28/11/2007

CDs #143: Beethoven, Piano Concerto No.5

Com o início do novo século, o XIX, vieram os primeiros sintomas dos problemas auditivos que iriam levar Ludwig van Beethoven (1770-1827) à surdez total. E se o homem já não tinha um feitio muito fácil, tais dificuldades mais iriam contribuir para alimentar a sua veia anti-social, levando muito boa gente a achá-lo absolutamente intratável. A sua criatividade genial, contudo, continuou a manifestar-se até ao fim da sua vida, com a excepção de um período entre 1811 e 1817, durante o qual compôs relativamente pouco.

Em 1809, Viena, cidade para onde Beethoven se tinha mudado em 1792, preparava-se para a guerra com os franceses, que a acabaram mesmo por tomar, embora por pouco tempo, em Maio desse ano. Foi neste ambiente, aparentemente pouco propício para tal, que compôs o Concerto para Piano Nº5, por sinal o seu último para esse instrumento. A estreia teria lugar em Leipzig a 28 de Novembro de 1811, passam hoje 196 anos, com Friedrich Schneider (1786-1853) como solista. Como aconteceu muitas outras vezes com outras obras, ficou longe de obter o sucesso inicial esperado pelo seu autor. Entre uns que a acharam "demasiado longa" e outros que a despacharam com um seco "de bom efeito", poucos saltaram de excitação à conta da audição. Como se tal não bastasse, ainda lhe resolveram atribuir o título de "Imperador", absolutamente contra a opinião de Beethoven, que já tinha feito constar que o único que aceitaria para este seu concerto seria o de "Grande Concerto". Está visto que foi como pregar no deserto...

O disco aqui trazido hoje tem uma dupla atracção: às boas interpretações juntou-se um modesto preço, o que só fortalece o tom da recomendação.




Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.5 in E flat major, Op.73.
Choral Fantasy in C minor, Op.80.
Meeresstille und glückliche Fahrt in D major, Op.112.
Yefim Bronfman (piano)
Lisa Larsson, Regula Konrad (sopranos), Tobey Wilson,
Paolo Vignoli (tenores), Anja Angelika Kühn (alto),
Jürgen Orelly (baixo)
Schweizer Kammerchor
Tonhalle Orchestra Zurich
David Zinman
Arte Nova 82876 82585-2
(2005)


Internet

Ludwig van Beethoven
Ludwig van Beethoven's website / Classical Music Pages / Classical Net / Wikipedia / Ludwig van Beethoven / Ludwig van Beethoven, The Magnificent Master / Ludwig van Beethoven

27/11/2007

Notícias #14

Já não vale a pena ir à loja da HMV na Orchard Road para comprar discos. A minha última visita tinha sido há cerca de 2 anos, e dispunha ainda, na altura, de uma excelente secção de "música clássica". Na semana passada voltei a Singapura e não perdi a oportunidade de lá dar um salto, não tardando a verificar que, quiçá fruto de uma acção de benchmarking, a loja da HMV assemelhava-se em tudo a uma qualquer FNAC do nosso descontentamento. Conclusão: já não vale a pena ir a Singapura para comprar discos...

Ao contrário de muitos, eu (ainda?) não aderi aos iPods e afins, não sentindo qualquer entusiasmo perante a perspectiva de ter enfiados num aparelho minúsculo de andar ao peito centenas de discos, milhares de músicas, milhões de bits. Gosto de pegar na listinha de discos e ir às compras, e de sentir a satisfação de os encontrar nas prateleiras. Gosto de os desembrulhar, de os ouvir, e de os colocar no lugar correcto na estante. Gosto demasiado de pegar nos discos e encatrafiá-los no leitor, de pegar nos livrinhos que os acompanham e de devorar as histórias que nos contam. Até ao dia em que decidirem acabar com os CDs; estão-nos a tirar o prazer de os poder comprar nas lojas, hão-de-nos privar deles definitivamente um dia. Espero que longínquo.

