29/07/2008

Notícias #19

Num vôo entre Milão e Porto, ontem ao fim da tarde, conversa entre os dois cavalheiros que se sentaram ao meu lado. Pergunta um "Quem é o presidente do PSD?", e recebe como resposta "Este ano é a Manuela Ferreira Leite!"

Nota 1

A TAP já desistiu de chamar jantar à sande manhosa que oferece aos clientes... Um feito notável: preços premium, serviço de low-cost e prejuízos gigantescos!

Nota 2

Chegado a casa, tentei em vão aceder à bilheteira on-line da Gulbenkian. Era o primeiro dia em que os bilhetes para a temporada que se aproxima eram disponibilizados por esse meio. Hoje de manhã já não havia nenhuns para os recitais de Evgeny Kissin, Murray Perahia e Alfred Brendel... Uma pena, especialmente sabendo que não haverá outra oportunidade para voltar a ver Brendel. Mas lá consegui os rectângulos para outros concertos que almejava...

28/07/2008

CDs #172: L'Estro Harmonico, Vivaldi

Já por mais de uma vez referi o facto de ter sido Antonio Vivaldi (1678-1741) o principal responsável pela padronização do concerto grosso na forma allegro, adagio, allegro, por um lado, e pela popularização dos concertos para um instrumento solista, por outro (ver estes textos: 1, 2, 3).

O conjunto de 12 concertos que o padre ruivo publicou em 1711, e a que deu o nome de L'estro armonico, apresenta ainda uma forma híbrida, situando-se a meio caminho entre o concerto grosso e o referido concerto para instrumento solista. Na realidade, estes 12 concertos dividem-se em 4 grupos e, em cada um destes, o primeiro concerto é para 4 violinos (o grupo de músicos solistas, ou concertino, que se opõe ao conjunto instrumental, ou ripieno, neste caso formado por duas violas, um violoncelo e um contínuo), o segundo para 2 violinos e o terceiro e último para violino solo (que toca em oposição a um conjunto orquestral). Ou seja, começa com um concerto grosso e termina com um clássico concerto para violino.

Estamos assim perante uma obra que marcou o início de uma nova fase. Foi uma das primeiras compostas por Vivaldi (é o seu opus 3), e a primeira que editou fora da sua Itália natal (foi editada em Amesterdão por Etienne Roger). Vivaldi era admirado por muitos dos seus pares, Johann Sebastian Bach (1685-1750) incluído, e que, por sinal, transcreveu para teclado 6 dos 12 concertos que constituem este L'estro harmonico.

Antonio Vivaldi faleceu há 267 anos, no dia 28 de Julho de 1741.




Antonio Vivaldi
L'estro harmonico.
Elizabeth Wallfisch (violino)
Tafelmusik Baroque Orchestra
Jeanne Lamon
Analekta AN 2 9835
(2007)


Internet

Antonio Vivaldi
Classical Music Pages / Baroque Composers and Musicians / Classical Net / Naxos / Karadar Classical Music / Wikipedia / HOASM

24/07/2008

Sinfonias #30: Sinfonia Nº1, de Alan Rawsthorne

O inglês Alan Rawsthorne (1905-1971), falecido passam hoje 37 anos, entrou tardiamente nas lides musicais tendo, antes disso, tentado seguir carreira primeiro como dentista, depois na arquitectura. Por via disso, quando entrou para o Royal Manchester College of Music (RMCM), hoje Royal Northern College of Music (RCNM) após a fusão em 1973 com a Northern School of Music, já tinha cerca de 20 anos.

Só nos finais da década de 30 é que Rawsthorne começou a ser notado, através de obras como Theme and Variations for Two Violins (1937), Symphonic Studies (1938) e Four Bagatelles for Piano (1938). As obras concertantes, por outro lado, apenas começaram a aparecer nos anos 40, com o Primeiro Concerto para Piano, em 1942 e o Primeiro Concerto para Violino, este escrito em 1948, já depois de terminada a Grande Guerra, portanto.

