28/06/2008

Maestros #35: Sergiu Celibidache (1912-1996)

Não são muitas as gravações disponíveis com o maestro romeno Sergiu Celibidache, e uma boa parte dessas poucas são não autorizadas e têm um som sofrível. É que Celibidache achava que as gravações davam uma representação distorcida da realidade, por impedirem o envolvimento espontâneo do ouvinte com a música. Por princípio, recusava igualmente a comercialização da sua arte, nunca tendo permitido a execução pública das suas obras (Celibidache dedicou-se também à composição, tendo escrito 4 sinfonias, um concerto para piano e uma suite orquestral).

Entrou na música relativamente tarde pelo facto de o seu pai, oficial de cavalaria, lhe ter destinado outros, altos, vôos. Celibidache acabou por defender 3 teses de doutoramento, em musicologia, filosofia e matemática, e apenas em 1945 se apresentou num concurso de direcção de orquestra organizado pela Rádio Berlim. Concurso que venceu, apesar de, segundo reza a história, ter sido a primeira vez que pegou numa batuta... Nesse mesmo ano foi nomeado regente da Orquestra Filarmónica de Berlim, cargo que ocupou até 1952, após o que foi sucessivamente o maestro principal da Orquestra Sinfónica da Rádio de Estocolmo, hoje Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca
(1964-71), da Orquestra Sinfónica da Rádio de Estugarda (1971-77), da Orquestra Nacional Francesa (1973-75) e da Orquestra Filarmónica de Munique (a partir de 1979).

Sergiu Celibidache nasceu há 96 anos, no dia 28 de Junho de 1912.


CDs




Johannes Brahms
Symphony No.1 in C minor, Op.68. Symphony No.2 in D, Op.73.
Symphony No.3 in F, Op.90. Symphony No.4 in E minor, Op.98.
South West German Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 459 635-2

Claude Debussy
Nocturnes. La mer. Images - Ibéria.
Maurice Ravel
Alborada del gracioso. Rapsodie espagnole. Daphnis et Chloé - Suite No.2.
Le tombeau de Couperin. La valse.
SWR Vocal Ensemble
SWR Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 453 194-2

Anton Bruckner
Symphonies Nos.7-9.
Franz Schubert
Symphony No.5 in B flat.
SWR Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 445 471-2

Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor.
César Franck
Symphony in D.
Paul Hindemith
Mathis der Maler.
Jean Sibelius
Symphony No.2 in D minor. Symphony No.5 in E flat major.
Richard Strauss
Till Eulenspiegel. Don Juan.
Dmitri Shostakovich
Symphony No.9 in E flat major.
Jacqueline du Pré (violoncelo)
Swedish Radio Symphony Orchestra
Sergiu Celibidache
Deutsche Grammophon 469 069-2


Internet

Sergiu Celibidache
Sergiu Celibidache
/ Celibidache / Wikipedia / Bach-cantatas

26/06/2008

CDs #169: Maderna, Mahler, Symphony No.9

Conforme aqui referido recentemente, o compositor e maestro de origem italiana Bruno Maderna (1920-1973) esteve fortemente ligado à promoção da música do século XX, nomeadamente através da sua ligação a Darmstadt onde, a convite do seu fundador, Wolfgang Steinecke, dirigiu imensas obras no respectivo festival.

Maderna privou com alguns dos mais proeminentes nomes da música moderna, como Pierre Boulez (1925-), John Cage (1912-1992), Olivier Messiaen (1908-1992), Luigi Nono (1924-1990), Karlheinz Stockhausen (1928-2007) e Luciano Berio (1925-2003). Com este último Maderna fundaria, em 1955, o Studio Fonologia Musicale, o primeiro estúdio italiano de música electrónica.

Não deixa então de ser curioso que alguém que tanto fez pela música contemporânea, não só pelas obras que compôs mas também pelas que interpretou e gravou, se tenha igualmente salientado nos clássicos vienenses e nas sinfonias de Gustav Mahler (1860-1911). Por este último, em particular, foi nutrindo uma cada vez maior admiração, tendo chegado a afirmar que (frase retirada do livro que acompanha o disco) "(...) In recent years I have fallen in love with Mahler, and this is now an even more important thing for me than my admiration for Debussy and Schoenberg (...). What do I mean? Just the opposite of Stockhausen: that is, music is all romantic".