25/11/2007

Lugares #170

1 ano atrás andei pelos lados de Marialva e Penedono e, na altura, deixei em aberto a possibilidade de um dia mais tarde voltar aquelas bandas. Tal veio mesmo a acontecer, e pelo mesmo motivo, só que, desta vez, apenas tive a oportunidade de ir a Penedono, tendo assim ficado meia promessa por cumprir... Só que Penedono é uma terra extraordinária, velha de muitos séculos, que nos é apresentada pelo respectivo município de uma forma simultaneamente sucinta e deliciosa: "Por aqui erraram, pilhando haveres e aniquilando vidas, hordas de povos bárbaros, alanos, vândalos, suevos e godos, oriundas do leste europeu".

Dos vários edifícios que sobraram do antigamente destaca-se o castelo, de que se desconhece com exactidão a data em que foi erguido, mas de que se sabe ter sido quase integralmente reconstruído no século XIV. Dizem os entendidos que se tratava de um castelo-paço mas, para os leigos como eu, não passa de um simples e belo castelo; é que, actualmente, ele limita-se a ter umas paredes em pé terminadas com torres rectangulares, não havendo vestígios do paço senhorial que terá existido no seu interior.




Vamos lá a ver se para o ano calha então a vez de finalmente visitar Marialva e o respectivo castelo...


Internet

Penedono
Câmara Municipal de Penedono / IPPAR / Associação Nacional de Municípios Portugueses / Wikipédia / DouroNet / Janela na Web / GuiaDaCidade.com

22/11/2007

CDs #142: Ian Bostridge, Britten

Em Dezembro de 2005 falei aqui pela primeira vez do tenor inglês Ian Bostridge (1965-) e, nessa altura, referi que o admirava especialmente em Mozart (1756-1791), Schubert (1797-1828) e Schumann (1810-1856). Dois meses depois congratulei-me com o facto de ir assistir ao vivo a um recital seu, onde cantaria os ciclos de canções Kernerlieder e Dichterliebe, de Schumann, e pude então comprovar a excelência de Bostridge no lieder alemão.

Há menos de 3 meses, por outro lado, convidei para aqui aquele que terá sido o mais famoso trompista de sempre, o inglês Dennis Brain (1921-1957); ao apresentá-lo referi o facto de conceituados compositores seus contemporâneos lhe terem escrito obras, como Malcolm Arnold (1921-2006), Paul Hindemith (1895-1963) e o seu compatriota Benjamin Britten (1913-1976).

Britten foi igualmente visita regular aqui do desNorte: comecei pela sua Sinfonia da Requiem, prossegui com a ópera Albert Herring, e em Dezembro do ano passado trouxe para aqui um disco com o War Requiem. Quando falei da ópera aproveitei ainda a oportunidade para mencionar o facto de a estreia ter contado com o tenor Peter Pears (1910-1986), um dos intérpretes favoritos de Britten e seu parceiro das lides musicais durante muitos anos.

O disco que aqui trago hoje, apenas com obras de Britten, tinha então todos os condimentos para me cair no goto:

A parte vocal a cargo de Bostridge.
Uma das obras, Serenade, foi originalmente escrita para Dennis Brain.
A obra com que abre o disco, Les Illuminations, apesar de originalmente dedicada ao soprano Sophie Wyss, acabou por ter em Peter Pears o seu mais emblemático intérprete. Britten iria mesmo gravá-la duas vezes com Pears, em 1941 e em 1966.
A última obra presente, Nocturne, foi dedicada a Alma Mahler (1879-1964), outra nossa conhecida, e estreada por Peter Pears em Outubro de 1958. No ano seguinte Britten e Pears gravá-la-iam, para a editora Decca.
Temos ainda Simon Rattle à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim, pelo que... extraordinárias audições garantidas!

Benjamin Britten nasceu há 94 anos, no dia 22 de Novembro de 1913.