À semelhança de Johannes Brahms
(1833-1897) que, quando compôs a 1ª Sinfonia já contava com 43 anos, Rawsthorne escreveu a sua 1ª Sinfonia em 1950 tendo, quando a terminou, 45 anos de idade. A obra foi bastante bem recebida na estreia, que teve lugar no dia 15 de Novembro de 1950, e esteve a cargo da Orquestra Sinfónica da BBC dirigida pelo grande maestro Adrian Boult (1889-1983).

Alan Rawsthorne apenas comporia mais 2 sinfonias, uma em 1959 e a e última em 1964.


CD



Alan Rawsthorne
Symphony No.1. Symphony No.2, "A Pastoral Symphony". Symphony No.3.
Charlotte Ellett (soprano)
Bournemouth Symphony Orchestra
David Lloyd-Jones
Naxos 8.557480
(2004)


Internet

Alan Rawsthorne
The Friends of Alan Rawsthorne
/ bbc.co.uk / Wikipedia / Naxos.com

Adrian Boult
Bach Cantatas / Wikipedia

22/07/2008

Maestros #36: Leopold Stokowski (1882-1977)

Em Abril de 2005 falámos por aqui do maestro norte-americano de origem inglesa Leopold Stokowski, a propósito do 123º aniversário do seu nascimento.


Leopold Stokowski

Hoje regressamos a este maestro, pelo facto de passarem 33 anos sobre a data do seu último concerto, numa altura em que já contava com 93 anos... Bem antes, em 1912, Stokowski tinha sido nomeado regente principal da Orquestra de Filadélfia
que, de um nível mediano, passou a uma das melhores do planeta, orgulhosa intérprete do "som Stokowski". No final da década de 40, Leopold Stokowski assumiu a regência da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, a meias com o grego Dimitri Mitropoulos (1896-1960).


Vaughan Williams, Adrian Boult

Em todos os discos abaixo listados Stokowski dirige precisamente a Filarmónica de Nova Iorque e um deles, por sinal, contém a primeira gravação mundial da Sinfonia Nº6 de Vaughan Williams (1872-1958). A estreia desta obra, em 1948, já tinha contado com outro grande maestro inglês, Adrian Boult (1889-1983). Uma excelente proposta musical, esta, a poucos dias de se assinalar o cinquentenário do falecimento deste compositor inglês.


CDs



Wagner
The Flying Dutchman - Overture. Die Walküre - Wotan's Farewell; Magic Fire Music.
Ippolitov-Ivanov
Caucasian Sketches, Op.10 - In the Village.
Messiaen
L'Ascension.
Griffes
The White Peacock.
Vaughan Williams
Fantasia on "Greensleeves".
Tchaikovsky
Francesca da Rimini.
New York Philharmonic
Leopold Stokowski
Cala CACD0533

Wagner
Rienzi Overture. Die Götterdämmerung.
Sibelius
Swanwhite - Maiden with the Roses.
Khachaturian
Masquerade Suite.
Tchaikovsky
Serenade for Strings - Waltz.
Schoenberg
Gurrelieder - Song of the Wood Dove.
Copland
Billy the Kid.
New York Philharmonic
Cala CACD0534

Vaughan Williams
Symphony No.6 in E minor.
Tchaikovsky
Romeo and Juliet - Fantasy Overture.
Mozart
Symphony No.35 in D, Haffner, K385.
Thomas Jefferson Scott
From the Sacred Harp.
Weinberger
Schwanda the Bagpiper - Polka; Fugue.
New York Philharmonic
Leopold Stokowski
Cala CACD0537


Internet

Leopold Stokowski
the Leopold Stokowski society / Bach Cantatas Website / The Leopold Stokowski Site / Penn Libraries / Classical Net / Wikipedia

19/07/2008

Violinistas #9: Szymon Goldberg (1909-1993)

Dos vários e distintos alunos do reputadíssimo professor Carl Flesch (1873-1944) já tive a oportunidade de para aqui trazer Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991). Hoje cabe a vez ao polaco de nascimento Szymon Goldberg, que foi aluno de Flesch a partir de 1917, quando se mudou para Berlim.

