29/08/2008

Escritores #8: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O compositor francês Claude Debussy (1862-1918), apesar de ter ensaiado outras tentativas, nomeadamente a partir da obra The Fall of the House of Usher de Edgar Alan Poe (1809-1849), apenas nos deixou uma ópera completa, Pelléas et Mélisande. Esta descreve-nos as desventuras de Golaud, o marido ciumento, e Mélisande, a infeliz esposa que viria a derreter-se de amores por Pelléas, meio-irmão de Golaud. Este, depois de suspeitas várias, lá logrou ouvir a troca de juras de amor entre Mélisande e Pelléas e, louco de raiva, matou o meio-irmão logo ali. Mélisande, por sua vez, viria a morrer pouco depois de dar à luz a filha do casal, deixando Golaud divido entre os remorsos de ter eventualmente contribuído para a morte da esposa e os ciúmes dos amores desta por Mélisande. A estreia desta ópera teve lugar em Paris, no dia 30 de Abril de 1902.

Mais modesto, o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) limitou-se, em 1905, a compôr a música de cena Pelléas et Mélisande, estruturada em 8 andamentos. Exibindo um tom menos emocional e mais escuro do que o da ópera de Debussy, esta obra de Sibelius foi estreada em Helsínquia no dia 17 de Março de 1905.

Já andava Debussy entretido a escrever a ópera e Patrick Campbell (1865-1940), uma famosa actriz inglesa, pediu-lhe para escrever uma música de cena para a peça Pelléas et Mélisande, entusiasmada como estava depois de assistir à respectiva estreia londrina, em 1895. Campbell queria traduzi-la para inglês e incluí-la no seu repertório, mas Debussy, indiferente a tais excitações, mandou-a às urtigas. A nossa actriz, contudo, não era senhora de desistir facilmente, virando-se então para Gabriel Fauré (1845-1924), e dessa vez com mais sucesso. Demasiado ocupado na altura, Fauré deixou a orquestração a cargo do seu aluno Charles Koechlin (1867-1950) mas, perante o sucesso obtido, viria posteriormente a extrair dela uma suite sinfónica, que ele próprio orquestrou e que teria a sua estreia no dia 3 de Fevereiro de 1901.

Ainda nos inícios do século XX, um compositor já nosso bem conhecido, Richard Strauss (1864-1949), desconhecendo que Debussy já tinha iniciado tal empreitada, sugeria a Arnold Schoenberg (1874-1951) que compusesse uma ópera igualmente baseada na peça Pelléas et Mélisande. Schoenberg, todavia, optaria por escrever um poema sinfónico, que o próprio compositor estrearia em Viena no dia 26 de Janeiro de 1905. Sem grande sucesso, diga-se, que só viria a encontrar uns anos mais tarde. Tal como no caso de Debussy, esta obra acabou por ser a única do género escrita por Schoenberg, que não mais se viraria para os poemas sinfónicos.

Todas estas obras, como está bom de ver, basearam-se na peça Pelléas et Mélisande do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, e que nasceu no dia 29 de Agosto de 1862, passam hoje 146 anos.


Internet

Maurice Maeterlinck
Nobelprize.org / Symbolism and Maurice Maeterlinck / biographybase / Famous Belgians / Algosobre / Maurice Maeterlinck / Wikipedia

26/08/2008

CDs #177: Vaughan Williams, Willow-Wood

A obra mais conhecido do poeta norte-americano Walt Whitman (1819-1892) é Leaves of Grass, uma colecção de poemas que começou por editar em 1855, e de que foi sucessivamente lançando novas edições durante mais de 35 anos. Esta obra sempre foi da predilecção do compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958) que, na primeira década do século XX, utilizou vários dos seus poemas em algumas das suas composições. Logo a começar pela A Sea Symphony, de que falámos aqui em Outubro do ano passado.

Ainda dessa altura é Toward the Unknown Region, uma Canção para Coro e Orquestra, como Vaughan Williams gostava de a apresentar, com base no poema homónimo de Whitman, retirado, mais uma vez, das Leaves of Grass. Apesar de começada depois d'A Sea Symphony, esta obra vocal foi terminada antes, e teve a sua estreia a 10 de Outubro de 1907. Numa década em que se dedicou muito do seu tempo a escrever canções, Toward the Unknown Region representou o seu maior sucesso nessa época, isto cerca de um ano antes de se mudar para Paris para estudar com Maurice Ravel (1875-1937).

