29/02/2008

Concertos #64

Aos poucos os alunos de Nadia Boulanger (1887-1979) vão por aqui desfilando, chegando hoje a vez do norte-americano Elliott Carter (1908-), que em Dezembro deste ano celebra o seu centenário. É para assinalar tão notável efeméride que o agrupamento londrino The Nash Ensemble vai interpretar amanhã na Gulbenkian cinco obras de câmara deste compositor, certamente o menos jovem ainda em actividade, que escreveu a sua primeira ópera em 1998, quando contava já a vetusta idade de... 90 anos! Concerto a que iremos ter a felicidade de assistir, em mais uma das nossas cada vez mais frequentes deslocações sulistas. Ou a forma que encontrámos de compensar os desgostos nortenhos...

Recorde-se que Elliott Carter estudou em Paris na primeira metade da década de 1930, estudos esses que incluiram as tais lições privadas com Nadia Boulanger. Regressou depois aos Estados Unidos e, a par com a composição, dedicou-se imenso ao ensino (agora como professor...), sobretudo a partir de 1940. Entre 1948 e 1950 ensinou na Columbia University, em Nova Iorque, a sua cidade natal. É desse período que data uma das obras que vai ser tocada, a Sonata para Violoncelo, iniciada em 1948, e que marcou a transição de um estilo mais popular, à la Copland, para um marcado por ritmos mais complexos.

Além das de Carter, serão interpretadas obras de Thomas Adès (1971-), Oliver Knussen (1952-) e Igor Stravinsky (1882-1971), num programa com o seguinte alinhamento:

Thomas Adés
Catch.
Elliott Carter
Scrivo in vento.
Oliver Knussen
Cantata para oboé e trio de cordas.
Elliott Carter
Sonata para Violoncelo. Esprit Rude / Esprit Doux.
Quarteto com Oboé. Canon for 4.
Igor Stravinsky
História do Soldado.


Internet

Elliott Carter
Carter Centenary Home / G. Schirmer Inc. / Guardian / Classical Net / Naxos / Boosey & Hawkes / Wikipedia

27/02/2008

CDs #154: Beethoven, Symphonies 2 & 8

As guerras napoleónicas continuavam um pouco por todo o lado, a surdez avançava impiedosa e, como se tal não bastasse, ainda havia de se apaixonar por uma mulher casada. O ano de 1812 iria ser especialmente complicado para Ludwig van Beethoven (1770-1827), e a Sinfonia Nº7, composta nesse ano, reflecte claramente o período trágico que ele atravessava. É então surpreendente que a 8ª Sinfonia, composta na mesma altura, exiba uma ambiência diametralmente oposta, mais ligeira e bem-humorada, que lhe valeu mesmo o título de "Pequena Sinfonia".

Humor que, e agora entramos no reino da especulação, chegou ao ponto de, na primeira parte da sinfonia, gozar um pouco com o metrónomo, um aparelho inventado por Dietrich Nikolaus Winkel (1780-1826) em 1812, e aprimorado pelo seu (de Beethoven) amigo Johann Nepomuk Maelzel (1772-1838) pouco tempo depois. Em 1813, quando se conheceram, Maelzel convenceu mesmo Beethoven a compôr uma peça para um outro instrumento mecânico que tinha inventado, o "Panharmonicon", de que resultou a "Wellingtons Sieg, oder die Schlacht bei Vittoria", Op.91. Resultou ainda uma outra coisa, por sinal: o fim da amizade entre os dois. É que o nosso amigo Maelzel, um pouco dado a trafulhices, decidiu reivindicar como sua a propriedade da obra, por uma suposta doação de Beethoven. Pois a única coisa que acabou por receber deste foi um processo em tribunal... E se acharam esta história recambolesca, então procurem ler a das trapalhadas em que Maelzel se meteu com a sua "máquina de jogar xadrez", bastando para tal seguir algumas das ligações sugeridas no final deste texto.

A Sinfonia Nº8 teve a sua estreia no dia 27 de Fevereiro de 1814.