Foi ainda nessa cidade que, no início da década de 1930, Goldberg formou um trio com Paul Hindemith (1895-1963) e Emanuel Feuermann (1902-1942). Por essa altura já Goldberg era primeiro violinista da Orquestra Filarmónica de Berlim, posto que se viu forçado a abandonar em 1934, pela sua ascendência judaica. Isto apesar dos esforços do maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) que, numa carta enviada a Joseph Goebbels (1897-1945) em Abril de 1933, procurou chamar a atenção para o erro crasso que, na sua opinião, se estava prestes a cometer, ao impor quotas máximas de judeus na orquestra. Já o que se passava noutras áreas, não directamente ligadas à música, não preocupava tanto Furtwängler, mas isso são histórias a que voltarei lá mais para o final do ano...

Szymon Goldberg faria então uma primeira turné pela Europa e, nos inícios da década de 1940, uma outra pela Ásia. Acabou por passar cerca de 4 anos, entre 1942 e 1945, na ilha de Java, cedendo a um amável convite dos japoneses, impossível de recusar... A prova de que não guardou rancores viria mais tarde, pois entre 1990 e 1993, ano da sua morte, iria dirigir a Orquestra Filarmónica do Novo Japão, fundada em 1972 pelo maestro Seiji Ozawa (1935-). Pelo meio adquiriu nacionalidade norte-americana, em 1953, e fundou a Orquestra de Câmara Holandesa, 2 anos depois.

Szymon Goldberg faleceu há 15 anos, no dia 19 de Julho de 1993.


CDs



Johannes Brahms
Violin Sonatas - No.1 in G, Op.78; No.2 in A, Op.100;
No.3 in D minor, Op.108.
Szymon Goldberg (violino), Artur Balsam (piano)
Testament SBT1357
(1953)

Franz Schubert
Music for Violin & Piano.
Sonatinas - D major, D384; G minor, D408. Sonata in A minor, D385.
Grand Duo for Violin and Piano in A major, D574.
Fantasie in C major, D934. Sonata in A minor, "Arpeggione", D821.
Szymon Goldberg (violino), Radu Lupu, Jean Françaix (pianos),
Maurice Gendron (violoncelo)
Decca 466 748-2


Internet

Szymon Goldberg
Bach Cantatas Website / The New York Times / TIME / Wikipedia

15/07/2008

DVDs #18: Julian Bream, My Life In Music

No ano passado, a propósito de um disco com obras de compositores espanhóis, falou-se aqui de Julian Bream (1933-), e da sua faceta de guitarrista. Extraordinário, por sinal. Não se falou, todavia, da sua outra faceta, a de alaudista, que nos é amplamente apresentada neste DVD exemplar. Além do aumento do repertório para a guitarra clássica, pela encomenda de diversas obras, deve-se também em grande medida a Julian Bream o renascer do interesse pelo alaúde renascentista. Um dos momentos mais marcantes deste DVD é precisamente quando ele toca este instrumento para Igor Stravinsky (1882-1971), que tinha acabado de referir que lhe faltava tempo para quase tudo e que, poucos segundos depois, ouve atentamente os acordes, quase esquecendo o frenesim que os rodeava.

É o próprio Julian Bream que nos guia nesta viagem em que relata os momentos mais marcantes da sua vida musical. Além do já referido, vê-mo-lo ainda a tocar um extracto das Cinco Bagatelas de William Walton (1902-1983), na presença do autor que, no fim, afirma que Bream tocou a última nota bem melhor do que aquilo que ele tinha escrito... Temos ainda a oportunidade de ouvir um cantor de que por aqui já falámos muitas vezes, o tenor Peter Pears (1910-1986), companheiro musical de Benjamin Britten (1913-1976). Compositor de quem Julian Bream nos fala longamente, nomeadamente das peripécias envolvendo a composição de uma obra para guitarra por ele encomendada, e de que resultaria o Nocturnal after John Dowland, Op.70.

