28/02/2007

Lugares #151

A Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana, organiza regularmente aquilo que designou por Percursos Temáticos. No passado Sábado fomos guiados pelo professor Helder Pacheco de uma forma sábia e bem-humorada, "pelas antigas quintas, casas e solares dos arredores de Burgos, em Massarelos".




26/02/2007

Concertos #52

Solicita-se a todas as pessoas de boa vontade que colaborem na preparação da programação da Casa da Música para os meses de Abril e seguintes. As contribuições deverão ser enviadas à atenção do cavalheiro da fotografia.


Todas as propostas serão consideradas. Dispensam-se, contudo, fins-de-semana "clubbing".

23/02/2007

Concertos #51

Para os russos, a 2ª metade da década de 1910 revelou-se fértil em acontecimentos; além de todos os directamente relacionados com a 2ª Grande Guerra, tiveram ainda que lidar com os internos, nomeadamente com a Revolução de Outubro (de 1917), a subida do partido bolchevique ao poder e o consequente estabelecimento da União Soviética. Este ambiente não impediu, contudo, que Sergei Prokofiev (1891-1953) continuasse a compôr regularmente, e datam desta altura, por exemplo, algumas obras instrumentais (sonatas para violino) e orquestrais (um concerto para violino, outro para piano e uma sinfonia). Prokofiev, contudo, já tinha anteriormente cheirado o Ocidente e, em 1914, chegou a encontrar-se em Londres com Sergei Diaghilev (1872-1929), espicaçado pelo sucesso dos Ballets Russes e pela relação privilegiada do empresário com o compositor Igor Stravinsky (1882-1971).

Em Maio de 1918, Prokofiev zarpou de novo, rumo aos Estados Unidos, com uma breve passagem pelo Japão. Não encontrou o sucesso que esperava, contudo, e, em 1922, voltou para o velho continente. Iria depois efectuar algumas turnés pelo seu país natal (1927, 1929 e 1932)e , entre 1933 e 1936, visitou Moscovo com alguma frequência. O regresso definitivo dar-se-ia apenas em 1936 e, ao contrário do que eventualmente esperaria, não encontrou umas autoridades vergadas ao seu prestígio internacional, entretanto granjeado. Pelo contrário, sofreu, como os outros, os ditames do realismo socialista, e sujeitou-se ao crivo de Andrei Zhdanov (1896-1948).

A maioria das obras que compôs a partir daí resultaram de encomendas locais; uma delas veio do Teatro Central das Crianças, que queria uma sinfonia "destinada a cultivar os gostos musicais das crianças". Daqui nasceu Pedro e o Lobo, para narrador e orquestra, que Prokofiev escreveu em apenas 4 dias. Texto incluído, obviamente, que havia que dar alguma coisa ao narrador para narrar... Prokofiev aproveitou para exibir aos mais (e também aos menos) pequenos alguns dos instrumentos da orquestra, associando-os aos protagonistas: o herói Pedrinho é representado pelas cordas, o pássaro pela flauta, o pato pelo oboé, o gato pelo clarinete, o avô pelo fagote e o lobo pelas trompas. Para saberem como acaba a história só têm que fazer como nós, e aparecer amanhã pelas 21:00 na Casa da Música
, no Porto.


Programa

Nuno Malo
Suite de The Celestine Prophecy.
Bernard Herrmann
Suites de: The Man Who Knew Too Much; Psycho; Marnie.
Sergei Prokofiev
Pedro e o Lobo. (*)
Orquestra Nacional do Porto
Mark Stephenson

(*) Inclui projecção do filme Pedro e o Lobo de Suzie Templeton


Internet

Sergei Prokofiev
The Prokofiev Page
/ Wikipedia / Classical Music Pages / Sergei Prokofiev / ballet met / Peter and the Wolf - a musical story by Sergei Prokofiev

22/02/2007

Maestros #29: Adrian Boult (1889-1983)

Os finais da década de 1910 encontraram Sergei Diaghilev (1872-1929) especialmente activo; a ele e aqueles com quem colaborava e a quem encomendava obras, como Maurice Ravel (1875-1937) e Igor Stravinsky (1882-1971); aquele com as desventuras à volta d'A Valsa, este com O Canto do Rouxinol, o poema sinfónico e a versão para bailado que daí nasceu. 1919 foi o ano em que se deram estes acontecimentos; foi também o ano em que os Ballets Russes de Diaghilev voltaram a Londres, cidade onde se tinham apresentado pela primeira vez em 1911.

