29/01/2007

Compositores #77: Luigi Nono (1924-1990)

Em 1946, um alemão de nome Wolfgang Steinecke criou a Escola Internacional de Verão, na cidade de Darmstadt, com o intuito de promover a nova música. A 2ª Grande Guerra tinha acabado há pouco tempo, portanto, e havia que recuperar desse período negro. Escuro também do ponto de vista musical, pois claro, basta que nos lembremos de que o regime nazi tinha, por exemplo, banido por completo as obras da 2ª Escola de Viena. Antes da guerra, Arnold Schoenberg (1874-1951) tinha dado início ao serialismo, método a que os professores de Darmstadt regressaram dando, contudo, bem mais relevância às obras de Anton Webern (1883-1945) do que às do próprio Schoenberg. Coisas da vida...

A lista de nomes que passaram por Darmstadt mostra a enorme importância que os cursos tiveram para a música do século XX: Olivier Messiaen, Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen, Luigi Nono, Luciano Berio, Bruno Maderna. Uma das obras marcantes desse período, Mode de valeurs et d'intensités, foi escrita por Messiaen, que foi professor em Darmstadt entre 1949 e 1951, durante um desses cursos.

O italiano Luigi Nono passou por ser um dos mais radicais desse grupo, pela sua militância política, que o levou a combinar com frequência textos políticos radicais com música revolucionária. A sua ligação a Schoenberg foi bem para além do uso do serialismo nas suas primeiras obras; antes de mais, pelo facto de a sua primeira obra orquestral, estreada em Darmstadt em 1950, chamar-se Variazioni canoniche sulla serie dell'op.41 di Arnold Schoenberg; e por, 5 anos depois, ter casado com Nuria, filha de Schoenberg...

Luigi Nono nasceu há 83 anos, no dia 29 de Janeiro de 1924.


CD



Luigi Nono
No hay caminos, hay que caminar... Andrei Tarkovsky.
Variazioni canoniche. Varianti. Incontri.
Mark Kaplan (violino)
Basel Symphony Orchestra
Mario Venzago
Col legno WWE1CD31822


Internet

Luigi Nono
Archivio Luigi Nono
/ Wikipedia / Classical Music Pages / IRCAM / Schott Music

27/01/2007

Concertos #50

Se há coisa que me irrita é aquela mania, muito portuguesa, de estar constantemente a mudar tudo, naquela onda das melhorias contínuas. O menu do site da Casa da Música era intuitivo, fácil de usar; bastava seleccionar um dos tipos de música exibidos na coluna do lado esquerdo, e de imediato aparecia a respectiva programação. Sem surpresas nem dúvidas quanto aos resultados obtidos. Pois alguém decidiu melhorar a coisa introduzindo, simultaneamente, uma pitada de inesperado. Já não há a opção de escolher "Clássica"; há "Orquestra Nacional do Porto", há "Piano", há "World", mas não há "Clássica". E também há "Outros", é verdade! E em que secção é que acham que foram encaixar o concerto de hoje do pianista norte-americano Murray Perahia (1947-)?! Em "Outros", pois claro!!! Não em "World", muito menos em "Piano", mas em "Outros". Para os menos atentos, refira-se ser Perahia um dos maiores pianistas vivos. Não apenas na minha opinião, que de nada vale, mas na de muitos outros, bem mais avisados e ajuizados. "Outros"! É preciso descaramento!!!

Outro hábito que se vem acentuando naquelas paragens é o de a programação ser anunciada cada vez mais tarde. Estamos perto do fim de Janeiro e apenas a conhecemos até Março. A partir daí, nada. Ainda vou mantendo a esperança de que um dia nos seja disponibilizada e, bem mais difícil, que melhore um bocadinho o panorama deste primeiro trimestre. Não sei se tem a ver com o regresso do filho pródigo, mas sei que a programação já não tem o fulgor (leia-se qualidade) de tempos não muito distantes. Parece que está mais variada, dizem-me. Naquilo que me diz respeito, quem quiser variedade(s) que vá ao Rivoli.