É precisamente uma sinfonia de Mahler, a , que Maderna nos traz com este disco, numa interpretação extraordinária. Ou como diria Jorge Rodrigues, nos saudosos tempos da Antena 2, "apertem os cintos de segurança!"...

A Sinfonia Nº9 de Gustav Mahler foi estreada a 26 de Junho de 1912, passam hoje 96 anos, por um já nosso velho conhecido, o maestro Bruno Walter (1876-1962).




Gustav Mahler
Symphony No.9 in D minor.
BBC Symphony Orchestra
Bruno Maderna
BBC Legends BBCL4179-2
(1971)


Internet

Bruno Maderna
Bach Cantatas Website / Karadar Classical Music / Bruno Maderna / HighBeam Encyclopedia / Wikipedia

22/06/2008

Tenores #9: Peter Pears (1910-1986)

A associação de Peter Pears ao compositor Benjamin Britten (1913-1976) é por demais conhecida, não só, mas principalmente, pelo facto de Britten lhe ter destinado uma dúzia de papéis operáticos nalgumas das suas obras mais significativas, como Peter Grimes, The Rape of Lucretia, Albert Herring, Billy Budd e The Turn of the Screw.

Pears entrou para os BBC Singers em 1934, ano em que o grupo estreou A Boy was Born, de Britten. Em 1936 dar-se-ia o primeiro encontro entre os dois e, no ano seguinte, dariam o primeiro recital em conjunto. Ao longo da sua carreira Pears teve, naturalmente, a oportunidade de interpretar outros compositores, chegando mesmo a ser dirigido por Igor Stravinsky (1882-1971), mas é a sua ligação a Britten que nos interessa hoje. Ligação que tomou outras formas para além da mera interpretação.

Em 1948 fundaram, em conjunto com Eric Crozier (1914-1994), o Festival de Aldeburgh, com a intenção de arranjarem uma casa para o English Opera Group, uma pequena companhia formada por Britten no ano anterior, responsável, nomeadamente, pela estreia da ópera Albert Herring, a 20 de Junho de 1947 (cujo libreto, diga-se, foi escrito por Crozier). Neste preciso momento decorre a 61ª edição deste festival, que terminará daqui a uma semana, no próximo dia 29 de Junho. Que é como quem diz, nunca falhou um ano desde a sua primeira edição...

Bastantes anos depois, em 1972, Britten e Pears fundaram a Britten-Pears School for Advanced Musical Studies, um projecto que o compositor nutria desde os inícios da década de 1950. Apesar da conhecida aversão de Britten a dar aulas, tarefa que Pears, por seu lado, desempenhava com evidente prazer. Depois da morte do compositor, Peter Pears empenhou-se decisivamente na angariação de fundos, indispensáveis para a melhoria e ampliação das instalações, além de ter procedido à revisão dos cursos ministrados. Porque tem muito a ver com o dia de hoje, refira-se que um dos músicos que por lá passaram para leccionar foi a violoncelista Jacqueline du Pré (1945-1987).

Peter Pears nasceu há 98 anos, no dia 22 de Junho de 1910.


CDs




Johannes Brahms
Liebeslieder, Op.52.
Gioacchino Rossini
Soirées musicales - La promessa; La partenza; La regata
veneziana; La pesca.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Duets, Op.46 - No.1, Evening; No.3, Tears;
No.4, In the Garden; No.6, Dawn.
Heather Harper (soprano), Janet Baker (meio-soprano),
Peter Pears (tenor), Thomas Hemsley (barítono)
Benjamin Britten, Claudio Arrau (piano)
BBC Legends BBCB8001-2

Franz Schubert
Auf der Donau, D553. Der Strom, D565. Gruppe aus dem
Tartarus, D583. Der Wanderer, D649. An die Freunde.
Hugo Wolf
Drei Gedichte von Michelangelo. Morike Lieder - No.23,
Auf ein altes Bild; No.25, Schlafendes Jesuskind.
Heather Harper (soprano), Peter Pears (tenor), Dietrich
Fischer-Dieskau, John Shirley-Quirk (barítonos), Thea
King (clarinete), Benjamin Britten (piano)
BBC Legends BBCB8011