Ludwig van Beethoven
Symphony No.2 in D major, Op.36.
Symphony No.8 in F major, Op.93.
London Classic Players
Roger Norrington
EMI 7 47698-2
(1987)


Internet

Beethoven: lvbeethoven.com
/ Classical Music Pages / Wikipedia
Maelzel: Wikipedia
/ Mad about Beethoven

25/02/2008

Tenores #7: Enrico Caruso (1873-1921)

O dia 17 de Novembro de 1898 marcou o início do reconhecimento internacional do tenor italiano Enrico Caruso, pelo sucesso que obteve com a sua criação de Loris Ipanov, na estreia da ópera Fedora de Umberto Giordano (1867-1948). Não será propriamente uma das óperas mais conhecidas deste compositor (Andrea Chénier, por exemplo, estreada em Março de 1896, foi desde sempre bem mais popular) mas, quanto mais não fosse, serviu para lançar a carreira daquele que terá sido possivelmente o mais famoso dos tenores (e não me estou a esquecer dos "3 tenores"...). Como curiosidade refira-se que o primeiro tenor de que por aqui falámos, Carlo Bergonzi (1924-), fez a sua estreia (como tenor, já que se tinha iniciado na lírica como barítono) também numa ópera de Giordano, precisamente Andrea Chénier.

Depois da estreia no Met de Nova Iorque, em 1903, Caruso assentou arraiais nos Estados Unidos, embora viajando com frequência, nomeadamente para a Europa, para cantar nos mais prestigiados palcos. Excepto em Nápoles, sua terra natal, onde nunca mais cantou, ressentido com a recepção (má, está-se mesmo a ver...) que o público daquela cidade lhe dispensou, corria o ano de 1902. Em paralelo Caruso manteve uma intensa actividade discográfica, gravando imensos discos, que eram vendidos que nem pipocas. Uma das (poucas) preciosidades da minha discoteca é um disco duplo com o contralto Ernestine Schumann-Heink (1861-1936); numa das áreas, no caso da ópera Il Trovatore, de Giuseppe Verdi (1813-1901), ela é acompanhada precisamente por Enrico Caruso, numa gravação efectuada em... 1913!

Enrico Caruso nasceu há 135 anos, no dia 25 de Fevereiro de 1873.


CDs



Viva Verdi!
Arias from Nabucco, I lombardi, Ernani, Attila, Macbeth,
Luisa Miller, Rigoletto, Il trovatore, La traviata,
I vespri siciliani, Simon Boccanegra, Un ballo in maschera,
La forza del destino, Don Carlos, Aida, Otelo and Falstaff.
Enrico Caruso (tenor) and others
Preiser Records PSR 89223

Enrico Caruso: Complete Recordings, Volume 5 (1908-10).
Geraldine Farrar (soprano), Gabrielle Gilibert (meio-soprano),
Louise Homer (contralto), Enrico Caruso (tenor), Antonio
Scotti (barítono), Marcel Journet (baixo), Francis Lapitino (harpa)
Victor Orchestra
Naxos Historical 8.110720

Enrico Caruso: Complete Recordings, Volume 8 (1913-14).
Enrico Caruso (tenor), Frieda Hempel (soprano), Maria
Duchêne (meio-soprano), Titta Ruffo (barítono), Léon
Rothier, Andrés de Segurola (baixos), Francis
Lapitino (harpa), Gaetano Scognamiglio (piano)
New York Metropolitan Opera Chorus
Victor Orchestra
Gaetano Scognamiglio
Naxos Historical 8.110726

Enrico Caruso: Complete Recordings, Volume 10 (1916-17).
Enrico Caruso (tenor), Amelita Galli-Curci (soprano),
Giuseppe de Luca (barítono), Flora Perini (meio-soprano),
Francis Lapitino (harpa)
Metropolitan Opera Chorus
Victor Orchestra
Walter B. Rogers, Josef A. Pasternack
Naxos Historical 8.110751


Internet

Enrico Caruso
Grandi Tenori / The Enrico Caruso Page / Encyclopedia Britannica Online / Musician Biographies / Wikipedia / The Enrico Caruso Museum of America