Durante essa estadia em Londres o maestro de serviço foi o jovem inglês Adrian Boult, o que não pode deixar de ser considerado extraordinário. É que não tinha passado um ano sobre a estreia de Boult à frente de uma orquestra, na ocasião a Orquestra Sinfónica de Londres
. Estreia auspiciosa que lhe valeu, pouco depois, a possibilidade de estrear Os Planetas, ainda hoje a obra por que é mais conhecido o seu compatriota Gustav Holst (1874-1934). Adrian Boult tornar-se-ia mesmo num dos grandes promotores da música inglesa; além da de Holst, interpretou assiduamente as obras de Vaughan Williams (1872-1958), Edward Elgar (1857-1934), William Walton (1902-1983) e Arthur Bliss (1891-1975).

Em 1930, Adrian Boult fundou a Orquestra Sinfónica da BBC
, que dirigiu até 1950. Nessa altura foi amavelmente convidado a reformar-se, por ter atingido os 60 anos. Belos tempos, não?! Reformado de uma orquestra, não de todas, terá pensado o nosso amigo, de forma que permaneceu activo até depois dos 90. Histórias para outra altura...

Adrian Boult faleceu há 24 anos, no dia 22 de Fevereiro de 1983.


CDs






Arthur Bliss
Pastoral, "Lie strewn the white flocks", T46.
A Knot of Riddles. Music for Strings, T54.
Sybil Michelow (meio-soprano), John Shirley-Quirk (barítono)
London Bruckner-Mahler Choir
London Chamber Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
EMI British Composers 5 67117-2

Arthur Bliss
Piano Concerto in B flat, T58. Adam Zero, T67.
Solomon (piano)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Royal Opera House Orchestra
Adrian Boult
APR APR5627
(1939, 1946)

Legendary Treasures
Yehudi Menuhin
Johann Sebastian Bach
Violin Concerto No.2. Partita No.2 - Chaconne; Praeladium.
Johannes Brahms
Violin Concerto, Op.77 (cadenza by Enescu).
Niccolò Paganini
Violin Concerto No.1 (cadenza by Sauret).
Yehudi Menuhin (violino)
BBC Symphony Orchestra
Adrian Boult
Doremi DHR7781/2
(1940, 1947, 1949)

Yehudi Menuhin
The unpublished recordings.
Ludwig van Beethoven
Violin Concerto in D, Op.61. Romance No.1 in G, OP.40.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Sérénade mélancolique in B minor, Op.26.
Yehudi Menuhin (violino)
Menuhin Festival Orchestra
Royal Philharmonic Orchestra
Yehudi Menuhin, Adrian Boult
EMI 5 62607-2

The Art of Campoli
Felix Mendelssohn

Concerto for Violin and Orchestra in E minor, Op.64.
Edward Elgar
Concerto for Violin and Orchestra in B minor, Op.61.
Alfredo Campoli (violino)
London Philharmonic Orchestra
Eduard van Beinum, Adrian Boult
Beulah 4PD10
(1949, 1954)

Douglas Coates
Violin Concerto.
Ernest John Moeran
Violin Concerto.
Colin Sauer, Alfredo Campoli (violinos)
BBC Northern Symphony Orchestra
BBC Symphony Orchestra
Charles Groves, Adrian Boult
Divine Art 27806
(1951, 1954)

Vaughan Williams
Complete Symphonies.
Isobel Baillie, Margaret Ritchie (sopranos),
John Cameron (barítono), John Gielgud (narrador)
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Decca 473 241-2
(1952, 1953, 1956, 1958)

Arnold Bax
Symphony No.3. Violin Concerto.
Eda Kersey (violino)
Hallé Orchestra
BBC Symphony Orchestra
John Barbirolli, Adrian Boult
Dutton Laboratories Epoch CDLX7111
(1943, 1944)

