29/01/2007

Compositores #77: Luigi Nono (1924-1990)

Em 1946, um alemão de nome Wolfgang Steinecke criou a Escola Internacional de Verão, na cidade de Darmstadt, com o intuito de promover a nova música. A 2ª Grande Guerra tinha acabado há pouco tempo, portanto, e havia que recuperar desse período negro. Escuro também do ponto de vista musical, pois claro, basta que nos lembremos de que o regime nazi tinha, por exemplo, banido por completo as obras da 2ª Escola de Viena. Antes da guerra, Arnold Schoenberg (1874-1951) tinha dado início ao serialismo, método a que os professores de Darmstadt regressaram dando, contudo, bem mais relevância às obras de Anton Webern (1883-1945) do que às do próprio Schoenberg. Coisas da vida...

A lista de nomes que passaram por Darmstadt mostra a enorme importância que os cursos tiveram para a música do século XX: Olivier Messiaen, Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen, Luigi Nono, Luciano Berio, Bruno Maderna. Uma das obras marcantes desse período, Mode de valeurs et d'intensités, foi escrita por Messiaen, que foi professor em Darmstadt entre 1949 e 1951, durante um desses cursos.

O italiano Luigi Nono passou por ser um dos mais radicais desse grupo, pela sua militância política, que o levou a combinar com frequência textos políticos radicais com música revolucionária. A sua ligação a Schoenberg foi bem para além do uso do serialismo nas suas primeiras obras; antes de mais, pelo facto de a sua primeira obra orquestral, estreada em Darmstadt em 1950, chamar-se Variazioni canoniche sulla serie dell'op.41 di Arnold Schoenberg; e por, 5 anos depois, ter casado com Nuria, filha de Schoenberg...

Luigi Nono nasceu há 83 anos, no dia 29 de Janeiro de 1924.


CD



Luigi Nono
No hay caminos, hay que caminar... Andrei Tarkovsky.
Variazioni canoniche. Varianti. Incontri.
Mark Kaplan (violino)
Basel Symphony Orchestra
Mario Venzago
Col legno WWE1CD31822


Internet

Luigi Nono
Archivio Luigi Nono
/ Wikipedia / Classical Music Pages / IRCAM / Schott Music

4 comentários:

  1. Curiosamente, Schoenberg era em termos políticos um conservador, o que obviamente não o impediu de ser um dos maiores revolucionários da história da música.
    Não conheço a fundo a escola de Darmstadt mas creio que os seus frequentadores se encerraram numa espécie de dogma estético, criticando os que optavam por outras vias criativas.

    ResponderEliminar
  2. A redoma estética de Darmstadt é real, mas irrelevante para o julgamento estético dos compositores na órbita.

    Quanto ao Nono, é (de longe) mais interessante a fase final: Prometeo. Tragedia dell'ascolto; Das Atmende Klarsein; Omaggio a György Kurtág, ...sofferte onde serene...; entre outras obras.

    ResponderEliminar
  3. A importância da escola de Darmstadt não é consensual. Todavia, o facto de lá ter reunido compositores tão "díspares" como Messiaen, Nono e John Cage, para apenas citar alguns, permitiu dar uma ideia de várias das abordagens musicais da época.

    Saudações,

    HVA

    ResponderEliminar
  4. a importância- aliás, escreva-se com coragem- a magnitude de Darmstadt é consensual. Darmstadt é (geografica e ideologicamente) um mito fundador. é a origem (ideológica) de obras primas da história recente como Gruppen ou Le Marteau. é igualmente a origem de obras de referência teórica como o P l m d'a h.

    o que não é consensual é o "julgamento" da obra. o legado é indubitável. até o Arvo Pärt mantém processos cujo "adn" é Darmstadtiano.

    ResponderEliminar