31/07/2007

Lugares #161

Numa época em que os EBITs, os resultados trimestrais ou a distribuição de dividendos são do mais sacrossanto que existe, paradoxalmente, nem sempre os clientes das empresas, sem os quais não há resultados que resistam, são (bem) considerados. Que o digam os habitantes de Barcelona, por exemplo, que poderão ter recebido uns trocos em dividendos da EDP lá do sítio, mas estiveram uns quantos dias sem electricidade em casa. É que fica sempre melhor para o rating de uma empresa anunciar que distribuiu uns tantos milhões em dividendos, do que admitir que teve que pegar no dinheirinho e investi-lo por forma a tentar evitar o colapso das infraestruturas obsoletas...



Na semana passada o presidente do BES veio para as televisões anunciar os gordos resultados da primeira metade de 2007. Sempre melhores que os anteriores, como tem sido apanágio dos últimos tempos, mas nunca suficientes, na óptica dos doutos gestores da instituição. Este mesmo princípio aplica-se a todos os outros bancos, pelo que não há-de faltar muito até nova investida no sentido de começarem a aplicar as famosas taxas de utilização do Multibanco.

Pois na Segunda-feira da semana passada, a tal semana da apresentação dos gloriosos resultados do BES, este agregado familiar, que se encontrava em Londres em gozo de mais do que merecidas férias, ficou sem jantar. Graças ao BES que, demasiado ocupado, quiçá mesmo excitado, na preparação da tal apresentação dos magníficos resultados, se esqueceu de que tinha clientes, alguns dos quais fora do país. Durante várias horas foi totalmente impossível utilizar cartões, de crédito ou de débito. Bem que procurámos socorro ao longo da tarde, conforme as poucas notas iam desaparecendo da carteira (e quem já esteve em Londres sabe bem a que velocidade elas desaparecem...); quando, finalmente, conseguimos que alguém nos atendesse na linha directa de apoio ao cliente, foi-nos dito que "já tinham recebido outras reclamações em tudo semelhantes", e que "possivelmente havia um problema com a utilização dos cartões BES no estrangeiro" e que, portanto, "estavam a envidar todos os esforços no sentido de o resolver". Claro que "compreendiam a nossa situação" (sem cheta no bolso...), mas que, "como nós igualmente compreenderíamos, não havia nada que pudessem fazer de imediato para nos ajudar".

Nessa noite fomos todos dormir com a barriga cheia... de chá. Mas hoje, sabedores de quão lucrativo o nosso banco é, estamos muito mais felizes.

29/07/2007

CDs #125: Robert Schumann, Piano Concerto, Symphony No.4

A viragem da década de 1830 para 1840 coincidiu com mudanças significativas na produção musical do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856). Na verdade, se anteriormente tinha escrito principalmente música para piano, em 1840, conforme já aqui referido, dedicou-se quase em exclusivo à música vocal para, no ano seguinte, virar-se para a música sinfónica. Entre Janeiro e Fevereiro de 1841 comporia aquela que seria a sua Sinfonia Nº1, estreada no dia 31 de Março desse mesmo ano, com Felix Mendelssohn (1809-1847) a dirigir a orquestra. Com apreciável sucesso, diga-se, apesar do desconhecimento do público em relação à existência de um Schumann sinfónico.

Logo de seguida começou a trabalhar numa nova sinfonia que, por vicissitudes várias, viria a ser a sua Sinfonia Nº4... Estreada na sua versão original no dia 6 de Dezembro de 1841, esteve longe de registar o sucesso da , pelo que o compositor optou por retirá-la de cena; nessa ocasião a orquestra foi regida por Ferdinand David (1810-1873), que era igualmente um violinista virtuoso, tendo sido o solista na estreia do Concerto para Violino de... Mendelssohn. Só depois da estreia da Sinfonia Nº3, a 6 de Fevereiro de 1851, é que Schumann iria rever aquela que deveria ter sido a segunda sinfonia, e estrear a nova versão no dia 3 de Março de 1853, já sob a designação de Sinfonia Nº4, Op.120, e com o próprio Schumann na regência.