Julian Bream celebra hoje o seu 75º aniversário.




Julian Bream
My Life In Music.
Avie AV2109


Internet

Julian Bream
Guitare Diffusion / World Concert Artist Directory / Sony BMG / Wikipedia / Classical Net - Nocturnal after John Dowland

12/07/2008

CDs #171: Boult conducts Butterworth, Hadley, Howells, Warlock

Há cerca de um ano e meio deixei aqui alguns dados sobre o maestro inglês Adrian Boult (1889-1983), tendo na altura referido a grande promoção que sempre fez das obras dos compositores ingleses, e mencionei mesmo alguns nomes: Gustav Holst (1874-1934), Vaughan Williams (1872-1958), Edward Elgar (1857-1934), William Walton (1902-1983) e Arthur Bliss (1891-1975). Pois adquiri recentemente mais um disco em que Adrian Boult interpreta obras de compositores ingleses, mas de nenhum dos nomes anteriormente referidos! Desta vez a sorte calhou a George Butterworth (1885-1916), Peter Warlock (1894-1930), Patrick Hadley (1899-1973) e Herbert Howells (1892-1983).

George Butterworth teve uma vida tragicamente curta, tendo falecido durante a 2ª Grande Guerra vítima de um atirador furtivo. Deixou-nos muito poucas obras; apesar de ser um compositor prolífico destruiu uma boa parte daquilo que compôs, sobrando apenas algumas obras orquestrais e umas quantas canções. Neste disco temos reunidas todas as orquestrais: Two English Idylls, compostas em 1911 e estreadas a 8 de Fevereiro de 1912; The Banks of Green Willow, um pequeno poema sinfónico estreado por Adrian Boult no dia 27 de Fevereiro de 1914; e a sua obra mais significativa, A Shropshire Lad, em forma de elegia, que foi estreada no dia 2 de Outubro de 1913, com a orquestra dirigida por outro reputadíssimo maestro, Arthur Nikisch (1855-1922). Uma obra estranhamente profética, esta, com um final marcadamente fúnebre, como que antecipando a morte próxima do seu autor.

George Butterworth nasceu há 123 anos, no dia 12 de Julho de 1885.




George Butterworth
Two English Idyll, No.1. Two English Idylls, No.2.
The Banks of Green Willow. A 'Shropshire Lad' Rhapsody.
Peter Warlock
An Old Song.
Patrick Hadley
One Morning in Spring.
Herbert Howells
Procession. Merry-Eye. Elegy. Music for a Prince.
Herbert Downes, Albert Cayzer (violas), Desmond Bradley,
Gillian Eastwood (violinos), Norman Jones (violoncelo)
London Philharmonic Orchestra
New Philharmonia Orchestra
Adrian Boult
Lyrita SRCD.245


Internet

Adrian Boult
Bach Cantatas Website / divine art / Naxos / Wikipedia

George Butterworth
George Butterworth Home Page / The REC Music Foundation / Wikipedia

10/07/2008

Lugares #177

Qualquer nortenho mais ferrenho diria ser mais uma prova incontestável da preguiça dos mouros; nós, razoavelmente moderados, admitidos como boa a tese da conveniência, por facilitar a deslocação de quem, partindo da Baixa, pretende deslocar-se ao Largo do Carmo. Terá sido esta a razão da construção do Elevador de Santa Justa, tendo a iniciativa partido de um ilustre engenheiro do... Porto, Mesnier de Ponsard (1848-1914), preocupado sem dúvida com a mobilidade dos habitantes da capital, mas também esperançado nos proventos futuros.

As obras começaram em Julho de 1900, e a inauguração iria ter lugar dois anos depois, no dia 10 de Julho de 1902, passam hoje 106 anos. Pelos vistos uma das mais delicadas operações foi a da colocação do passadiço de ligação à Rua do Carmo. Como é habitual nestas coisas, juntou-se uma pequena multidão, dividida entre a curiosidade de assistir à perícia da manobra e a suspeita de que aquilo tudo iria abaixo. Um pouco como o que se viria a passar cerca de 60 anos mais tarde, em que veio gente de várias partes do mundo para assistir ao desabamento da Ponte da Arrábida. Coincidência ou não, o engenheiro responsável pela ponte, Edgar Cardoso (1913-2000), era também um homem do Porto!