Benjamin Britten
War Requiem.
Stefania Woytowicz (soprano), Peter Pears (tenor),
Hans Wilbrink (barítono)
Wandsworth Scholl Boys' Choir
Melos Ensemble
New Philharmonia Chorus
New Philharmonia Orchestra
Carlo Maria Giulini
BBC Legends BBCL4046-2

Benjamin Britten
Serenade, Op.31. 4 Folk Songs.
William Walton
Façade: An Entertainment.
Peter Pears (tenor / narrador), Edith Sitwell (narradora),
Dennis Brain (trompa), Benjamin Britten (piano)
Boyd Neel String Orchestra
English Opera Group Ensemble
Benjamin Britten, Anthony Collins
Decca 468 801-2
(1944, 1953, 1959, 1961)

Facets of Benjamin Britten
Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.19 in F major, K459.
Piano Quartet No.2 in E flat major, K493.
Traditional
9 Folk Songs (arranjos de B. Britten).
Peter Pears (tenor), Benjamin Britten (piano)
Amadeus Quartet
English Opera Group Chamber Orchestra
Pearl GEM0220

The Beggar's Opera.
Peter Pears, Norman Platt (tenores), Nancy Evans, Rose Hill,
Jennifer Vyvyan (sopranos), Flroa Nielsen, Gladys Parr (meios-sopranos),
George James, Norman Lumsden (baixos), Otakar Kraus (barítono)
The English Opera Group Orchestra
Benjamin Britten
Pearl GEM0225
(1948)


Internet

Peter Pears
Britten-Pears Foundation / Bach Cantatas Website / Peter Pears Page / Decca Music Group / Wikipedia

19/06/2008

Concertos #67

A maior parte das composições de Edward Elgar (1857-1934) datam do período entre 1890 e 1914. A partir daí pouco compôs, incomodado e desiludido com os trilhos guerreiros que o mundo seguia. Em 1919 voltou ao trabalho e, depois de ter escrito alguma música de câmara (uma sonata para violino e piano, um quinteto com piano e um quarteto de cordas, obras estreadas em Maio desse ano), iniciou a escrita de um concerto para violoncelo e orquestra. Sabe-se que a 2 de Junho de 1919, por altura do seu 62º aniversário, já tinha a obra bastante avançada, tendo tocado ao piano uma boa parte dela para o seu visitante desse dia, o maestro Landon Ronald (1873-1938).

Poucos dias depois foi a vez do violoncelista inglês Felix Salmond (1888-1952) visitar o compositor, tendo interpretado algumas passagens da obra e ficado "deliciado e encantado". No início de Agosto a obra ficaria finalizada, tendo a estreia ocorrido no dia 27 de Outubro de 1919, com Salmond no violoncelo e Elgar a dirigir a Orquestra Sinfónica de Londres. O sucesso não foi por aí além por, aparentemente, a interpretação ter sofrido do pouco tempo de ensaios havido.

Um dos membros da orquestra que participou nessa estreia foi o violoncelista John Barbirolli (1899-1970), que bastantes anos mais tarde, em 1965, gravou em estúdio este concerto com a violoncelista Jacqueline du Pré (1945-1987), aquela que é ainda hoje considerada a gravação de referência. Esta violoncelista havia ganho, em meados da década de 1950, o Prémio Guilhermina Suggia, com o júri a ser presidido precisamente por Barbirolli. Em 1970 este prémio foi atribuído ao violoncelista inglês Steven Isserlis (1958-), que vamos ter o prazer de ouvir no próximo Domingo na Casa da Música, e logo a interpretar esta obra! Excelente forma de celebrar Guilhermina Suggia (1885-1950), na passagem dos 75 anos sobre a data em que tocou pela primeira vez este concerto em público.