A interpretação aqui hoje trazida não se encontra à venda em formato CD (apenas em DVD), podendo sendo adquirida através da Decca Concerts. Pelo que o título deste texto está errado mas, à falta de melhor...

Robert Schumann faleceu há 151 anos, no dia 29 de Julho de 1856.




Robert Schumann
Genoveva: Overture, Op.81. Piano Concerto in A minor, Op.54. Symphony No.4 in D minor, Op.120.
Martha Argerich (piano)
Gewendhausorchester Leipzig
Riccardo Chailly
Decca Concerts
(2006/7)


Internet

Robert Schumann Robert Schumann Gesellschaft / Classical Music Pages / Classical Net / Wikipedia / Carolina Classical Connection / Robert Schumann: Then, Now and Always

26/07/2007

Lugares #160

O ritual domingueiro dos meus tempos de miúdo não era muito entusiasmante; de manhã a missa, principal causadora de ter que tirar cedo o rabo da cama, e, depois do almoço, o passeio familiar. O imprevisto não fazia parte do menu, pelo que as hipóteses de acertar antecipadamente no destino eram apreciáveis; rumássemos a sul e aterraríamos certamente em Espinho, apontasse a bússola para norte e a meia-volta seria dada na Póvoa de Varzim. Claro que o jogo da adivinhação estava viciado à partida, pois nunca íamos dois Domingos seguidos ao mesmo sítio...

Passaram-se os anos (bastantes...), mas manteve-se o gosto por viajar, apimentado pela frequente incerteza quanto ao destino final. Há não muito tempo, contudo, decidido a relembrar antigos passeios, peguei na família e apontei o calhambeque para a Póvoa, apesar dos prognósticos pessimistas dos senhores da meteorologia. Só que, em vez de desaguar no centro da cidade, fui ao ponto mais alto das redondezas, o melhor sítio para, em dias menos sombrios, ter uma vista fabulosa da cidade e do mar: o Monte de S. Félix, pertencente à freguesia de Laundos e ponto mais alto da Serra de Rates. Terra de pouca gente, cerca de 2100 habitantes, segundo nos diz a Câmara, e de emigrantes, lembrados num monumento erigido lá no topo.

A carroça, é bom que se diga, ficou devidamente estacionada no sopé do monte, e a subida foi feita a pé, que o agregado familiar pode ter muitos defeitos mas nunca regateia um bom exercício. E ali até nem faltavam motivos a pedir uma bela caminhada, como as modestas fotos procuram mostrar.





Internet

Laundos
Câmara Municipal da Póvoa de Varzim / Wikipédia / Portal da Póvoa de Varzim / Monte de S. Félix

17/07/2007

Concertos #58

O ano de 1830 foi marcante para o jovem compositor Hector Berlioz (1803-1869): em Abril termina a Sinfonia Fantástica, que viria a ser tocada pela primeira vez em público no dia 5 de Dezembro e, em Agosto, vence o já por aqui muitas vezes falado Prix de Rome, com a cantata Sardanapale. Tal como Florent Schmitt (1870-1958), de quem aquilo falaremos em breve, Berlioz teve que concorrer 5 vezes para ganhar o diabo do prémio; sempre melhor do que o que aconteceu com Maurice Ravel (1875-1937), evidentemente, que nunca o ganhou...

Dias felizes para Berlioz, seguramente, mas turbulentos para a sua França natal, mergulhada nas convulsões internas de que resultou a Revolução de Julho, em que Louis-Philippe (1773-1850) sucederia no trono a Charles X (1757-1836); para que não ficasse demasiadamente sorridente na fotografia, o próprio Louis-Philippe seria mais tarde forçado a abdicar...