22/02/2008

CDs #153: Moiseiwitsch, Acoustic Recordings 1916-1925

O pianista russo Anton Rubinstein (1829-1894) terá criado aquele que foi o primeiro concurso internacional para pianistas e compositores, que ocorreu em São Petersburgo a cada 5 anos, desde o início da década de 1890 até à 2ª Guerra Mundial. Ao longo das suas várias edições premiou grandes nomes, como os compositores Ferruccio Busoni (1866-1924) e Sergei Prokofiev (1891-1953), e os pianistas Wilhelm Backhaus (1884-1969) e Benno Moiseiwitsch (1890-1963). Esta competição, embora apenas para pianistas, reapareceu em 2003 com uma periodicidade bi-anual (tem lugar nos anos ímpares), tendo decorrido no ano passado em Dresden.

Quando Moiseiwitsch venceu este concurso tinha apenas 9 anos. Pouco tempo depois decidiu prosseguir os estudos na prestigiada Guildhall School of Music, em Londres, mas foi recambiado por " não haver nada que lhe fosse necessário ensinar"... Acabaria por estudar, mas em Viena e com o professor polaco Theodor Leschetizky (1830-1915) conhecido por, além de reputado professor, ter fundado com... Anton Rubinstein o Conservatório de São Petersburgo.

Não tardariam as turnés, em especial pela Europa e pelos Estados Unidos, a assinatura de um contrato com a HMV e as respectivas gravações. Este disco contém as efectuadas entre 1916 e 1925, quando os processos eram ainda assaz primitivos. Gravações com cerca de 90 anos, portanto, pelo que há que adaptar o ouvidinho e esquecer todo aquele ruído de fundo...




Great Pianists - Moiseiwitsch 10
Acoustic Recordings 1916-1925.
Benno Moiseiwitsch (piano)
Naxos Historical 8.111116


Internet

Benno Moiseiwitsch
Wikipedia / Arbiter Records / Cambridge Encyclopedia

19/02/2008

CDs #152: Janácek, Haas

Quando obteve o seu primeiro sucesso significativo, em 1916, o compositor checo Leos Janácek (1854-1928) contava já mais de 60 anos de idade. Tal não impediu, todavia, de que fosse nessa idade que a inspiração mais o atacou, com muitas e importantes obras publicadas na década que se seguiu. É geralmente aceite que dois importantes factos terão contribuido para essa torrente de inspiração: o referido sucesso em 1916, com a estreia da ópera Jenufa, e o seu amor por uma jovem 37 anos mais nova do que ela, Kamila Stösslová (1891-1935), casada com um... antiquário. Está visto que enquanto o cavalheiro olhava pelas coisas antigas, o nosso Janácek procurava velar pelas mais novas... Parece que a paixão de Janácek não era propriamente retribuida, mas também não era suficientemente desencorajada para que ele deixasse de alimentar ilusões.

Na última década de vida Janácek, além de escrever imensas cartas, mais de 700, ao objecto da sua paixão, compôs a maior parte das suas obras mais significativas, como as últimas 4 óperas, a Glagolitic Mass e os 2 quartetos de cordas. E se para escrever o primeiro destes quartetos precisou de apenas uma semana, para compor o segundo também não necessitou de muito mais, tendo-o rabiscado em cerca de duas, entre os dias 29 de Janeiro e 19 de Fevereiro de 1928. Passam assim hoje 80 anos sobre a data em que Janácek terminou o Quarteto de Cordas Nº2, a que deu inicialmente o nome de Cartas de Amor mas, por achar que não devia "expor os seus sentimentos a idiotas", alterou-o no dia seguinte para Cartas Íntimas. Foi a última obra deixada completa pelo compositor, que viria a falecer no dia 28 de Agosto desse ano.

Deste (fantástico) disco consta ainda um quarteto de cordas de um compositor já nosso conhecido, Pavel Haas (1899-1944), uma das muitas vítimas da barbárie nazi, conforme anteriormente referimos aqui e aqui. Haas foi aluno de composição nas master classes de Janácek, e é essa a razão para aparecerem lado a lado neste disco.