Benjamin Britten
Les Illuminations, Op.18. Serenade, Op.31. Nocturne, Op.60.
Ian Bostridge (tenor), Radek Baborák (trompa)
Berliner Philharmoniker
Simon Rattle
EMI Classics 5 58049-2
(2005)


Internet

Benjamin Britten
MusicWeb Internation / Classical Music Pages / Britten Pears Foundation / Classical Net / Wikipedia / Boosey & Hawkes / Naxos / Opera Glass

16/11/2007

CDs #141: Paul Hindemith performs Hindemith

Entre 1934 e 1935 o compositor alemão Paul Hindemith (1895-1963) andou às voltas com a ópera Mathis der Maler. Ele mesmo escreveu o libreto, numa aventura literária inédita para Hindemith, até aí não muito dado às coisas da escrita. Os nazis, por seu lado, não eram muito dados às modernidades musicais, sendo especialmente adversos a tudo o que fosse atonal. Daí até perseguirem Hindemith e apelidarem-no de bolchevique atonal foi um pequeno passo; do restante caminhar resultou, por exemplo, a proibição da ópera, que apenas iria ser estreada em Maio de 1938, e em Zurique.

Como é sabido, Hindemith extraiu uma sinfonia dessa ópera, obra de que já aqui anteriormente falámos.
Há boas razões para acreditar que dessa ópera não resultou apenas a extracção de uma sinfonia; na verdade, logo de seguida o compositor começou a trabalhar no Concerto para Viola e Pequena Orquestra, Der Schwanendreher, e onde utilizou algumas das melodias populares que tinha recolhido aquando do trabalho de investigação efectuado para Mathis der Maler. Hindemith, para justificar a introdução de tais melodias, deu um argumento à obra: um tocador de rabeca (instrumento medieval, antecessor do violino), em aprazível companhia, toca as músicas que foi ouvindo durante as suas viagens, "ornamentando e improvisando de acordo com as suas capacidades", nas palavras do próprio Hindemith. A estreia teve lugar em 1935 no Concertgebouw, em Amesterdão, com a orquestra de câmara (desprovida de violinos e violas) dirigida pelo maestro holandês Willem Mengelberg (1871-1951).

Neste CD a direcção da orquestra está a cargo do próprio Hindemith, que ainda toca a viola, e de quem hoje se assinala o 112º aniversário do nascimento.




Paul Hindemith performs Hindemith
Symphony: Mathis der Maler.
Der Schwanendreher, Concerto for Viola and Small Orchestra.
Violin Concerto.
Paul Hindemith (viola), Henry Merckel (violino)
Berlin Philharmonic Orchestra, Arthur Fiedler's Sinfonietta
Paul Hindemith
Orchestre de l'Association des Concerts Lamoureux
Roger Désormière
Dutton CDBP 9767


Internet

Paul Hindemith
Hindemith Foundation / Wikipedia / Classical Music Pages / Classical Net / Naxos

13/11/2007

Pianistas #20: Harriet Cohen (1895-1967)

Recentemente desfilei aqui os nomes de alguns dos notáveis alunos do professor Tobias Matthay (1858-1945), constando entre eles o de Harriet Cohen, de quem hoje se assinalam os 40 anos passados sobre a morte, ocorrida a 13 de Novembro de 1967. Da primeira vez que por aqui falei desta pianista inglesa foi a propósito de um disco, em que tocava exclusivamente obras de Arnold Bax (1883-1953).

De Cohen é principalmente conhecida a sua estreita relação com este compositor, não se referindo muitas vezes o facto de ela ter também estreado obras de outros importantes compositores, como Béla Bartók (1881-1945) e Ralph Vaughan Williams (1872-1958), que a ela as tinham dedicado. Bartók dedicou-lhe 6 peças de Mikrokosmos, conhecidas como Danças em Ritmos Búlgaros (já agora note-se que 3 destas 6 peças resultaram de arranjos de temas populares, as únicas, segundo o próprio compositor, em que tal terá acontecido, das 153 que constituem Mikrokosmos); de Vaughan Williams, a nossa pianista estreou o Concerto para Piano em dó, em Londres no dia 1 de Fevereiro de 1933.

