31/01/2008

CDs #151: Schubert, Piano Sonatas, Alfred Brendel

O par Alfred Brendel (1931-) - Franz Schubert (1797-1828) já foi por aqui muitas vezes referido: da primeira vez, em Novembro de 2004, a propósito de um DVD; depois, em Abril do ano seguinte, aquando da nossa estreia na Casa da Música, e logo com um recital deste pianista austríaco; e, finalmente, quando um ano e pouco depois, em Junho de 2006, voltámos à Casa da Música e a Brendel, num recital onde a música de Schubert esteve novamente presente. Isto tudo explica-se muito facilmente pelo facto de Alfred Brendel ser um dos meus pianistas de eleição, o que não é relevante para o caso, e um dos maiores intérpretes de Schubert de todos os tempos, o que já tem muito mais interesse. Daqui resulta também que este duplo CD, gravado ao vivo e inteiramente dedicado a Schubert, não pudesse faltar cá em casa.

Schubert foi o primeiro grande compositor do romântico, mas terá sido o último em que as sonatas para piano tiveram um papel primordial no conjunto da obra. Compôs 23, tendo terminado 12 delas, e das quais (das acabadas e das também não...) Brendel interpreta 5 neste disco:

» A Sonata para Piano Nº16, D784, escrita em 1823 e publicada postumamente por Anton Diabelli (1781-1858), em 1839, que lhe atribuiu um número de opus, 143, e um título, Grande Sonate, pensa-se que para fins comerciais (soava bem...).

» A Sonata para Piano Nº17, D840, iniciada em 1825 mas nunca finalizada pelo compositor. Foi publicada apenas em 1861, e com um título que não lembraria ao diabo: Relíquia.

» A Sonata para Piano Nº20, D894, composta no ano seguinte e editada em 1827 por Tobias Haslinger (1787-1842), o tal que inventou o ciclo de canções Schwanengesang, e que no caso desta sonata também armou das dele: por achar que ela era muito grande, e achando que desse modo ganharia mais dinheiro, publicou os seus 4 andamentos como se de 4 obras distintas se tratassem, e chamou-lhes Fantasia, Andante, Menuetto e Allegretto...

» A Sonata para Piano Nº22, D959, escrita em Setembro de 1828, dois meses antes de falecer. Um mês extraordinariamente prolífico, em que Schubert comporia 3 sonatas para piano, tendo esta sido a segunda.

» A Sonata para Piano Nº23, D960, a última da trilogia de Setembro, finalizada a 26 desse mês. Foi, simultaneamente, a última obra de envergadura escrita pelo compositor.

Alfred Brendel já anunciou entretanto que se vai retirar dos palcos. O último concerto terá lugar este ano, em Viena, no dia 18 de Dezembro.

Franz Schubert nasceu há 211 anos, no dia 31 de Janeiro de 1797.




Franz Schubert
Piano Sonata in A minor, D784. Piano Sonata in C major, D840.
Piano Sonata in G major, D894. Piano Sonata in A major, D959.
Piano Sonata in B flat major, D960.
Alfred Brendel (piano)
Philips 475 7191
(1984, 1997-9)


Internet

Franz Schubert
Classical Music Pages / The Schubert Institute (UK) / Wikipedia / Classical Net / Carolina Classical Connection / Naxos

Alfred Brendel
Official website / Decca Classics / Fundação Calouste Gulbenkian / Wikipedia / Guardian

29/01/2008

Violinistas #8: Fritz Kreisler (1875-1962)

