30/10/2007

CDs #137: Britten, String Quartets, 3 Divertimenti

Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953), nascida passam hoje 143 anos, estudou piano e composição, mas para a história ficou o seu patronício da música, com especial destaque para a música de câmara. No início de 2005 falámos, neste texto, do importante apoio que deu ao compositor inglês Frank Bridge (1879-1941), que chegaria inclusivamente a receber a Medalha Elizabeth Sprague Coolidge, por eminentes serviços à música de câmara. A lista de compositores a quem encomendou obras é impressionante, incluindo nomes como os de Bartók (1881-1945), Britten (1913-1976), Prokofiev (1891-1953), Ravel (1875-1937), Schoenberg (1874-1951) e Stravinsky (1882-1971).

Em 1939, Benjamin Britten, anti-militarista, zarpou em direcção aos Estados Unidos, acompanhado do seu amigo, o tenor Peter Pears (1910-1986), e por lá ficou até 1942. Nesse curto espaço de tempo compôs obras das mais significativas, como o ciclo de canções Seven Sonnets of Michelangelo, o Concerto para Violino e a Sinfonia da Requiem. É ainda deste seu período americano o Quarteto de Cordas Nº1, uma encomenda de Elizabeth Sprague Coolidge, obviamente. Escrito no Verão de 1941, foi estreado em Los Angeles em Setembro desse ano pelo... Coolidge Quartet.

O Segundo Quarteto, escrito 3 anos depois do regresso a terras de sua majestade, em 1945, resultou de uma encomenda para comemorar os 250 anos passados sobre o falecimento do compositor inglês do período barroco Henry Purcell (1659-1695), pelo que foi estreado no dia 21 de Novembro de 1945. Encomenda tornada ainda mais adequada pela conhecida influência que a música deste compositor teve sobre Britten, que viria a citá-lo nalgumas das suas obras posteriores, nomeadamente em Young Person's Guide to the Orchestra, composta no ano seguinte.

O Quarteto de Cordas Nº3 foi uma das últimas obras de Britten; escrito no Outono de 1975, foi estreado no dia 19 de Dezembro de 1976 pelo bem conhecido Quarteto Amadeus, apenas duas semanas depois da morte do compositor. Foi o testamento musical de Britten, geralmente entendido como o seu adeus à vida.




Benjamin Britten
String Quartet No.1 in D, Op.25.
String Quartet No.2 in C, Op.36.
String Quartet No.3, Op.94.
Three Divertimenti.
Belcea Quartet
EMI Classics 5 57968-2
(2003)


Internet

Benjamin Britten
Wikipedia
/ Classical Music Pages / bbc.co.uk / Opera Stanford

Elizabeth Sprague Coolidge
Wikipedia / A Permanent Home for Music

28/10/2007

Notícias #13

De Carlos Araújo Alves recebemos a seguinte informação:


Educação Artística FORUM

Está aberto um novo fórum na net, o "Educação Artística FORUM"
(http://ideias-soltas.net/educacao-artistica-forum/), que se propõe,
numa atitude de incentivar uma cidadania activa e participada, estimular
um debate público e aberto sobre os rumos da Educação Artística em Portugal.

Num momento em que foi publicado um "Roteiro para a Educação Artística",
um "Relatório de Avaliação do Ensino Artístico" e se leva a cabo uma
"Conferência Nacional de Educação Artística", é indispensável a
existência de um espaço de opinião livre e independente, onde os mais
directamente envolvidos - os pedagogos da área, os artistas, os pais, os
alunos, os directores pedagógicos de escolas de educação artística e
seus gestores - possam ter voz e ser ouvidos, coisa que até ao momento
parece ainda não ter sido possível.

Consulte, por favor, os anexos que contém todas as informações, links e
opções de divulgação.

Grato pela atenção.

