25/12/2007

Notícias #15

Há já uns bons anos a minha entidade patronal decidiu passar a pagar os salários através da Nova Rede, que é como quem diz do Millenium BCP, banco onde todos tivemos então que abrir conta bancária. Uns tempos depois, quiçá com remorsos de nunca me ter rendido aos encantos da poupança, deixei-me convencer por um panfleto que anunciava um novo produto, sugestivamente intitulado de Rendimento Ouro. Imbuído dos argumentos que me impingiram, acabei por convencer o resto da família, e lá alinhámos na coisa. Assinámos então o contrato, de que fazia parte uma data de cláusulas, todas impostas pelo banco, e que determinavam, nomeadamente,

» Que os aderentes gozariam de benefícios fiscais, ao nível do IRS;
» Que as entregas poderiam ser mensais ou anuais, à escolha do freguês, e cujo valor poderia ser alterado a qualquer momento, bastando que o cliente informasse o banco da modificação pretendida;
» Que haveria uma rentabilidade mínima garantida da aplicação, a que acresceria uma variável em função do desempenho de alguns fundos de investimento;
» E que a duração mínima do contrato seria de 8 anos, sob pena de se terem que devolver os benefícios fiscais entretanto recebidos.


Tudo funcionou razoavelmente bem até que, passados cerca de 4 anos, recebi uma carta do banco, em que a Nova Rede informava os aderentes de que, com as "alterações das condições do mercado", a poupança Rendimento Ouro se mostrava "claramente desajustada" pelo que, em sua substituição, apareceria o Rendimento Platina. Humildemente, o banco reconhecia que "não poderia obviamente terminar os contratos existentes", para de seguida afirmar que os aderentes "naturalmente entenderiam que não seria mais possível a partir dessa data alterar as condições vigentes da poupança Rendimento Ouro". Quem o pretendesse fazer teria inevitavelmente que migrar para o Rendimento Platina. Que era quase uma cópia do anterior, diga-se, com uma única diferença: a rentabilidade mínima garantida era substancialmente inferior...

No dia seguinte fui a uma das agências e solicitei a alteração da prestação mensal, o que me foi recusado, em linha com o afirmado na missiva que nos tinha sido enviada. Depois de ter dito o que devia e não devia ao coitado do cavalheiro que teve o azar de me atender nesse dia, dado o banco estar a violar de uma forma flagrante tudo aquilo que constava do contrato assinado entre as partes, acabei com o diabo da poupança logo ali naquele momento. Perdi uns contos largos pois, tal como previsto, tive que devolver todos os benefícios fiscais entretanto recebidos, mas ninguém me tirou o prazer de, num espaço de poucos minutos, acabar com a poupança e com a conta naquele banco, além de sonoramente os ter mandado pastar, a todos eles.

Por isso não posso deixar de sorrir quando, em face dos últimos acontecimentos, vêm alguns em defesa da dama ofendida, porque de um banco fundado por alguém da Opus Dei e católico do mais fervoroso, só se podem esperar virtudes e acções caritativas. Pois não fossem as acções que em má hora adquiri desse maldito banco, e a minha costela venenosa, aquela que faz figas para que se queimem todos nas vigarices que entretanto foram cozinhando, já teria contagiado todas as outras. E não haveria quadra natalícia que amenizasse tais sentimentos tão pouco cristãos...

3 comentários:

  1. Lá que uns são piores que outros, é uma verdade. Eu sempre fugi do BCP como o diado da cruz.

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  2. oh diabo! Eu queria escrever diabo.

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  3. Caríssimo HVA,

    Partilho do seu ódio ;-)))
    Às vezes, ser demasiado diplomata faz mal ao coração! Chamemos os bois pelos nomes, carago!

    Cumprimentos

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