29/03/2007

CDs #114: John Ireland, String Quartets, Maggini Quartet

O compositor Charles Stanford (1852-1924), um irlandês nascido em Dublin em Setembro de 1852 e falecido passam hoje 83 anos, ficou principalmente conhecido pelo facto de ter sido professor de alguns dos mais proeminentes compositores britânicos, como Frank Bridge (1879-1941), Gustav Holst (1874-1934), Ralph Vaughan Williams (1872-1958) e John Ireland (1879-1962). Senhor de um temperamento irascível, ficou também conhecido pelo seu feitio difícil, e por não enjeitar uma oportunidade de alimentar uma boa polémica.

John Ireland entrou para o Royal College of Music em 1893 e, 4 anos mais tarde, passaria então a ter Charles Stanford como professor. Só que, ao contrário deste, Ireland nunca se dedicou a compôr obras de grandes dimensões: zero sinfonias, nenhuma ópera, e apenas uma cantata de que, por sinal, foi gradualmente gostando menos ao longo do tempo... Dedicou-se essencialmente a escrever canções, peças instrumentais para piano e música de câmara.

Dos seus tempos estudantis não sobraram muitas obras, pois Ireland destruiu a maior parte das partituras. Entre as felizes sobreviventes contam-se os 2 quartetos de cordas presentes no disco aqui hoje trazido. O primeiro, finalizado em Março de 1897 teria como objectivo impressionar Stanford, que Ireland admirava profundamente, por forma a que ele o aceitasse como aluno. Objecto falhado no início, pois apenas terá conseguido uma expressão de desdenho de Stanford, mas mais tarde, com a apresentação de um segundo quarteto em Setembro desse mesmo ano, a coisa compôs-se, e lá começou a frequentar as tão ambicionadas aulas.

Ao procurar informações sobre os quartetos de cordas de John Ireland cruzei-me a certa altura com um tal Ireland String Quartet
, de que nunca tinha ouvido falar. Depois de ter lido esta preciosidade no site desse quarteto, duvido que alguma vez os queira ouvir...:

"We have a large selection of popular pieces written by the likes of Bach, Mozart, Vivaldi, Handel and Tchaikovsky all of which are instantly recognisable by everyone.

Our easy listening selection contains love songs of the 20’s and 30’s of Gershwin and Cole Porter and jazz standards of Duke Ellington. We also a have a range of love songs by the likes of the Commodores, Bryan Adams, Shania Twain and Eric Clapton and a few surprises in some tracks from the likes of the Beach Boys and Led Zeppelin. All in all, there is something for everyone; something to uplift, relax, or get the toe tapping.
"

Absolutamente aterrador!!!




John Ireland
String Quartet No.1 in D minor. String Quartet No.2 in C minor.
The Holy Boy.
Maggini Quartet
Naxos 8.557777
(2004)


Internet

Charles Stanford
Wikipedia
/ Classical Net / Boosey & Hawkes / Contemporary Music Centre

John Ireland
Wikipedia / The John Ireland Trust / John Ireland

27/03/2007

Maestros #31: Mstislav Rostropovich (1927-)

No ano passado trouxe aqui Mstislav Rostropovich, o violoncelista. Slava para os amigos, já que o mestre, como muitos gostariam de o tratar, detesta que o apelidem de tal. Hoje o convidado é Rostropovich, o maestro, mas, antes disso, não resisto a reproduzir esta extraordinária história por ele contada (*): "Avec mon violoncelle, je suis allé dans des endroits où aucun musicien n'était encore passé. Un jour de 1960, avec un trompettiste, un chanteur et un récitant, je suis parti à l'aventure pour la Sibérie. En plein hiver, nous allions en traîneau de village en village; nous étions accueillis à bras ouverts dans des ibas mal chauffées; la musique n'interrompait pas les bavardages de nos hôtes; si nous haussions le ton, ils parlaient encore plus fort. J'ai eu alors l'idée de jouer en sourdine: tout le monde s'est tu. C'est ainsi que j'ai su ce qu'était la beauté d'un vrai pianissimo".

