03/03/2008

Tenores #8: Giuseppe di Stefano (1921-2008)

Uma das minhas gravações operáticas de eleição é a da Tosca de Giacomo Puccini (1858-1924), efectuada em 1953 e contando no elenco, entre outros, com Maria Callas (1923-1977), Giuseppe di Stefano, Tito Gobbi (1913-1984) e Franco Calabrese (1923-), acompanhados pelo Coro e Orquestra do Teatro alla Scala, de Milão, sob direcção de Victor de Sabata (1892-1967). A década de 1950 assistiu ao apogeu da dupla Maria Callas / Giuseppe di Stefano, que iria gravar um total de 10 óperas. Ambos iriam depois começar a ter problemas com a voz, consequência da forma menos cuidada com que a trataram. Ficou aliás famosa, embora pelos piores motivos, uma turné que efectuaram na primeira metade da década de 1970, em que as dificuldades vocais de ambos foram por demais evidentes.

O tenor Giuseppe di Stefano, de cujo falecimento fomos hoje informados, teve a sua estreia no dia 20 de Abril de 1946, na ópera Manon de Jules Massenet (1842-1912). Em Itália, de onde se tinha pirado quando desertou do exército de Benito Mussolini (1883-1945), apenas tendo podido regressar após o final do conflito mundial, como está bom de ver. O sucesso registado abriu-lhe de imediato as portas dos mais importantes palcos, e menos de um ano depois já se estreava no La Scala. Tenor lírico, dono de uma voz invulgarmente quente, foi uma das grandes vozes do pós-guerra. As suas melhores gravações são de absoluta referência, encimadas pela referida Tosca.


CDs




Giacomo Puccini
Tosca.
Leontyne Price (soprano), Giuseppe Taddei, Piero de Palma (barítonos),
Carlo Cava, Fernando Corena, Alfredo Mariotti (baixos),
Giuseppe di Stefano (tenor)
Vienna State Opera Chorus and Orchestra
Herbert von Karajan
Decca Legends 466 384-2
(1963)

Viva Verdi!
Arias from various operas.
Giuseppe di Stefano (tenor) and others.
Preiser Records PSR 89223
(1909-1949)

Giacomo Puccini
Tosca.
Maria Callas (soprano), Giuseppe di Stefano, Angelo
Mercuriali (tenores), Tito Gobbi (barítono), Franco
Calabrese, Melchiorre Luise, Dario Caselli (baixos)
Chorus and Orchestra of La Scala, Milan
Victor de Sabata
EMI GROC 5 67756-2
(1953)

Giuseppe Verdi
Un ballo in maschera.
Maria Callas, Eugenia Ratti (sopranos), Giuseppe di Stefano,
Angelo Mercuriali (tenores), Ettore Bastianini (barítono),
Giulietta Simionato (meio-soprano), Antonio Cassinelli,
Marco Stefanoni (baixos)
Chorus and Orchestra of La Scala, Milan
Gianandrea Gavazzeni
EMI 5 67918-2
(1957)

Gaetano Donizetti
Lucia di Lammermoor.
Maria Callas (soprano), Giuseppe di Stefano, Valiano
Natali, Gino Sarri (tenores), Tito Gobbi (barítono),
Raphael Arie (baixo), Anna Maria Canali (meio-soprano)
Maggio Musicale Fiorentino Chorus and Orchestra
Tullio Serafin
EMI GROC 5 62747-2
(1953)

Giuseppe Verdi
La forza del Destino.
Giuseppe di Stefano, Hugo Meyer-Welfing (tenores),
Giulietta Simionato, Anne-Marie Ludwig (meios-sopranos),
Antonietta Stella (soprano), Ludwig Welter, Walter
Kreppel, Franz Bierbach (baixos), Ettore Bastianini,
Karl Donch (barítonos)
Vienna State Opera Chorus and Orchestra
Dimitri Mitropoulos
Orfeo d'Or C681 062
(1960)


Internet

Giuseppe di Stefano
Grandi Tenori / Naxos / Jennifer's Giuseppe di Stefano Home Page / Wikipedia

4 comentários:

  1. Lamento não concordar.
    A meu ver, não foi um tenor excepcional.
    Da sua geração, e bem superiores, temos Franco Corelli, Carlo Bergonzi e Mario del Monaco.
    Giuseppe di Stefano teve a sorte de acompanhar Callas, mas não sei se se pode dizer o inverso. Nesse aspecto, Renata Tebaldi foi bem mais feliz.
    Mas é apenas a minha opinião.

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  2. Mas era Di Stefano que Callas preferia, porque ambos se pautavam pelo primado da importância da palavra. Outros terão tido uma voz mais bonita e uma técnica mais perfeita, mas nenhum interpretava ao jeito de Callas como ele.

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  3. São naturais diferenças de opinião. Para mim, as gravações de di Stefano da década de 50 são do melhor que eu conheço.

    Saudações,

    Heitor

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  4. Infelizmente as pessoas consideram Di Stefano como um tenor inferior por causa de uma compreensão errônea sobre técnica de canto. Ele recebeu sinceros elogios de Callas, Tebaldi, Simeonatto, Toscanini ´("é o tenor que mais gosto, porque canta sem afetação"), Karajan, De Sabata, Bjoerling, Del Monaco ("o melhor tenor lírico que apareceu depois do Gigli"), Pavarotti (que tinha Caruso e Di Stefano como seus tenores preferidos) e Carreras.

    Será que tantos artistas estariam se equivocando? Além disso, para mim o Di Stefano usou técnica adequada à sua concepção de ópera, embora fosse um tanto arriscada.

    Bergonzi, Del Monaco e Corelli também receberam suas críticas. Bergonzi não teria o arrojo dos demais tenores de sua geração. Corelli é crucificado por ter, no início da carreira, voz caprina e de Del Monaco diziam que não tinha mezza voce e era canastrão.

    Esses cantores todos são fantásticos. Por que temos que atacar um deles para exaltar os demais? Não é melhor apreciaramos todos?

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