Por essa altura Berlioz andava demasiado caído pela actriz irlandesa Harriet Smithson (1800-1854) para que as lutas revolucionárias lhe toldassem a inspiração; Harriet, que Berlioz viu pela primeira vez em Setembro de 1827 representando em duas peças de William Shakespeare (1564-1616), acabaria de servir de musa inspiradora para a referida Sinfonia Fantástica. Em 1832 conhecer-se-iam pessoalmente, depois de Harriet assistir a um concerto onde esta sinfonia foi tocada, e acabariam por dar o nó no dia 3 de Outubro do ano seguinte.

A Sinfonia Fantástica é uma das obras constantes do programa do concerto a que vamos ter a oportunidade de assistir já no próximo dia 20. Fechando o Porto culturalmente para férias em Julho, e procurando esquecer o desgosto que nos provoca a miserável programação da Casa da Música (neste mês e nos outros...), decidimos mudar de ares e fazer a nossa estreia nos Concertos Promenade. Isto, claro, se os terroristas e as medidas anti-eles nos permitirem lá chegar...


Programa

Henri Dutilleux
The Shadows of Time.
Maurice Ravel
Piano Concerto for the Left Hand.
Hector Berlioz
Symphonie Fantastique.
Roger Muraro (piano)
Choristers from Eton College Chapel Choir
BBC National Orchestra of Wales
Thierry Fischer


Internet

Hector Berlioz
The Hector Berlioz Website / The Hector Berlioz Page / The Symphony / Classical Music PagesWikipedia / Internet Public Library / Naxos

15/07/2007

Lugares #159

Há poucos mais de 3 anos, o mayor de Xangai não fazia segredo das suas principais preocupações em relação à cidade: o desemprego, potenciado pelo número sempre crescente de residentes, o trânsito, o ambiente, e a preocupação de diminuir o peso estatal na economia, promovendo a iniciativa privada.

Ou o resultado do pragmatismo comunista à moda da China, suportando-se numa pujante economia de mercado. "Um regime, dois sistemas", proclamaram as autoridades no passado em relação à reintegração de Hong Kong; até pode ser que sim, mas não me parece que hoje em dia haja dois sistemas assim tão diferentes entre si...


Claro que o controlo central ainda se faz sentir um pouco por todo o lado. No acesso à Internet, por exemplo, sendo impossível aceder a qualquer blogue alojado no Blogger. O que explicará em parte a pouca frequência do desNorte, impossibilitado de atingir tão vasto mercado potencial...




Em relação à população, e segundo o World Atlas, Xangai, com mais de 14 milhões de habitantes, é a maior cidade do mundo, numa tabela liderada por Tóquio. Os crescimentos económico e populacional trouxeram os automóveis que, aliados à peculiar forma de conduzir chinesa, levaram o caos às ruas. Não é por acaso que a maioria das multinacionais não permite que os seus colaboradores conduzam naquele país. Passei uma boa parte da semana agora finda em Xangai, e não demorei a relembrar a sageza de tal decisão... Também não demorei a pegar na máquina fotográfica e a disparar em várias direcções, cujos alvos irão por aqui aparecendo nos próximos tempos. Não na próxima semana e meia, seguramente, por motivos que em breve explicarei.


Internet

Xangai
Shanghai / Wikipedia / People's Daily / China Daily / BBC / World Atlas

12/07/2007

Concertos para Piano #7: Concerto para Piano, de Aram Khachaturian

A vida por vezes dá muitas voltas, até de 360º..., e aquilo que hoje parece absolutamente seguro amanhã poderá não o ser tanto; que o diga o compositor soviético Aram Khachaturian (1903-1978), durante muito tempo um dos favoritos do regime lá do sítio e, a partir de certa altura, uma das vítimas de eleição do já nosso conhecido Andrei Zhdanov (1896-1948). Esteve bem acompanhado, Khachaturian, por compositores tão conhecidos como Sergei Prokofiev (1891-1953) e Dmitri Shostakovich (1906-1975), igualmente sujeitos aos princípios rígidos do realismo socialista.