A estreia de Rostropovich como regente de orquestra deu-se em 1961, e onde tocou Tchaikovsky (1840-1893) e a 5ª Sinfonia de Prokofiev (1891-1953). Na segunda metade dessa década de 1960, Rostropovich dirigiu inúmeras óperas no Teatro Bolshoi; no elenco encontrava-se frequentemente o soprano Galina Vichnevskaïa (1926-), com quem havia casado em 1955. Em 1970 o casal seria expulso do Bolshoi, por actividades políticas incompatíveis; o apoio público dado ao dissidente Aleksandr Solzhenitsyn (1918-) não era muito apreciado pelas autoridades, e o Prémio Nobel da Literatura que este ganhou nesse ano foi a gota de água.

Em 1974, um mês depois da nossa revolução, deixou a União Soviética; em 1978, ano em que lhe foi retirada a nacionalidade soviética, sucedeu a Antal Dorati na direcção musical da Orquestra Sinfónica Nacional de Washington, cargo que exerceu até 1988. Rostropovich teve uma relação especial com um compositor que já por aqui passou diversas vezes, Benjamin Britten (1913-1976), pela participação no Festival de Aldeburgh, que o compositor inglês fundou em 1948 e onde, no Verão de 1976, Rostropovich dirigiu a Sinfonia Nº14 de Dimitri Shostakovich (1906-1975). Britten, o dedicatário dessa sinfonia, morreria pouco tempo depois, em Dezembro desse mesmo ano.

Mstislav Rostropovich celebra hoje o seu 80º aniversário.


CDs




Sergei Prokofiev
Concerto for Violin and Orchestra No.1 in D, Op.19.
Dimitri Shostakovich
Concerto for Violin and Orchestra No.1 in D minor, Op.99.
Maxim Vengerov (violino)
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
Teldec 92256-2

Alfred Schnittke
Quasi una Sonata. Piano Trio. Piano Sonata No.2.
Mark Lubotsky (violino), Irina Schnittke (piano)
English Chamber Orchestra
Mstislav Rostropovich
Sony Classical SK53271

Dimitri Shostakovich
Symphony No.11 in G minor, "The Year 1905", Op.103.
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
LSO Live LSO0030

Dimitri Shostakovich
Violin Concerto No.1 in A minor, Op.77 (Op.99).
Violin Concerto No.2 in C sharp minor, Op.129.
Maxim Vengerov (violino)
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
Warner Elatus 0927-46742-2

Benjamin Britten
Violin Concerto, Op.15.
William Walton
Viola Concerto.
Maxim Vengerov (violino, viola)
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
EMI 5 57510-2

Han-Na Chang
Debut Recording.
Works by Tchaikovsky, Saint-Saëns, Fauré and Bruch.
Han-Na Chang (violoncelo)
London Symphony Orchestra
Mstislav Rostropovich
EMI Classics 5 56126-2


Internet

Mstislav Rostropovich
Mstislav Rostropovich: A Tribute / Sony Classical / Wikipedia / Vishnevskaya-Rostropovich Foundation / NETSABER


(*) La Symphonie des Chefs, de Robert Parienté (Éditions de La Martinière)

24/03/2007

CDs #113: Spanish Guitar Recital, Julian Bream

Isaac Albéniz (1860-1909) e Enrique Granados (1867-1916) tiveram muitos pontos em comum: ambos originários da Catalunha, foram pianistas e compositores, e os grandes responsáveis pela promoção da música espanhola; compuseram essencialmente música para piano e óperas e, curiosamente, apesar de aparecerem obras de ambos neste disco intitulado "spanish guitar recital", nenhum dos dois alguma vez compôs o que quer que fosse para guitarra!