Cordiais cumprimentos

Carlos Araújo de Lima Alves
(moderador do fórum)

contacto: educacao.artistica.forum@gmail.com

26/10/2007

CDs #136: Scarlatti, Piano Sonatas

Apesar de se desconhecerem detalhes, pensa-se que Domenico Scarlatti (1685-1757) tenha recebido a (maior parte da) sua formação musical de membros da família, em particular de seu pai, Alessandro Scarlatti (1660-1725), um dos mais importantes compositores de ópera do barroco italiano. O que se sabe com absoluta certeza é que o pai procurou controlar a vida e carreira de Domenico para além do razoável, ao ponto de este ter-se visto forçado a interpor uma acção legal por forma a garantir (uma certa) independência.

Após passagens por Nápoles, Florença e Roma, onde foi maestro di cappella da Basílica Giulia e esteve ao serviço da exilada rainha polaca Maria Casimira e do Marquês de Fontes, embaixador português no Vaticano, Domenico Scarlatti mudou-se para Portugal, corria o ano de 1719. Veio para aqui a convite do rei D. João V (1689-1750) para ser mestre da capela real, ficando ainda incumbido de ensinar as artes musicais aos membros da família real, em particular à princesa Maria Bárbara (1711-1757).

Maria Bárbara mostrou ser uma excelente intérprete ao teclado, pelo que Scarlatti dedicou-lhe a maioria das cerca de 555 (!!!) sonatas que escreveu. Uma boa parte delas em Espanha, já que o compositor acompanhou Maria Bárbara quando ela para lá se mudou, em 1729, por via do casamento com o príncipe D. Fernando, filho de Filipe V de Espanha. Parece que a vida lá na corte dos nossos vizinhos era um bocado para o monótona, e então a futura raínha de Espanha, para se distrair, ia solicitando a Domenico Scarlatti um fornecimento quase contínuo de sonatas para teclado... Estas sonatas, além dos elementos italianos, mostram ainda a influência do floclore e dos ritmos populares espanhóis, que Scarlatti não perdeu a oportunidade de explorar.

E, no dia em que passam 322 anos sobre o nascimento de Domenico Scarlatti, eu também não perdi a oportunidade de o trazer de novo a este cantinho virtual, cumprindo uma promessa anteriormente feita
.




Domenico Scarlatti
Piano Sonatas.
Yevgeny Sudbin (piano)
BIS CD-1508
(2004)


Internet

Maria Bárbara
Portugal - Dicionário Histórico
/ Wikipedia

Domenico Scarlatti
Baroque Composers and Musicians / Classical Music Pages / Musicantiga.com.sapo.pt / Domenico Scarlatti

24/10/2007

Lugares #168

Nos últimos tempos o compositor Edward Elgar (1857-1934) tem estado em destaque cá em casa, a propósito de um discos que tenho estado a ouvir atentamente: um deles, um disco triplo de que aqui falarei um dia, foi lançado já este ano pelas Elgar Editions, com gravações efectuadas entre a segunda metade da década de 1930 (a grande maioria) e 1950 (apenas uma obra); e um outro que acompanhou um número da revista da BBC que saiu há uns meses atrás, e que nos traz a Sinfonia Nº2. Um maestro já nosso conhecido, o inglês Malcolm Sargent (1895-1967) é outro dos pontos comuns entre estes discos, sendo de referir que as gravações foram efectuadas com uma diferença de quase 30 anos!

É sabido que os primeiros tempos de Elgar como compositor não foram nada fáceis, o reconhecimento demorou a chegar e o dinheiro não abundava. Daí a decisão do casal se mudar para Londres em 1889, depois de já lá ter dado o nó no dia 8 de Maio desse ano, crente de que as coisas seriam mais fáceis nessa cidade. A cerimónia teve lugar no London Oratory, uma igreja terminada apenas 5 anos antes e que, por estar situada na Brompton Road, é conhecida como o Brompton Oratory. Erradamente, dizem-nos constantemente, mas não fomos nós que lhe colocámos o nome...