O caso de Khachaturian, porém, não deixa de ser curioso: é que dificilmente se encontrarão nas suas obras os ingredientes modernistas que tantas comichões provocavam aos zeladores culturais do regime. Daí muitos admitirem que as perseguições terão vindo mais pelas suas actividades no seio do Sindicato dos Compositores Soviéticos e menos pela música propriamente dita, que raramente fugiu aos ditames de Zhdanov & Companhia. Claro que o resultado final foi o mesmo: um decreto emitido por Zhdanov e a consequente proibição de algumas das suas obras.

Estes acontecimentos, marcantes na vida do compositor, aconteceram em 1948. Bem antes disso, em 1936, ainda Khachaturian não tinha terminado a pós-graduação no Conservatório de Moscovo, escreveu aquela que viria a ser uma das suas obras mais significativas: o Concerto para Piano, estreado pelo seu dedicatário, o pianista Lev Oborin (1907-1974) no dia 12 de Julho de 1937, passam hoje 70 anos. Oborin, refira-se, foi o primeiro vencedor do Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, em Janeiro de 1927.


CDs



Aram Khachaturian
Piano Concerto. Gayaneh Suite. The Valencian Widow Suite.
Dora Serviarian-Kuhn (piano)
Armenian Philharmonic Orchestra
Loris Tjeknavorian
ASV CDDCA964
(1991, 1992, 1995)

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.2 in B flat, Op.19.
Aram Khachaturian
Piano Concerto in D flat.
Dmitri Shostakovich
Preludes, Op.34 - No.5 in D; No.10 in C sharp minor; No.24 in D minor.
William Kapell (piano)
NCB Symphony Orchestra, Vladimir Golschmann
Boston Symphony Orchestra, Serge Koussevitzky
Dutton Laboratories CDBP9701


Internet

Aram Khachaturian
Virtual Museum of the great Armenian composer Aram Khachaturian / Classical Net / Wikipedia / Aram Khachaturian is 100 / Aram Khachaturian / Boosey & Hawkes

05/07/2007

Cravistas #1: Wanda Landowska (1879-1959)

Um interesse enorme pela música antiga, uma extensiva investigação da música dos séculos XVII e XVIII, uma pioneira nas gravações do cravo, uma das grandes responsáveis pelo reavivar do interesse à volta desse instrumento: Wanda Landowska, cravista polaca, nascida em Varsóvia128 anos, no dia 5 de Julho de 1879, e falecida nos Estados Unidos em Agosto de 1959.


Wanda Landowska

Escreveu igualmente artigos e foi professora, tudo naturalmente relacionado com o cravo. Instrumento este que foi por ela modificado para obter mais coloração, versão que entretanto caiu em completo desuso, já não se utilizando tais cravos, de dimensões paquidérmicas...

Só que isto não retira nada à importância de Landowska na promoção, execução e desenvolvimento da interpretação da música para cravo. Primeiro no velho continente: em Paris, numa primeira fase (1900-1913), onde deu o seu primeiro recital de cravo, em 1903, e em Berlim, depois (1913-1919), pela actividades docentes que lá desempenhou (instalando uma classe de cravo na Academia Real de Berlim); por fim nos Estados Unidos, onde se refugiou a partir de 1940, que a sua origem judaica a isso aconselhava, e onde efectuou as gravações de Bach, hoje registos históricos.