O austríaco de nascimento Fritz Kreisler tinha um talento fora do comum para tocar violino, o que fez com que a sua técnica parecesse incólume às várias mudanças de rumo que, em determinado período, a sua vida foi sofrendo. Nos finais da década de 1880, depois de uma bem sucedida turné pelos Estados Unidos, viu recusada a sua pretensão de ingressar na Orquestra Filarmónica de Viena, o que o levou a abandonar a música e a procurar seguir medicina. Na senda da tradição familiar, pois o seu pai era um conceituado cirurgião. Uns anos depois, deixou a área da saúde e regressou à das artes, só que pela porta da... pintura. Andou por Paris e Roma a procurar aperfeiçoar o dom; coisa de pouca duração, contudo, tendo-se virado algum tempo depois para as artes da... guerra, alistando-se para o efeito no exército. A aventura bélica durou cerca de um ano, após o que decidiu regressar às origens e voltar a pegar no violino. Tinham-se passado entretanto cerca de 10 anos, e para este regresso, no ano de 1899, Fritz Kreisler necessitou de um prolongado período de preparação, de exactamente 8... semanas.

Entre 1901 e 1903 fez várias turnés nos Estados Unidos, que marcaram o início do reconhecimento internacional daquele que viria a ser um dos violinistas mais marcantes da primeira metade do século XX. No final da primeira década desse século Kreisler estrearia o Concerto para Violino de Edward Elgar (1857-1934). Deu concertos públicos até 1947, com alguns interregnos pelo meio devido às duas grandes guerras, tendo falecido em Nova Iorque no dia 29 de Janeiro de 1962, passam hoje 46 anos.

Há uma pequena curiosidade no disco abaixo listado, pela presença de Arnold Rosé (1863-1946) ao lado de Kreisler: é que foi Rosé o responsável pela referida não entrada do nosso amigo para a Filarmónica de Viena...


CD



The Great Violinists
Recordings from 1900-1913.
Joseph Joachim, Engène Ysaÿe, Pablo de Sarasate,
Stanislaw Barcewicz, Bernhard Dessau, Paul Viardot,
Arnold Rosé, Henri Marteau, Fritz Kreisler, Jan
Kubelík, Willy Burmester, Jacques Thibaud, Marie Hall,
Franz von Vécsey, Joseph Szigeti, Karol Gregorowicz
Testament SBT21323


Internet

Fritz Kreisler
Legendary Violinists / Fritz Kreisler Wettbewerb / Guild Music / Wikipedia / Naxos

25/01/2008

CDs #150: The Busch Serkin Duo - Unpublished Recordings

A primeira (e única até agora) vez que por aqui falámos do pianista Rudolf Serkin (1903-1991) foi em Maio de 2005, a propósito de um disco em que acompanhava o já saudoso Mstislav Rostropovich (1927-2007) em duas sonatas para violoncelo e piano de Johannes Brahms (1833-1897). Apesar de não haver qualquer referência no disco em relação à data exacta em que tais gravações terão sido efectuadas, tudo parece apontar para o início da década de 1980.

Cerca de 60 anos antes, em 1920, Serkin tinha-se associado ao violinista Adolf Busch (1891-1952) para formar um duo que duraria 30 anos e que se viria a revelar um dos mais conceituados de todo o século XX. O concerto de estreia teve lugar a 25 de Janeiro de 1921, passam hoje 87 anos, e tocaram pela última vez juntos em Outubro de 1951. Os fortes laços musicais tinham sido entretanto reforçados por estreitos laços familiares uma vez que, em 1935, Serkin tinha dado o nó com Irene Busch, filha do seu parceiro de duo...

O período entre 1925 e 1945 é considerado o melhor do duo, e é precisamente a este período que pertencem as gravações que compõem um disco editado pela APR, nunca anteriormente editadas porque apenas recentemente foram descobertas. Para o trio de Brahms juntou-se-lhes outro extraordinário músico, o trompista Aubrey Brain (1893-1955). Sendo esta a gravação mais antiga (1933) presente neste disco é, curiosamente, a que se apresenta com menor ruído de fundo. Nada que estrague o prazer de ouvir tão grandiosas interpretações, ou já não estivesse habituado às fritadeiras da primeira metade do século passado...