Franz Liszt
Piano Concertos - No.1 in E flat, S124; No.2 in A, S12. Fantasia on
Hungarian Folk Themes, S123. Malédiction, S121. Totentanz, S126.
Erno Dohnányi
Variations on a Nursey Theme, Op.25.
Julius Katchen, Jorge Bolet (pianos)
London Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult, Georg Solti, Iván Fischer
Double Decca 458 361-2

Franz Liszt
Au bord d'une source, S160 No.4. Concert Studies, S144 - No.2 & No.3;
S145 - No.1.
Béla Bartók
Piano Concerto No.3, Sz119. For Children, Sz42 - Allegretto; Andante;
Allegro scherzando; Molto vivace.
Louis Kentner (piano)
BBC Symphony Orchestra
Adrian Boult
Pearl GEM0148
(1937, 1939, 1940, 1941, 1942, 1946, 1949)

boult
Franz Schubert

Symphony No.8 in B minor, "Unfinished", D759.
Jean Sibelius
Symphony No.7 in C, Op.105.
Georges Bizet
Jeux d'enfants.
Maurice Ravel
Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Royal Philharmonic Orchestra
Philharmonia Orchestra
Adrian Boult
BBC Legends BBCL4039-2

Great Conductors of the 20th Century
Adrian Boult
Obras de Berlioz, Franck, Tchaikovsky, Walton, Beethoven,
Schumann, Wolf, Schubert e Sibelius.
New Philharmonia Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
EMI 5 75459-2

Franz Schubert
Symphony No.9 in C, "Great", D944.
Richard Wagner
Die Meistersinger von Nürnberg - Prelude; Act 1.
Felix Mendelssohn
The Hebrides, Op.26.
BBC Symphony Orchestra
Adrian Boult
Beulah 3PD12

Edward Elgar
Symphony No.1 in A flat, Op.55. In the South, "Alassio", Op.50.
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Testament SBT1229
(1949, 1955)

Franz Schubert
Symphony No.9 in C, "Great", D944.
Luigi Cherubini
Anacréon - Overture.
Peter Cornelius
The Barber of Baghdad - Overture.
Royal Philharmonic Orchestra
BBC Symphony Orchestra
Adrian Boult
BBC Legends BBCL4072-2
(1954, 1963, 1969)

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37.
Arthur Bliss
Piano Concerto in B flat major.
Solomon (piano)
BBC Symphony Orchestra
Liverpool Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Naxos Historical 8.110682


Internet

Adrian Boult
Bach Cantatas
/ Wikipedia / Bartleby.com / divine art

Ballets Russes
Ballets russes / Wikipedia / Les Ballets russes / Diaghilev's Ballets Russes

20/02/2007

Sinfonias #20: Sinfonia Nº4, de Anton Bruckner

Da mudança de Anton Bruckner (1824-1896) para Viena, com o intuito de alargar os seus horizontes musicais, resultou um dos mais importantes legados sinfónicos. Bruckner escreveu e reescreveu várias sinfonias, sendo mais um dos que encalhou na , de que apenas completou 3 movimentos. Quase todas as suas sinfonias foram objecto de revisões mais ou menos extensas, que levaram à existência de várias versões para a mesma sinfonia.

A Sinfonia Nº4, estreada no dia 20 de Fevereiro de 1881, não foi, naturalmente, excepção. O que teve como consequência, também natural, o facto de a versão original, de 1874, ter sido apenas publicada em... 1975! A versão mais usual resultou da combinação dos resultados de duas revisões efectuadas pelo compositor:

- da de 1878 sairam os 3 primeiros andamentos (dos quais os 2 primeiros resultaram de revisões das versões originais e o terceiro, um scherzo, foi composto na altura);

- o último andamento, finale, foi fornecido pela revisão de 1880 (claro está que este mesmo andamento já tinha sido retocado em 1878...)