Edward Elgar
Concerto para Violoncelo e Orquestra em mi menor, Op.85.
Steven Isserlis (violoncelo)
Orquestra Nacional do Porto
Joseph Swensen


Internet

Edward Elgar
The Elgar Society / Elgar Birthplace Museum / Edward Elgar / Naxos / Guild / Boosey & Hawkes / Chester Novello / Karadar Classical Music / Classical Archives / Wikipedia

17/06/2008

Obras Orquestrais #17: Feu d'Artifice, de Igor Stravinsky

Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908), membro do grupo d'Os Cinco e (também por isso) uma das figuras cimeiras da escola nacionalista russa, associou à composição a actividade de pedagogo, tendo tido como alunos, entre outros, Alexander Glazunov (1865-1936), Sergei Prokofiev (1891-1953) e Igor Stravinsky (1882-1971). Stravinsky teve aulas com Rimsky-Korsakov entre 1902 e 1908. Na Primavera de 1908, e num curto espaço de 6 semanas, Stravinsky compôs Feu d'Artifice, uma pequena peça orquestral destinada a mostrar ao seu tutor as habilidades de que já era capaz. Quis o destino que nunca viesse a ter a possibilidade de a mostrar ao seu mestre, dado Rimsky-Korsakov ter falecido em Junho desse ano.

A estreia de Fogo de Artifício, há 100 anos, contudo, acabou por ser um marco decisivo na carreira do jovem compositor. É que a ela assistiu o empresário Sergei Dhiagilev (1872-1929) que, na altura, andava à procura do compositor adequado para os seus bailados (um que, entre outras coisas, escrevesse música eminentemente russa). Terá ficado impressionado com as obras de Stravinsky, o suficiente para lhe fazer o convite, cujo primeiro resultado foi O Pássaro de Fogo, estreado em Junho de 1910, e que foi o primeiro grande sucesso do compositor russo.

Ou de como uma pequena peça orquestral ajudou a moldar a música do século XX...


CDs



Igor Stravinsky
Petrushka. Le chant du rossignol. Fireworks, Op.4.
Vienna Philharmonic Orchestra
Lorin Maazel
RCA Red Seal 74321 57127-2

Igor Stravinsky
The Firebird - Suite. Symphony No.1.
Fireworks, Op.4. Scherzo Fantastique.
St Petersburg Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Decca 448 812-2

Igor Stravinsky
The Firebird. Scherzo à la russe. Scherzo fantastique, Op.3.
Fireworks, Op.4.
The Columbia Symphony Orchestra
Igor Stravinsky
CBS Masterworks MK 42432
(1961, 1962, 1963)



Internet

Igor Stravinsky
Classical Music Pages / Island of Freedom / The Internet Public Library / Essentials of Music / Karadar Classical Music / Naxos / Boosey & Hawkes / Wikipedia

14/06/2008

CDs #168: Busoni, Franck, Dvorák, Giulini

O italiano Carlo Maria Giulini (1914-2005) foi o primeiro maestro de que por aqui falei, por ocasião do seu 90º aniversário. Depois disso já por aqui passaram vários discos em que ele era o maestro de serviço, dirigindo os Concertos para Violoncelo de Antonín Dvorák (1841-1904) e Camille Saint-Saëns (1835-1921), Michelangeli no Concerto para Piano Nº13 de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), as Sinfonias Nºs 2 e 6 de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) e o Requiem de Benjamin Britten (1913-1976). É, está visto, um dos maestros preferidos por estas bandas, e também um dos favoritos da cena internacional, pelo trato e simpatia. E é esta faceta que eu quero realçar aqui hoje, socorrendo-me das palavras de terceiros (fonte: La Symphonie des Chefs, de Robert Parienté).

Para Philippe Aïche, primeiro violino da Orquestra de Paris, "Giulini foi uma personalidade rara, portador de uma grande generosidade, um verdadeiro mestre", e para Roland Daugareil, igualmente primeiro violino nessa orquestra, "foi um mágico, um dos grandes maestros que teve a oportunidade de conhecer". Já para maestros nossos conhecidos, como Simon Rattle, "Carlo Maria Giulini é o meu herói, para este cavalheiro a música é um acto de amor", e diz-nos Myung-Whun Chung, que foi seu assistente em Los Angeles, que "Giulini ensinou-me a amar e respeitar o compositor e os músicos".