Johann Sebastian Bach
Sonata No.5 in F minor for violin and keyboard, BWV1018.
Johannes Brahms
Sonata No.1 in G major for violin and piano, Op.78.
Trio in E flat major for piano, violin and horn, Op.40.
Rudolf Serkin (piano), Adolf Busch (violino), Aubrey Brain (trompa)
APR5528
(1933, 1936, 1939)


Internet

Rudolf Serkin
The John F. Kennedy Center for the Performing Arts / Sony Classical / Wikipedia / Rudolf Serkin

Adolf Busch
Adolf Busch and the Busch Quartet / Answers.com / Wikipedia

23/01/2008

Lugares #173

No passado Sábado aqui o agregado debandou a sul para visitar a catedral, em romaria solidária com os bravos de Santa Maria da Feira. Numa tentativa desesperada de boicote, o autor destas linhas não foi autorizado a entrar com a máquina fotográfica no recinto, por ser "profissional". Tempo perdido, aquele que investi a perguntar ao zeloso funcionário com cara de polícia se tinha aspecto de fotógrafo profissional, e logo acompanhado de esposa e filho menor: "você pode ser profissional ou não, mas a máquina é, pelo que com ela não entra!"...

Por isso só houve fotografias do exterior, tendo perdido a oportunidade de registar para a história aqueles 11+3 repolhos, que alguns benfiquistas mais empedernidos teimam em apelidar de equipa de futebol. É que, se houve equipa que procurou praticar tal desporto naquela tarde, foi a da Liga Vitalis, que só não obteve outro resultado, que seria da mais elementar justiça, porque... não obteve. A outra, aquela "que qualquer treinador do mundo sonharia em dirigir", não fez uma única jogada com princípio, meio e fim, e terminou a partida a queimar tempo, em vistosas actividades de anti-jogo...

É o efeito LFV, pois claro: aqui este vosso escriba, vermelho de várias décadas, deu com ele a gritar a plenos pulmões pelos heróis feirenses, da secular terra onde apenas vive há um ano! Nem o tom de azul, a lembrar outras paragens menos agradáveis, retirou decibéis às vibrantes manifestações de apoio... Viva o Feirense!

21/01/2008

Compositores #86: Alexander Tcherepnin (1899-1977)

Nos primeiros anos do século XX o maestro (e compositor) Nikolai Tcherepnin (1873-1945) teve a oportunidade de dirigir com alguma frequência orquestras em várias óperas e bailados, um deles, Le Pavillion d'Armide, da sua própria autoria. Amigo de Rimsky-Korsakov (1844-1908), foi por este indicado para ir a Paris dirigir The Snow Maiden, corria o ano de 1908. O ano seguinte ficaria marcado pela estreia dos Ballets Russes, igualmente em Paris, e uma das 3 obras escolhidas para essa primeira temporada seria precisamente Le Pavillion d'Armide, tendo o próprio Nikolai Tcherepnin sido convidado por Sergei Diaghilev (1872-1929) para dirigir a orquestra.

Alexander Tcherepnin, filho de Nikolai, cresceu assim num ambiente eminentemente musical e teve, desde muito novo, a oportunidade de privar com compositores como Igor Stravinsky (1882-1971), Sergei Prokofiev (1891-1953) e Alexander Glazunov (1865-1936), além do já referido Rimsky-Korsakov. Daí não surpreender o ter decidido dedicar-se à composição desde muito novo, primeiro em S. Petersburgo, depois em Tbilisi e, posteriormente, em Paris, para onde a família se mudou por causa da Revolução Bolchevique de 1917. Em 1950 mudar-se-ia de vez para os Estados Unidos, tendo-se tornado cidadão americano em 1958. Antes disso, tinha passado bastante tempo na Ásia, em particular na China, país onde permaneceu entre 1934 e 1937. A sua música passou a revelar naturais influências orientais, que o levaram a definir-se como um compositor "euro-asiático".

Escreveu 4 óperas, e foi autor de diversas obras orquestrais, onde se incluem 4 sinfonias, obras para bailados, vocais e para instrumentos solistas, com destaque para o piano, além de música de câmara. Não é um compositor muito divulgado, longe disso, o que é meio caminho andando para aparecer por estas páginas...