A estreia desta sinfonia, com Hans Richter
(1843-1916) a dirigir a Orquestra Filarmónica de Viena, foi um enorme sucesso, ao ponto de Bruckner, no fim de cada andamento, ter sido forçado a fazer elegantes vénias para o público, em agradecimento dos estrondosos aplausos. Esta sinfonia é também conhecida por "Romântica", pelo facto de amigos do compositor terem-lhe solicitado que ela evocasse imagens do período medieval, com cavaleiros, castelos, e tudo o mais que lhe aprouvesse. Consta que Bruckner aceitou a sugestão mas não a levou muito a sério, ao ponto de ter afirmado algum tempo depois que "já se tinha esquecido da imagem que tinha em mente quando compôs o último andamento"...


CDs



Anton Bruckner
Symphony No.4, "Romantic".
Berlin Philharmonic Orchestra
Günter Wand
RCA Victor Red Seal 09026 68839-2
(1998)

Anton Bruckner
Symphony No.4, "Romantic".
Berlin Philharmonic Orchestra
Hans Knappertsbusch
Archipel ARPCD0044
(1944)

Anton Bruckner
Symphony No.4, "Romantic".
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon Entrée 477 5006
(1975)

Anton Bruckner
Symphony No.4, "Romantic".
Berlin Philharmonic Orchestra
Eugen Jochum
Deutsche Grammophon 427 200-2


Internet

Anton Bruckner
Bruckner: Symphonie Nº4 Romantique
/ Bruckner, Anton (1824-1896) / Classical Music Pages / Wikipedia / Classical Net / The Immortal Bruckner / Anton Bruckner Website / Bruckner.org


Bibliografia

All Music Guide to Classical Music, editado pela Backbeat Books
Guia da Música Sinfónia, de François-René Tranchefort
The Oxford Companion to Music, editado por Edison Latham


desNorte

17/02/2007

Blogues #15

Desta vez os parabéns vão para o muito kitsch Digitalis, na passagem do 4º aniversário.

Óperas #14: Joseph, de Étienne-Nicolas Méhul

A revolução francesa durou cerca de 10 anos, entre 1789, ano da Assembleia Nacional e da tomada da Bastilha, e 1799, com o início da tomada do poder por parte de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Por quem, por esta altura, Beethoven (1770-1827) nutria uma grande admiração, tendo-lhe mesmo dedicado a sua 3ª Sinfonia; decisão de que mais tarde se arrependeria, conforme aqui descrevemos há uns tempos.

Em 1791 apareceu a tuba curva, que foi muito utilizada nas celebrações da Revolução que entretanto decorria. Antecessora da tuba moderna, distingue-se desta por, por exemplo, não possuir qualquer válvula; a tuba moderna, recorde-se, é um instrumento metálico de sopro que possui entre 3 a 5 válvulas, o que lhe permite atingir uma gama de notas impossível para a cuba turva. Não há muitas obras musicais em que a tuba apareça como instrumento solista, mas é um instrumento que aparece frequentemente integrado nas orquestras. Étienne-Nicolas Méhul (1763-1817) utilizou a tuba curva na sua ópera Joseph, de 1807.

Esta ópera, estreada há 200 anos, no dia 17 de Fevereiro de 1807, foi uma das últimas por ele escrita. Era já um compositor consagrado, depois das várias obras líricas de sucesso que tinha escrito e de numerosas outras, algumas das quais instrumentais, que levaram a que fosse notado pelo próprio Napoleão, para quem iria compôr diversas obras. Um dos mais importantes compositores da sua época, apesar da pouca divulgação das suas obras nos dias de hoje, exerceu grande influência em compositores como o seu compatriota Hector Berlioz (1803-1869). Não será certamente por acaso que lhe chamaram o "maior sinfonista francês antes de Berlioz".


Internet

Étienne-Nicolas Méhul
American Balalaika Symphony
/ Wikipedia / Karadar / France diplomatie

14/02/2007

CDs #112: Isokoski, Viitasalo, Songs by Sibelius, Strauss and Berg

Johan Ludvig Runeberg (1804-1877) é considerado o poeta nacional da Finlândia. Quando nasceu, a Finlândia pertencia ainda ao reino da Suécia mas, pouco depois, deu-se a guerra com a Rússia, em cujo império viria a ser integrada. Situação que apenas se viria a alterar no decorrer da 1ª Guerra Mundial, quando conseguiu obter a almejada independência. Runeberg viria mais tarde a contar diversas histórias da guerra com a Rússia, no seu poema épico Fänrik Stals sägner. Runeberg, naturalmente, escrevia em sueco, o que não deixa de ser interessante, pois um dos versos do poema épico anteriormente referido foi utilizado naquilo que é ainda hoje o Hino Nacional da Finlândia...

