04/10/2007

Compositores #85: Alfredo Keil (1850-1907)

De ascendência alemã pelo lado paternal, foi para terras germânicas que Alfredo Keil foi ainda jovem, com 14 anos, com o intuito de se iniciar nos estudos artísticos. A partir de 1867 estudou pintura em Nuremberga, tendo regressado à pátria em 1870 por motivos de saúde. Por cá prosseguiu os estudos, e a provar que tinha jeito para a coisa vieram os prémios, com óbvio destaque para a medalha de ouro que lhe foi atribuída na Exposição Artística do Rio de Janeiro, corria o ano de 1879.

Além da pintura, Keil nutria também um indisfarçável interesse pela música (ou não seria para aqui convidado...), tendo publicado a sua primeira composição quando contava apenas 12 anos. Seguir-se-ia um período em que se dedicou essencialmente à pintura para, nos inícios da década de 1880, apresentar o seu primeiro trabalho lírico, a ópera cómica em 1 acto Suzana, estreada no Teatro da Trindade. Em Março de 1888 estreou a ópera D. Branca, desta vez no Teatro S. Carlos, e com um extraordinário sucesso, como há muito tempo não se via por aquelas bandas. Iria ainda escrever mais algumas óperas, como Irene e Serrana, esta última estreada em 1899 no S. Carlos. Alfredo Keil acabaria por se tornar num importante promotor da produção operática nacional.

Mas não só da lírica viveu o nosso amigo. Em 1890, como resposta ao ultimato inglês de Janeiro desse ano que pôs fim ao sonho lusitano de unir as colónias de Angola e Moçambique através, nomeadamente, daquilo que é hoje o Zimbabué, Keil musicou uns versos de Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931), que rezam mais ou menos assim:

Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Daqui resultou uma das mais populares canções portuguesas, cantada sempre que a selecção luso-brasileira de futebol vai dar uns pontapés numa bola.

Alfredo Keil faleceu há 100 anos, no dia 4 de Outubro de 1907.


Internet

Alfredo Keil
O Portal da História / Alfredo Keil / Wikipédia / José Lúcio Ribeiro de Almeida / O Leme

3 comentários:

  1. E apesar do enorme êxito dessa canção, ninguém consegue entoar uma nota de uma ópera sua.

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  2. o tão "polémico hino"... pelo menos a letra...

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  3. Eu não me imagino a marchar contra canhões, mas enfim...


    Heitor

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