927-), Bernard Haitink (1929-), Ernest Ansermet (1883-1969),...

Neste disco aqui hoje trazido, gravado em Abril de 1969, a regência esteve a cargo do italiano Carlo Maria Giulini
(1914-2005). Giulini, falecido há cerca de um ano e meio, tinha dirigido pela primeira vez esta obra em Setembro do ano anterior ao desta gravação, embora tivesse estado na calha para o ter feito em 1963, aquando da celebração do 50º aniversário de Britten. Esta gravação conta ainda com a participação de Peter Pears, um dos solistas de serviço na estreia do War Requiem.

Benjamin Britten faleceu há 30 anos, no dia 4 de Dezembro de 1976.




Benjamin Britten
War Requiem.
Stefania Woytowicz (soprano), Peter Pears (tenor),
Hans Wilbrink (barítono)
Wandsworth Scholl Boys' Choir
Melos Ensemble
New Philharmonia Chorus
New Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini
BBC Legends BBCL4046-2


Internet

Benjamin Britten
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Benjamin Britten / War Requiem

03/12/2006

CDs #107: Henryk Szeryng & Gary Graffman at the Library of Congress

Ao mostrar desde muito cedo enormes qualidades para tocar violino, Henryk Szeryng (1918-1988) teve a oportunidade de estudar com alguns dos mais reputados professores: com Carl Flesch (1873-1944) em Berlim, nos inícios da década de 30, e com Nadia Boulanger (1887-1979), em Paris. Entretanto, em 1933, já tinha tido a sua estreia concertante, em Varsóvia, com o Concerto para Violino de Beethoven, com a orquestra dirigida por Bruno Walter (1876-1962).

Com a 2ª Guerra Mundial, Szeryng ofereceu-se como voluntário e, fluente como era em várias línguas, acabou por ficar como tradutor do general Wladyslaw Sikorski (1881-1943), primeiro-ministro do governo polaco no exílio. Foi também no exercício dessas funções que Szeryng ajudou imensos compatriotas a obter refúgio no México, país para onde ele próprio se mudaria após o fim da guerra. Em 1946 obteria cidadania mexicana, e teria provavelmente mantido a carreira de violinista em banho maria não fosse o encontro, na Cidade do México, em 1954, com o pianista Artur Rubinstein (1887-1982), polaco de nascimento. Este lá o convenceu a regressar aos palcos e, 2 anos depois, Szeryng fazia a sua estreia em Nova Iorque e provava ser um dos melhores violinistas da sua geração. Daria recitais por mais 30 anos...

No dia 3 de Dezembro de 1971, Henryk Szeryng e o pianista norte-americano Gary Graffman (1928-) deram um recital na Biblioteca do Congresso (The Library of Congress
), em Washington, que ficou registado e de que resultou o presente disco. Refira-se que da colecção da biblioteca, além de mais de 29 milhões de livros, fazem parte mais de 2 milhões de gravações!



Great Performances from the Library of Congress, Volume 22.
Johannes Brahms

Sonata No.1 in G major, Op.78.
Robert Schumann
Sonata No.1 in A minor, Op.105.
Ludwig van Beethoven
Andante, piu tosto allegretto from Sonata in A major, Op.12 No.2.
Wolfgang Amadeus Mozart
Rondo: Allegro from Sonata in C major, K296.
Henryk Szeryng (violino), Gary Graffman (piano)
Bridge 9179


Internet

Henryk Szeryng
Biography
/ Legendary Violinists / Wikipedia

Gary Graffman
Biography / International Creative Management / Wikipedia