Quando, em 1972, Murray Perahia venceu o Concurso de Piano de Leeds
(aquele mesmo que o nosso Artur Pizarro venceu em 1990), por decisão unânime dos juízes, não era propriamente um pianista desconhecido. Já tinha feito 4 anos antes, por exemplo, a sua estreia no Carnegie Hall, com grande sucesso. No final do século passado ganhou um Grammy, e é um dos músicos mais galardoados pela revista Gramophone, pelas suas interpretações de Scarlatti, Bach, Handel e Chopin. "Outros"!!! Haja paciência!


Programa

Johann Sebastian Bach
Partita Nº2 em dó menor, BWV826.
Ludwig van Beethoven
Sonata para Piano Nº12 em lá bemol, Op.26, "Marcha Fúnebre".
Robert Schumann
Fantasiestück, Op.12.
Frédéric Chopin
Scherzo em si bemol menor, Op.31, "A Meditação".
Murray Perahia (piano)


Internet

Murray Perahia
Official Website
/ Wikipedia / IMG Artists / Sony Classical

25/01/2007

Obras Orquestrais #13: Metamorphosen, de Richard Strauss

Os ataques levados a cabo pelas forças aéreas inglesa (RAF) e americana (USAAF) nos dias 14 e 15 de Fevereio de 1945 sobre a capital da Saxónia, Dresden, ainda hoje estão envoltos em controvérsia. Resultaram na destruição quase total da cidade e na morte estimada de várias dezenas de milhares de pessoas, cenário este que inspirou o compositor alemão Richard Strauss (1864-1949) a escrever Metamorphosen, uma das suas últimas obras. Encomendada por Paul Sacher, de quem já se falou neste texto, foi também por este estreada em Zurique, a 25 de Janeiro de 1946.



Escrita para 23 cordas, dela foi também feita por Strauss uma versão reduzida para septeto de cordas, menos popular, apenas em 1994 foi ouvida pela primeira vez.


CDs



Richard Wagner
Tristan und Isolde - Vorspiel. Parsifal - Karfreitagszauber.
Richard Strauss
Tod und Verklarüng, Op.24. Symphonische Dichtung, Op.24. Metamorphosen.
London Philharmonic Orchestra
Bamberger Symphoniker
Clemens Krauss
Preiser Records PR90499

Richard Strauss
Metamorphosen.
Richard Wagner
Siegfried Idyll
Gustav Mahler
Symphony No.9.
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
EMI 5 67036-2

Richard Strauss
Tod und Verklarüng, Op.24. Metamorphosen. Four Last Songs.
Gundula Janowitz
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 447 422-2

Richard Strauss
Tone Poems & Concertos.
Staatskapelle Dresden
Rudolf Kempe
EMI 5 73614-2 (9 CDs)

Richard Strauss
Metamorphosen.
Gustav Mahler
Symphony No.9.
Wiener Philharmoniker
Simon Rattle
EMI 5 56580-2

23/01/2007

Concertos para Piano #5: Concerto para Piano Nº2, de Béla Bartók

"Uma obra que seja menos eriçada de dificuldades para a orquestra e cujos materiais temáticos sejam mais insinuantes". Assim antecipou o compositor húngaro Béla Bartók (1881-1945) o seu Concerto para Piano Nº2, escaldado como estava da menos boa (para sermos simpáticos) recepção dada ao Concerto para Piano Nº1. Este último, escrito no seu ano pianístico, 1926, deixou o público indiferente, em particular o norte-americano. Se nos lembrarmos de que uma das novidades nele introduzidas por Bartók foi a ausência de um tema, então compreendemos melhor a sua preocupação de que o concerto seguinte tivesse "materiais temáticos mais insinuantes"...

Disto resultou uma das suas obras mais acessíveis, quer para os músicos quer para o público, e o sucesso não se fez esperar. Bartók escreveu o Concerto para Piano Nº2 no espaço de 1 ano, entre Outubro de 1930 e Outubro de 1931. A estreia teve lugar há 74 anos, no dia 23 de Janeiro de 1933, com Hans Rosbaud (1895-1962) a dirigir a orquestra e o próprio Bartók ao piano. Foi em Francoforte, e seria a última aparição pública de Bartók na Alemanha. É que aproximavam-se os dias do domínio do senhor de bigode ao centro e Bartók, forte opositor dos novos ideais, adivinhava a inevitabilidade da procura de novos ares. Béla Bartók iria mudar-se mais tarde para os Estados Unidos, onde não teve um período muito feliz, algo já referido anteriormente neste texto
.


