10/09/2007

Lugares #165

As novas teorias de desenvolvimento sustentado têm, neste país particular, características... particulares; para a produção de energia verde, por exemplo, não raras vezes deitamos abaixo tudo o que é genuinamente verde para lá plantarmos eólicas, a nova praga amiga do ambiente português. Os nossos antepassados, contudo, menos cientistas, talvez, mas mais ajuizados, seguramente, fizeram bem melhor uso dos recursos naturais: onde havia água semearam azenhas; houvesse vento, e sabemos o quão generoso ele é em muitas regiões deste país!, e não se esqueceriam de plantar uns moinhos. E se não me custa imaginar que daqui a uns bons anos ainda haja muito boa gente que vá admirar essas belas construções, já não estou a ver alguém a andar meia dúzia de quilómetros para perder tempo a admirar os monos do século XXI...

No que a moinhos diz respeito não há muitos lugares que rivalizem com Penacova, terra da predilecção de Vitorino Nemésio (1901-1978), que dela disse ser "(...) luz e penedia, com o querer que é de pirenaico trazido às proporções da ternura e rusticidade portuguesa". Há vários núcleos de moinhos, alguns ainda em fase de recuperação; um deles situa-se na Portela de Oliveira, e é lá que encontramos o Museu do Moinho ou Museu Vitorino Nemésio, homenagem justa a quem daquela terra tão bem disse. Na Serra da Atalhada existe um outro conjunto, já adiantado em termos de recuperação, pelo que bem mais fotogénico, quase compensando a azelhice fotográfica do autor destas linhas...




Da próxima vez que forem para aquelas bandas, não se limitem a atacar inofensivas lampreias, o outro ex-libris lá do sítio; metam antes os pés ao caminho e ponham a vista em tão notáveis construções, do tempo em que as paisagens ainda sossegavam como verdes. De outros tempos.


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Penacova
Câmara Municipal de Penacova / Região de Turismo do Centro / Moinhos de Portugal / Lifecooler

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