Alexander Tcherepnin nasceu há 109 anos, no dia 21 de Janeiro de 1899.


CDs



Alexander Tcherepnin
Complete Music for Cello and Piano.
Alexander Ivashkin (violoncelo), Geoffrey Tozer (piano)
Chandos CHAN9770
(1999)

Alexander Tcherepnin
Symphony No.1 in E major, Op.42.
Symphony No.2 in E flat major, Op.77.
Piano Concerto No.5, Op.96.
Noriko Ogawa (piano)
Singapore Symphony Orchestra
Lan Shui
BIS CD-1017
(1999)


Internet

Alexander Tcherepnin
The Tcherepnin Society / Karadar Classical Music / Wikipedia / Naxos

18/01/2008

Concertos #63

O início de 2006 ficou-nos musicalmente gravado pelo excelente recital do barítono alemão Matthias Goerne (1967-), a que tivemos a oportunidade de assistir na Casa da Música, no Porto. Uma das obras interpretadas na altura foi o ciclo de canções Schwanengesang, de Franz Schubert (1797-1828). Hoje retomamos as nossas lides musicais, de novo na Casa da Música, e outra vez com Matthias Goerne; voltará a cantar Schubert, num total de 7 canções orquestradas por terceiros, pelo que a acompanhá-lo estará uma orquestra, a Nacional do Porto.

Goerne é actualmente um dos barítonos mais conceituados, um nome incontornável, por exemplo, no lieder alemão. Foi aluno de Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006) e de Dietrich Fischer-Dieskau (1925-), e já subiu aos palcos ou gravou com alguns reputadíssimos intérpretes, como os pianistas Leif Ove Andsnes (1970-) e Alfred Brendel (1931-), que muitas saudades vai deixar, neste ano que marca a sua retirada de cena, ou os maestros Kurt Masur (1927-), Vladimir Ashkenazy (1937-) e Esa-Pekka Salonen (1958-). Dos discos que tenho com este grande barítono, prezo em especial o da Paixão Segundo S. Mateus, de Johann Sebastian Bach (1685-1750), editado pela Teldec (8573-81036-2), e um outro que gravou precisamente com Alfred Brendel, com obras de Beethoven (1770-1827) e de Schubert, para a Decca (475 6011).

O concerto abrirá com uma obra de Mili Balakirev (1837-1910), a que se seguirão as tais canções de Schubert na versão orquestrada, e finalizará com a Sinfonia Nº4 de Piotr Ilyich Tchaikovsky. (1840-1893). Será, tudo indica, um dos grandes concertos de 2008 na Casa da Música, num ano, mais um, em que eles não abundarão. Mas tem algumas preciosidades lá pelo meio, a que voltaremos oportunamente.

P.S.

Já depois de ter rabiscado este texto, a Casa da Música anunciou que Matthias Goerne não vai poder participar neste concerto, por motivos de saúde, indo ser substituído pelo igualmente barítono alemão Stephan Loges. Um desapontamento para nós, claro, que foi para ouvir Goerne que comprámos os bilhetes, e isto sem qualquer desprimor para com Loges, senhor de um excelente curriculum.


Internet

Matthias Goerne
Offizielle Website / Fundação Calouste Gulbenkian / Wikipedia / Decca Music Group

16/01/2008

CDs #149: Bruno Walter Conducts Mahler

O maestro de origem alemã Bruno Walter (1876-1962) é indubitavelmente um dos meus preferidos, para o que em muito terá contribuído a sua relação estreita com o grande sinfonista Gustav Mahler (1860-1911). Relação essa que começou em Hamburgo em 1894, quando Walter para lá foi como regente do coro da ópera dessa cidade, e onde teve a oportunidade de trabalhar pela primeira vez com Mahler; 7 anos depois voltariam a trabalhar juntos, quando Walter aceitou o convite do compositor para ser seu assistente em Viena, colaboração que se manteria até aos finais da década de 1900, altura em que Mahler partiu para outras paragens. A ligação de Walter com a música de Mahler manter-se-ia, contudo, e o maestro viria ainda a estrear duas obras após a morte de Mahler, ocorrida em 1911: O Canto da Terra e a Sinfonia Nº9.