Enrique Granados, falecido passam hoje 91 anos, compôs igualmente várias obras orquestrais; das 6 óperas que escreveu, apenas uma teve sucesso, aliás bastante sucesso: Goyescas, estreada em Nova Iorque, com a presença do compositor, no dia 28 de Janeiro de 1916. Em plena 1ª guerra mundial, portanto, e foi precisamente no regresso à Europa que encontrou a morte, quando o navio em que seguia foi atingido por um torpedo lançado por um submarino alemão. Curiosamente, viajar pelo mar era o meio de que Granados menos gostava...

Julian Bream, nascido em Londres no dia 15 de Julho de 1933, é um dos mais conceituados guitarristas, a quem compositores como Malcolm Arnold
(1921-), Benjamin Britten (1913-1976), Michael Tippett (1905-1998) e William Walton (1902-1983) dedicaram obras. No período pós-guerra, Julian Bream foi quem mais fez pela popularidade da música para guitarra. Instrumento a que decidiu dedicar-se depois de ouvir gravações de Andrés Segovia (1893-1987), de quem viria depois a ser aluno.




Isaac Albéniz
Mallorca, Op.202. Suite Española, Op.47.
Córdoba (Cantos de España, Op.323 No.4).
Enrique Granados
Dedicatoria. La Maja de Goya. Danza Española No.4.
Valses Poéticos. Danza Española No.5.
Joaquín Malats
Serenata.
Emilio Pujol
Tango Español. Guajira.
Julian Bream (guitarra)
RCA Red Seal 74321 68016-2
(1982, 1983)


Internet

Enrique Granados
Wikipedia
/ Biografia / Vidas Lusófonas / buscabiografias.com

Julian Bream
Wikipedia / Guitare Diffusion / Julian Bream / Julian Bream - Guitarist and lutenist

21/03/2007

Sinfonias #21: Sinfonia Nº1, de Sergei Taneyev

Em 1874, após a célebre cena da recusa de Nikolai Rubinstein (1835-1881) em tocá-lo, acabou por caber a Hans von Bülow (1830-1894) a honra de estrear o Concerto para Piano e Orquestra Nº1 de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893). Foi em Boston e no dia 25 de Outubro de 1875, e esta história já aqui foi contada há uns anitos. Esta acabou mesmo por ser a única obra para piano e orquestra de Tchaikovsky que não foi estreada pelo pianista Sergei Taneyev (1856-1915): o Concerto para Piano e Orquestra Nº2 foi por ele estreado no dia 11 de Março de 1881, e o Nº3 no dia 7 de Janeiro de 1895.

Taneyev não foi apenas um notabilíssimo pianista: foi também um reputado professor e um dos mais importantes compositores russos na viragem para o século XX. Relembro aquilo que dele disse o pianista Mikhail Pletnev (1957-): "(...) foi uma figura chave na história da música russa, o maior polifonista depois de Bach". Um pouco exagerado, talvez, mas revelador de uma admiração extrema por parte dum dos maiores pianistas do nosso tempo. Taneyev escreveu principalmente música de câmara; a sua obra mais conhecida, contudo, é uma ópera, Oresteya. Compôs também 4 sinfonias, das quais apenas a última foi publicada em vida do compositor, em 1901, o que levou a que, erradamente, seja ainda hoje por vezes identificada como a sua Sinfonia Nº1, Op.12. A Sinfonia Nº1 foi estreada no dia 21 de Março de 1898, passam hoje 109 anos. A verdadeira ou a falsa?!


Internet

Sergei Taneyev
Wikipedia / Sergey Ivanovich Taneyev / Naxos / allmusic / ANDaNTE

19/03/2007

Notícias #8


De Rui Manuel Amaral recebemos a solicitação para divulgar o seguinte:

Finalmente, e após numerosos e lamentáveis atrasos a que a direcção da "aguasfurtadas" é, como sói dizer-se, completamente alheia, o número 10 está aí. A revista terá uma primeira apresentação, dia 24 de Março, nos Espaços JUP (Rua Miguel Bombarda, 187), no Porto, às 16h00, no âmbito das comemorações dos 20 anos do NJAP/JU, a associação que edita a "aguasfurtadas".

