30/04/2007

Lugares #154

Reza a história que os brasileiros adicionavam um sobrenome aos portugueses que se davam ao trabalho de atravessar o Atlântico, dependendo do local onde assentavam raízes: Costa para os que se ficavam pelo litoral, Silva para os outros. O Silva estaria relacionado com selva, o que até nos é fácil de entender no Portugal Continental de hoje, onde o litoral é bem mais desenvolvido que o interior (a "selva"...).

Ali para os lados de Valença, na freguesia de São Julião, existe uma torre medieval de nome Torre de Silva. Datada por volta do século XIV, passa por ser uma das mais antigas torres senhoriais do nosso país, encontrando-se em excelente estado de conservação. Pelo menos assim parece vista de fora, já que não tivemos oportunidade de a visitar. E não foi por não termos tocado à campainha que enfeita o magnífico portão que impede a visita dos curiosos...

Diz quem sabe que a fachada posterior tem, ao nível do segundo piso, uma bela porta de arco quebrado. Como a nossa máquina fotográfica, apesar de habilidosamente inserida pelas grades do referido portão, apenas consegue fotografar fachadas anteriores, resta-nos usar da imaginação para adivinhar tão formosa porta... Dizem-nos também que "possui uma interessante escadaria exterior encostada a uma das faces"; neste caso, já não há necessidade de sobrecarregar a imaginação, pois a única vista que nos é permitida revela-nos os traços essenciais.

Quanto ao nome Silva dado à torre vem, curiosamente, dos nossos vizinhos galegos. É que a família Silva foi uma das mais ilustres de Espanha, e um dos seus membros, D. Guterre Aldrete da Silva, foi quem, no século XIV, fundou a casa-solar junto ao rio Minho. Os portugueses, sempre felizes nestas coisas, teriam, uns séculos mais tarde, o seu D. Guterres, de gestação local, de que se desconhece o que fundou mas se sabe muito bem o que ia afundando...


Internet

São Julião
Minhaterra / Câmara Municipal de Valença / Freguesia de São Julião

27/04/2007

Violoncelistas #9: Mstislav Rostropovich (1927-2007)

1927-2007

Hoje desapareceu um dos maiores violoncelistas de todos os tempos. Eram conhecidos os graves problemas de saúde que afectavam o violoncelista e maestro russo Mstislav Rostropovich, pelo que a triste notícia do seu falecimento não é de todo inesperada. O proscrito de outrora, que chegou a ver ser-lhe retirada a cidadania soviética, apenas na era Gorbachev seria reabilitado. Sinal dos novos tempos, há um mês atrás o próprio presidente russo participou nas celebrações do 80º aniversário de um Rostropovich visivelmente debilitado.

Internet

Mstislav Rostropovich
O Globo / Último Segundo / Estadão / Diário Digital



desNorte


25/04/2007

Sopranos #13: Astrid Varnay (1918-2006)

Por uma notável coincidência, as sopranos Astrid Varnay, e Birgit Nilsson (1918-2005), falecida em Dezembro do ano passado, nasceram no mesmo país, a Suécia, e no mesmo ano, 1918, separadas por menos de 1 mês. Varnay nasceu no dia 25 de Abril, Nilsson no dia 17 de Maio.

Varnay e Nilsson, contudo, não partilharam muitos papéis, apesar de ambas se terem notabilizado em Richard Wagner (1813-1883). Na estreia no Met, em 1941, Varnay fez o papel de Sieglinde, na ópera Die Walküre, de Wagner. Suceder-se-iam os êxitos em várias das óperas desse compositor: Brünnhilde, ainda em Die Walküre, um papel em que Nilsson também brilhou; Isolde, obviamente em Tristan und Isolde; Senta, em Der fliegende Höllander; Ortrud, um papel de meio-soprano em Lohengrin, e Kundry, em Parsifal. Recorde-se que, a partir de certa altura da sua carreira, Varnay atacou igualmente papéis de meio-soprano, como o de Ortrud, ou os de Herodias e Clytemnestra, nas óperas de Richard Strauss (1864-1949) Salome e Elektra, respectivamente.

Astrid Varnay nasceu há 89 anos, no dia 25 de Abril de 1918.