CDs



Johann Sebastian Bach
Goldberg Variations, BWV988.
Chromatic Fantasy & Fugue, BWV903.
Italien Concerto, BWV971.
Wanda Landowska (cravo)
EMI 5 67200-2
(gravações: 1933, 1936)

Johann Sebastian Bach
Sonata for Violin and Harpsichord No.3 in E, BWV1016.
Chromatic Fantasia and Fugue, BWV903.
Goldberg Variations, BWV988.
Yehudi Menuhin (violino), Wanda Landowska (cravo)
Biddulph LHW031
(gravações: 1933, 1936)
(gravação das Variações Goldberg é a mesma do disco anterior)

Johann Sebastian Bach
The Well-Tempered Clavier, Book 1.
Wanda Landowska (cravo)
RCA GD86217
(gravações: 1948-54)

Johann Sebastian Bach
The Well-Tempered Clavier, Book 2.
Wanda Landowska (cravo)
RCA GD87825
(gravações: 1948-54)


Internet

http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/biography/landowska.html
http://www.orlikprints.com/pages/single/115.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Wanda_Landowska
http://encyclopedia.laborlawtalk.com/Wanda_Landowska

02/07/2007

Personalidades #1: Amelia Earhart (1897-1937)

"Would you like to fly the Atlantic?" soa, hoje em dia, a uma daquelas perguntas de campanha publicitária em que, na compra de meio quilo de sabão em pó, nos garantem prémios por nós nunca imaginados. Como ir a Nova Iorque, por exemplo, e aí atravessar o Atlântico torna-se uma quase inevitabilidade. Tal pergunta, contudo, não seria assim tão usual em 1928; afinal, apenas no ano anterior tinha Charles Lindbergh (1902-1974) feito pela primeira vez tão temerária travessia, abordo do seu The Spirit of St. Louis. Pois foi exactamente essa a pergunta que Amelia Earhart ouviu pelo telefone, da boca do capitão Hilton H. Railey. Deve dizer-se que a resposta, imediata, foi "sim!"...

Claro que ainda mais inesperada se torna a questão quando colocada a uma senhora, numa época em que as senhoras não deviam fazer certas coisas. Só que a nossa Amelia nunca tinha sido uma menina muito alinhada pelas tradições: antes da paixão pelos aviões, já tinha agitado algumas almas com as suas actividades menos femininas, como subir a árvores ou andar a apanhar ratos a tiro. Amelia Earhart voava desde os inícios da década de 1920 e chegou a deter, embora por poucas semanas, o recorde feminino de altitude, 14000 pés. O vôo teve lugar em Junho de 1928 e, apesar de Amelia ter sido apenas passageira, o sucesso obtido lançou-a no estrelato. Para que nenhum herói fique de fora, refiram-se os nomes do piloto e co-piloto: Wilmer Stultz e Louis E. Gordon.

Depois do casamento, em 1931, com o publicitário que a tinha escolhido para o vôo, George Palmer Putnam (1887-1950), Amelia Earhart preparou-se para a aventura seguinte. Qual? Fácil de adivinhar, se soubermos que a sua resposta à pergunta "How does it feel to be the first woman to fly the Atlantic?" foi "Oh, well, maybe some day I'll try it alone"... Assim foi, tendo partido a 20 de Maio de 1932, dia simbólico, exactamente 5 anos depois do tal vôo inaugural de Lindbergh. E nem o facto de as condições atmosféricas a terem feito aterrar perto de Londonderry, Irlanda, em vez de Paris, tendo, segundo palavras da própria, "pregado um susto de morte a várias e inocentes vaquinhas que por ali pastavam", diminuiu o sucesso da empreitada ou a fama de Amelia Earhart.

70 anos, no início de Julho de 1937, foi dada como desaparecida quando efectuava, em conjunto com o navegador Fred Noonan (1893-1937), um vôo à volta do mundo. Um mistério ainda hoje por resolver, dado nunca terem sido encontrados destroços do avião.


Internet

Amelia Earhart
Official Amelia Earhart Web site / Preface to Greatness, by Captain Hilton H. Railey / Wikipedia / Amelia Earhart / Amelia Earhart Birthplace Museum / Saipan and the Mistery of Amelia Earhart