23/04/2007

Concertos #56

Algumas notas breves, ainda a quente, no rescaldo do fim-de-semana pianístico:

1.

O recital de Maria João Pires foi diferente. Pela selecção de obras (de que falarei noutra altura), e pelo ambiente intimista e, diria mesmo, quase religioso, em particular aquando da participação do maestro César Viana. Diferente, também, o sapateado da pianista, num batuque constante aquando das passagens mais energéticas. Desconhecia-lhe em absoluto esse tique, pois nunca tinha tido a oportunidade de a ver ao vivo, e devo reconhecer que me incomodou um bocado, distraindo-me por vezes de uma interpretação de que, diga-se, gostei muito.

2.

Antes desse recital demos umas voltas ali pela marginal, entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. A certa altura depará-mo-nos com um grupo que, ruidosamente, exibia toda a sua alarve falta de respeito pelo próximo. Depois de assistir ao que fizeram a um sujeito que se limitava a tocar guitarra na passagem subterrânea que liga o jardim do Mosteiro dos Jerónimos à marginal junto do referido Padrão, sou tentado a pôr em causa alguns dos princípios que deveria considerar fundamentais. E pergunto-me que tipo de tratamento uma sociedade moderna deverá aplicar a imbecis como estes que, na sua cultura de violência, exibem carecas brilhantes e tatuagens por tudo o que é epiderme, reclamam-se de um patriotismo exclusivo e nos insultam a todos?!

2 comentários:

  1. Sim, sim, ela faz uma tremenda percussão. Deve gravar amarrada... Mas que pianista fantástica, meu amigo!

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  2. Caro Milton,

    Pois é, temo que os engenheiros de som tenham que fazer horas extras, para filtrarem a parte da percussão inesperada...

    Saudações,

    Heitor

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