O compositor inglês Ernest John Moeran (1894-1950) foi outro dos que lhe dedicaram obras, e lembrei-me dele por dois motivos, um musical e outro nem por isso: há dois discos deste quase desconhecido compositor a rodar cá em casa, um deles de aquisição recente e com a batuta nas mãos de um dos meus maestros preferidos: Adrian Boult (1889-1983); por outro lado, pode-se dizer que Moeran teve, de certa forma, algo a ver connosco, os portugueses, embora não pelos motivos mais recomendáveis: consta-se que partilhou senhoras da vida com Augustus John (1878-1961), o autor do retrato mais conhecido da nossa violoncelista Guilhermina Suggia (1885-1950)...


Internet

Harriet Cohen
Bach Cantatas Website / Royal Academy of Music / Wikipedia / Naxos

11/11/2007

Lugares #169

Quando por aqui se falou do Mosteiro de Grijó referiu-se de passagem D. Sancho I, o Povoador. Nascido há exactamente 853 anos, filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda, além da preocupação em povoar as áreas recém conquistadas teve que lidar com a rivalidade do reino de Leão. Belmonte, por ser fronteira com esse reino, tinha uma importância estratégica, daí D. Sancho I lhe ter concedido Carta de Foral em 1199.




A ameaça de Leão obrigava ao reforço das fronteiras, e é nessa altura que se inicia a construção do reduto fortificado de Belmonte, transformado no século XIII em castelo.

Nos finais do século XIV Luís Álvares Cabral é nomeado primeiro alcaide do castelo por D. João I, Mestre de Avis (1357-1433). A família Álvares Cabral acabaria por se estabelecer definitivamente em Belmonte a partir da segunda metade do século XV.


Internet

http://www.cm-belmonte.pt/build/menu.htm
http://www.rt-serradaestrela.pt/regiao/concelho/10.htm

08/11/2007

CDs #140: Bax, Piano Sonatas Nos.1 and 2

O londrino Tobias Matthay (1858-1945), de quem já aqui se falou anteriormente, foi um dos mais influentes professores de piano entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX, tendo passado pelas suas classes alguns notáveis músicos, como York Bowen (1884-1961), Myra Hess (1890-1965), Harriet Cohen (1895-1967), Clifford Curzon (1907-1982), Moura Lympany (1916-2005) e Arnold Bax (1883-1953). Tal como aconteceu com York Bowen, as primeiras obras de Bax foram maioritariamente escritas para o piano; só que, ao contrário de Bowen, as carreiras de Bax como pianista e compositor não foram um sucesso imediato. As suas composições, no entanto, lá foram lenta mas seguramente ganhando popularidade e, na segunda metade da década de 1910, era ver Harriet Cohen e Myra Hess pelarem-se para tocarem as suas obras... Com uma certa supremacia de Harriet Cohen, há que reconhecer, com quem Bax estabeleceu uma relação especial e a quem dedicou várias dessas obras.

A prova de que o sucesso imediato não é obrigatoriamente sinónimo de sucesso duradouro é o facto de a música de Bax ser hoje em dia bem mais divulgada do que a de Bowen. Excepto para os estimados leitores do desNorte, evidentemente, já que tanto um como o outro vão aparecendo por estas páginas! Indubitavelmente que à editora low-cost Naxos cabe uma boa dose da responsabilidade pelo facto de Bax não ser menos conhecido na actualidade. Um dos discos que editou, em 2004, contém algumas das suas obras para piano, com especial destaque para as duas primeiras das 4 sonatas que compôs. A primeira delas foi escrita por Bax em 1910, quando se encontrava na Ucrânia; a versão original foi estreada por Myra Hess em Abril de 1911, e a definitiva por Harriet Cohen em Junho de 1920. Pouco antes Bax tinha terminado a segunda sonata, estreada em Novembro de 1919 pelo seu amigo Arthur Alexander e, na sua versão revista, por Harriet Cohen, em Junho do ano seguinte. Parece que esta sonata foi também dedicada a Harriet Cohen, mas como a dedicatória no manuscrito foi rabiscada por ela mesma há algumas dúvidas...