CDs




Richard Strauss
Elektra.
Astrid Varnay, Leonie Rysanek (sopranos), Res Fischer (meio-soprano),
Hans Hotter (baixo-barítono), Helmut Melchert (tenor)
Cologne Radio Symphony Orchestra Chorus
Cologne Radio Symphony Orchestra
Richard Krauss
Koch Swann 3-1643-2

Richard Strauss
Elektra.
Astrid Varnay, Elisabeth Höngen, Paul Schöffler, Walburga Wegner,
Set Svanholm, Alois Pernerstorfer, Ludomir Vichegonov, Paul Franke,
Paula Lenchner, Jean Madeira
Metropolitan Opera Chorus
Metropolitan Opera Orchestra
Fritz Reiner
Guild GHCD 2285/6

Giuseppe Verdi
La traviata.
Rosanna Carteri, Rina Allesandri Maccagnani (meios-sopranos), Cesare
Valletti (tenor), Leonard Warren (barítono), Astrid Varnay (soprano),
Raymond Keast (baixo-barítono)
RCA Victor Orchestra
Pierre Monteux
Testament SBT21369

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
H. Uhde (barítono), I. Malaniuk, H. Töpper (meios-sopranos), G. Treptow,
M. Lorenz, W. Windgassen (tenores), A. Varnay, I. Borkh (sopranos),
H. Hotter, G. Neidlinger (baixos-barítonos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Joseph Keilberth
Archipel ARPCD0113

Richard Wagner
Der Ring des Nibelungen.
H. Hotter, G. Neidlinger (baixos-barítonos), I. Malaniuk, H. Plümacher
(contraltos), E. Witte, P. Kuen, G. Stolze, W. Windgassen (tenores),
B. Falcon, A. Varnay, B. Friedland, R. Streich (sopranos)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Clemens Krauss
Archipel ARPCD0250

Richard Wagner
Lohengrin.
Wolfgang Windgassen (tenor), Birgit Nilsson (soprano), Astrid Varnay
(meio-soprano), Hermann Uhde, Dietrich Fischer-Dieskau (barítonos),
Theo Adam (baixo-barítono)
Bayreuth Festival Chorus
Bayreuth Festival Orchestra
Eugen Jochum
Archipel ARPCD0281


Internet

Astrid Varnay
Astrid Varnay / Wikipedia / Astrid Varnay - The Final Conversation / Astrid Varnay Remembers Birgit Nilsson

23/04/2007

Concertos #56

Algumas notas breves, ainda a quente, no rescaldo do fim-de-semana pianístico:

1.

O recital de Maria João Pires foi diferente. Pela selecção de obras (de que falarei noutra altura), e pelo ambiente intimista e, diria mesmo, quase religioso, em particular aquando da participação do maestro César Viana. Diferente, também, o sapateado da pianista, num batuque constante aquando das passagens mais energéticas. Desconhecia-lhe em absoluto esse tique, pois nunca tinha tido a oportunidade de a ver ao vivo, e devo reconhecer que me incomodou um bocado, distraindo-me por vezes de uma interpretação de que, diga-se, gostei muito.

2.

Antes desse recital demos umas voltas ali pela marginal, entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. A certa altura depará-mo-nos com um grupo que, ruidosamente, exibia toda a sua alarve falta de respeito pelo próximo. Depois de assistir ao que fizeram a um sujeito que se limitava a tocar guitarra na passagem subterrânea que liga o jardim do Mosteiro dos Jerónimos à marginal junto do referido Padrão, sou tentado a pôr em causa alguns dos princípios que deveria considerar fundamentais. E pergunto-me que tipo de tratamento uma sociedade moderna deverá aplicar a imbecis como estes que, na sua cultura de violência, exibem carecas brilhantes e tatuagens por tudo o que é epiderme, reclamam-se de um patriotismo exclusivo e nos insultam a todos?!