A (bela...) fotografia aqui exibida só foi possível pelo facto de o autor ter ostensivamente ignorado os avisos espetados à entrada e, de máquina em riste, ter conseguido disparar furtivamente um par de vezes. Ainda longe dos níveis das actuações dos turistas japoneses, reconheço com alguma inveja, que conseguem manter aquelas expressões impassíveis enquanto as tiram a torto e a direito, com ou sem avisos e com guardas ou sem eles. Hei-de lá chegar...


Internet

Brompton Oratory
The London Oratory / Britain Express / British History Online / Wikipedia

21/10/2007

Concertos #60

Nos tempos que correm não é fácil ir à Casa da Música ouvir outro instrumento a solo que não seja o piano. Igualmente complicado é ir assistir a um recital de alguém que já por lá não tenha passado antes; imaginação não é algo que abunde por aquelas bandas, vai daí não há como ir ver a programação de há 2 ou 3 anos atrás e chamar os mesmos músicos...

Após um longo interregno, regressamos hoje à dita casa, para assistir a mais um recital de Artur Pizarro; desta vez hesitámos bastante antes de comprar os bilhetes pois, por um lado, já tínhamos anteriormente assistido a dois recitais deste mesmo pianista (ver aqui e aqui) e, por outro, achámos os preços dos ditos cujos completamente absurdos, bem mais elevados do que quando lá vai uma orquestra inteira entreter a plateia. Cobrar 16€ para um puto de 5 anos ir dormir naquelas cadeiras, ainda por cima altamente desconfortáveis, é um assalto, que apenas a nossa dedicação à causa musical consegue ultrapassar!

O pianista português vai desta vez tocar Iberia, de Isaac Albéniz (1860-1909), de longe a obra mais conhecida deste compositor, e uma das mais representativas obras para piano dos nossos vizinhos ibéricos.


Internet

Isaac Albéniz
Mac McClure / Centro Virtual Cervantes / The Life and Music of Isaac Albéniz / Wikipedia / Biografias y Vidas

20/10/2007

CDs #135: Ives, Symphonies Nos 2 & 3

Horatio William Parker (1863-1919) foi um compositor norte-americano razoavelmente conhecido no seu tempo, tendo sido aluno de dois conceituados professores (e igualmente compositores): George Chadwick (1854-1931) e Josef Rheinberger (1839-1901). Para estudar com este último Horatio Parker teve que se mudar para Munique, onde viveu entre 1882 e 1885, e onde adquiriu uma visão algo conservadora da música.

Conservadorismo esse que foi naturalmente reflectido nas suas obras e que, inevitavelmente, transportou para as salas de Yale, em Nova Iorque, onde leccionou desde os meados da década de 1890. Charles Ives (1874-1954), por outro lado, era um experimentalista, influenciado por seu pai, George Ives, para quem "qualquer combinação de notas era aceitável, desde que fizessem algum sentido". Em 1894, pouco depois de Horatio Parker para lá ter entrado como professor, Ives foi admitido em Yale como aluno, e não tardou em sofrer com as ideias conservadores do mestre. Bastou que, logo na primeira aula, tivesse apresentado uma Fugue in Four Keys, imediata e liminarmente rejeitada pelo professor, pouco interessado em apoiar tais experimentalismos. Ives acomodou-se, e como tese de graduação, em 1898, apresentou uma bem-comportada Sinfonia Nº1, interessante mas não mais do que isso.

Apanhando-se cá fora a história seria outra, como a Sinfonia Nº2 veio demonstrar. Denotando ainda a influência de grandes compositores do romântico (tardio), como Brahms (1833-1897), Dvorák (1841-1904) ou Tchaikovsky (1840-1893), cita, em todos os seus 5 andamentos, várias melodias bem conhecidas dos americanos. Alinhavada nos 2 primeiros anos do século XX e revista por volta de 1910, seria estreada apenas em 1951, pela Orquestra Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Leonard Bernstein (1918-1990).

Charles Ives nasceu há 133 anos, no dia 20 de Outubro de 1874.