Arnold Bax
Piano Sonata No.1 in F sharp minor. Piano Sonata No.2.
Dream in Exile: Intermezzo. Burlesque. Nereid. In a Vodka Shop.
Ashley Wass (piano)
Naxos 8.557439
(2003)


Internet

Tobias Matthay
Royal Academy of Music / The American Matthay Association for Piano / Wikipedia

Arnold Bax
The Sir Arnold Bax Website / Naxos / Wikipedia / Karadar Classical Music

07/11/2007

Concertos #61

Um metódico e persistente trabalho de investigação permitiu-nos descobrir mais uma pérola na programação da Casa da Música, e assim na próxima Sexta-feira à noite lá estaremos de novo, desta vez para o concerto da La Petite Bande, sob a direcção de Sigiswald Kuijken (1944-), o seu maestro fundador. Este concerto aparece integrado no Festival À Volta do Barroco, saudavelmente mantido dos anos anteriores, e que conta ainda com a participação de outros excelentes intérpretes, como Andreas Staier e o agrupamento Europa Galante, dirigido por Fabio Biondi (1961-).

Mantendo as devidas distâncias, a história de La Petite Bande faz-me lembrar uma outra passada já lá vão 15 anos, e relacionada com uma fábrica de televisores (!). Em 1992 tiveram lugar os Jogos Olímpicos de Barcelona e, como devem adivinhar, as vendas de aparelhos de televisão nesse período aumentam exponencialmente, pelo que a Philips (passo a publicidade) decidiu erguer de raiz uma fábrica nessa cidade, com o intuito de servir principalmente o mercado ibérico, e desde o início com a perspectiva de a encerrar após os Jogos. Só que a Direcção local achou por bem continuar o projecto, fez uma proposta de compra à multinacional (MBO, Management Buyout) e após longas negociações lá chegaram a um entendimento.

A La Petite Bande, por seu lado, foi criada em 1972 a pedido da editora Deutsche Harmonia Mundi, com o único fito de gravar a ópera Le Bourgeois Gentilhomme, do compositor francês Jean-Baptiste Lully (1632-1687). Depois dessa gravação era suposto a orquestra desaparecer. O sucesso verificado, contudo, fez com que tal não se verificasse, pelo que ainda anda por aí. E, já agora, diga-se que com bem mais sucesso do que a referida fábrica de televisores, cuja falência foi decretada recentemente, em Julho passado, apesar dos anos de sucesso que foi registando.

Para terminar, que o texto vai longo, diga-se que do programa do concerto consta uma única obra, Vespro della beata vergine, para coro e instrumentos, finalizada por Claudio Monteverdi (1567-1643) em 1610, e alvo de acesa polémica quanto ao facto de se tratar ou não de música litúrgica. Assunto para outra altura...


Programa

Claudio Monteverdi
Vespro della beata vergine.
La Petite Bande
Sigiswald Kuijken


Internet

Claudio Monteverdi
Classical Music Pages / Wikipedia / Musicantiga.com.sapo.pt / Naxos

04/11/2007

CDs #139: Barbirolli at the Proms

Em várias passagens da Sinfonia Nº1 do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) ficamos com a sensação de estarmos a ouvir Beethoven, algo inesperado atendendo ao facto de Brahms ter pertencido ao período romântico. Só que Brahms foi o mais clássico dos compositores do romântico tardio, por isso muito admirado por aqueles que não se reviam nas modernices de Richard Wagner (1813-1883) e outros que tal. Os nossos ouvidos, portanto, não nos enganaram, quanto a isso podemos ficar sossegados; um já nosso bem conhecido, Hans von Bülow (1830-1894), chegou mesmo ao ponto de afirmar ser esta a "10ª de Beethoven"... Parece, aliás, que Brahms sentiu de sobremaneira a responsabilidade de ser considerado o sucessor de Ludwig van Beethoven (1770-1827), ao ponto de ter levado mais de 20 anos até se decidir a publicar a primeira sinfonia; na verdade, iniciou-a em 1855 mas apenas a terminou em 1876, tendo a estreia, consta que assim um bocado à experiência, ocorrido a 4 de Novembro de 1876, passam hoje 131 anos.

