07/05/2008

CDs #161: Brahms, The String Sextets

No início da década de 1850, o compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) fez uma turné pela Alemanha como pianista, acompanhado pelo violinista Eduard Reményi (1830-1898), de que resultaram dois encontros que se viriam a revelar cruciais, com o violinista Joseph Joachim (1831-1907) e com o casal Schumann. Robert Schumann (1810-1856) viria a ter uma admiração extrema pela música de Brahms, a que este corresponderia com uma paixão assolapada pela esposa, Clara Schumann (1819-1896)... Nunca passaria de um amor platónico, pensa-se, que durou até à morte de Clara, em 1896.

Por ventura numa tentativa de esquecer Clara, em 1859 ficou noivo do soprano Agathe von Siebold (1835-1909), uma mulher não especialmente bonita mas voluptuosa..., que conhecera no ano anterior. A estreia do Concerto para Piano Nº1, a 22 de Janeiro de 1859, não foi propriamente um grande sucesso e, no rescaldo, Brahms escreveu uma carta a Agathe, que resultou no fim imediato do noivado. Foi neste ambiente tumultuoso que compôs a sua primeira obra de música de câmara, o Sexteto de Cordas Nº1 (o Trio, Op.8, de 1854, foi rearranjado em 1891, versão que é a que habitualmente se executa), terminado em Setembro de 1860 e estreado no dia 20 de Outubro seguinte, num concerto promovido por Joseph Joachim. O Sexteto de Cordas Nº2 foi escrito cerca de 4 anos depois, quando Brahms soube que Agathe tinha trocado a Alemanha pela Irlanda, tendo-o terminado no início de 1865, pouco antes do falecimento da sua mãe. Ao contrário do primeiro, este segundo teve uma recepção muito fraca, e foi alvo de duras críticas. Histórias para outra altura...

Johannes Brahms nasceu há 175 anos, no dia 7 de Maio de 1833.




Johannes Brahms
String Sextet No.1 in B flat major, Op.18.
String Sextet No.2 in G major, Op.36.
The Nash Ensemble
Onyx Classics ONYX 4019
(2006)


Internet

Johannes Brahms
Johannes Brahms WebSource / Classical Music Pages / Classical Net / Naxos / Vidas Lusófonas / Wikipedia

5 comentários:

  1. Pois é verdade . E como o meu filho me diz na brincadeira - dado que também faz anos neste dia - só podia ser um génio :-) ! Mal amado mas um génio acrescentaria eu ...
    Pessoalmente gosto muito de Brahms e acho que é um dos compositores mais sub-avaliados da história da música ...

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  2. As grandes paixões deram sempre origem a grandes obras!

    Após uma ausência tão prolongada desta página, confesso que me deliciei a ler e colocar em dia muitos textos que perdi com ela.

    É sempre um prazer estar aqui.

    Um abraço carinhoso e bom fim de semana, com muita música.

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  3. Em relação ao recital de Ivo Pogorelich:

    > O homem, não sei se por timidez, não faz qualquer esforço para criar empatia com o público.
    > Pelo que o sucesso depende exclusivamente da qualidade da interpretação.
    > Demonstrou, se tal era preciso, ter uma técnica extraordinária. Descobriu um "elemento jazzístico" na sonata de Beethoven, de que eu nunca me tinha apercebido (vou procurar ouvir outras interpretações, para comparar).
    > Na Sonata de Rachmaninov esteve muito bem. Pogorelich tem um som que podia encher um coliseu romano, particularmente adaptado a esta sonata. Cheguei a temer pela saúde do piano, tal a "convicção" com que tocou.
    > Como eu previa, não houve "encores" para ninguém. Não sei sequer se estavam previstos, mas depois das sessões costumeiras de catarro, tosse, telemóveis a vibrar, a tocar e a cair ruidosamente, outra coisa não seria de esperar.
    > Conclusão: gostei, e fiquei convencido que as recentes notícias da morte anunciada (como intérprete de topo...) do pianista são manifestamente exageradas.

    Saudações,

    Heitor

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  4. Cara Otília,

    É uma pena que tenha deixado de escrever marotices na blogosfera, não é?! Eu bem que lá vou espreitar de quando em vez, que a esperança é a última a morrer...

    Saudações,

    Heitor

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  5. Caro Heitor, assisti ao recital da Gulbenkian e não gostei nada. Lá técnica tem ele, mas devia estar desconcentrado ou indisposto (já se sabe que ele é de altos e baixos) e o que me ficou foi a violência com que ele atacava o piano, como se lhe quisesse dar cabo das teclas, produzindo decibéis em excesso em Rachmaninov depois de uma interpretação muito desequilibrada da op. 111. Em Lisboa ainda presenciámos um outro fenómeno: Toda a primeira parte (Beethoven) foi apresentada a um piano que rangia e Pogorelich continuou como se não se tivesse dado conta do absurdo.

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