A referida Sinfonia Nº9 foi estreada por Bruno Walter em Viena, no dia 26 de Junho de 1912. Há 70 anos, no dia 16 de Janeiro de 1938, Walter interpretou de novo esta sinfonia, no Musikverein de Viena, concerto que um dos pioneiros das gravações de música erudita com o fonógrafo, Fred Gaisberg (1873-1951), se encarregou de registar. Gravação a todos os títulos histórica, por termos Walter à frente da Orquestra Filarmónica de Viena, e por se estar em vésperas de novo grande conflito, a apenas um par de meses de a Alemanha anexar a Áustria. Walter, de origem judia, vir-se-ia forçado a partir, primeiro para França e posteriormente, em 1939, para os Estados Unidos. Exílio de forma alguma inesperado, se nos lembrarmos de que já em 1933 tinha tido problemas com as autoridades nazis, que lhe cancelaram 2 concertos pelas suas raízes erradas... Voltaria a Viena apenas após o fim do conflito, em 1945.

Esta gravação, original da editora His Master's Voice (HMV), foi reeditada pela Dutton em 2001, e é essa edição que por aqui revoluciona furiosamente.




Bruno Walter conducts Mahler
Symphony No.9 in D minor.
Vienna Philharmonic Orchestra
Bruno Walter
Dutton CDBP9708


Internet

Bruno Walter
The Bruno Walter Memorial Foundation / Sony Classical / Bach Cantatas Website / Wikipedia

14/01/2008

Concertos para Piano #8: Concerto para piano em sol maior, de Maurice Ravel

Na sua última década o compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) apenas compôs duas obras de grande fôlego: o Concerto para Piano para a Mão Esquerda, terminado em 1930, e o Concerto para Piano em sol maior, em 1931. A estreia deste último aconteceu no dia 14 de Janeiro de 1932, com a pianista Marguerite Long (1874-1966), a quem a obra foi dedicada, e a orquestra dirigida pelo compositor.


Maurice Ravel

Apenas 3 meses depois Marguerite Long gravaria a obra para a Columbia, numa altura em que o concerto já usufruia de grande popularidade. A estreia tinha sido um sucesso, a obra apreciada tanto pelo público como pela crítica. Ravel viria a completar mais uma obra apenas, Don Quichotte à Dulcinée, em Abril de 1932. No ano seguinte começou a ficar seriamente afectado por problemas de saúde, vindo a falecer em Dezembro de 1937.

A lista de pianistas que têm interpretado o Concerto para Piano nas últimas décadas inclui, entre outros, Arturo Benedetti Michelangeli, Louis Lortie, Martha Argerich, Krystian Zimerman e Pascal Rogé. Grande obra, grandes intérpretes, extraordinárias audições!


CDs




Maurice Ravel
Piano Concerto in G major. Piano Concerto in D major "for the left hand".
L'Eventail de Jeanne. Menuet Antique. Le Tombeau de Couperin.
Martha Argerich, Michel Béroff (pianos)
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 423 665-2

Maurice Ravel
Piano Concerto in G major. Piano Concerto in D major "for the left hand".
Krystian Zimerman (piano)
London Symphony Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 449 213-2

Maurice Ravel
Piano Concerto in G major.
Sergei Rachmaninov
Piano Concerto No.4 in G minor, Op.40.
Arturo Benedetti Michelangeli (piano)
Philharmonia Orchestra
Ettore Gracis
EMI CDM5 67238-2

