02/06/2007

Óperas #15: Lulu, de Alban Berg

Antes de virar dramaturgo, o alemão Frank Wedekind (1864-1918) teve uma vida deveras aventurosa, boémia a maior do tempo, com passagens pelo circo, pela prisão (como hóspede...) e por vários cabarets. A estadia na prisão, diga-se, foi o resultado mais visível de uma das suas primeiras actividades como escritor. Mais tarde, já como dramaturgo, não deixou de agitar as almas dos seus contemporâneos, pela forma como abordou temas como a sexualidade. Entre outras, escreveu duas obras, Der Erdgeist e Die Büchse der Pandora, com o mesmo personagem central, Lulu, uma mulher sensual e de instintos animalescos.

Em Maio de 1905 a peça Die Büchse der Pandora estava em cena em Viena e, entre os que a ela assistiram, contou-se o jovem Alban Berg (1885-1935), vivamente impressionado com "a nova direcção, e o ênfase que dava à sensualidade". Lá impressionado pode ter ficado, mas o que é certo é que só começaria a trabalhar na ópera Lulu mais de 20 anos depois, tendo ele próprio tratado do libreto, a partir das duas referidas obras de Wedekind. A ópera foi banida mesmo antes de finalizada, pois os estômagos nazis não conseguiam digerir tão ostensiva provocação, em que os amantes de Lulu morrem sucessivamente, de morte morrida ou matada; após uma passagem pela prisão, Lulu acaba como prostituta nas ruas de Londres, sendo assassinada pelo famoso Jack the Ripper.

Alban Berg não viveu o suficiente para terminar a ópera, mas ainda teve tempo para, a pedido do maestro Erich Kleiber (1890-1956), escrever uma suite orquestral nela baseada. É que Kleiber não era homem para ceder facilmente aos caprichos dos nazis e, na impossibilidade de apresentar a ópera, desafiou-os interpretando a respectiva suite. Escusado será dizer que teve que se pirar de imediato do país...

A ópera, no ponto em que Berg a deixou, foi estreada em Zurique 70 anos, no dia 2 de Junho de 1937. O compositor austríaco Friedrich Cerha (1926-) trabalhou durante 12 anos na orquestração do 3º acto, e esta versão completa foi estreada por Pierre Boulez em Paris no dia 24 de Fevereiro de 1979.


CD



Alban Berg
Lulu.
Teresa Stratas, Yvone Minton (sopranos), Hanna Schwarz, Franz
Mazura, Toni Blankenheim (barítonos), Kenneth Riegel, Robert Tear,
Helmul Pampuch (tenores), Gerd Nienstedt (baixo)
Paris Opera Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon The Originals 463 617-2


DVD



Alban Berg
Lulu.
C. Schäfer (soprano), W. Schöne (barítono), D. Kuebler,
S. Drakulich, N. Jenkins (tenores), K. Harries, P. Bardon
(meios-sopranos), N. Bailey, J. Vieira, D. Maxwell (baixos)
London Philharmonic Orchestra
Andrew Davis
Warner Music Vision 0630 15533-2


Internet

Alban Berg
Classical Music Pages / Wikipedia / IRCAM / Decca Classics / Classical Net / Alban Berg

2 comentários:

  1. Caríssimo Heitor,

    Como não mencionar a Lulu absoluta - Schaffer???
    É memorável, nesta produção de Glyndebourne!!!
    (vide http://www.amazon.com/Berg-Schafer-Kuebler-Harries-Glyndebourne/dp/B00014NE76/ref=sr_1_10/105-5060237-4159645?ie=UTF8&s=dvd&qid=1180894760&sr=8-10

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  2. Caro João,

    Claro que tem toda a razão!!! Já corrigi o disparate, e adicionei a gravação de 1996 em Glyndebourne. Grato pela chamada de atenção.

    Saudações,

    Heitor

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