Das obras que fazem parte deste disco há duas que foram estreadas por Adrian Boult (1889-1983), um maestro inglês que tem sido visita recorrente aqui do burgo: Five Variants of Dives and Lazarus, cuja estreia teve lugar em Nova Iorque a 10 de Junho de 1939, e The Sons of Light, estreada no Royal Albert Hall de Londres no dia 6 de Maio de 1951.

Ralph Vaughan Williams faleceu há 50 anos, no dia 26 de Agosto de 1958.




Vaughan Williams
Toward the Unknon Region. Willow-Wood.
The Voice Out of the Whirlwind.
Five Variants of Dives and Lazarus.
The Sons of Light.
Roderick Williams (barítono)
Royal Liverpool Philharmonic Choir
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
David Lloyd-Jones
Naxos 8.557798
(2005)


Internet

Ralph Vaughan Williams
Ralph Vaughan Williams Society / Classical Music Pages / Boosey & Hawkes / Wikipedia / Naxos / Classical Net

24/08/2008

CDs #176: Leighton, Sacred Choral Music

Goffredo Petrassi (1904-2003) foi um importante compositor modernista, um dos mais proeminentes do século XX em Itália. Foi, além disso, um reputado professor, tendo tido como aluno, entre outros, o inglês Kenneth Leighton (1929-1988), o nosso convidado de hoje, a propósito de um disco editado pela Naxos em 2004.

Leighton escreveu obras sinfónicas (3 sinfonias, curiosamente datadas de 1964, 1974 e... 1984) e orquestrais, assim como peças para piano (o seu instrumento de eleição), música de câmara, coral e uma ópera, Columba, datada de 1978. Distinguiu-se em particular na música vocal, influenciado pelos seus tempos juvenis, em que foi membro do coro da Catedral de Wakefield: "(...) With my upbringing and my boyhood as a cathedral chorister this is perhaps why I respond emotionally to Christian subjects and test.. church music is undoubtedly a channel of communication for me... " (retirado do livrinho que acompanha o disco).

Este disco, totalmente dedicado à sua música coral sagrada, cobre um largo espectro da sua produção, desde o Magnificat, de 1959, até Veni creator spiritus, escrita para o Festival de Dunfermline Abbey de 1987, o ano anterior ao da morte do compositor. Excelente value for money, digo eu: boa música e não menos boas interpretações, tudo servido a "preço Naxos"...

Kenneth Leighton faleceu há 20 anos, no dia 24 de Agosto de 1988.




Kenneth Leighton
Sacred Choral Music
Magnificat. Nunc Dimittis. Give me the wings of faith.
An Easter Sequence. Veni creator spiritus. What love is this of thine?
Crucifixus pro nobis. Rockingham: Chorale Prelude on 'When I survey
the woundrous Cross'.
James Oxley (tenor), Crispian Steele-Perkins (trompete),
Christopher Whitton (órgão), Gareth Jones (barítono),
Benjamin Durrant (treble)
Choir of St John's College, Cambridge
Christopher Robinson
Naxos 8.55575
(2002)


Internet

Kenneth Leighton
Bach Cantatas Website / MusicWeb International / Kenneth Leighton / Chester Novello / Naxos / Hyperion / Wikipedia

22/08/2008

CDs #175: Sergio Fiorentino, The Early Recordings

Aquando de um outro disco inteiramente dedicado à música para piano do alemão Robert Schumann (1810-1856), referimos o papel primordial que as peças para esse instrumento tiveram na obra desse compositor; os primeiros 23 opus, nomeadamente, são obras para piano solo.

Uma delas, Carnaval, foi composta entre 1834 e 1835, com a pianista Ernestine von Fricken, não Clara Schumann, a servir de inspiração. Schumann chegou a estar noivo de Ernestine, por volta de Setembro de 1834, mas a distância física entre ambos (longe da vista, longe do coração...) fez esmorecer a paixão, e tudo acabaria em águas de bacalhau. Ernestine aparece retratada em Estrella, a 13ª das 21 miniaturas que compõem esta obra (se esquecermos as Sphinxes, pequenos e geralmente silenciosos interlúdios a separar alguns dos retratos), enquanto que Clara é retratada em Chiarina, a 11ª miniatura. Ernestine era igualmente aluna de Friedrich Wieck (1785-1873), mas seria com Clara, filha deste, que Schumann acabaria por casar, após uma série interminável de peripécias.