Maurice Ravel
Piano Concerto in G major.
Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.13 in C, K415/K387b.
Arturo Benedetti Michelangeli (piano)
Rome RAI Symphony Orchestra
Turin RAI Symphony Orchestra
Carlo Maria Giulini, Nino Sanzogno
Urania URN 22.230

Maurice Ravel
Bolero. Piano Concerto in G major.
Gabriel Fauré
Ballade in F sharp. Nocturnes. Impromptus.
Claude Debussy
Deux arabesques. La plus que lente. Estampes.
Marguerite Long (piano)
Orchestra
Maurice Ravel
Pearl GEMMCD9927


Internet

Maurice Ravel
Classical Music Pages / Université du Québec / Karadar Classical Music / Wikipedia / Maurice Ravel Frontispice

13/01/2008

CDs #148: E J Moeran, Sinfonietta, Symphony in G minor

Em Março do ano passado trouxe aqui um disco com dois quartetos de cordas de John Ireland (1879-1962) e, na altura, mencionei o facto desde compositor raramente se ter aventurado a escrever obras de grande fôlego, dedicando-se quase exclusivamente a compor canções e pequenas peças instrumentais para piano, além de alguma música de câmara. Ireland foi também professor, tendo contado entre os seus alunos Ernest John Moeran (1894-1950) que, curiosamente, também se ficou normalmente por pequenas peças, escrevendo principalmente canções que transpiravam folclore inglês. Entre as suas obras mais substanciais, que também as compôs, contam-se um Concerto para Violino, de 1942, um outro para Violoncelo, de 1945.

Além, evidentemente, de duas das obras que contam deste disco: a Sinfonia em sol menor, terminada em 1937, e a Sinfonietta, de 1944. A sinfonia teve uma história algo atribulada pois, apesar de ter sido encomendada em 1926, pelo maestro e compositor irlandês Hamilton Harty (1879-1941), apenas foi começada 10 anos depois, quando Moeran se achou em condições de meter mãos a tal empreitada. Dedicada, sem surpresa, a Harty, a sinfonia viria a ser estreada pelo igualmente maestro e compositor Leslie Heward (1897-1943) no dia 13 de Janeiro de 1938, passam hoje 70 anos.

Heward, refira-se, tinha sido aluno do já nosso bem conhecido maestro Adrian Boult (1889-1983) que, nesse mesmo ano de 1938, iria também tocar esta sinfonia. E é igualmente Boult quem dirige a New Philharmonia Orchestra neste disco, numa gravação efectuada nos anos 70 do século passado. Nas outras duas obras de Moeran que constam deste disco Boult dirige a Orquestra Filarmónica de Londres.




Ernest John Moeran
Sinfonietta. Symphony in G minor. Overture for a Masque.
London Philharmonic Orchestra
New Philharmonia Orchestra
Adrian Boult
Lyrita SRCD247


Internet

Ernest John Moeran
The Worldwide Moeran Database / MusicWeb International / Naxos / Classical Net / Wikipedia

09/01/2008

Quartetos de Cordas #5: Quarteto de Cordas Nº4, de Arnold Schoenberg

Há pouco tempo referimos por estas páginas que a norte-americana Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953) foi uma importante patrona da música da primeira metade do século XX em geral, e da música de câmara em particular.

Um dos compositores beneficiados foi o austríaco (de nascimento) Arnold Schoenberg (1874-1951) que, na segunda metade da década de 1920, recebeu uma encomenda de que resultariam os seus quartetos de cordas nºs 3 e 4. Uma atitude corajosa da senhora, é bom que se diga, dados os antecedentes de Schoenberg no género: o primeiro quarteto que escreveu tinha sido vaiado em Viena, cidade natal do compositor, aquando da estreia, a 5 de Fevereiro de 1907, tendo a estreia do segundo, uma das suas primeiras aventuras atonais, sido o mais completo desastre, com as madames em sobressalto a enfiar os dedinhos nas orelhas e os cavalheiros um bocado perdidos no meio da confusão.