Leos Janácek
String Quartet No.2, "Intimate Letters".
Pavel Haas
String Quartet No.2, Op.7, "From the Monkey Mountains".
Colin Currie (percussão)
Pavel Haas Quartet
Supraphon SU3877-2
(2006)


Internet

Leos Janácek
Classical Music Pages / Leos Janácek / Wikipedia / la médiathèque / Opera Glass

17/02/2008

Lugares #174

Em Setembro deste ano não deixarei de aqui assinalar o dia em que começou o grande incêndio de Londres de 1666, que dizimou uma boa parte da cidade. Um dos edifícios atingidos foi a Catedral de São Paulo que, em várias versões, existia naquele local desde o século VII. É que a catedral já tinha sofrido calamidades semelhantes, como em 962 e em 1087, quando outros dois incêndios a deixaram igualmente em cinzas. Do incêndio do século XI resultou um dos mais altos edifícios da Europa, senão mesmo o mais alto; e em Londres só em 1964 alguém se lembrou de erigir algo mais alto...

O desenho da nova catedral, pela medieval ter sido destruída quase por completo pelo referido incêndio de 1666, ficou a cargo do grande arquitecto Christopher Wren (1632-1723). Que não teve tarefa fácil, diga-se, pois viu as duas primeiras propostas que fez serem liminarmente rejeitadas e só a terceira, aquela em que incorporou as ideias dos mandantes para lhes demonstrar o quão errados estavam, foi de imediato aceite! Foram precisos 35 anos para a construir, tendo sido terminada em 1710; e não foi por falta de incentivos ao nosso pobre Wren: em 1697 passaram-lhe o salário para metade, para que melhor se apercebesse da importância de andar para a frente com a coisa...



Com tais antecedentes, compreende-se que os seus responsáveis levem a efeito frequentes simulacros de incêndios para, nomeadamente, avaliar da eficácia do sistema de evacuação de pessoas. Com o azar que nós temos, lembraram-se de efectuar um quando a visitámos, em Julho do ano passado; azar porque na altura chovia torrencialmente e os visitantes, nós incluídos, entre ignorar estridentes sirenes avisadoras de um incêndio improvável (se em 1400 anos só houve 3 que a devastaram, por que diabo haveria logo de haver outro logo em 2007?!) e apanhar um banho indesejável, nem hesitaram, e deixaram-se ficar no lugar. Acabámos todos por ser humilhantemente postos na rua...


Internet

Catedral de São Paulo
Official Site / Great Buildings / Wikipedia

14/02/2008

Compositores #87: Fernando Sor (1778-1839)

Em 1807, indiferente às conversações que simpaticamente mantinha com Espanha para a partilha de Portugal, Napoleão Bonaparte (1769-1821) decidiu-se por invadir este nosso rectângulo. Insatisfeito com tal proeza, no ano seguinte atacou os... espanhóis; do mal o menos, diremos nós, que com as guerras dos outros podemos bem... Muitos espanhóis opuseram-se tenazmente ao invasor mas alguns, após a derrota do exército do seu país, acomodaram-se. Ou, como alguns dirão, fizeram pela vida e encostaram-se aos franceses. O problema veio depois, em 1813, quando os nossos vizinhos ibéricos conseguiram escorraçar os invasores franceses. Muitos dos espanhóis afrancesados tiveram igualmente que dar à sola...

Um deles foi o compositor e notável guitarrista Fernando Sor, que nesse ano de 1813 se mudou de armas e bagagens para Paris. Nunca mais poria os pés em solo pátrio... Salvo uma estadia londrina de cerca de 8 anos, entre 1815 e 1823, uma viagem à Rússia que se lhe seguiu de imediato, e umas quantas, poucas, viagens de curta duração, Sor faria da capital francesa o seu poiso definitivo, e aí faleceria em Julho de 1839.

Apesar de ter escrito música sinfónica e de câmara, apenas a sua música para guitarra sobreviveu, do ponto de vista de ser regularmente interpretada. Como o foi, por exemplo, por outro extraordinário guitarrista, também espanhol, que já passou por estas bandas: Andrés Segovia (1893-1987).