O primeiro a tocar em público esta obra na sua totalidade foi o grande pianista virtuoso e compositor Franz Liszt (1811-1886). Desde então tem sido interpretada por muitos e extraordinários pianistas, como Myra Hess (APR APR5646, Naxos Historical 8.110604), Wilhelm Kempff (Deutsche Grammophon Collectors Edition 471 312-2) e Arturo Benedetti Michelangeli (Testament SBT2088). Lista onde deveremos incluir também o italiano Sergio Fiorentino (1927-1998), porventura menos conhecido mas igualmente extraordinário. Fiorentino teve uma carreira intermitente, interrompida logo em 1954, um ano após a sua estreia no Carnegie Hall, devido a um acidente de aviação, e abandonada mais do que uma vez depois disso para se dedicar ao ensino. A grande parte das suas gravações foi efectuada entre 1958 e 1965, e são precisamente deste último ano as que aparecem neste disco, editado já no decorrer de 2008 pela APR.

Sergio Fiorentino faleceu há 10 anos, no dia 22 de Agosto de 1998.




Robert Schumann
Carnaval, Op.9. Kinderszenen, Op.15. Arabeske, Op.18.
Symphonic Etudes, Op.13.
Sergio Fiorentino (piano)
APR APR5586
(1965)


Internet

Sergio Fiorentino
Concert Artist / Bach Cantatas Website / Sergio Fiorentino / In memoriam / Wikipedia / The Sergio Fiorentino Pages

19/08/2008

Lugares #179

Com uma nova equipa gestora vêm novas ideias e, frequentemente, uma nova estratégia para a empresa. Assim não fosse e seria bem mais complicado explicar os motivos pelos quais a administração correu com a equipa anterior. Pois foi o que aconteceu há uns anos numa determinada empresa multinacional, com fábricas instaladas na zona norte de Portugal desde a década de 1970. Um dia o novo presidente efectuou uma visita a uma dessas unidades fabris para informar a direcção local que o negócio de componentes para a indústria electrónica tinha deixado de ser "core business" e que, por via disso, iria iniciar uma procura activa de "parceiros" que nele estivessem interessados. Até que tal feliz desenlace se viesse a verificar não haveria lugar, naturalmente, a grandes investimentos, pelo que não era difícil adivinhar que o caminho para o abismo seria trilhado a passos seguros e não formosos...

O processo não correu conforme o anunciado, mas sim como se temia e, com a ajuda do arrefecimento dos ânimos provocado pelos ataques de 11 de Setembro de 2001, prolongou-se indefinidamente no tempo. Até que, algures em 2006, alguém confidenciou que havia um princípio de acordo com uma certa empresa, pelo que finalmente iria haver um dono com interesse no negócio e com disponibilidade para nele investir. Veio a verificar-se esse alguém, todavia, ser uma pequena empresa do país nosso vizinho, completamente impreparada para integrar e assimilar devidamente uma outra de maiores dimensões e com uma cultura distinta. O desastre adivinhava-se e acabou por chegar, com estrondo. No entretanto, para infelicidade de muitos, passou-se mais de um ano e meio, uma eternidade.




O despedimento colectivo foi o bálsamo milagroso, aguardado com ansiedade e recebido com júbilo. Nas reuniões que juntaram a Direcção local, a Comissão de Trabalhadores e a representante do Ministério do Trabalho, nunca se discutiu o problema dos abrangidos pelo despedimento, mas apenas o daqueles que nele não constavam, incapazes de compreender tamanha descriminação... Algo nunca visto, confidenciaria mais tarde "off the record" a tal representante ministerial...

O desenlace, que para os não directamente envolvidos poderia ser encarado como trágico, foi solenemente assinalado e celebrado com uma visita (excelentemente) guiada ao Convento de Cristo e um repasto, inesquecível, no Chico Elias, que a ocasião não era para menos. Lamento informar que não se dão alvíssaras a quem adivinhar o nome do organizador da coisa...


Internet

Convento de Cristo
Região de Turismo dos Templários / i-Tomar / IPPAR / 360º Portugal / Wikipédia

15/08/2008

CDs #174: Coleridge-Taylor, Piano Quintet, Clarinet Quintet

Quando, em Março do ano passado, aqui referi o facto do irlandês Charles Stanford (1852-1924) ter sido um eminente professor, listei alguns dos seus mais brilhantes alunos, como Frank Bridge (1879-1941), Gustav Holst (1874-1934), Ralph Vaughan Williams (1872-1958) e John Ireland (1879-1962). Como "short list" que era deixou de fora outros nomes, alguns relevantes, como o do compositor que aqui trago hoje: Samuel Coleridge-Taylor (1875-1912).