CDs



Béla Bartók
Piano Concertos Nos.1 & 2. Deux Portraits.
Maurizio Pollini (piano)
Chicago Symphony Orchestra
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, Shlomo Mintz
Deutsche Grammophon 477 635-3

Béla Bartók
Piano Concertos Nos.1-3.
Peter Donohoe (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 7 54871-2


Internet

Béla Bartók
Wikipedia
/ Classical Music Pages / Bartók Béla Memorial House

21/01/2007

Violoncelistas #8: Auguste Franchomme (1808-1884)

Frédéric Chopin (1810-1849) não se limitou a escrever obras para piano, embora estas estejam em grande maioria na sua obra. E não se ficou apenas pela música instrumental e orquestral, tendo escrito algumas canções e ainda alguma, embora escassa, música de câmara. Neste último género, há um instrumento que, curiosamente, rivaliza fortemente com o piano: o violoncelo. Pois a última obra publicada em vida de Chopin reuniu precisamente estes dois instrumentos favoritos do compositor: a Sonata para Violoncelo e Piano, Op.65, publicada em 1847, dois anos antes de falecer.

Esta obra foi dedicada ao seu amigo e grande violoncelista Auguste Franchomme, de quem hoje se assinala o 123º aniversário da sua morte. Franchomme, apesar de nascido em Lille, foi um parisiense militante: depois de para lá se ter mudado, apenas se ausentou uma vez, para uma breve deslocação a Inglaterra, corria o ano de 1856. Violoncelista brilhante como era, tendo obtido o primeiro prémio de violoncelo do Conservatório de Paris logo no primeiro ano em que o começou a frequentar, é natural que tenha acabado por travar conhecimento com Chopin, que se tinha mudado para a capital francesa em 1831. Do conhecimento passaram à amizade e à colaboração mútua, culminando na tal dedicatória de Chopin a Franchomme.


CD



Franchomme
Le Violoncelle virtuose.
Ensemble Explorations
Roel Dieltiens
Harmonia Mundi HMA1951610


Internet

Auguste Franchomme
Wikipedia
/ Cello.org / Cello Heaven

16/01/2007

Maestros #28: Arturo Toscanini (1867-1957)

Até que ponto as democracias deverão permitir, no seu seio, o desenvolvimento de ideais que, em pontos essenciais, atentam contra os princípios mais básicos em que elas próprias se baseiam?! Que pergunta mais fora do contexto deste modesto blogue, pensarão alguns! É que não deixa de ser irónico que, quando se assinala o cinquentenário da morte do maestro italiano Arturo Toscanini, que passou uma boa parte da sua vida lutando contra tais ideais, estejamos a assistir no Parlamento Europeu ao nascimento de um grupo parlamentar de extrema-direita.

Em 1931, Toscanini, que na altura já andava de candeias às avessas com os governantes do seu país natal, recusou-se a tocar a Giovinezza, o hino fascista italiano. Toscanini não voltaria a tocar em Itália até à morte de Benito Mussolini, em Abril de 1945. A partir de 1933 passou a boicotar todas as orquestras e teatros alemães, como forma de protesto contra as leis anti-semitas introduzidas pelo regime nazi. Foi essa a razão de, nesse ano, não ter participado no Wagner Festspielhaus, em Bayreuth; festival onde Toscanini, dois anos antes, tinha sido o primeiro maestro não-alemão a pisar o palco. Também deixou de pôr os pés no Festival de Salzburgo após o Anschluss
, decisão reforçada pelo facto de as actuações do maestro Bruno Walter (1876-1962) não serem transmitidas na Alemanha, pela sua ascendência judaica. Por outro lado, em 1937, dirigiu em Jerusalém os primeiros concertos da Orquestra da Palestina, composta por músicos judeus exilados. E, entre 1938 e 1939, dirigiu no Festival de Lucerna, Suíça, uma orquestra formada exclusivamente por músicos fugidos da perseguição nazi.

As democracias também se fazem exaltando os grandes, e Toscanini foi um dos maiores. Hoje, 50 anos após a sua morte, ocorrida no dia 16 de Janeiro de 1957, será a sua música que soará cá em casa. Pena que não soe em Bruxelas e em Estrasburgo!