Charles Ives
Symphony No.2. Symphony No.3.
General William Booth enters into Heaven.
Dallas Symphony Orchestra
Andrew Litton
Hyperion CDA67525
(2004, 2005, 2006)


Internet

Charles Ives
Classical Music Pages / Wikipedia / The Charles Ives Society, Inc. / Naxos / A Charles Ives Website

18/10/2007

CDs #134: Charles Gounod, Faust

A ópera Fausto, de Charles Gounod (1818-1893), passa por ser uma das mais populares de todos os tempos. Estreada em Paris em Março de 1859, em 1934 registaria a 2000ª récita nessa cidade, um número de que poucas obras se podem gabar. Saturado com tanta popularidade, um crítico inglês escreveria mesmo (*): "Faust, Faust, Faust, nothing but Faust. Faust on Saturday, Wednesday and Thursday; to be repeated tonight, and on every night until further notice."

O libreto, de Jules Barbier (1825-1901) e Michel Carré (1821-1872), baseou-se na obra homónima de Goethe (1749-1832), apesar de dela se ter desviado significativamente. Posto de uma forma diplomática, dir-se-ia que, como é usual, a representação musical de uma obra literária implica necessariamente uma visão particular do original; menos diplomaticamente, poder-se-ia dizer que qualquer semelhança entre o libreto e o original é pura coincidência... E se Giacomo Meyerbeer (1791-1864) rejeitou o libreto por o achar pouco digno do poema original, já Gounod não teve tais pruridos; ironicamente, a ópera que daí saiu acabaria por desafiar seriamente a supremacia das de Meyerbeer na cena operática de Paris...

Este disco, editado em 2005 pela Andromeda, traz-nos uma gravação histórica, efectuada ao vivo no Met de Nova Iorque no dia 19 de Fevereiro de 1955. A dirigir as operações encontramos Pierre Monteux (1875-1964), na altura com 80 anos e que tinha dirigido o seu primeiro Fausto nessa sala 38 anos antes! O elenco contou com grandes intérpretes, como Victoria de los Angeles (1923-2005), em grande forma, o barítono americano Robert Merrill (1917-2004), e o italiano Cesare Siepi (1923-), como Mefistófeles. Grandes audições, e logo com um disco (duplo) vendido a preço modesto!

Charles Gounod faleceu há 114 anos, no dia 18 de Outubro de 1893.




Charles Gounod
Faust.
Jan Peerce (tenor), Victoria de los Angeles (soprano), Cesare
Siepi, Lawrence Davidson (baixos), Robert Merrill (barítono),
Mildred Miller, Thelma Votipka (meios-sopranos)
Orchestra & Chorus of the Metropolitan Opera House, New York
Pierre Monteux
Andromeda ANDRCD 5037


Internet

Charles Gounod
Charles Gounod: The Website / Wikipedia / Karadar Classical Music / NNDB / Charles Gounod


(*) The Rough Guide to Opera, de Matthew Boyden

15/10/2007

CDs #133: Nash Ensemble, Beethoven, Mendelssohn

A precocidade de Felix Mendelssohn (1809-1847) já foi aqui anteriormente mencionada, quando trouxemos a este canto o Sonho de Uma Noite de Verão. Posteriormente voltámos a falar deste compositor alemão, nessa altura para abordar as últimas obras que compôs. Onde se incluiu o oratório Elijah, de que se falará noutra altura a propósito de um outro disco.

Voltando à precocidade, refira-se que cedo o banqueiro Abraham Mendelssohn (1776-1835) se apercebeu dos dotes musicais dos seus 4 filhos, em particular dos de Felix. Este, na verdade, exibia múltiplos talentos além dos musicais, desde a equitação às línguas antigas, passando pela matemática e pela... dança. Dinheiro era um bem pouco escasso naquela freguesia, pelo que Abraham lhes providenciou os mais reputados professores, com destaque para o de composição, Carl Zelter (1758-1832), amigo pessoal de Goethe (1749-1832).