No disco que aqui trago hoje Giulini interpreta obras de 3 compositores que já por aqui igualmente passaram: Dois Estudos do italiano Ferruccio Busoni (1866-1924), um Poema Sinfónico do belga César Franck (1822-1890) e uma Sinfonia do checo Antonín Dvorák (1841-1904).

Carlo Maria Giulini faleceu há 3 anos, no dia 14 de Junho de 2005.




Ferruccio Busoni
Two Studies on "Doktor Faust" - Sarabande and Cortège.
César Franck
Symphonic Poem "Psyché et Eros".
Antonín Dvorák
Symphony No.8 in G major, Op.88.
Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester
Carlo Maria Giulini
Profil PH06011
(1958, 1971)


Internet

Carlo Maria Giulini
Bach Cantatas Website / Diário de Notícias / Wikipedia / Carlo Maria Giulini, grande servitore della musica / Carlo Maria Giulini, discographie complète

10/06/2008

Sinfonias #28: Sinfonia Nº1, de Anton Bruckner

O dia 10 de Junho de 1865 foi marcante para Richard Wagner (1813-1882), pela estreia de Tristan und Isolde, mas foi-o também para o compositor austríaco Anton Bruckner (1824-1896) que, tendo assistido a essa estreia, desenvolveu uma admiração enorme pelo compositor alemão.

Nesse mesmo ano Bruckner começou a trabalhar naquela que seria a sua Sinfonia Nº1, que, apesar de ter levado essa numeração, não foi a sua primeira obra do género; antecederam-na a Sinfonia Nº0, "Die Nullte
", de 1863, e a Sinfonia Nº00, "Sinfonia Estudo", de 1864. A Sinfonia Nº1, pela altura em que foi escrita, mostra, naturalmente, óbvias influências de Wagner. Esta sinfonia, tal como aconteceu à maior parte das outras, viria mais tarde a ser revista pelo seu autor, eternamente indeciso quanto às suas próprias capacidades e à qualidade das suas obras; à versão original, a "de Linz", sucedeu a versão "de Viena", quando Bruckner a reviu em 1891.

Apesar de Hans von Bülow (1830-1894), pianista, maestro e professor (de, entre outros, Vianna da Motta), ter ficado deveras impressionado com os esboços desta sinfonia quando Bruckner lhos mostrou em Munique, em 1865, o compositor austríaco não conseguiu arranjar alguém que se dignasse tocá-la, pelo que foi ele mesmo a estreá-la, no dia 9 de Maio de 1868. Seria um dos últimos acontecimentos de relevo do "período Linz" de Bruckner que, no Verão desse ano, haveria de se mudar para Viena, para o último período da sua carreira.


CDs



Anton Bruckner
Symphony No.1 in C minor (1866 version).
Symphony No.3 in D minor - Bewegt, quasi Andante (1876 version).
Royal Scottish National Orchestra
Georg Tintner
Naxos 8.554430

Anton Bruckner
Symphony No.1 in C minor (1866 version).
Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 453 415-2


Internet

Anton Bruckner
Tribute to Anton Bruckner
/ The Immortal Bruckner / Wikipedia / Classical Music Pages

Hans von Bülow
Naxos / Wikipedia

Vianna da Motta
Conservatório Nacional / Biography / Compositores Portugueses

08/06/2008

CDs #167: The Songs of Robert Schumann, Vol.10

Joseph von Eichendorff (1788-1857) nasceu no seio de uma família aristocrata, e teve uma daquelas infâncias que pensamos só existirem nos contos de fadas que as nossas mães nos liam, onde se misturavam aulas de dança e de equitação com cenas de caça e visitas ao teatro e à ópera. No caso de Eichendorff isso até foi verdade, só que as guerras napoleónicas apressaram a ruína financeira da família que, no início da década de 1820, se viu forçada a vender o castelo onde vivia há várias gerações. Os dedos já tinham ido há muito, mas, neste caso, nem os anéis se salvaram! Antes disso já Eichendorff tinha efectuado várias viagens pela Europa, e numa delas, a Berlim, teve a oportunidade de conhecer os poetas Ludwig von Armin (1781-1831), Clemens Brentano (1778-1842) e Heinrich von Kleist (1777-1811), encontros que se viriam a revelar determinantes para o futuro poeta. Note-se que já dele aqui tínhamos falado anteriormente, quando andámos às voltas com o compositor Hugo Wolf (1860-1903).