Internet

Arturo Toscanini
Toscanini Online
/ Fondazione Arturo Toscanini / Museo Casa Natale Arturo Toscanini / Wikipedia / Toscanini Discography Home Page


Bibliografia

La Symphonie des Chefs, de Robert Parienté
All Music Guide to Classical Music, editado pela Backbeat Books

13/01/2007

Sinfonias #19: Sinfonia Nº5, Op.100, de Sergei Prokofiev

O regime estalinista impunha regras quanto à forma como os compositores soviéticos se deveriam expressar musicalmente, e poucos as conseguiram seguir na altura sem cair na vulgaridade. Não foi certamente o caso de Sergei Prokofiev (1891-1953), cuja 5ª Sinfonia mereceu o apreço do regime, do público de então e do de hoje, constituindo uma importante referência no universo sinfónico da europa de leste. Teve a sua estreia em Moscovo no dia 13 de Janeiro de 1945, passam hoje 62 anos.


Sergei Prokofiev

Na altura à frente da orquestra esteve o próprio Prokofiev, e entre a assistência o pianista Sviatoslav Richter (1915-1997), de quem já incluímos um disco aqui
a propósito de Chopin (1810-1849). Foi interpretada desde então por muitos dos melhores maestros mundiais, como Serge Koussevitzky, George Szell, Herbert von Karajan, Sergiu Celibidache, Leonard Bernstein ou André Previn, para só citar alguns. Boas audições!

CDs



Sergei Prokofiev
Symphony No.5.
Stravinsky
Le Sacre du Printemps.
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 463 613-2

Sergei Prokofiev
Symphony No.5. Symphony No.7.
Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire
Jean Martinon
Testament SBT1296

Sergei Prokofiev
Symphony No.5. Scythian Suite.
Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Igor Stravinsky
The Firebird.
Nikolai Rimsky-Korsakov
Scheherazade.
SWR Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 445 139-2

Sergei Prokofiev
Symphony No.1 "Classical". Symphony No.5.
Atlanta Symphony Orchestra
Yoel Levi
Telarc CD80289

11/01/2007

Obras Vocais #6: Requiem, Op.9, de Maurice Duruflé

O compositor francês Maurice Duruflé (1902-1986) além de ter sido um homem de poucas obras, 14 apenas, nunca foi dos mais badalados, pelo que não é de espantar que o seu nome não seja sequer referido em alguma da literatura sobre música que vai aparecendo nos escaparates. Já aqui falámos dele no passado, há precisamente dois anos, e hoje a ele voltamos para debitar umas linhas sobre uma das suas obras mais representativas, senão mesmo a mais representativa: o Requiem.

Antes disso, duas notas prévias:

1 - É sobejamente conhecido o facto das obras de Duruflé andarem todas à volta do canto Gregoriano. A atracção por este canto começou muito cedo, ainda adolescente, quando pertencia ao coro da catedral de Rouen e onde igualmente fazia os seus estudos musicais.

2 - Estudos esses que incluiam o orgão, o seu instrumento de eleição. Duruflé, deve dizer-se, foi um reputadíssimo organista, com variadíssimas turnés efectuadas pela Europa e pela América do Norte.

Quando, em 1947, a editora de Duruflé lhe encomendou uma peça em grande escala, ele começou por apresentar uma para orquestra e coro, baseada em textos de cantos Gregorianos. Todavia, e tal como aconteceu com a maioria da sua produção, o compositor iria revê-la por 2 vezes, sendo que a última versão, de 1961, e a mais vezes interpretada, é para coro, orquestra de câmara, trompetes e orgão. Além do canto Gregoriano e do orgão, elementos tão omnipresentes na obra de Duruflé, há ainda um outro em grande evidência, neste Requiem e também nas suas outras obras: o contraponto. Assunto para outra altura...

Maurice Duruflé nasceu há 105 anos, no dia 11 de Janeiro de 1902.