Em 1825 a família Mendelssohn mudou-se para o Palácio Recksche, geralmente descrito como uma sumptuosa mansão, no número 3 da Leipziger Strasse, em Berlim. Aí começam a ter lugar os Domingos musicais, tornando o lar Mendelssohn um dos pontos mais importantes da cena musical da cidade. A primeira peça lá tocada foi um octeto escrito por Felix Mendelssohn, e que foi dedicado ao violinista e professor Eduard Rietz (1802-1832), por quem tinha uma particular admiração. Terminado há 182 anos, em Outubro de 1825, foi estreado poucos dias depois pelo dedicatário.

Esta foi sempre uma das obras favoritas do seu autor, tendo recebido ainda rasgados elogios de Robert Schumann (1810-1856), que sobre ela afirmou: "Nem nos tempos antigos, nem nos nossos dias, se encontra uma perfeição maior num mestre tão jovem". (*)

(*) Guia da Música de Câmara, de François-René Tranchefort, edição de Outubro de 2004




Ludwig van Beethoven
Clarinet Trio in B flat, Op.11.
Felix Mendelssohn
Octet in E flat major, Op.20.
Nash Ensemble
Wigmore Hall Live WHLive0001
(2005)


Internet

Felix Mendelssohn
Felix Mendelssohn / Classical Music Pages / Wikipedia / Naxos / The Symphony / The John F. Kennedy Center for the Performing Arts

12/10/2007

Sinfonias #22: A Sea Symphony, de Vaughan Williams

Se George Gershwin (1898-1937) foi em 1928 a Paris com o objectivo de ter lições com Maurice Ravel (1875-1937), 4 anos depois, portanto, da estreia da Rhapsody in Blue, por que carga de água tal ideia não haveria de passar pela cabeça de outros compositores, alguns deles bem menos conhecidos?! De tal se lembrou, por exemplo, o nosso convidado de hoje, o inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), que viria mesmo a passar uma temporada com o compositor francês, corria o ano de 1908.

Uns anos antes, em 1903, Vaughan Williams daria início à recolha de temas populares ingleses, que viriam a desempenhar um papel importante nas suas obras. A começar desde logo pela sua primeira sinfonia, A Sea Symphony, inspirada na obra do poeta americano Walt Whitman (1819-1892), e onde o compositor utilizou algumas das tais melodias, ainda frescas da recolha. É uma sinfonia coral, como a Sinfonia Nº8 de Gustav Mahler (1860-1911), estreada mais ou menos na mesma altura, ficando os textos de Whitman a cargo de um soprano e de um barítono, além de um coro.

Iniciada em 1903 e terminada apenas em 1909, com muitas revisões pelo meio, A Sea Symphony foi estreada no dia 12 de Outubro de 1910, durante o Festival de Leeds.


CDs



Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9.
Isobel Baillie, Margaret Ritchie (sopranos),
John Cameron (barítono), John Gielgud (narrador)
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Decca 473 241-2

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2


Internet

Vaughan Williams
Ralph Vaughan Williams Society / Classical Music Pages / Wikipedia / Boosey & Hawkes / Naxos / BBC

09/10/2007

Violinistas #7: Carl Flesch (1873-1944)

Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991), dois extraordinários violinistas que já por aqui passaram anteriormente, foram alunos do grande professor húngaro Carl Flesch, ele próprio um reputadíssimo violinista. A lista de alunos de Flesch dá uma ideia precisa da sua importância como pedagogo, contando-se entre eles, além dos dois já referidos, Szymon Goldberg (1909-1993), Ida Haendel (1923?-), Louis Krasner (1903-1995) e Ginette Neveu (1919-1949).

O facto de ter nascido no seio de uma família judaica impossibilitou-o de levar uma vida pacata. Refira-se, por exemplo, o facto de, em 1935, lhe ter sido retirada a si e à sua família a cidadania alemã, obtida 5 anos antes. Já em 1934 tinha deixado voluntariamente a Musikhochschule de Berlim, onde tinha começado por dar master classes em 1921 e onde leccionava de uma forma regular desde 1928; outro interveniente, a mesma triste história, claro, pois já o compositor Franz Schreker (1878-1934) tinha passado exactamente pelo mesmo 2 anos antes. Os processos eram tristemente consistentes...