Fernando Sor nasceu há 230 anos, em Fevereiro de 1778, não havendo certezas absolutas quando ao dia exacto em que o feliz evento terá ocorrido.


CDs



Fernando Sor
Introduction and Variations, Opp.26-28.
12 Studies, Op.29. Fantasia No.7, Op.30.
Jeffrey McFadden (guitarra)
Naxos 8.553451
(1995)

Julian Bream
Works by Manuel de Falla, Fernando Sor, Federico Moreno Torroba,
Joaquin Turina & Heitor Villa-Lobos.
Julian Bream (guitarra)
Westminster Legacy 471 236-2


Internet

Fernando Sor
Naxos / Classical Net / Wikipedia / Karadar Classical Music / Fernando Sor / Solo Guitarist Network

12/02/2008

Notícias #16

Com base num Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado, o Ministério da Educação prepara-se para introduzir alterações substanciais no Ensino Artístico Especializado, que incluem, por exemplo, o fim do regime supletivo e do 1º ciclo. Antes que lhe sejam infligidos danos dificilmente reparáveis, Carlos Araújo Alves iniciou uma petição, de que é igualmente o primeiro subscritor, e que visa a Defesa do Ensino Artístico em Portugal. O texto dessa petição encontra-se aqui. Caso esteja de acordo com ela só tem que a assinar, juntando a sua às mais de 3500 assinaturas que já dela constam.

10/02/2008

Sinfonias #25: Sinfonia Nº4, de Tchaikovsky

O ano de 1877 foi dos mais marcantes na vida do jovem Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), embora nem sempre pelos melhores motivos. Foi o ano em que, procurando contrariar a sua natureza, casou com Antonina Milyukova (1849-1917), que era sua aluna no Conservatório de Moscovo. Foi um completo desastre, tendo vivido em conjunto apenas algumas semanas. Esse ano marcou também o início do patrocínio de Nadezhda von Meck (1831-1894), e assistiu à consagração definitiva do compositor, com a estreia do Lago dos Cisnes.

Apesar da tentativa de suicídio, consequência mais visível dos destroços do casamento de curta duração, Tchaikovsky teve força de espírito para prosseguir com a composição daquela que viria a ser a sua 4ª Sinfonia, que tinha começado a esboçar no ano anterior. Saber agradecer nunca ficou mal a ninguém, pelo que o nosso compositor dedicou esta sinfonia à patrona, conforme anunciou em carta que escreveu a Nadezhda von Meck em Maio de 1877: "Neste momento estou absorvido com a sinfonia que comecei a escrever ainda no Inverno e que pretendo dedicar-lhe, pois encontrará aí ecos das suas ideias e dos seus sentimentos mais profundos".

A estreia, sem grande sucesso, teve lugar em Moscovo, no dia 10 de Fevereiro de 1878, passam hoje 130 anos. À frente da orquestra esteve um já nosso velho conhecido, Nikolai Rubinstein (1835-1881).


CDs




Piotr Ilyich Tchaikovsky
Violin Concerto in D major, Op.35.
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Pinchas Zukerman (violino)
Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Audite 95.490

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Vienna Philharmonic Orchestra
Valery Gergiev
Philips 475 6196
(2002)

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36. Symphony No.5 in E minor, Op.64.
Symphony No.6 in B minor, Op.74, "Pathétique".
Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky
Deutsche Grammophon 419 745-2
(1960/1)

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat, Op.107.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Leningrad Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
BBC Legends BBCL4143-2

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition (orch. Ravel).
Orchestre National du Capitole de Toulouse
Tugan Sokhiev
Naïve V5068


Internet

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Classical Music Pages / Petr Il'ich Tchaikovsky / Classical Net / mfiles / Wikipedia / Tchaikovsky

06/02/2008

Pianistas #21: Claudio Arrau (1903-1991)

Nos finais de Agosto de 1973, Augusto Pinochet (1915-2006) tomou posse com chefe das Forças Armadas Chilenas tendo, nessa altura, jurado fidelidade ao presidente Salvador Allende (1908-1973). Duas semanas e meia depois, no dia 11 de Setembro de 1973, Pinochet liderou um golpe militar que depôs o governo e deu início a uma ditadura que iria durar 17 anos. Allende morreu nesse mesmo dia, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. Algo não tão pouco habitual como isso, os Estados Unidos desempenharam um papel importante, primeiro na campanha eleitoral que, ao contrário do que pretendiam, acabaria por colocar Allende no poder, e depois no apoio aos autores do golpe militar.