Nos próximos dias, anunciaremos todos os detalhes sobre este número 10
e o programa que estamos a preparar para esta primeira apresentação. Em anexo, segue a capa da "aguasfurtadas" 10, cujo design foi desenvolvido pelo atelier "Bolos Quentes".

Agradecemos todo o apoio que nos puderem dispensar na divulgação desta nota.


Rui Manuel Amaral

--
Visite o blogue da revista "aguasfurtadas" em
http://revista-aguasfurtadas.blogspot.com/

18/03/2007

Blogues #16

Embora (muito) atrasado, por falta de tempo do blogger, deixo aqui uma nota para o texto do nosso amigo João Soares sobre a paz e a não-violência. O tema é sempre actual pelo que, apesar da manifestação lá referida ter sido realizada ontem, vale sempre a pena ler o que o João escreveu.

15/03/2007

Concertos #53

Fraca. Fraquinha. Má. É assim a programação da Casa da Música para o 2º trimestre deste ano. E, além de ser fraca, fraquinha e má, foi publicada tarde e a más horas. Nada disto, tanto quanto se sabe, poderá ser justificado por falta de verbas: o orçamento é dos mais generosos, e os bilhetes estão longe de ser dos mais baratos, o que torna toda esta situação ainda mais difícil de engolir.

A minha estreia na Casa da Música foi há cerca de 2 anos, em Abril de 2005, e logo com um recital do pianista austríaco Alfred Brendel (1931-). Seguiram-se muitos e bons concertos, que fui por aqui apresentando, e de que se destacaram os seguintes:

2005

Abril Alfred Brendel
Maio Mitsuko Uchida; Andreas Scholl
Junho Piotr Anderszewski
Julho Quarteto Borodin; Artur Pizarro
Agosto Orquestra de Jovens da União Europeia, Bernard Haitink
Setembro Quarteto Borodin
Outubro Viktoria Mullova; Angela Hewitt
Novembro Orchestre Révolutionnaire et Romantique, John Eliot Gardiner; Ensemble InterContemporain
Dezembro Quarteto Borodin; Stephen Kovacevich

2006

Janeiro Matthias Goerne
Fevereiro Emanuel Ax; Ian Bostridge
Maio Krystian Zimerman; Orquestra Nacional Russa, Mikhail Pletnev
Junho Alfred Brendel
Julho Northern Sinfonia, Thomas Zehetmair
Outubro Orquestra Barroca da União Europeia, Christophe Coin; Hespèrion XXI, La Capella Reial de Catalunya, Jordi Savall; Orquestra Barroca de Amesterdão, Ton Koopman
Novembro Steve Reich and Musicians

2007

Janeiro Murray Perahia


Do que está programado para o 2º trimestre deste ano, destaco:

Abril Grigori Sokolov
Maio Orchestre Révolutionnaire et Romantique, Viktoria Mullova, John Eliot Gardiner

Mais uma ONP aqui e uma Gulbenkian acolá, e é tudo. É tudo muito mau, pois claro, longe, muito longe, da programação do antigo regime; algo que tanto Carlos Araújo Alves como Henrique Silveira, que não sofrem de papas na língua, têm vindo repetidamente a denunciar.

Dentro do "normal", teremos este Sábado à tarde a ONP, desta vez dirigida por Michael Zilm, às voltas com a de Gustav Mahler (1860-1911). Mahler oblige...


Gustav Mahler
Sinfonia Nº6.
Orquestra Nacional do Porto
Michael Zilm

12/03/2007

Lugares #152

Visto vezes sem conta pela minha ascendência, devo reconhecer que nunca foi dos meus filmes favoritos. Aquela coisa de ter toda a gente a dançar e a cantar nunca fez muito o meu género, e nem o facto de meter pelo meio freiras, ex-freiras, nazis e outros que tal chegou para me converter. Só que (tinha que ser...) nem todos comungam desta minha indiferença e, uma vez em Salzburgo, dificilmente escaparia ao "passeio pelos locais onde foi filmado o filme Sound of Music". Esta era uma daquelas inevitabilidades, e qualquer tentativa de a contrariar estaria votada ao fracasso. Pelo que, a bem da harmonia familiar, lá fui com a restante prole, máquina em punho e máscara de turista feliz...