CD



Maurice Duruflé
Requiem, Op.9. Notre Père, Op.14.
Ian de Massini
Déploration sur le nom de Duruflé. Puisses-tu, ô Seigneur.
La vie éternelle.
Gerald Finley (barítono), Catherine Wyn-Rogers (meio-soprano),
Thierry Escaich (orgão)
Cambridge Voices
Ian de Massini
Herald HAVPCD234


Internet

Maurice Duruflé
Wikipedia
/ Association Maurice et Marie-Madeleine Duruflé / Naxos / Maurice Duruflé / Musica et Memoria

08/01/2007

Sinfonias #18: Sinfonia Nº15, de Shostakovich

No ano passado, o do centenário do seu nascimento, falou-se por aqui várias vezes do compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975). Calhou, contudo, nunca se ter falado da sua produção sinfónica, apesar de as suas 15 sinfonias representarem um dos legados do género mais significativos do século XX. O mesmo, aliás, se poderá dizer dos, igualmente 15, quartetos de cordas que escreveu, mas desses já falámos mais do que uma vez.

Como é normal nestas coisas, há a tendência para dividir essas 15 sinfonias em grupos distintos. As primeiras, por vezes consideradas como menos conseguidas, resultam do período experimental do compositor; a partir da , inclusivé, começaram os problemas com as autoridades soviéticas e as consequentes (e famosas) acusações de formalismo, tendo o compositor procurado fazer passar uma mensagem de patriotismo sem, contudo, evitar um ambiente geralmente melancólico; as últimas sinfonias, por outro lado, já nos mostram um Shostakovich mais desafiador, menos preocupado com as possíveis reacções que poderiam causar (a 13ª sinfonia, por exemplo, ao abordar a repressão dos judeus pelos russos, provocou ondas de choque qb...).

A 15ª e última sinfonia, terminada em Julho de 1971, foi estreada pelo seu filho Maxim Shostakovich (1938-) no dia 8 de Janeiro de 1972. Difere absolutamente das anteriores por ser puramente instrumental, não sendo programática (como as sinfonias nºs 11 & 12) nem vocal (como é o caso das sinfonias nºs 13 & 14). É uma sinfonia serena, com menos peso orquestral, a que não falta quem atribua uma faceta autobiográfica.


CD



Dmitri Shostakovich
Symphony No.15 in A, Op.141. Cello Concerto No.1, Op.107.
Daniil Shafran (violoncelo)
Moscow Philharmonic Orchestra
Konstantin Ivanov
Regis Records RRC1181


Internet

Dmitri Shostakovich
Classical Music Pages
/ Wikipedia / mfiles / Compositions by Dmitri Shostakovich

06/01/2007

CDs #111: Alexander Melnikov, Scriabin

A produção musical do compositor russo Alexander Scriabin (1872-1915) teve dois períodos distintos: um primeiro, marcadamente romântico e influenciado por Chopin (1810-1849), e onde compôs essencialmente música para piano; a que se seguiu um período em que começou por escrever maioritariamente obras orquestrais e em que procurou novas sonoridades e estruturas harmónicas, frequentemente nos limites da música tonal. A viragem coincidiu com uma viagem à Europa Ocidental que iniciou em 1903 e que durou cerca de 6 anos, efectuada na companhia de uma jovem admiradora, de seu nome Tatiana Schloezer (1883-1922), deixando para trás mulher e 4 filhos... Foi no decurso dessa viagem que descobriu a teosofia, doutrina que viria a influenciar decisivamente toda a sua obra posterior.

Em Outubro de 2005 o pianista russo Alexander Melnikov gravou um disco com várias obras de Scriabin, incluindo uma do tal primeiro período criativo do compositor, o Prelúdio, Op.11 Nº4. Desse disco faz ainda parte a Sonata Nº2, Op.19, escrita em 1896 e revelando já algo do novo Scriabin, além de outras obras, todas pertencentes ao segundo período criativo.

O disco saiu na série Les Nouveaux Musiciens da Harmonia Mundi o que, além da excelência da interpretação, lhe assegura um motivo extra para o adquirir: custa metade do preço habitual...

Alexander Scriabin nasceu há 135 anos, no dia 6 de Janeiro de 1872.