Inconformado com o rumo que o seu país natal levava, o pianista Claudio Arrau
viria a assumir cidadania americana em 1978. Curiosa, esta escolha, pela contribuição dos EUA na situação criada no Chile... Arrau, contudo, nunca deixaria de ser idolatrado pelos seus conterrâneos; desde a sua primeira e triunfal turné, efectuada em 1921, passando pelos recitais dos finais da década de 1930 e terminando com uma turné em 1984. Nessa altura Claudio Arrau tinha já 81 anos, e há 17 que não tocava no Chile.

A Sociedade Robert Schumann
, fundada em 1979, conta com 3 membros honorários, sendo um deles Claudio Arrau. Os outros 2 são Dietrich Fischer-Dieskau (1925-) e o maestro alemão Wolfgang Sawallisch (1923-). Em homenagem a Arrau, a sociedade estabeleceu a Medalha Arrau, destinada a premiar os pianistas que mais se distinguiram na preservação da tradição pianística do chileno; até hoje os premiados foram András Schiff (1953-), Martha Argerich (1941-) e Murray Perahia (1947), aquele dos "outros"...

Claudio Arrau nasceu há 105 anos, no dia 6 de Fevereiro de 1903.


Internet

Claudio Arrau
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03/02/2008

Óperas #16: Semiramide, de Gioacchino Rossini

Motivos para admirar o compositor italiano Gioacchino Rossini (1792-1868) não faltam; eu, confesso, acho absolutamente admirável que o homem tenha decidido reformar-se aos 37 anos de idade! Nunca tive ilusões quanto a atingir tal façanha, e está visto que teria falhado redondamente, mas também nunca escrevi nenhuma ópera... Resta-me então ir ouvindo as mais de 30 que Rossini escreveu, e que fizeram dele a figura dominante da cena operática italiana da primeira metade do século XIX.

Figura dominante mas não incontestada, é bom que se note. É famosa a rivalidade entre ele e o compositor de origem alemã Giacomo Meyerbeer (1791-1864) que, entre 1816 e 1825, viveu em Itália. A coisa chegou ao ponto de Meyerbeer ter contratado dois cavalheiros para assistir às óperas de Rossini, e a quem consta que pagava principescamente para, em lugares bem visíveis da sala, dormirem ostensiva e ruidosamente durante toda a acção. Tinham 15 minutos para adormecer, e parece que ressonar fazia parte do contrato estabelecido!

Gaetano Rossi (1774-1855), que já tinha providenciado o libreto para a ópera Tancredi, foi convidado por Rossini para, baseado numa peça de Voltaire que, por sua vez, se tinha inspirado na lenda da rainha Semiramis, escrever o libreto daquela que viria a ser a sua última ópera italiana: Semiramide. Semiramis, dócil criatura, começa por tirar a tosse ao marido para colocar o amado no trono; pelo meio também há um amante, e as coisas vão-se complicando até à tragédia final. A ópera, estreada no dia 3 de Fevereiro de 1823, nunca chegou a registar um grande sucesso, e foi já no início da década de 1960 que, com o triunfo obtido no La Scala por Joan Sutherland (1926-) e Marilyn Horne (1934-), começou a aparecer nos principais palcos.


CD



Gioacchino Rossini
Semiramide.
Joan Sutherland (soprano), Marilyn Horne (contralto),
Joseph Rouleau (baixo)
Ambrosian Opera Chorus
London Symphony Orchestra
Richard Bonynge
Decca 475 7918


Internet

Gioacchino Rossini
Classical Music Pages
/ Wikipedia / Gioacchino Rossini / Overture to Semiramide