19/04/2007

Concertos #55

Para os leitores deste canto, não é novidade o nosso desapontamento com a actual programação da Casa da Música. Sem ter nada contra as outras formas de expressão musical, é óbvio que nos preocupamos principalmente com a denominada "música clássica", e esta, apesar da formação musical do responsável pela programação, encontra-se em evidente perda por aquelas bandas. Foi assim com alguma ironia que assistimos às prosas laudatórias aquando da recente celebração do 2º aniversário da casa, algo que não nos recordamos de ter presenciado noutras alturas, em que tal bem mais se justificava. Tal diz muito não só de quem escreveu tais coisas, por não saberem do que falavam, como da maioria da população, principalmente a nortenha, que se está borrifando para o assunto.

Como resultado directo disto, as nossas idas à zona da Boavista diminuíram significativamente, algo que temos vindo a procurar compensar de várias formas. E é assim que no próximo fim-de-semana, conforme já antes aqui referimos, lá vamos rumar à capital do piano, ansiosos por encontrar pela primeira vez alguns dos nossos heróis dos teclados. Depois do concerto com Pascal Rogé (1951-) e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, pelas 14 horas de Sábado, vamos assistir ao (por nós) muito aguardado recital de Maria João Pires (1944-), de que tudo o que se conhece do programa é: "Carta Branca"... Não há muitos pianistas para cujos recitais compraríamos bilhetes sem saber de antemão coisa alguma sobre aquilo que pretendiam tocar. Está visto que, no que nos diz respeito, Maria João Pires tem mesmo carta branca...

No Domingo à tarde, pelas 17 horas, temos novo encontro marcado com o pianista polaco Piotr Anderszewski (1969-), quase dois anos depois do anterior. Repetir-se-ão Bach (1685-1750), desta vez com a Suite Inglesa Nº6, e Szymanowski (1882-1937), de novo com as Métopes. Programa quase inalterado, esperamos que se mantenha a excelência da interpretação.

18/04/2007

Compositores #80: Ottorino Respighi (1879-1936)

Nunca tive a oportunidade de visitar Roma, apesar de já ter estado várias vezes em Itália. E não foi por falta de vontade ou de curiosidade, mas apenas por nunca ter sido possível encontrar buracos nessas viagens que me permitissem lá dar um salto. O que é uma pena, evidentemente, sabendo da história que a cidade carrega, mas ainda não perdi as esperanças...

Sabendo também, diga-se, do fascínio que essa cidade exerceu sobre muito boa gente, nomeadamente sobre alguns compositores bem nossos conhecidos. Foi o caso do italiano Ottorino Respighi que, apesar de só para lá ter ido viver quando já ia na sua 4ª década de existência, ficou apanhadinho de todo. Veio-se então a provar que o choque foi deveras benéfico; é que, se até então as obras que tinha composto não lhe granjearam grande fama (fama nenhuma, para dizer a verdade...), tudo mudaria para melhor, graças em boa medida aos poemas sinfónicos inspirados por tão histórica cidade: Fontane di Roma (1915-6), Pini di Roma (1924) e Feste Romane (1928). Ainda hoje estas são as suas obras mais conhecidas.

Respighi faleceu há 71 anos, no dia 18 de Abril de 1936.


CDs



Ottorino Respighi
The Pines of Rome. The Fountais of Rome. Roman Festivals.
Pittsburgh Symphony Orchestra
Lorin Maazel
Sony Classical SK66843
(1994)

Ottorino Respighi
Church Windows. Brazilian Impressions. Roman Festivals.
Cincinnati Symphony Orchestra
Jesús López-Cobos
Telarc CD80356

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Manfred Symphony in B minor, Op.58.
Ottorino Respighi
Pines of Rome.
Bournemouth Symphony Orchestra
Constantin Silvestri
BBC Legends BBCL4007-2
(1963, 1967)

Ottorino Respighi
Fountains of Rome. Pines of Rome. Roman Festivals.
Oregon Symphony Orchestra
James DePreist
Delos DE3287
(1987, 2001)


Internet

Ottorino Respighi
MusicWeb International / Wikipedia / Ottorino Respighi / Classical Net / Ottorino Respighi, Composer

15/04/2007

Concertos #54

O Concurso Internacional Tchaikovsky teve a sua primeira edição em 1958, e logo aí conseguiu reunir nos júris alguns dos mais importantes músicos e compositores: Emil Gilels, Kabalevsky, Sviatoslav Richter, Arthur Bliss e o nosso Sequeira Costa, no concurso de piano, e David Oistrakh, Khachaturian e Leonid Kogan, no de violino, para citar só alguns.




