11/06/2007

Concertos #57

Há cerca de 3 meses atrás deixei aqui alguns comentários sobre a programação da Casa da Música para o 2º trimestre deste ano. A semana passada foi-nos dada a conhecer a programação para o trimestre que se avizinha; saiu tarde e a más horas, como é apanágio da casa desde que o filho pródigo retornou, e quase que dá vontade de dizer que mais valia que não tivesse saído! Consegue o impensável, ao conseguir ser pior que a do 2º trimestre, denotando uma confrangedora falta de imaginação e quase fazendo esquecer tudo o que de bom já se fez por aquelas bandas em termos de programação.

Julho resume-se a alguns concertos da Orquestra Nacional do Porto, a um da Orquestra Gulbenkian e ao regresso do pianista norte-americano Stephen Kovacevich (1940-). Ou seja, de todos os músicos extraordinários que poderiam ser convidados, a escolha tinha que recair novamente num pianista, e logo num que já lá tinha estado. E não tenho nada contra Kovacevich, antes pelo contrário, até já comprei os bilhetinhos. Só que gostava de ter a oportunidade de poder variar...

Agosto é como se não existisse. Já aqui referi antes: enquanto muitas outras cidades capricham nas programações de Verão, o Porto em geral, e a Casa da Música em particular, fazem ponto de honra em criar um deserto (cultural) para os camelos que por lá vagueiam. Enganou-se redondamente, o nosso ministro Mário Lino: o deserto não está a sul do Tejo, situa-se antes aí uns 300 quilómetros a norte...

De Setembro nem vale a pena falar. É revoltante ver a que nível foi possível baixar a qualidade da programação. Mas será assim tão difícil ver que o homem não serve para a função?!

12 comentários:

  1. Não me parece que é só a Casa da Música que tem uma programação fraca, para ser simpático. A Gulbenkian, embora menos poupadinha, também já teve programas mais imaginativos. E o São Carlos? Alguém sabe que programação vai ter?

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  2. Será assim tão fraquinha, estimado HVA? Então a Sra. D. Gabriela Canavilhas não continua a comentar uns concertitos? Olhe que é uma mais valia de peso...
    Abraço

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  3. Também reparei que este ano a programação da Gulbenkian é um pouco mais fraca, mas mantendo o nível de qualidade a que nos habituou...
    No entanto, teria muito que baixar para chegar ao nível que a CdM nos dá!

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  4. Caro Paulo,

    Antes de mais, obrigado pela ligação do seu Valkirio ao desNorte, entretanto retribuída. Sabe que vivo "demasiado a norte" para me poder deslocar com frequência a Lisboa, pelo que desconheço em detalhe as programações da Gulbenkian e do S. Carlos. Mas, daquilo que vou ouvindo, posso-lhe assegurar que a da Gulbenkian, por exemplo, faz inveja a qualquer nortenho...

    Saudações,

    Heitor

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  5. Caro Carlos,

    Qualquer comentário que Gabriela Canavilhas possa fazer não irá certamente diminuir a minha frustração com a programação da Casa da Música para os próximos tempos! Veja, por exemplo, o que nos espera em Setembro (http://www.casadamusica.com/CulturalAgenda/SearchByMonth.aspx?i=3&id=A9D4DB8D-A6AD-488C-B5FB-FBF35B8ADEC1&l=A9D4DB8D-A6AD-488C-B5FB-FBF35B8ADEC1) e depois diga de sua justiça. Mas apreciei a ironia...

    Nota: folgo em vê-lo de regresso às lides; conto que isso seja um sinal de que já ultrapassou o problema que teve.


    Saudações,

    Heitor

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  6. Caro Paulo Bastos,

    Há não muito tempo mudei de residência, tendo ficado 30km mais perto da capital. Já só me faltam mais 270 para trocar de vez a Casa da Música pela Gulbenkian...


    Saudações,

    Heitor

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  7. Realmente é muito fraquinha... só resta mesmo o Kovacevich.