Agora como na época em que foi construído, o terraço da torre proporciona uma bela vista sobre Lisboa; o que deu origem, aliás, a mais uma fonte de receitas para a sociedade construtora, que lá enfiou um telescópio que só funcionava com moedinhas... Esse já lá não está, mas estivemos nós e usufruímos longamente de tão esplendorosa visão. Em vésperas de usufruir de esplendorosas audições, convém referir!





Internet

Elevador de Santa Justa
Carris / Wikipedia / IPPAR

09/07/2008

Sinfonias #29: A Spring Symphony, de Benjamin Britten

Neste texto, publicado há cerca de 3 anos e meio, falámos de uma das facetas de Benjamin Britten (1913-1976), a de regente de orquestras. As gravações constantes do CD referido nessa altura foram efectuadas em 1967 e em 1970, na última década de vida de Britten, portanto.


Benjamin Britten

Hoje vai-se aqui falar de Britten, o compositor, aliás o mais proeminente compositor inglês da sua geração. Para isso aproveitamos o facto de neste dia, mas há 59 anos atrás, ter estreado A Spring Symphony, ou Sinfonia da Primavera que, tal como A Sea Symphony do seu compatriota Vaughan Williams (1872-1958), é uma sinfonia vocal.

Compreende-se que assim seja pois, nessa época, Britten estava muito envolvido com o teatro lírico. Nos 4 anos que antecederam A Spring Symphony, composta em 1949, Britten tinha escrito 4 óperas: Peter Grimes (1945), The Rape of Lucretia (1946), Albert Herring (1947) e The Little Sweep (1949). E por essa altura já alinhava as ideias para a ópera seguinte, Billy Budd, que viria a terminar em 1951.


Peter Pears

Uma das gravações mais interessantes desta obra tem, entre outros, o tenor Peter Pears (1910-1986), o amigo de sempre do compositor e, como maestro, o próprio Britten. Tanto quanto sabemos o disco, inicialmente editado pela L'Oiseau-Lyre, está actualmente fora de circulação, razão pela qual não aparece aqui listado.


CDs



Benjamin Britten
5 Flower Songs, Op.47. Heymn to St. Cecilia Day, Op.27. A Spring Symphony, Op.44.
A. Hagley (soprano), C. Robbin (meio-soprano), J. M. Ainsley (tenor)
Monteverdi Choir
Salisbury Cathedral Choristers
Philharmonia Orchestra
John Eliot Gardiner
Deutsche Grammophon 453 433-2

Bernstein Live
Benjamin Britten
A Spring Symphony, Op.44.
Inclui ainda obras de Bach, Beethoven, Bruckner, Elgar, Mozart,
Prokofiev, Schumann, Sibelius e Stravinsky, entre outros.
New York Philharmonic Orchestra
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Leonard Bernstein
New York Philharmonic NYP2003

05/07/2008

CDs #170: Backhaus, Beethoven, Chopin

Um disco extraordinário, este, pelas interpretações do grande pianista de origem alemã Wilhelm Backhaus (1884-1969) e pelo significado especial que as obras apresentadas, de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Frédéric Chopin (1810-1849), tiveram na sua carreira: foi o Concerto para Piano Nº5 de Beethoven que tocou na sua estreia nos Estados Unidos, em Janeiro de 1912, e Backhaus foi o primeiro a gravar a integral dos Études de Chopin, em 1928, uma gravação ainda hoje considerada de referência.

