02/07/2007

Personalidades #1: Amelia Earhart (1897-1937)

"Would you like to fly the Atlantic?" soa, hoje em dia, a uma daquelas perguntas de campanha publicitária em que, na compra de meio quilo de sabão em pó, nos garantem prémios por nós nunca imaginados. Como ir a Nova Iorque, por exemplo, e aí atravessar o Atlântico torna-se uma quase inevitabilidade. Tal pergunta, contudo, não seria assim tão usual em 1928; afinal, apenas no ano anterior tinha Charles Lindbergh (1902-1974) feito pela primeira vez tão temerária travessia, abordo do seu The Spirit of St. Louis. Pois foi exactamente essa a pergunta que Amelia Earhart ouviu pelo telefone, da boca do capitão Hilton H. Railey. Deve dizer-se que a resposta, imediata, foi "sim!"...

Claro que ainda mais inesperada se torna a questão quando colocada a uma senhora, numa época em que as senhoras não deviam fazer certas coisas. Só que a nossa Amelia nunca tinha sido uma menina muito alinhada pelas tradições: antes da paixão pelos aviões, já tinha agitado algumas almas com as suas actividades menos femininas, como subir a árvores ou andar a apanhar ratos a tiro. Amelia Earhart voava desde os inícios da década de 1920 e chegou a deter, embora por poucas semanas, o recorde feminino de altitude, 14000 pés. O vôo teve lugar em Junho de 1928 e, apesar de Amelia ter sido apenas passageira, o sucesso obtido lançou-a no estrelato. Para que nenhum herói fique de fora, refiram-se os nomes do piloto e co-piloto: Wilmer Stultz e Louis E. Gordon.

Depois do casamento, em 1931, com o publicitário que a tinha escolhido para o vôo, George Palmer Putnam (1887-1950), Amelia Earhart preparou-se para a aventura seguinte. Qual? Fácil de adivinhar, se soubermos que a sua resposta à pergunta "How does it feel to be the first woman to fly the Atlantic?" foi "Oh, well, maybe some day I'll try it alone"... Assim foi, tendo partido a 20 de Maio de 1932, dia simbólico, exactamente 5 anos depois do tal vôo inaugural de Lindbergh. E nem o facto de as condições atmosféricas a terem feito aterrar perto de Londonderry, Irlanda, em vez de Paris, tendo, segundo palavras da própria, "pregado um susto de morte a várias e inocentes vaquinhas que por ali pastavam", diminuiu o sucesso da empreitada ou a fama de Amelia Earhart.

70 anos, no início de Julho de 1937, foi dada como desaparecida quando efectuava, em conjunto com o navegador Fred Noonan (1893-1937), um vôo à volta do mundo. Um mistério ainda hoje por resolver, dado nunca terem sido encontrados destroços do avião.


Internet

Amelia Earhart
Official Amelia Earhart Web site / Preface to Greatness, by Captain Hilton H. Railey / Wikipedia / Amelia Earhart / Amelia Earhart Birthplace Museum / Saipan and the Mistery of Amelia Earhart

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