Alexander Scriabin
Prélude, Op.11 Nº4. Sonate-Fantaisie (Sonate Nº2), Op.19.
Deux poèmes, Op.32. Fantaisie, Op.28. Cinq préludes, Op.74.
Feuillet d'album Nº1, Op.45. Deux Morceaux, Op.57.
Cinq Préludes, Op.74. Ironies, Op.56 Nº2.
Sonate Nº9, Op.68, "Mess Noire". Mazurka, Op.24 Nº3.
Alexander Melnikov (piano)
Harmonia Mundi HMN911914


Internet

Alexander Scriabin
Wikipedia
/ Scriabin Society of America / Karadar Classical Music

05/01/2007

Concertos para Violino #4: Concerto para Violino Nº1, de Max Bruch

Max Bruch (1838-1920) não será, seguramente, dos compositores mais conceituados, com tudo o de subjectivo que tal opinião acarreta. O facto de se ter dedicado assiduamente a escrever bonitas e imaginativas melodias, mas marcadamente conservadoras, explica tal facto. Explica ainda o de raramente por aqui termos mencionado o seu nome; e, se tal aconteceu, foi devido às suas actividades de professor na Berlin Hochschule für Musik, onde leccionou entre 1890 e 1910. Compôs obras corais, óperas, sinfonias e concertos. E, se em vida, foi considerado principalmente como um compositor de obras vocais, foram as concertantes que lhe sobreviveram, das poucas obras que dele vão sendo tocadas. Destas, o lugar de honra vai direitinho para o Concerto para Violino Nº1 que, dos 3 que escreveu para esse instrumento é, de longe, o mais executado. O que é de todo notável, se nos lembrarmos de que esta foi a primeira obra orquestral de grandes dimensões publicada pelo compositor, e com a qual obteve um sucesso impossível de atingir por qualquer outras das suas obras.

Denotando fortes influências de Felix Mendelssohn
(1809-1847) e Johannes Brahms (1833-1897) foi, tal como o Concerto para Violino deste último, dedicado ao grande violionista Joseph Joachim (1831-1907) que, também aqui, foi responsável pela introdução de alterações significativas na partitura. É que, afinal, nem tudo foram facilidades!: inicialmente esboçada em 1857, teve a sua estreia apenas em 1866 e, diga-se em abono da verdade, com pouco sucesso. O que levou Bruch a retirá-la e a introduzir-lhe alterações, várias delas sugeridas por Joseph Joachim, a quem a obra foi dedicada e que a estreou no dia 5 de Janeiro de 1868.


CDs



Max Bruch
Violin Concerto No.1 in G minor, Op.26.
Carl Nielsen
Violin Concerto, FS61.
Nikolaj Znaider (violino)
London Philharmonic Orchestra
Lawrence Foster
EMI 5 56906-2
(1999)

Max Bruch
Violin Concertos - No.1 in G minor, Op.26; No.3 in D minor, Op.58.
Pablo de Sarasate
Navarra, Op.33.
Chloë Hanslip, Mikhail Ovrutsky (violinos)
London Symphony Orchestra
Martyn Brabbins
Warner Classics 0927-45664-2

Max Bruch
Violin Concerto No.1 in G minor, Op.26.
Felix Mendelssohn
Violin Concerto in E minor, Op.64.
Midori (violino)
Berlin Philharmonic Orchestra
Mariss Jansons
Sony Classical SK87740

The Art of Nathan Milstein
Concertos by Bach, Beethoven, Bruch, Lalo and Brahms.
Nathan Milstein (violino)
ORTF National Orchestra
Antál Dorati, István Kertész
Music & Arts CD-1168
(1955, 1959, 1961, 1963)


Internet

Max Bruch
Wikipedia
/ Boosey & Hawkes / Naxos

01/01/2007

Frases #6

No primeiro dia deste novo ano, nada como voltar ao compositor Fernando Lopes Graça (1906-1994), de quem no ano agora findo se comemorou o centenário do nascimento. No passado dia 17 de Dezembro assinalei esse facto e referi, a propósito, o estado em que se encontrava a casa em que ele nasceu, em Tomar.

Da edição do Público
desse mesmo dia, retirei o seguinte: "A autarquia quer inaugurar no próximo ano a casa-museu Lopes-Graça, valorizando a ligação do compositor a Tomar. Vai terminar as obras de recuperação da casa onde Lopes-Graça nasceu, em pleno centro histórico de Tomar, prometendo abrir a casa-memória a 1 de Outubro de 2007, Dia Mundial da Música, para a qual dispõe já de um acervo". Boas notícias, portanto. Espero que, por uma vez, os prazos sejam cumpridos e, assim sendo, cá estarei para os devidos encómios.



Para memória futura, ficam aqui as fotografias de 2004. As de Outubro de 2007 revelarão as diferenças...