Depois, ao longo de quase 5 décadas, foi premiando vários músicos que viriam a ter carreiras internacionais bem sucedidas, tais como: Vladimir Ashkenazy (piano, 1962), Grigory Sokolov (piano, 1966), Gidon Kremer (violino, 1970), Elena Obraztsova (vocal, 1970), Andrei Gravilov (piano, 1974), Mikhail Pletnev (piano, 1978), Viktoria Mullova (violino, 1982), Boris Berezovsky (piano, 1990) e Deborah Voigt (vocal, 1990).

Alguns destes músicos já tinham passado pela Casa da Música, como Mikhail Pletnev (1957-) e Viktoria Mullova (1959-). Ontem foi a vez do pianista Grigory Sokolov (1950-) pisar o palco, no âmbito das comemorações do 2º aniversário da dita cuja casa. O pianista director artístico lá do sítio vê grandes motivos de regozijo, não só nestas comemorações, como também na qualidade da actual programação. Compreende-se, se não for ele a dizer bem da coisa, quem o irá fazer?! Adiante...

Neste recital Sokolov começou por tocar a Sonata para Piano, D958, de Franz Schubert (1797-1828), escrita no ano da sua morte e uma das três últimas por ele compostas (em conjunto com as Sonatas D959 e D960), a que se seguiu uma 2ª parte inteiramente dedicada à música de Alexander Scriabin (1872-1915). Desta vez não tivemos o Scriabin megalómano, o delirante autor de Mysterium, "a grandiosa síntese de todas as artes", mas antes o Scriabin compositor de música para piano, com destaque particular para as sonatas para esse instrumento.


Programa

Franz Schubert
Sonata em dó menor, D958.
Alexander Scriabin
Prelúdio e Nocturno para a Mão Esquerda, Op.9.
Sonata Nº3 em fá sustenido menor, Op.23. Dois Poemas, Op.69.
Sonata Nº10, Op.70. Vers da Flamme - Poema em mi menor, Op.72.
Grigory Sokolov (piano)


Internet

Grigory Sokolov
Calouste Gulbenkian Foundation / Wikipedia / Grigory Sokolov

10/04/2007

CDs #116: George Antheil, Piano Concertos 1 & 2

O dia 10 de Abril de 1927 ficaria para sempre marcado no curriculum do compositor norte-americano George Antheil (1900-1959). Do programa do concerto a ter lugar nesse dia no Carnegie Hall de Nova Iorque constavam várias obras suas: a Sonata para Violino Nº2, o Quarteto de Cordas Nº1, a estreia de A Jazz Symphony e o, consta que ansiosamente aguardado, Ballet mécanique.

A estreia d'A Jazz Symphony até correu bem; o maestro, Allie Ross, que substituiu um titular W. C. Handy incapaz de se desenvencilhar das complicações rítmicas da partitura, deu bem conta do recado e, no fim, o público aplaudiu o suficiente para se poder considerar um sucesso. O pior veio depois, com o Ballet mécanique. O organizador, ciente da fama que precedia o compositor (histórias para outra ocasião), decidiu fazer uma coisa em grande, que resultou num cenário por alguns descrito como medonho, enfeitado por adereços que a maioria classificou do mais requintado mau gosto.

Para melhor se compreender o impacto criado, convém talvez aqui referir que esta obra exige uma orquestra adaptada, em especial na percursão, fazendo uso de sirenes, relógios-despertadores, sinos eléctricos, oito pianos e... um propulsor de avião. Por esta altura já estarão a imaginar o sucedido. O empresário não quis fazer a coisa por menos e espetou no palco do Carnegie Hall um motor de avião... verdadeiro que, assim que entrou em acção, semeou o caos entre a plateia, criando um vendaval que tudo fez ir pelos ares! Como se tal não bastasse para arruinar a noite, houve ainda um pequeno percalço, provavelmente causado pela insuficiente preparação para o concerto: este deveria terminar com o som da sirene, só que o músico encarregue de a accionar apenas o conseguiu fazer já muito tarde, entrando completamente fora de tempo. Resultado: já a orquestra tinha terminado a obra há cerca de um minuto e ainda se ouvia o som estridente da dita sirene por toda a sala, com o infeliz músico incapaz de a silenciar...