    Já agora: se reparar, muitos dos concertos da Gulbenkian são ao sábado, o que facilita a deslocação a Lisboa. Vejamos o exemplo do Ciclo de Música Antiga: Scholl, Bartoli, Jordi Savall, todos concertos ao sábado. Eu moro em terras aveirenses, mas não resisto a ir à Gulbenkian sempre que posso.

    Moura Aveirense
    http://mouraaveirense.blogspot.com

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  8. Pois é, só que às vezes falta-nos tempo (€€€)...

    E já agora, depreendo que eu serei um "mouro feirense" (nascido em S. Sebastião da Pedreira e vivendo em Sta. Maria da Feira)...

    Saudações,

    Heitor

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  9. Vai de mal a pior...
    Quando a CdM abriu era difícil seleccionar o que não se iria ver (€€€). Agora, tornou-se difícil seleccionar o que se vai ver. E eu não me refiro só à programação da música "clássica". E o programa da ONP? Aborrecido e repetido! Outro concerto dedicado ao mar? Ainda no ano passado o fizeram! Praticamente com os mesmas obras! Enfim!

    Para o próximo trimestre só mesmo OG dia 19/07... "Canção da Terra" de Mahler. Não podia faltar!...

    Orquestra de Altifalantes?!?!

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  10. Como habitualmente, fui ontem ao meio dia à CM. Os comentários e exemplificações de Gabriela Canavilhas foram, de longe, os melhores que já ouvi. Esta nossa mesquinhez de português rasca, invejoso e má lingua, há muito que me incomoda. De si, confesso, como leitor assiduo que sou do que aqui escreve, não esperava que "apreciasse a ironia". Talvez se tenha levado por uma "solidariedade de blogs", mas acho inaceitável o comentário rasca que lhe deu origem. Quem deliciou todos os presentes ontem na CM, pelo que li e sei, é pianista (tenho um excelente disco dela), licenciada em Ciencias Musicais, gestora e promotora cultural de mérito, radialista (que saudades do tempo dela nas manhãs da A2), responsável pela Orquestra Metropolitana e pelas suas escolas (cujos alunos têm ganho nestes anos tudo quanto é concurso), directora do Festival de música dos Açores, etc. O "comentador" seu amigo é o quê? Fez o quê? Além de dizer mal de tudo e todos no blog onde destila veneno e sapiencia barata?
    Tenho pena que não tenha ido ontem à CM, talvez achasse justo rectificar o seu comentário e corrigir duramente quem o originou.

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  11. Caro Alentejano,

    Conheço mal, muito mal, Gabriela Canavilhas. Apenas da sua participação, de curta duração, no programa matinal da Antena 2, com Paulo Alves Guerra. Eu entendi o comentário de Carlos A. A. como uma crítica ao facto de, eventualmente, se estar a procurar compensar uma (para mim) evidente pioria na qualidade da programação da Casa da Música, com actividades paralelas, nomeadamente os tais comentários a concertos. E foi nesse sentido que eu "apreciei a ironia". De resto, não tenho que criticar, positiva ou negativamente, as actividades de Gabriela Canavilhas, por delas não ter conhecimento, nem tenho qualquer obrigação de solidariedade entre blogues.

    Cumprimentos,

    Heitor

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  12. Pedro Morgado22/09/07, 15:46

    Não sou consumidor assíduo de música clássica e tenho reparado que sempre que passo por sites ou blogs ligados à área, há sempre comentários negativos e tricas fúteis. No passado domingo no meio dum zappingzinho parei na RTP e estava a dar um concerto com comentários da tal Gabriela Canavilhas. Devo dizer que achei piada à ideia, que a achei uma óptima comunicadora e provavelmente os tais comentários a concertos na casa da música não serão uma programação fraca mas uma forma de trazer à música pessoas como eu.

    É óbvio que com um espírito tão elitista e mesquinho será difícil que a programação melhore porque só vocês é que lá vão comprar bilhetes...

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