Também o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) deu clara preferência aos textos em sueco para as suas canções; fê-lo em perto de 90, tendo utilizado poemas em finlandês em apenas 5 canções. Inevitavelmente, foram de Runeberg muito dos poemas escolhidos por Sibelius. O disco que aqui trago hoje contém uma dessas canções, com base no poema Spring is swiftly flying, que descreve as Estações duma época em que elas ainda eram normais:

Spring is swiftly flying,
swifter still flies summer,
autumn is delaying
winter drags more slowly.
(...)

O poema continua por aí adiante, mas terão que adquirir o disquinho para o poderem ouvir. É que, nesse caso, terão o extraordinário bónus de ouvir um grande soprano, a finlandesa Soile Isokoski, que hoje celebra o 50º aniversário. Parabéns!!!




Jean Sibelius
6 Songs.
Alban Berg
Sieben frühe Lieder.
Richard Strauss
5 Lieder.
George Gershwin
Summertime.
Oskar Merikanto
Ma elän.
Soile Isokoski (soprano), Marita Viitasalo (piano)
Wigmore Hall LiveWHLive0011
(2006)


Internet

Johan Ludvig Runeberg
Official Website / Wikipedia / Books and Writers

Jean Sibelius
Classical Music Pages / Wikipedia / Jean Sibelius - The Website / Virtual Finland / Jean Sibelius Web Pages / Jean Sibelius Works

Soile Isokoski
Virtual Finland / Fundação Calouste Gulbenkian / IMG Artists

12/02/2007

Compositores #78: Roy Harris (1898-1979)

Quando aqui falámos de Nadia Boulanger, referimos alguns de uma extensa lista de brilhantes alunos que teve. Entre eles, Roy Harris, compositor norte-americano nascido há 109 anos em Lincoln County. Coincidência notável esta, pois Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos, nasceu igualmente a 12 de Fevereiro, mas de 1809.


Roy Harris

Em breve falaremos por aqui de Anthony Philip Heinrich (1781-1861) que, juntamente com Roy Harris, Lou Harrison e Aaron Copland, entre outros, criou a música americana, se é que se pode utilizar tal termo. E Roy Harris é geralmente considerado como aquele que melhor reflectiu a América, dos longos espaços, das diferenças étnicas, tendo escrito sobre inúmeros temas patrióticos. A Sinfonia Nº3 é a sua obra mais conhecida, e uma das composições americanas mais frequentemente tocadas.


CDs



Roy Harris
Symphonies Nos. 1, "Symphony 1933" & 5. Violin Concerto.
Gregory Fulkerson, violino
Louisville Orchestra
Jorge Mester, Robert Whitney, Lawrance Leighton Smith
Albany AR012

Roy Harris
Symphonies Nos. 7 & 9. Epilogue to Profiles in Courage - J.F.K.
Ukraine National Symphony Orchestra
Theodore Kuchar
Naxos 8.559050

Roy Harris
Concerto for Two Pianos and Orchestra.
Pierre Max Dubois
Concerto Italien pour Deux Pianos et Orchestre.
Arthur Benjamin
North American Square Dance Suite.
Dorothy Jonas, Joshua Pierce (pianos)
Slovak Radio Symphony Orchestra
Kirk Trevor
Kleos Classics KL-5129


Internet

Roy Harris
Wikipedia / Classical Net / Naxos / G. Schirmer Inc. / The Morrison Foundation for Musical Research, Inc.

10/02/2007

Sopranos #12: Leontyne Price (1927-)

Ainda muito pequeno comecei a admirar os nomes sonantes dos actores de cinema, e interrogava-me como era possível aquela coincidência, de não só aparecerem na televisão e no cinema como, ainda por cima, terem nomes tão admiráveis. A cena musical não tem que ser diferente, e há que reconhecer que um nome como Maria Violeta nunca iria deixar alguém propriamente extasiado. Pois no dia 10 de Fevereiro de 1927 nasceu uma menina que, se fosse portuguesa, teria sido chamada de Maria Violeta; como nasceu no outro lado do Atlântico, chamaram-lhe Mary Violet. Claro que hoje ninguém a conhece por este nome, já que foi entretanto alterado para Leontyne Price, a nossa aniversariante do dia.