Os arredores da cidade são, diga-se em abono da verdade, absolutamente magníficos, pelo que o sacrifício não se afigurava de monta. Mal imaginava eu que ia levar com a xaropada da banda sonora durante toda a viagem...


Internet

Música no Coração
IMDb / Wikipedia / the Sound of Music by Salzburg Panorama Tours / The Sound of Music Lyrics

08/03/2007

Maestros #30: Thomas Beecham (1879-1961)

O maestro inglês Thomas Beecham (1879-1961) não se limitou a reger orquestras fundadas por outros, tendo ele mesmo tomado a iniciativa de criar várias (nada mau, para um maestro autodidacta!...): em 1915, a Beecham Opera Company; em 1932, a Orquestra Filarmónica de Londres; e, em 1946, a Orquestra Filarmónica Real. Ao contrário das outras, a Beecham Opera Company não teve vida longa; o facto de Beecham ter mantido em paralelo a direcção de récitas no Covent Garden gerou diversos conflitos, que terminariam com o fim da sua companhia em 1920. A Beecham Opera Company acabaria por dar origem à British National Opera Company. Que também não durou muito, convenhamos: a primeira récita teve lugar em Fevereiro de 1922, a última cerca de 7 anos depois, em Abril de 1929.

E, continuando à volta das iniciativas de Beecham, refira-se que se lhe deveu a primeira apresentação de Sergei Diaghilev (1872-1929) em Inglaterra quando, em 1914, Beecham lá organizou duas épocas de ópera e bailado russos. Ao longo de uma longa carreira, que se estendeu desde 1899, quando deu o primeiro concerto, até 1960, data do último, Beecham notabilizou-se em vários compositores: Handel (1685-1759), Haydn (1732-1809), Puccini (1858-1924), Sibelius (1865-1957) e Strauss (1864-1949), apenas para referir alguns e assim evitar uma extensa lista. Mas houve 2 compositores onde Beecham se destacou particularmente, não só pelo brilho que atingiu na interpretação das suas obras, mas também pela divulgação que lhes deu, numa época em que estavam muito longe de usufruir da popularidade de hoje: Frederick Delius (1862-1934), conforme já aqui
anteriormente referimos, e Hector Berlioz (1803-1869).

E depois possuía um sentido de humor aguçado, que o levava, por exemplo, a dirigir-se a uma violoncelista durante um ensaio nestes termos: "Minha senhora, tem entre as pernas um instrumento capaz de dar prazer a milhares de pessoas, e tudo o que consegue fazer é arranhá-lo"...

Thomas Beecham faleceu há 46 anos, no dia 8 de Março de 1961.


CDs





Hector Berlioz
Grande messe des morts, Op.5.
Royal Philharmonic Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4011-2

Hector Berlioz
Harold in Italy, Op.16. Le corsaire - overture, Op.21.
King Lear - overture, Op.4. Trojan March.
Frederick Riddle (alto)
Royal Philharmonic Orchestra
BBC Symphony Orchestra
BBC Legends BBCL4065-2

Hector Berlioz
Les Troyens.
M. Ferrer, Y. Cork (meios-sopranos), J. Giraudeau, I. Joachim,
M. Breaneze (sopranos), C. Cambon (baixo), C. Paul, E. Franck (barítonos)
BBC Theatre Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Malibran-Music CDRG162

Sir Thomas Beecham conducts Berlioz
Overtures from Le Carnaval Romain, King Lear, Waverley,
Les Francs-Juges and Le Corsaire.
Overture and March from Les Troyens.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89807

The RPO Legacy, Volume 5.
Beecham conducts Haydn, Dvorák, Berlioz, Liszt, Paisiello.
Royal Philharmonic Orchestra
Dutton Laboratories 2CDEA5026