Triste foi também o fim de um dos seus violinos, um Brancaccio Stradivarius de 1725, que Flesch teve que vender em 1928 por ter perdido muito dinheiro na Bolsa de Valores de Nova Iorque; o instrumento acabaria por ser destruido num dos vários ataques aliados a Berlim.

Carl Flesch nasceu há 134 anos, no dia 9 de Outubro de 1873.


Internet

Carl Flesch
Carl Flesch by José Sánchez-Penzo / The Violin Site / Wikipedia / International Carl Flesch Violin Competition

07/10/2007

Lugares #167

Normalmente as informações providenciadas pelas páginas das Câmaras Municipais são um bom ponto de partida para preparar antecipadamente uma visita; alguma literatura que tenhamos por aqui, um salto ao Posto de Turismo local e o contacto com as gentes lá do sítio completam o quadro, e permitem-nos não perder os pontos com mais interesse. Desta vez, todavia, a história divergiu deste quadro geral, a começar por aquilo que a Câmara Municipal de Castro Daire nos tem a dizer sobre o respectivo património:

"Esta página está em desenvolvimento. Seremos breves na sua actualização. Para obter mais informações, não hesite em nos contactar."



Decidimos partir do princípio de que não haveria grande património na zona, caso contrário as autoridades locais teriam todo o orgulho em promovê-lo e nunca espetariam tal frase no site. Pensámos então que o melhor seria começar por provar os petiscos da região, pois não há nada como confortar os estômagos antes de partir à descoberta de tão dissimulado património. Segundo azar, tudo o que a Câmara Municipal tem para nos dizer sobre Alojamento e Restauração é isto:

"Module Web_Links not available"



O nosso espírito aventureiro até pode aguentar uma certa escassez de património a visitar, mas nunca resistirá à falta de alimentos, pelo que acabámos por encher primeiro a barriga e só depois meter o calhambeque a caminho. E, em vez de perdermos tempo em Castro Daire à procura daquilo que eventualmente nunca existiu, fomos direitos à Aldeia de Cetos e ao miradouro lá do sítio, de onde tirámos as fotografiazinhas que enfeitam este texto.

Antes de terminar, é de toda a justiça deixar aqui um agradecimento ao anónimo que mantém um site sobre esta aldeia, e que fornece muito mais e melhor informação do que as páginas oficiais mantidas (?) pelos eleitos do povo...

04/10/2007

Compositores #85: Alfredo Keil (1850-1907)

De ascendência alemã pelo lado paternal, foi para terras germânicas que Alfredo Keil foi ainda jovem, com 14 anos, com o intuito de se iniciar nos estudos artísticos. A partir de 1867 estudou pintura em Nuremberga, tendo regressado à pátria em 1870 por motivos de saúde. Por cá prosseguiu os estudos, e a provar que tinha jeito para a coisa vieram os prémios, com óbvio destaque para a medalha de ouro que lhe foi atribuída na Exposição Artística do Rio de Janeiro, corria o ano de 1879.

Além da pintura, Keil nutria também um indisfarçável interesse pela música (ou não seria para aqui convidado...), tendo publicado a sua primeira composição quando contava apenas 12 anos. Seguir-se-ia um período em que se dedicou essencialmente à pintura para, nos inícios da década de 1880, apresentar o seu primeiro trabalho lírico, a ópera cómica em 1 acto Suzana, estreada no Teatro da Trindade. Em Março de 1888 estreou a ópera D. Branca, desta vez no Teatro S. Carlos, e com um extraordinário sucesso, como há muito tempo não se via por aquelas bandas. Iria ainda escrever mais algumas óperas, como Irene e Serrana, esta última estreada em 1899 no S. Carlos. Alfredo Keil acabaria por se tornar num importante promotor da produção operática nacional.

