19/08/2008

Lugares #179

Com uma nova equipa gestora vêm novas ideias e, frequentemente, uma nova estratégia para a empresa. Assim não fosse e seria bem mais complicado explicar os motivos pelos quais a administração correu com a equipa anterior. Pois foi o que aconteceu há uns anos numa determinada empresa multinacional, com fábricas instaladas na zona norte de Portugal desde a década de 1970. Um dia o novo presidente efectuou uma visita a uma dessas unidades fabris para informar a direcção local que o negócio de componentes para a indústria electrónica tinha deixado de ser "core business" e que, por via disso, iria iniciar uma procura activa de "parceiros" que nele estivessem interessados. Até que tal feliz desenlace se viesse a verificar não haveria lugar, naturalmente, a grandes investimentos, pelo que não era difícil adivinhar que o caminho para o abismo seria trilhado a passos seguros e não formosos...

O processo não correu conforme o anunciado, mas sim como se temia e, com a ajuda do arrefecimento dos ânimos provocado pelos ataques de 11 de Setembro de 2001, prolongou-se indefinidamente no tempo. Até que, algures em 2006, alguém confidenciou que havia um princípio de acordo com uma certa empresa, pelo que finalmente iria haver um dono com interesse no negócio e com disponibilidade para nele investir. Veio a verificar-se esse alguém, todavia, ser uma pequena empresa do país nosso vizinho, completamente impreparada para integrar e assimilar devidamente uma outra de maiores dimensões e com uma cultura distinta. O desastre adivinhava-se e acabou por chegar, com estrondo. No entretanto, para infelicidade de muitos, passou-se mais de um ano e meio, uma eternidade.




O despedimento colectivo foi o bálsamo milagroso, aguardado com ansiedade e recebido com júbilo. Nas reuniões que juntaram a Direcção local, a Comissão de Trabalhadores e a representante do Ministério do Trabalho, nunca se discutiu o problema dos abrangidos pelo despedimento, mas apenas o daqueles que nele não constavam, incapazes de compreender tamanha descriminação... Algo nunca visto, confidenciaria mais tarde "off the record" a tal representante ministerial...

O desenlace, que para os não directamente envolvidos poderia ser encarado como trágico, foi solenemente assinalado e celebrado com uma visita (excelentemente) guiada ao Convento de Cristo e um repasto, inesquecível, no Chico Elias, que a ocasião não era para menos. Lamento informar que não se dão alvíssaras a quem adivinhar o nome do organizador da coisa...


Internet

Convento de Cristo
Região de Turismo dos Templários / i-Tomar / IPPAR / 360º Portugal / Wikipédia

2 comentários:

  1. Como não há alvíssaras não me ponho a tentar adivinhar.

    Não visitei Tomar recentemente e, na última vez que lá estive, a charola ainda estava atafulhada de andaimes. Parece que ficou esplendorosa, apesar de ainda estarem previstos, segundo me disseram, mais alguns trabalhos de restauro.

    Saudações.

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  2. Já há um par de anos que lá não ia, e não me lembrava de como era a charola sem andaimes... Parece, realmente, que a intervenção está a chegar ao fim, apenas se vendo alguns vestígios de que alguma coisa ainda está a decorrer.


    Cumprimentos,

    Heitor

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