Este desastre fez naturalmente esquecer o sucesso da estreia d'A Jazz Symphony, e a carreira de Antheil ficaria definitivamente marcada por tão infeliz concerto. Esta é precisamente uma das obras que consta do disco aqui trazido hoje, se bem que na sua versão de 1955, encurtada em cerca de 5 minutos em relação à original.




George Antheil
Piano Concerto No.1. Piano Concerto No.2.
A Jazz Symphony. Jazz Sonata. Can-Can.
Sonatina. Death of machines. Little Shimmy.
Markus Becker (piano)
NDR Radio Philharmonie
Eiji Oue
CPO 777 109-2
(2004)


Internet

George Antheil
Wikipedia / G. Schirmer Inc. / The Ballet mécanique page / IRCAM

06/04/2007

Pianistas #17: Pascal Rogé (1951-)

Recentemente assistimos a um concerto em que a Orquestra Nacional do Porto foi dirigida pelo maestro Michael Zilm (1957-), para interpretar a 6ª Sinfonia de Gustav Mahler (1860-1911). Na altura aproveitei para me lamentar da menor qualidade da actual programação da Casa da Música, opinião partilhada por muito boa gente. Havia que evitar eventuais depressões, pelo que aqui o agregado, após aturada reflexão e em jeito de compensação, decidiu mudar de ares musicais, embora apenas por um fim-de-semana. O de 21 e 22 de Abril, para ser mais preciso, aproveitando os Dias da Música no Centro Cultural de Belém. Uma excelente razão para nos deslocarmos à capital, pois claro!

Na abertura vamos encontrar de novo Michael Zilm, desta vez à frente da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Do programa constarão duas obras do compositor francês Francis Poulenc (1899-1963): Aubade, concerto coreográfico para piano e dezoito instrumentos, e o Concerto para Dois Pianos e Orquestra. Para bater nas teclas teremos os pianistas Ami Hakuno e Pascal Rogé (1951-). Este último, alvo da minha admiração há já muitos anos, celebra hoje o seu 56º aniversário.

Pode-se afirmar que Pascal Rogé vai jogar em casa; apesar de ter um repertório deveras alargado, deu sempre especial ênfase à música dos seus compatriotas, com particular destaque precisamente para Poulenc, de quem gravou o ciclo completo das obras para piano. Foi ainda com um disco deste compositor que Pascal Rogé, em 1988, ganhou um prémio Gramophone para o melhor disco instrumental desse ano.


Internet

Pascal Rogé
Official Website / Wikipedia / Schmidt Artists International, Inc. / Hexagone.net / clarion seven muses

05/04/2007

Violinistas #5: Mischa Elman (1891-1967)

Bohuslav Martinu (1890-1959) foi um dos compositores que mais contribuiu para o género concertante, com cerca de uma trintena de obras à sua conta. Deste legado fazem parte 2 concertos para violino; o Concerto Nº2 foi dedicado ao violinista de origem ucraniana Mischa Elman, que o estreou em 1943. O concerto tinha resultado de uma encomenda de Elman, pelo que a troca de amabilidades mais do que se justificava...

Claro que, por essa altura, a fama de Elman já estava mais do que estabelecida. Menino prodígio, que muito precocemente mostrou um enorme talento para tocar violino, estreou-se em público aos 13 anos, no dia 13 de Outubro de 1904. Quanto ao
aquecimento para esse concerto, fê-lo na véspera, e logo tocando para o consagradíssimo Joseph Joachim (1831-1907). A coisa deverá ter corrido razoavelmente bem, porque as únicas palavras que Joachim conseguiu articular foram "estou sem palavras"...

