13/09/2007

Concertos #59

Tinha prometido a mim mesmo não voltar ao assunto, mas há coisas que são mais fortes do que nós. Ou mais fracas, melhor dizendo, daquelas capazes de deprimir o mais comum dos mortais. Não havendo médicos disponíveis para prescrever anti-depressivos para estas situações, é com fundado receio pela minha saúde mental que consulto a programação da casa para o trimestre seguinte. É já uma imagem de marca consolidada: a programação sai sempre tarde e a más horas, cobre apenas o trimestre que se avizinha, e é sempre pior do que a anterior.

Talvez seja embirração minha, admito, mas reparem nisto: em Outubro, o único músico com um mínimo reconhecimento internacional que se vai apresentar a solo é, de novo, Artur Pizarro, pianista; e em Novembro, o alemão Andreas Staier, cravista e... pianista. Possivelmente não haveria nenhum teclista com datas disponíveis em Dezembro, pelo que... não haverá recitais a solo para ninguém. Recitais com outros instrumentos? Zero. Música de câmara? Zero. Outras orquestras? Grandes maestros? Nada. Claro está que não se dá um doce a quem adivinhar qual o instrumento que toca o ainda programador da casa...

Os mais dados às questões estatísticas poderão sempre argumentar que há uma evidente consistência no rumo traçado pelas sucessivas programações trimestrais: os preços dos bilhetes têm vindo a aumentar de uma forma inversamente proporcional à qualidade dos espectáculos a que dão acesso; em média, tudo se mantém na mesma... Aos que gostam de música, só lhes resta irem procurando outras paragens.

6 comentários:

  1. Pois!...Primeiro é porque não temos as estruturas.
    ..E depois? quando as estruturas estão disponíveis é porquê?
    Abraço!

    ResponderEliminar
  2. Pois é... de toda a programação só me "saltou aos olhos" os concertos de 9 e 11 de Novembro, do Festival do Barroco, e o recital do Andreas Scholl (para o qual já tenho blhete, mas na Gulbenkian)... tenho de ler com mais atenção, para ver se extraio mais "sumo"...

    Abraço, Moura Aveirense

    ResponderEliminar
  3. Caro Heitor!
    Não é, com certeza, embirração sua...
    É realmente lamentável o programa e quando se pensa que não é possível piorar eis que surge este novo cardápio: ainda "mais mau" do que as outras vezes, péssimo. A CdM por este andar vai acabar com programação estilo paróquia/Junta de Freguesia!
    Abraço.

    ResponderEliminar
  4. É assim, caro Heitor. Uma desgraça. Não pode ser só falta de dinheiro. Houvesse um pouco mais de imaginação e o programa poderia ser, seguramente, mais interessante.

    Saudações.

    ResponderEliminar
  5. A experiência dos primeiros anos mostrou-nos que era possível ter uma programação variada e de qualidade. Desde que Pedro Burmester assumiu a responsabilidade da programação nota-se uma lamentável falta de quase tudo, principalmente imaginação e bom gosto. E uma total falta de respeito pelo público, obviamente!

    Saudações,

    Heitor

    ResponderEliminar
  6. Caro Heitor
    Você deve ter, juntamente com os amigos habituais, algum problema mal resolvido relativamente à Casa da Música. Ou será com Pedro Burmester? Para que gostaria o Heitor de ter sido convidado e não foi? O que faz você de tão produtivo, com tamanha qualidade, a mais do que o comum dos mortais, para que lhe sobre tanto em petulância?
    O seu choradinho recorrente faz desconfiar. Vá, confesse as verdadeiras razões que o movem, talvez assim inspire algum respeito.
    Helena Rodrigues

    ResponderEliminar