07/12/2007

CDs #144: brain, Beethoven, Mozart, Brahms

A música de câmara teve um peso considerável na criação musical do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897), pertencendo a esse género perto de um quinto das obras que compôs (24 em 122), apesar de se lhe ter rendido algo tardiamente; na verdade, contam-se pelos dedos de uma mão as que escreveu nos primeiros 30 anos de vida, e quando se aventurou nos Quartetos de Cordas já tinha entrado na casa dos 40. Talvez intimidado pelo peso da música de câmara de Ludwig van Beethoven (1770-1827), pensa-se, mas ainda assim foi a tempo de conceber um notável conjunto de obras.

Uma delas, uma das poucas pertencentes ao período prematuro, foi iniciada no Verão de 1864, quase se podendo dizer que nasceu de geração espontânea, tendo o próprio compositor revelado como tal sucedeu (*): "Caminhava uma manhã quando, no momento em que cheguei à Floresta Negra, o Sol pôs-se a brilhar por entre os troncos das árvores; a ideia do Trio veio-me imediatamente ao espírito, com o seu primeiro tema". Eu acho isto admirável, devo confessar; tenho fortes suspeitas de que se me pusesse a espiar o Sol por entre troncos de árvores dificilmente me viria alguma ideia útil à pinha... Mas claro, é por isso que só alguns são génios; os outros escrevem em blogues...

Voltando ao nosso assunto, daquele passeio de Brahms resultou então o Trio para Piano, Violino e Trompa, Op.40. A escolha singular dos instrumentos dá-nos uma primeira indicação de que se trata de um certo olhar para o passado: são exactamente os três instrumentos que começou por aprender a tocar, a que acresce o facto de o pai de Brahms, trompista profissional, ter sido quem ensinou o filho a tocar trompa. Por outro lado, a mãe de Brahms tinha falecido recentemente, e é revelador que, no Adagio deste trio, o compositor cite a canção popular "Dort in den Weiden steht ein Haus", que tinha aprendido precisamente com ela.

A estreia desta obra aconteceu há 142 anos, no dia 7 de Dezembro de 1865.

E a grande vedeta deste disco é obviamente o trompista inglês Dennis Brain (1921-1957), que já aqui teve honras de convidado principal.

(*) Guia da Música de Câmara, de François-René Tranchefort




Ludwig van Beethoven
Quintet for Piano, Oboe, Clarinet, Horn and Bassoon in E flat major, Op.16.
Paul Dukas
Villanelle.
Marin Marais
La Basque.
Wolfgang Amadeus Mozart
Quintet for Horn, Violin, 2 Violas and Violoncello in E flat major, K407.
Johannes Brahms
Trio for Piano, Violin and Horn in E flat major, Op.40.
Dennis Brain (trompa), Max Salpeter (violino)
Wilfrid Parry, Cyril Preedy (pianos)
Dennis Brain Wind Ensemble
English String Quartet
BBC Legends BBCL 4048-2


Internet

Johannes Brahms
The Johannes Brahms WebSource / Classical Music Pages / Wikipedia / Vidas Lusófonas / Karadar Classical Music / Naxos / Essentials of Music

1 comentário:

  1. estamos , portanto, a falar de "eternidades" que os tempos não causarão desgaste...

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