Nesse mesmo ano de 1904 o compositor russo Alexander Glazunov (1865-1936)
entretinha-se a escrever o seu Concerto para Violino, que seria estreado nesse mesmo ano por um antigo aluno de Joseph Joachim: Leopold Auer (1845-1930). A estreia londrina aconteceria no ano seguinte e, nessa ocasião, foi a vez de brilhar um antigo e extraordinário aluno do próprio Auer: Mischa Elman...

Mischa Elman faleceu há 40 anos, no dia 5 de Abril de 1967.


Internet

Mischa Elman
Legendary Violinists / Wikipedia / Tribute to Mischa Elman / In Conversation With: Mischa Elman

02/04/2007

Lugares #153

Não haveria razão para que se lhe aplicasse regra diferente das dos outros monumentos nacionais, pelo que tem a única porta fechada a 7 chaves, impossibilitando qualquer visita. Havia, contudo, que lhe dar alguma utilidade, pelo que se entende que a vizinhança lá fixe as cordas de secar a roupa...

Claro que quando, em 1130, D. Lourenço de Abreu construiu um castelo em Lapela, Monção, teria outros fins em vista. E se D. Afonso Henriques (1111-1185) lhe deu instruções para tal, cerca de 600 anos depois, em 1706, D. João V (1689-1750) mandou deitar tudo abaixo, que as pedrinhas faziam muita falta para a fortificação da Praça de Monção. Em rigor, nem tudo foi abaixo, pois está visto que a torre de menagem escapou. A Torre da Lapela, como é conhecida por ficar na freguesia com o mesmo nome, tem a companhia privilegiada do rio Minho. Essa é a parte positiva. A menos positiva é o facto de se encontrar absolutamente sufocada, rodeada de habitações por todos os lados, que impedem que seja devidamente apreciada.




Mesmo assim, dever-se-á dar por muito feliz por ainda lá estar! É que as poucas pedras do castelo que ficaram de pé em 1706 foram utilizadas em 1860 para... calcetar ruas! Não fosse entretanto ter aparecido a mania do alcatrão e imaginem o destino da nossa torre...


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Torre da Lapela
Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais / Portugal web / Câmara Municipal de Monção / Lapela

01/04/2007

CDs #115: Ferruccio Busoni, Violin Concerto, Violin Sonata No.2

O pai de Ferruccio Busoni (1866-1924), clarinetista de profissão, começou bem cedo a levar o filho pelos caminhos da música, e não tardou que este se evidenciasse como pianista virtuoso. Busoni começou a dedicar-se igualmente cedo à composição e, aos 17 anos, já ia no opus 40. Só que, chegado a esse ponto, decidiu fazer regredir a contagem para o opus 31 e começar de novo a partir daí, lançando a confusão entre aqueles que procuravam colocar alguma ordem nas suas obras. Para ajudar ainda mais à festa, em 1900, resolveu atribuir o opus 1 à sua Sonata para Violino Nº2, que tinha acabado de escrever, por achar que ela representaria um ponto de viragem nas suas composições...

Esta sonata é uma das duas obras constantes de um disco editado em 2005 pela Sony Classical. A outra, que o abre, é o Concerto para Violino, uma obra pouco conhecida deste compositor largamente desconhecido. E se não fosse o já nosso conhecido violinista Joseph Szigeti
(1892-1973), o concerto poderia ter desaparecido totalmente. É que Szigeti, aí por volta de 1912, conheceu pessoalmente Busoni, numa fase em que o compositor se mostrava pouco convencido sobre a qualidade das obras compostas na juventude, incluindo este concerto para violino. Que tinha estreado em Berlim em 1897, com algum sucesso, mas que Szigeti se viu forçado a tocar com o próprio Busoni ao piano, para que este último, finalmente, admitisse algumas qualidades na obra: "uma boa peça, se bem que despretensiosa"...

Ferruccio Busoni nasceu há 141 anos, no dia 1 de Abril de 1866.




Ferruccio Busoni
Violin Concerto in D major, Op.35. Violin Sonata No.2, Op.36a.
Frank Peter Zimmermann (violino), Enrico Pace (piano)
Orchestra Sinfonica Nazionale della RAI
John Storgards
Sony SK94497
(2003, 2004)


Internet

Ferruccio Busoni
Wikipedia
/ Ferruccio Busoni Website / Karadar