Ambas as estreias tinham tido lugar em Viena e, apesar de na altura da referida encomenda Schoenberg viver em Berlim, mostra bem que Sprague Coolidge não se tinha deixado impressionar pelas reacções negativas de então. O Quarteto de Cordas Nº4 foi composto entre Abril e Julho de 1936, já se encontrava Schoenberg nos Estados Unidos, país onde se tinha finalmente estabelecido depois de ter abandonado Berlim em 1933, pelos habituais problemas com as autoridades nazis. A estreia, ocorrida em Los Angeles no dia 9 de Janeiro de 1937, passam hoje 71 anos, contou com a interpretação do Quarteto Kolisch, que tinha sido formado em Viena em 1922 com o principal objectivo de tocar as obras de Schoenberg. A sua estreita associação a este compositor fez com que os seus membros, que se encontravam em Paris aquando da anexação da Áustria pela Alemanha, se vissem compelidos a procurar ares mais respiráveis, o que viria a tornar possível o reencontro com Schoenberg , em Los Angeles. Schoenberg, refira-se, tinha por este quarteto uma enorme admiração.


CD



Arnold Schoenberg
String Quartets Nos.1-4.
Kolisch Quartet
Archiphon ARC-103/4


Internet

Arnold Schoenberg
Arnold Schoenberg Center / Classical Music Pages / G. Schirmer Inc. / The Music Chamber / W. W. Norton & Company / Wikipedia / Naxos

07/01/2008

Blogues #21

"(...) Os velhos senhores armados de longas varas confundiam-se para ele com os guardas prisionais, os juízes de instrução e os informadores que espiavam, tentando ver se o vizinho falava de política enquanto ia às compras. O que é que impelia aquelas pessoas para a sua actividade sinistra? A maldade? Sem dúvida, mas também o desejo de ordem. Porque o desejo de ordem quer transformar o mundo humano num reino inorgânico onde tudo funciona, bem regulado, onde tudo se encontra submetido a uma vontade impessoal. O desejo de ordem é, ao mesmo tempo, desejo de morte, porque a vida é perpétua violação da ordem. Ou, inversamente, o desejo de ordem é o pretexto virtuoso através do qual o ódio do homem pelo homem justifica as suas malfeitorias".

Milan Kundera, in A Valsa do Adeus


Não sou fumador, nem nunca fui. Mas não posso concordar que se tratem os fumadores como criminosos, como está a acontecer neste país cada vez mais policiado. Não hesitei por isso em assinar esta petição iniciada por José Pimentel Teixeira, o autor do blogue Ma-Schamba. Além do mais, não acredito que a sanha persecutória vá ficar por aqui; outros grupos se seguirão, a bem da ordem, e todos nós havemos de pertencer a pelo menos um deles, inevitavelmente. E chegará a altura em que não haverá petições que nos valham.

05/01/2008

CDs #147: Michelangeli, The Warsaw Recital

Está visto que 1955 foi, do ponto de vista musical, um ano vintage. A prová-lo, os discos que tenho estado a ouvir (repetidamente...) nos últimos tempos, com gravações efectuadas nesse ano: do Festival de Bayreuth, com Joseph Keilberth (1908-1968) a dirigir um dos ciclos mais notáveis de sempre de Richard Wagner (1813-1883), e de Varsóvia, onde o pianista italiano Arturo Benedetti Micheangeli (1920-1995) deu um dos seus (pouco frequentes) recitais. É que, conforme aqui foi dito há 2 anos atrás, cancelamentos de concertos era o pão nosso de cada dia no que a este pianista dizia respeito, pelos vários problemas de saúde de que padecia.