Frederick Delius
Orchestral Works, Volume 3.
Brigg Fair (An English Rhapsody). Koanga: La Calinda (arr. Fenby).
Hassan: Closing Scene. Irmelin Prelude.
Appalachia (Variations on an Old Slave Song).
Jan van der Gucht (tenor)
BBC Chorus
Royal Opera House Chorus
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Naxos Historical 8.110906

Frederick Delius
A Mass of Life.
Rosina Raisbeck (sop), Monica Sinclair (contralto), Charles Craig (tenor),
Bruce Boyce (barítono)
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SM2K89432

Frederick Delius
Floria Suite. Over the Hills and Far Away. Songs of Sunset.
Maureen Forrester (contralto), John Cameron (barítono)
Beecham Choral Society
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI British Composers 5 75788-2

The Beecham Collection
Frederick Delius

A Village Romeo and Juliet, RTI/6. Songs of Sunset, RTII/5.
R. Soames (tenor), V. Terry, S. Hambleton, M. Davies, O. Haley (sopranos),
F. Smith, F. Sharp, R. Henderson (barítonos)
London Select Chorus
BBC Theatre Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Somm-Beecham 12-2

Sir Thomas Beecham conducts Delius
North Country Sketches. In a Summer Garden. Appalachia.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89429

Internet

Thomas Beecham
Wikipedia
/ Quotes / Sir Thomas Beecham / Thomas Beecham (Conductor)

05/03/2007

Barítonos #1: Tito Gobbi (1913-1984)

"Voz excelente, mas não muito ampla", "o seu sucesso deveu-se mais à sua inteligência musical do que às qualidades vocais", "faltavam-lhe corpo e textura à voz". Tiradas de 3 biografias diferentes, ao ler estas apreciações alguém menos ligado às questões musicais dificilmente imaginaria que elas se referem ao italiano Tito Gobbi, um dos maiores barítonos de sempre!


Tito Gobbi

É que Tito Gobbi, além de uma bela voz de barítono, era um actor nato, de extraordinárias capacidades cénicas, que lhe permitiram retirar o máximo de cada um dos papéis que interpretou. E foram mais de 100 ao longo da sua carreira, sendo que se salientou especialmente em Giuseppe Verdi (1813-1901) e em papéis de um dos grandes representantes do verismo, Giacomo Puccini (1858-1924).

Contracenou com Maria Callas (1923-1977), tendo alguns desses momentos, absolutamente únicos, ficado registados e estando disponíveis em disco. Participou ainda em perto de uma vintena de filmes, maioritária mas não exclusivamente dedicados a temas operáticos. Tito Gobbi faleceu no dia 5 de Março de 1984.


CDs



Giuseppe Verdi
Simon Boccanegra.
Tito Gobbi, Walter Monachesi, Paolo Dari (barítonos), Victoria de los
Angeles, Sylvia Bertona (sopranos), Giuseppe Campora, P. Caroli (tenores),
Boris Christoff (baixo)
Rome Opera Chorus and Orchestra
Gabriele Santini
EMI Références 5 67483-2
(1957)

Giuseppe Verdi
Falstaff. (2 gravações)
M. Stabile, T. Gobbi, P. Biasini, R. Panerai (barítonos), F. Somigli,
E. Schwarzkopf, A. Oltrabella, A. Moffo (sopranos), D. Borgioli, L. Alva,
A. Tedeschi, T. Spataro, G. Nessi (tenores)
Vienna State Opera Chorus and Orchestra
Arturo Toscanini, Herbert von Karajan
Andante AN3080
(1937, 1957)

Giacomo Puccini
Tosca.
Maria Callas (soprano), Giuseppe di Stefano, Angelo Mercuriali (tenores),
Tito Gobbi (barítono), Franco Calabrese, Melchiore Luise, D. Caselli (baixos)
Chorus and Orchestra of La Scala, Milan
Victor de Sabata
EMI GROC 5 67756-2
(1953)