1837 assistiu à publicação de Gedicht, uma compilação de toda a obra poética de Eichendorff. Foi desta edição que foram retirados os poemas que serviram de base ao ciclo Liederkreis, Op.39, que Robert Schumann (1810-1856) começou a escrever por volta de 1840 e que teve a sua primeira edição em 1842. Crê-se que não era a ideia inicial do compositor escrever um ciclo de canções, mas apenas musicar de forma avulsa alguns poemas de Eichendorff de que gostava especialmente. Conforme o trabalho foi progredindo Schumann ter-se-á apercebido dessa possibilidade, embora na referida primeira edição não tivesse aparecido como um todo absolutamente coerente. Tal foi corrigido em 1850 quando o compositor, provavelmente motivado pelo pouco sucesso obtido, lhe introduziu algumas alterações e reduziu o número de canções de 13 para 12, naquela que passou então a ser a versão definitiva deste ciclo de canções.

Que neste disco, diga-se, é excelentemente interpretado por Kate Royal, jovem soprano inglesa que, além do mais, tem um nome extraordinário! Não sei se é o que lhe foi dado à nascença ou não, mas que Kate Royal soa admiravelmente bem, lá isso soa...

Robert Schumann nasceu há 198 anos, no dia 8 de Junho de 1810.




Robert Schumann
Liederkreis, Op.39. Schön Hedwig, Op.106. Zwei Balladen für
Deklamation, Op.122. Drei Gedichte Nach Emanuel Geibel, Op.29.
Die Nonne, Op.49 No.3. Was soll ich sagen?, Op.27 No.3.
Frühlingsgrüsse. Drei Duette, Op.43. Mein Garten, Op.77 No.2.
Sommerruh, WoO7. Mädchenlieder, Op.103.
Bei Schenkung eines Flügels, WoO26 No.4.
Kate Royal, Felicity Lott, Lydia Teuscher, Edith Barlow (sopranos),
Ann Murray, Daniela Lehner, Melanie Lang (meios-sopranos), Stephan
Lodges, Lukas Kargl (barítonos), Christoph Bantzer (narrador),
Adrian Ward (tenor), Marcus Gruett (percussão), Graham Johnson (piano)
Hyperion CDJ33110
(2004, 2006)


Internet

Robert Schumann
Classical Music Pages / Essentials of Music / Classical Archives / Classical Net / Naxos / Karadar Classical Music / Wikipedia / BBC

04/06/2008

SACDs #22: Zemlinsky, Lyrische Symphonie

Não é muito simpático para alguém que dedicou grande parte da sua vida à composição ficar para a posteridade apenas pelo facto de ter sido professor de Arnold Schoenberg (1874-1951), mas foi mais ou menos isso o que aconteceu com Alexander Zemlinsky (1871-1942). Zemlinsky nasceu em Outubro de 1871 em Viena, a cidade capital da música, berço da 2ª Escola de Viena; só que, apesar de ter de certo modo preparado o terreno para Schoenberg, Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945), Zemlinsky nunca se rendeu à atonalidade, e esta passagem ao lado da modernidade contribuiu em muito para o facto de a sua música apenas ter começado a ser regularmente interpretada no último quartel do século XX, umas boas dezenas de anos após a sua morte, portanto.

Mal adaptado ao ambiente vienense, Zemlinsky viveu em Praga entre 1911 e 1927, e é desse período que datam algumas das suas obras mais importantes. De entre elas destaca-se a Sinfonia Lírica que, como o nome diz e um pouco à moda de Gustav Mahler (1860-1911), combina os géneros sinfónico e vocal. O próprio compositor não fez segredo do seu modelo inspirador e, em Setembro de 1922, escreveu ao seu editor (*): "This Summer I've written something along the lines of The Song of the Earth. I haven't got a name for it yet. It consists of seven related songs for baritone, soprano and orchestra, to be played without a break". Zemlinsky baseou-se em poemas de Rabindranath Tagore (1861-1941) que, ao ganhar o Prémio Nobel da Literatura em 1913, tornou-se no primeiro laureado do continente asiático.