Além de Beethoven, de quem gravou a (quase, se não mesmo a) totalidade das obras para piano, Backhaus destacou-se no repertório do período romântico, merecendo uma referência especial as suas interpretações de Johannes Brahms (1833-1897) e do já citado Chopin. Teve uma longa carreira, de cerca de 70 anos, que começou em 1900 com a primeira turné e que recebeu um enorme impulso em 1905, quando venceu o Prémio Rubinstein, em Paris, onde relegou para segundo plano, entre outros, Béla Bartók (1881-1945), que viria a ser um dos grandes compositores do século XX.

Na tal estreia em solo americano, a Orquestra Sinfónica de Nova Iorque foi dirigida por um maestro já nosso conhecido, Walter Damrosch (1862-1950), que tinha tido a honra de dirigir o concerto de estreia do Carnegie Hall, no dia 5 de Maio de 1891. Backhaus iria revelar-se igualmente um excelente músico de câmara, e a sua gravação mais célebre no género, das Sonatas para Violoncelo de Brahms, foi efectuada com um violoncelista também já bem conhecido da casa, o francês Pierre Fournier (1906-1986).

Wilhelm Backhaus faleceu há 39 anos, no dia 5 de Julho de 1969, com 85 anos, quando se preparava para dar um concerto em Villach, na Áustria.




Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.5 in E flat major, Op.73, "Emperor".
Piano Sonata No.21 in C major, Op.53, "Waldstein".
Frédéric Chopin
Études - Op.25, Nos.1-3, 6, 8-9; Op.10 No.5.
Wilhelm Backhaus (piano)
Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester
Georg Solti
Medici Arts MM006-2
(1956, 1959, 1953)


Internet

Wilhelm Backhaus
Lion of the keyboard / Historical interpretations of Frederick Chopin works / Wikipedia / Arbiter Records / Naxos / Decca Music Group / Bach Cantatas Website / University of Maryland

01/07/2008

DVDs #17: Arabella, Richard Strauss

Ficou famosa a ligação do compositor Richard Strauss (1864-1949) ao libretista (além de poeta, dramaturgo e romancista) Hugo von Hofmannsthal (1874-1929), pelo conjunto extraordinário de obras que resultou dessa colaboração. Foram 6 as óperas de Strauss com libretos de von Hofmannsthal, tendo a primeira sido Elektra, escrita entre 1906 e 1908, e a última Arabella, composta entre 1930 e 1932, e estreada no dia 1 de Julho de 1933, passam hoje 75 anos.

Hofmannsthal faleceu no dia 15 de Julho de 1929 quando se prepara para assistir ao funeral do seu filho Franz, que se havia suicidado 2 dias antes. Strauss completaria o libreto deixado inacabado, e trabalharia depois com vários outros libretistas, entre eles o nosso já conhecido Stefan Zweig (1881-1942), embora as suas óperas mais representativas coincidam com o "período Hofmannsthal".

Quando estava prestes a terminar Die Frau ohne Schatten, Strauss pediu a von Hofmannsthal que lhe enviasse algum material que ele pudesse utilizar, nem que fosse uma nova versão de Rosenkavalier, pois estava completamente a zero. Curioso, este pedido, pois estavam ambos cientes da dificuldade em criar algo de sucesso que se distinguisse precisamente de Der Rosenkavalier, composta 20 anos antes. E o que é certo é que Arabella acabou mesmo por ser desconsiderada por muitos bons críticos, que a acharam uma mera cópia da antecessora... O facto de haver várias semelhanças entre ambas (Viena do século XIX como cenário, os bailes, as valsas, um papel travestido, etc.), terá porventura contribuído para tal conclusão...




Richard Strauss
Arabella.
Kiri Te Kanawa, Marie McLaughlin (sopranos), Wolfgang
Brendel (barítono), Donald McIntyre (baixo-barítono),
Helga Dernesch (meio-soprano), David Kuebler (tenor)
Metropolitan Opera Chorus
Metropolitan Opera Orchestra
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 073 005-9
(1995)


Internet

Richard Strauss
Richard Strauss online / Classical Music Pages / Karadar Classical Music / richard-strauss.com / Opera Glass / Boosey & Hawkes / The Classical Archives / Naxos / UOL Educação / Wikipedia