Claro que Coleridge-Taylor nunca atingiu a notoriedade dos outros compositores referidos, para o que terá contribuído o facto de ter falecido muito jovem, com 37 anos, vítima de pneumonia. Tendo começado por aprender a tocar violino, instrumento para o qual desde logo mostrou enormes aptidões, a partir dos inícios da década de 1890 foi mostrando um crescente interesse pela composição, e daí as aulas com Stanford. Este disco, inteiramente dedicado à música de câmara de Coleridge-Taylor, contém duas das suas obras mais significativas: o Quinteto com Piano e o Quinteto com Clarinete. A primeira foi estreada a 9 de Outubro de 1893, suspeitando-se que esteve depois mais de um século sem ser interpretada; a segunda nasceu de um desafio do próprio Stanford, para um quinteto que não exibisse a influência do de Johannes Brahms (1833-1897), missão que terá cumprido com êxito, como se pode depreender do comentário de Charles Stanford: "You've done it, my boy!"...

O agrupamento de serviço é o Nash Ensemble que, mais uma vez, não desilude. Depois de um disco com obras de Mendelssohn (1809-1847) e de um concerto ao vivo, regressam a estas páginas com um disco que poderá ajudar a tirar Coleridge-Taylor do esquecimento a que tem sido injustamente votado.

Samuel Coleridge-Taylor nasceu há 133 anos, no dia 15 de Agosto de 1875.




Samuel Coleridge-Taylor
Piano Quintet in G minor, Op.1. Ballade in C minor, Op.73.
Clarinet Quintet in F sharp minor, Op.10.
The Nash Ensemble
Hyperion CDA67590
(2007)


Internet

Samuel Coleridge-Taylor
100 Great Black Britons / Cambridge Community Chorus / Naxos / Wikipedia / African Heritage in Classical Music / Spartacus Educational / British Library Online Gallery (pdf file)

11/08/2008

Maestros #38: Rafael Kubelik (1914-1996)

A partida do maestro Rafael Kubelik de Praga foi causada pela instalação de um regime comunista na Checoslováquia; Kubelik, que em 1945 festejara naquela cidade a derrota do nazismo e o final da 2ª Guerra Mundial, dispensava bem, 3 anos passados, sujeitar-se a novo regime repressivo. A coisa quase se remediava 20 anos depois, mas os soviéticos, zelosos na defesa dos seus aliados, esmagaram a Primavera de Praga e repuseram a ordem, pelo que Kubelik apenas regressaria a Praga em 1990, após 42 anos de exílio.

Pelo meio contaram-se passagem pelos Estados Unidos, para dirigir a Orquestra Sinfónica de Chicago, onde estreou cerca de 60 obras, e, mais tarde, a Orquestra do Met de Nova Iorque; por Londres, onde dirigiu a Royal Opera House e estreou em solo inglês as óperas Jenufa de Leos Janácek (1854-1928) e Les Troyens de Hector Berlioz (1803-1869); e por Munique, onde esteve à frente da Orquestra Sinfónica da Rádio da Bavária, entre 1961 e 1979.

Os últimos concertos dirigidos por Rafael Kubelik foram extraordinariamente simbólicos: a 18 de Outubro de 1891 voltou a dirigir a Orquestra Sinfónica de Chicago, em obras do seu compatriota Antonín Dvorák (1841-1904), no concerto final das comemorações do centenário dessa orquestra; no seu último concerto dirigiu a Orquestra Filarmónica Checa, de que tinha sido maestro principal entre 1942 e 1948, num tocante regresso às origens.

Rafael Kubelik faleceu há 12 anos, no dia 11 de Agosto de 1996.


CDs






Gustav Mahler
Symphony No.1 in D.
Symphonie-Orchester der Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Audite 95.467
(1979)

Carl Orff
Prometheus.
Roland Hermann (barítono), Colette Lorand (soprano),
Fritz Uhl (tenor), Joseph Greindl, Kieth Engen (baixos)
Bavarian Radio Women's Chorus
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Orfeo C526 992
(1975)

Bedrich Smetana
The Batered Bride - Overture; Polka; Furiant; Dance of the Comedians.
Antonín Dvorák
Legend, Op.59 No.10. Scherzo capriccioso, B131.
Bohuslav Martinu
Double Concerto, H271.
Leos Janácek
Sinfonietta.
Philharmonia Orchestra
Czech Philharmonic Orchestra
Rafael Kubelik
Testament SBT1181
(1946, 1949, 1950, 1951)