A Lyrische Symphonie foi estreada pelo autor, em Praga, no dia 4 de Junho de 1924. As interpretações neste disco, fabulosas, estão a cargo do soprano Christine Schäfer (1965-) e do barítono Matthias Goerne (1967-), com Christoph Eschenbach (1940-) a dirigir a Orquestra de Paris. Excelentes audições, pois claro!

(*) All Music Guide to Classical Music, Backbeat Books, 2005




Alexander Zemlinsky
Lyrische Symphonie, Op.18.
Christine Schäfer (soprano), Matthias Goerne (barítono)
Orchestre de Paris
Christoph Eschenbach
Capriccio 71 081
(2005)


Internet

Alexander Zemlinsky
Alexander Zemlinsky / Carolina Classical Connection / Wikipedia / Crítico

02/06/2008

CDs #166: Nicolai Ghiaurov

É com excertos de óperas de Giuseppe Verdi (1813-1901) que este disco é maioritariamente preenchido, e foi igualmente numa ópera de Verdi, Aida, que o baixo búlgaro Nicolai Ghiaurov (1929-2004) se estreou na Ópera de Viena, no dia 14 de Outubro de 1957. Apenas lá regressaria cerca de 6 anos depois, como Filipe II, rei de Espanha, na ópera Don Carlos, ainda de Verdi, personagem que viria a interpretar nessa casa por mais 45 vezes. Os números impressionam, e mostram bem quão apreciado Ghiaurov era em Viena, recorrendo-me de novo ao livro que acompanha o disco para referir que ele fez 12 papéis diferentes no palco vienense, cantando lá num total de 226 vezes!



Depois de ter feito um serviço militar onde, curiosamente, foi aconselhado a seguir estudos musicais quando se aperceberam das qualidades da sua voz, Ghiaurov estudou no Conservatório de Moscovo entre 1950 e 1955 e lá teve, entre outros, a oportunidade de conhecer dois músicos já bem nossos conhecidos: os violinistas David Oistrakh (1908-1974) e Leonid Kogan (1924-1982). Seguir-se-iam as estreias de sucesso: Paris (1955), Moscovo (1957), Bolonha (1958), La Scala (1959), Covent Garden (1962), Salzburgo (1962), Met de Nova Iorque (1965).

As gravações constantes deste disco, todas da responsabilidade da Rádio Austríaca (ORF), foram efectuadas entre 1969 (Simon Boccanegra) e 1998 (Eugene Onegin) e, naturalmente, na casa que sempre o idolatrou, a Ópera do Estado de Viena. E que bem faz ouvir Verdi bem cantado, em absoluto contraste com o assassinato que o nosso S. Carlos no ano passado lhe cometeu...

Nicolai Ghiaurov faleceu há 4 anos, no dia 2 de Junho de 2004.




Giuseppe Verdi
Simon Boccanegra: A te l'estremo addio; Suona ogni labbro il mio nome.
Don Carlo: Ella giammai m'amò.
Attila: Mentre gonfiarsi l'anima.
Macbeth: Studia il passo, o mio figlio.
Gioacchino Rossini
Il Barbiere di Siviglia: La calunnia è un venticello.
Piotr Ilyich Tchaikovsky
Eugen Onegin: Ein Jeder kennt die Lieb auf Erden.
Modest Mussorgsky
Boris Godunov: Die höchste Macht ist mein; Erlaub, mein Herr und Zar;
Oh! Ich erstick!; Leb wohl, mein Sohn, ich sterbe.
Chor und Orchester der Wiener Staatsoper
Josef Krips, Horst Stein, Giuseppe Sinopoli,
Miguel Gomez Martinez, Seiji Ozawa, Robert Satanowski
Orfeo d'Or C671 051


Internet

Nicolai Ghiaurov
ResMusica.com / Le site des BASSES / The Independent / Wikipedia