Em Agosto de 1954 o maestro inglês John Barbirolli (1899-1970) teve mais uma das suas vastas participações nos Concertos Promenade, e uma das obras em que nessa altura dirigiu a sua Hallé Orchestra foi precisamente a Sinfonia Nº1 de Brahms. A ligação de Barbirolli a estes concertos durou mais de 50 anos, tendo começado em 1916, como violoncelista da Queen's Hall Orchestra, e terminado apenas em 1969. Era suposto Barbirolli ter lá voltado em Agosto de 1970, mas faleceu em Julho.

Apesar de ter tocado muitas vezes Brahms durante os 27 anos em que esteve à frente da Hallé Orchestra, Barbirolli nunca gravou comercialmente a 1ª Sinfonia (o mesmo, aliás, se aplica à 2ª Sinfonia), o que só vem valorizar ainda mais esta gravação.




Joseph Haydn
Overture - The Uninhabited Island.
The Creation - In Native Worth.
Johannes Brahms
Symphony No.1 in C minor, Op.68.
David Galliver (tenor)
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Guild GHCD 2320
(1954)


Internet

Johannes Brahms
Johannes Brahms WebSource / Essentials of Music / Classical Music Pages / Wikipedia / Naxos

02/11/2007

CDs #138: John Foulds

Há pouco mais de 2 anos trouxe aqui um disco do compositor inglês John Foulds (1880-1939), de quem hoje se assinala o 127º aniversário do nascimento. Na altura deixei a garantia de que regressaria a Foulds na primeira oportunidade; que nos é dada de novo por Sakari Oramo (1965-) e pela Orquestra Sinfónica da Cidade de Birmingham, decididamente os maiores divulgadores na actualidade da obra deste compositor. Não há nada como ter uma boa ajuda para o cumprimento de antigas promessas...

Por motivos que não consigo descortinar, a música de Foulds continua largamente ignorada pelo público, até por aquele mais dado às coisas da música. Se o primeiro disco que adquiri me tinha impressionado vivamente, este serviu para me convencer em definitivo estar perante um excelente compositor. E se do outro CD destaquei uma obra prematura do compositor, Mirage, deste realço uma que, apesar do nome que ostenta não o indicar, é um puro concerto para piano e orquestra: Dynamic Triptych. Concerto que Foulds escreveu nos finais da década de 1930, quando vivia em Paris, cidade para onde se tinha mudado em 1927, desiludido com a perda de popularidade que a sua música vinha registando em Londres, após o sucesso auspicioso do World Requiem. História para outra ocasião...

Na caixa do disquinho espetaram um anúncio que reza assim: "Access FREE bonus content with this CD", completado com o endereço da Warner Classics na Internet. É-nos indicado que bastar visitar a "área exclusiva", colocar o disco no computador e fazer o "download" de trechos que não constam do disco. Espero, sinceramente, que tenham mais sucesso (habilidade?!) do que eu...




John Foulds
Dynamic Tryptych for Piano and Orchestra, Op.88.
April - England (Impressions of Time and Place No.1), Op.48 No.1.
Music-Pictures Group III, Op.33. The Song of Ram Dass.
Keltic Lament, Op.29 No.2.
Peter Donohoe (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Sakari Oramo
Warner Classics 2564 62999-2
(2006)


Internet

John Foulds
Blunt Instrument / Calow Classics / Wikipedia / MusicWeb International / BBC

Blogues #18

Desta vez os parabéns vão para O Jumento, há 4 anos a dar coices.