Giacomo Puccini
Tosca.
Maria Callas (soprano), Renato Cioni, Robert Bowman (tenores), Tito Gobbi
(barítono), Victor Godfrey, Erc Garrett, Dennis Wicks, Edgar Boniface (baixos)
Chorus of the Royal Opera, Covent Garden
Orchestra of the Royal Opera House, Covent Garden
Carlo Felice Cillario
EMI 5 62675-2
(1964)


Internet

http://www.associazionetitogobbi.com/
http://www.operaitaliana.com/autori/interprete.asp?ID=667
http://www.guiaerudito.com.br/entrevistas/Tito%20Gobbi/entrevista_gobbi_pg1.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tito_Gobbi
http://en.wikipedia.org/wiki/Tito_Gobbi

01/03/2007

Compositores #79: Frédéric Chopin (1810-1849)

A Polónia teve uma história deveras atribulada e o século XVIII, em particular, revelou-se-lhe extremamente duro, com vários países a entreterem-se a dividirem-na entre si; por 3 vezes, só no último quartel desse século, e a festa prosseguiria nos tempos napoleónicos que se seguiram. O que é de mais é moléstia, diz o povo sabiamente e, nos finais de Novembro de 1830, deu-se uma insurreição armada contra os russos, que eram quem ditava leis lá no sítio. Começaram, compreensivelmente, por visitar a residência do grão-duque Konstantin Pavlovich (1779-1831) que, vestido de mulher, lá logrou escapulir-se (o vídeo não se encontra disponível no YouTube...). Apesar de algumas significativas vitórias, as forças em campo estavam longe de ser equilibradas e, no início de Outubro de 1831, os russos voltaram a dominar completamente a situação.

Nessa época Chopin dava frequentes concertos em Viena e, informado do que se passava no seu país Natal, optou pelo não regresso. Em 1831 mudou-se de armas e bagagens para Paris onde, além de compor, dava concertos, embora não muitos, e era professor de piano. Exorbitantemente pago, diga-se em abono da verdade... Desta fase, há algumas obras emblemáticas, que abrangeram a fase de transição entre a Polónia e França:

» Os Estudos, Op.10, compostos entre 1830 e 1832;
» Os Nocturnos, Op.9, compostos entre 1830 e 1832; e
» Os Nocturnos, Op.15, escritos entre 1830 e 1833.

E este é um repertório em que brilhou (brilha) intensamente a nossa Maria João Pires (1944-), com gravações que são de absoluta referência. Quanto a Chopin, parece que passam hoje 197 anos sobre a data do seu nascimento. Não há registos que o confirmem, antes pelo contrário, mas o compositor nunca aceitou outra data que não o dia 1 de Março de 1810...


CDs




Frédéric Chopin
12 Études, Op.10. 4 Rondos - Opp.1, 5, 16 & 73.
Frederic Chiu (piano)
Harmonia Mundi HMU907201
(1996)

Frédéric Chopin
Nocturnes - Opp.9, 15, 27, 32, 37, 48, 55, 62 & No.19, Op.72 No.1.
Scherzi - Opp.1, 2, 3 & 4.
Artur Rubinstein (piano)
Naxos Historical 8.110659-60

Frédéric Chopin
Nocturnes. Ballades. Waltzes. Scherzi.
Shura Cherkassky (piano)
BBC Legends BBCL4057-2
(1970, 1978, 1980, 1983, 1987, 1988, 1991)

Dame Moura Lympany Plays Chopin
Waltzes & Nocturnes.
Moura Lympany (piano)
Dutton Laboratories 2CDBP9715

Frédéric Chopin
Études - Opp.10 & 25.
Murray Perahia (piano)
Sony Classical SK61885
(2001)

Frédéric Chopin
The Complete Nocturnes.
Bernard d'Ascoli (piano)
Athene Minerva 23 201

Frédéric Chopin
The Nocturnes.
Maria João Pires (piano)
Deutsche Grammophon 447 096-2


Internet

Frédéric Chopin
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desNorte

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