Por outro lado, Michelangeli dedicava-se a inúmeras actividades, nem todas necessariamente relacionadas com a música, entenda-se. Mas, nas décadas de 1950 e 1960 , dedicou muito do seu tempo ao ensino o que, somado aos constantes rumores sobre o seu estado de saúde, fez com que a sua aceitação para fazer parte do júri do 5º Concurso Chopin de Varsóvia fosse recebida com enorme júbilo. Imagine-se então quando o pianista manifestou ainda a sua disponibilidade para dar um recital a solo e tocar ainda num concerto sinfónico! Refira-se que em 2º lugar no concurso desse ano ficou Vladimir Ashkenazy (1937-), o único dos premiados a ter uma carreira internacional de sucesso, tanto como pianista, primeiro, como maestro, uns anos depois.

Alguém teve o bom senso de registar o recital, de que resultou este disco editado pela altara em 2005. E eu tive o bom senso de o comprar e de o voltar a ouvir hoje, dia em que passam 88 anos sobre o nascimento de Michelangeli, no dia 5 de Janeiro de 1920.




Domenico Scarlatti
Sonata in C minor, Kk11. Sonata in D minor, Kk9.
Sonata in A major, Kk322. Sonata in B minor, Kk27.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.3 in C major, Op.2 No.3.
Frederic Chopin
Waltz in E flat major KK IVa No.14.
Robert Schumann
Faschingsschwank aus Wien, Op.26.
Claude Debussy
Hommage à Rameau (Images, Book 1).
Federico Mompou
Canción y danza No.1.
Arturo Benedetti Michelangeli (piano)
Antara ALT 1005


Internet

Arturo Benedetti Michelangeli
Arturo Benedetti Michelangeli / Arturo Benedetti Michelangeli / brescia scienza / Wikipedia / Festival Pianistico Internazionale Arturo Benedetti Michelangeli

02/01/2008

Concertos para Violino #5: Concerto para Violino Nº3, de Camille Saint-Saëns

O espanhol Pablo de Sarasate (1844-1908) foi dos maiores virtuosos do violino de todos os tempos, tendo atingindo uma enorme popularidade e tocado um pouco por todo o lado. É assim natural que alguns, importantes, compositores seus contemporâneos lhe tenham dedicado obras, como foi o caso do francês Camille Saint-Saëns (1835-1921), que lhe dedicou, nomeadamente, os seu Concertos para Violino Nº1 e Nº3.

Sarasate desde muito jovem tinha mostrado uma enorme vocação para tocar o violino, e tinha apenas 12 anos quando foi enviado para Paris para prosseguir os estudos. Passariam apenas 3 anos até que Saint-Saëns lhe dedicasse então o seu primeiro concerto para violino e, em 1861, Sarasate venceria o Primeiro Prémio do Conservatório dessa cidade. Em 1880 o compositor francês iria compor o seu terceiro e último concerto para violino, que voltaria a dedicar ao virtuoso espanhol; o próprio Sarasate asseguraria a sua estreia nesse mesmo ano.

Estruturado em 3 andamentos, este concerto, tal como todas as outras obras que Saint-Saëns escreveu para este violinista, dá amplas possibilidades ao solista de exibir toda a sua técnica. Não se limita a ser, contudo, uma obra onde apenas existem efeitos pirotécnicos para deslumbramento das plateias.


CDs



Camille Saint-Saëns
Violin Concerts - No.1 in A, Op.20; No.2 in C, Op.58;
No.3 in B minor, Op.61.
Philippe Graffin (violino)
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins
Hyperion CDA67074

Camille Saint-Saëns
Piano Concertos. Violin Concertos - No.1; No.3.
Cello Concertos - No.1; No.2. Symphony No.3, "Organ".
Pascal Rogé (piano), Kyung-Wha Chung (violino),
Lynn Harrell (violoncelo), Peter Hurford (orgão)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 475 465-2

Camille Saint-Saëns
Violin Concerto No.3, Op.61. Caprice d'après l'Etude
en forme de valse, Op.52. Caprice andalous, Op.122.
Wedding Cake, Op.76.
Heini Kärkkäinen (piano), Jean-Jacques Kantorow (violino)
Tapiola Sinfonietta
Kees Bakels
BIS BIS-CD1470


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Camille Saint-Saëns
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