Com uma carreira iniciada na 2ª metade do século XX, Price tornou-se num dos mais admirados sopranos spinto, com um desempenho particularmente brilhante no papel de Aida da ópera homónima de Giuseppe Verdi (1803-1901), que cantou durante 30 anos e com o qual fez a despedida operática, em 1985, no Metropolitan Opera House
. E não se pense que lhe foi fácil chegar ao estrelato!: a cor da pele pode não influenciar as cordas vocais mas entope os neurónios de muito boa (!?) gente. Quando ela nos é apresentada como "o primeiro soprano afro-americano de registo", isso não só revela as qualidades de Leontyne Price, como nos diz bastante do que se passou até então.

Bom aniversário para aquela que foi, para Plácido Domingo, "the most beautiful Verdi soprano I have ever heard".


CDs



Leontyne Price reDiscovered
February 28, 1965 * Carnegie Hall Recital Debut.
Leontyne Price (soprano), David Garvey (piano)
RCA Red Seal 09026 63908-2

Giacomo Puccini
Tosca.
Leontyne Price (soprano), Giuseppe Taddei, Piero
de Palma (barítonos), Fernando Corena, Carlo Calva,
Leonardo Monreale, Alfredo Mariotti (baixos),
Giuseppe di Stefano (tenor)
Vienna State Opera Chorus
Vienna State Opera Orchestra
Herbert von Karajan
Decca Legends 466 384-2
(1963)


DVD



Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Leontyne Price (soprano), Fiorenza Cossotto (meio-soprano),
Luciano Pavarotti (tenor), Nicolai Ghiaurov (baixo)
Chorus of La Scala, Milan
Orchestra of La Scala, Milan
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 073 4055
(1967)


Internet

Leontyne Price
Leontyne Price "Voice of the Century"
/ Bach Cantatas / Wikipedia / Kennedy Center / About: Women's History / Classically Black: Leontyne Price

07/02/2007

Concertos para Piano #6: Concerto para Piano Nº1, de John Field

Os poucos, mas bons, que por aqui vão passando, já sabem do gosto exacerbado de John Field (1782-1837) pela pinga, que acabaria por lhe prejudicar seriamente a saúde e levar a uma morte prematura. Ironia do destino, a estreia do seu Concerto para Piano Nº1, no dia 7 de Fevereiro de 1799, em Londres, ocorreu no âmbito de um concerto destinado a apoiar "velhos e decadentes músicos ingleses"...

Nessa altura, contudo, o irlandês John Field, com apenas 17 anos, estava no início de uma brilhante carreira. Como pianista, obviamente, admirado por muitos dos mais reputados compositores do seu tempo, mas também como compositor. É que Field, de quem hoje poucos falam, abriu caminho para os grandes românticos, como Frédéric Chopin
(1810-1849), Felix Mendelssohn (1809-1847) e Robert Schumann (1810-1856).

Ao contrário dos noturnos, que lhe garantiram um lugar para a posteridade, as suas obras orquestrais (leia-se concertos para piano) não fazem parte do repertório usual; tal explicar-se-á por o compositor não ter atingido o mesmo brilhantismo neste género, o que muitos atribuem ao facto de, a partir de certo altura da sua vida, ter passado a ter uma visão do mundo geralmente desfocada...


CDs



John Field
Piano Concerto No.1 in E flat major.
Piano Concerto No.2 in A flat major.
Míceál O'Rourke (piano)
London Mozart Players
Matthias Bamert
Chandos CHAN9368
(1994)

John Field
Piano Concerto No.1 in E flat major.
Piano Concerto No.3 in E flat major.
Benjamin Frith (piano)
Northern Sinfonia
David Haslam
Naxos 8.553770


Internet

John Field
Classical Net
/ Wikipedia / NNDB / John Field: The Irish Romantic / Karadar Classical Music / Piano Society :: Nocturnes