19/04/2007

Concertos #55

Para os leitores deste canto, não é novidade o nosso desapontamento com a actual programação da Casa da Música. Sem ter nada contra as outras formas de expressão musical, é óbvio que nos preocupamos principalmente com a denominada "música clássica", e esta, apesar da formação musical do responsável pela programação, encontra-se em evidente perda por aquelas bandas. Foi assim com alguma ironia que assistimos às prosas laudatórias aquando da recente celebração do 2º aniversário da casa, algo que não nos recordamos de ter presenciado noutras alturas, em que tal bem mais se justificava. Tal diz muito não só de quem escreveu tais coisas, por não saberem do que falavam, como da maioria da população, principalmente a nortenha, que se está borrifando para o assunto.

Como resultado directo disto, as nossas idas à zona da Boavista diminuíram significativamente, algo que temos vindo a procurar compensar de várias formas. E é assim que no próximo fim-de-semana, conforme já antes aqui referimos, lá vamos rumar à capital do piano, ansiosos por encontrar pela primeira vez alguns dos nossos heróis dos teclados. Depois do concerto com Pascal Rogé (1951-) e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, pelas 14 horas de Sábado, vamos assistir ao (por nós) muito aguardado recital de Maria João Pires (1944-), de que tudo o que se conhece do programa é: "Carta Branca"... Não há muitos pianistas para cujos recitais compraríamos bilhetes sem saber de antemão coisa alguma sobre aquilo que pretendiam tocar. Está visto que, no que nos diz respeito, Maria João Pires tem mesmo carta branca...

No Domingo à tarde, pelas 17 horas, temos novo encontro marcado com o pianista polaco Piotr Anderszewski (1969-), quase dois anos depois do anterior. Repetir-se-ão Bach (1685-1750), desta vez com a Suite Inglesa Nº6, e Szymanowski (1882-1937), de novo com as Métopes. Programa quase inalterado, esperamos que se mantenha a excelência da interpretação.

5 comentários:

  1. Estes "dias" parecem-me tão... indigentes. É injusta a opinião, com segurança, mas que hei-de fazer? Cartas brancas à MJP é coisa cá da malta, do burgo, um torneio de xadrez internacional com o nosso campeão distrital. Não é bem isto, eu sei... Ai.

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  2. É assim mesmo caro Heitor! Antes (da CdM) ia-se muito a Lisboa (Gulbenkian nomeadamente). Depois (1º ano) passamos a ir também à Casa da Música. Agora, não há muito a fazer senão voltar a Lisboa!

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  3. Antes de mais, obrigado pelos comentários. Pois eu penso que os "dias" em causa não foram de todo indigentes; o CCB conseguiu reunir um número apreciável de notáveis pianistas, pelo que acho que a maior parte das pessoas deram o tempo (bastante) e o dinheiro (pouco) por bem empregues.

    Estou tentado a concordar com o que diz o Paulo Bastos. Há nisto tudo, contudo, uma vantagem: sempre nos permite viajar um pouco mais e conhecer coisas novas. Caso contrário, havia o risco de nos ficarmos pela Boavista...


    Saudações,

    Heitor

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  4. É curioso como as nossas "devoções" nos "obrigam" por vezes a fazer 300km de distância para assistirmos a concertos de música clássica. Eu que adoro música, não em particular a clássica, não faço nem 5km para assistir a um concerto... Mas agora se me falarem num passeio de BTT, com paisagens deslumbrantes e gastronomia local, meu amigo, conta comigo !!!

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  5. Caro Sérgio,

    Já largaste a vassoura?! Os treinos estão a fazer efeito...

    Saudações,

    Heitor

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