Mas não só da lírica viveu o nosso amigo. Em 1890, como resposta ao ultimato inglês de Janeiro desse ano que pôs fim ao sonho lusitano de unir as colónias de Angola e Moçambique através, nomeadamente, daquilo que é hoje o Zimbabué, Keil musicou uns versos de Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931), que rezam mais ou menos assim:

Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Daqui resultou uma das mais populares canções portuguesas, cantada sempre que a selecção luso-brasileira de futebol vai dar uns pontapés numa bola.

Alfredo Keil faleceu há 100 anos, no dia 4 de Outubro de 1907.


Internet

Alfredo Keil
O Portal da História / Alfredo Keil / Wikipédia / José Lúcio Ribeiro de Almeida / O Leme

01/10/2007

Obras Orquestrais #15: L'Arlésienne, de Georges Bizet

135 anos, no dia 1 de Outubro de 1872, acontecia a estreia do melodrama L'Arlésienne, da autoria do escritor francês Alphonse Daudet (1840-1897). Estreia sem grande sucesso, diga-se, podendo-se aplicar com toda a propriedade o epíteto de fracasso. Seguidor da escola naturalista, distinguiu-se dela, nomeadamente da vertente do naturalismo científico, por escrever de uma forma brilhante, os seus textos transpirando com as emoções dos personagens. Considera-se, por isso, que a sua obra reflecte de algum modo a sociedade francesa da época. Algumas das obras de Daudet obtiveram grande sucesso, como Tartarin de Tarascon, de 1872, e Fromont et Risler, de 1874. L'Arlésienne, um melodrama em 3 actos extraído da sua obra de 1866, Lettres de mon moulin (Cartas do meu moínho), nunca fez obviamente parte da sua lista de sucessos.

A música de cena para a peça L'Arlésienne foi escrita pelo compositor parisiense Georges Bizet (1838-1875), e foi muito mais bem recebida do que a peça teatral propriamente dita. O que por si só já foi um feito, se atendermos ao facto de Bizet ter escrito os 27 números de que ela é composta em apenas 6 semanas, e para uma orquestra limitada a 26 músicos. Vendo o fiasco da peça de Daudet, Bizet rapidamente percebeu o o futuro que estava destinado à sua música pelo que, apenas um mês depois da estreia, pegou em alguns extractos da música de cena e cozinhou aquilo que viria a ser a Suite Nº1 da música de cena L'Arlésienne, estreada a 10 de Novembro de 1872, e com enorme sucesso, o que só veio dar razão ao compositor!

Em 1879, já depois da morte de Bizet, portanto, o seu amigo e igualmente compositor Ernest Guiraud (1837-1892) pegou no original de música de cena e dela extraiu aquilo que viria a ser a Suite Nº2. De novo muito bem recebida pelo público, tal como a primeira, pelo que qualquer uma delas teve muito mais sucesso do que a peça de Daudet... E surpreendente para aqueles que pensavam que Carmen seria a única coisa que Bizet teria composto!


CDs



Georges Bizet
Symphony in C. L'Arlésienne - Suite No.1; Suite No.2.
French Radio National Orchestra
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI GROC CDM5 67231-2
(1956, 1959)

Georges Bizet
L'Arlésienne- Suite No.1; Suite No.2 - Minuet; Farandole.
Frederick Delius
Irmelin - Scenes from Act 2 (arr. Beecham).
Jules Massenet
La Vierge - The Last Sleep of the Virgin.
Richard Wagner
Tannhäuser - Overture; Venusberg Music.
BBC Women's Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4068-2
(1954)

Georges Bizet
L'Arlésienne (incidental music, original version).
Richard Strauss
Le Bourgeois Gentilhomme, Op.60.
Basel Chamber Orchestra
Christopher Hogwood
Arte Nova 82876 61103-2


Internet

Georges Bizet
Classical Music Pages / Naxos / Wikipedia / Essentials of Music / De Ópera e de Lagartos

Alphonse Daudet
Association des amis d'Alphonse Daudet / Alphonse Daudet / Proverbes et Citations / JeSuisMort.com / Wikipedia