A Tribute to Rafael Kubelík - II.
Obras de Dvorák, Wagner, Kubelík, Mozart, Ravel, Britten e Walton.
Nelson Leonard (barítono)
University of Illinois Choir and Men's Glee Club
University of Illinois Women's Glee Club
Chicago Symphony Orchestra
Rafael Kubelík
CSO 7544

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Violin Concerto in D major, Op.35.
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Pinchas Zukerman (violino)
Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Audite 95.490

Leos Janácek
Sinfonietta. Taras Bulba. Concertino.
Rudolf Firkusny (piano)
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Deutsche Grammophon The Rosette Collection 476 2196

Ludwig van Beethoven
Piano Concertos. Fantasia in C minor, 'Choral Fantasy', Op.80.
Rudolf Serkin (piano)
Bavarian Radio Symphony Orhestra
Rafael Kubelik
Orfeo C647 053D

Rafael Kubelik
Rare Recordings 1963-1974.
English Chamber Orhestra
Chor und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Berlin Philharmonic Orchestra
Royal Concertgebouw Orchestra
Rafael Kubelik
Deutsche Grammophon 477 5838

Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.2 in D major, Op.36; No.6 in F major, OP.68.
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Audite 95.531
(1967, 1971)

Karl Amadeus Hartmann
Symphonische Hymnen. Concerto funebre.
Konzert für Klavier, Bläser und Schlagzeug.
Wolfgang Schneiderhan (violino), Maria Bergmann (piano)
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Orfeo d'Or C718 071B
(1972-75)

Antonín Dvorák
Die Hussiten, Op.67.
Johannes Brahms
Violinkonzert D-Dur, Op.77.
Henryk Szeryng (violino)
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Rafael Kubelik
Orfeo d'Or C719 071B
(1967)

Josef Suk
Asrael, Symphony for Orchestra, Op.27.
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Panton 81 1101-2


SACD



Franz Schubert
Symphonies - No.8, D944; No.3, D200.
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Audite 92.542
(1969, 1977)


Internet

Rafael Kubelik
Chicago Symphony Orchestra / The New York Times / Wikipedia

08/08/2008

Lugares #178

A construção do Castelo de Santa Maria da Feira leva-nos até ao século X, em plena idade média, portanto. A Viagem Medieval em Terra de Santa Maria desde há 11 anos que, por alturas de Agosto, nos transporta igualmente para os tempos medievais.



A edição deste ano centra-se no reinado de D. Dinis (1261-1325), o Lavrador, dando particular atenção à transformação da Ordem dos Templários em Ordem de Cristo, como forma de evitar a sua extinção, bem como às lutas cerradas que travou com o seu filho, D. Afonso (1290-1357). Uma família dinâmica...



Uma das melhores feiras medievais do país, senão mesmo a melhor, para o que também contribui o facto de nem precisarmos de tirar o calhambeque da garagem para a visitar...

05/08/2008

Maestros #37: Erich Kleiber (1890-1956)

"Foi em Buenos Aires que senti nascer em mim a vocação de maestro; tinha 13 anos quando vi Erich Kleiber a dirigir as Sinfonias de Beethoven e Les Noces de Figaro de Mozart. Foi o ídolo da minha juventude. Aconselhado por ele, tomei a decisão de vir para a Europa e estabeleci-me em Viena em 1951 (...)". A afirmação é do austríaco Michael Gielen (1927-) que, contudo, iniciou a sua carreira na capital argentina não como maestro mas como pianista virtuoso; só iria abraçar a regência na década de 1950, depois da referida mudança para Viena.

Os concertos de Kleiber em Buenos Aires tiveram lugar em 1940; uns bons anos antes, em 1906, tinha sido a vez de Erich Kleiber assistir, em Praga, a um concerto em que Gustav Mahler (1860-1911) dirigiu a sua 6ª sinfonia, e que lhe incutiu a vontade de vir igualmente a ser maestro. Depois de ter assumido vários outros postos, Erich Kleiber mudou-se para Berlim em 1923, para dirigir a Ópera de Estado dessa cidade. Mais tarde, já à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim, preparava-se para apresentar os interlúdios sinfónicos da ópera Lulu de Alban Berg (1885-1935) quando se viu confrontado com problemas levantados pelas autoridades nazis, pouco apreciadoras das modernices, em que incluíam obviamente a música atonal. Pelos vistos Kleiber estava pouco inclinado para aturar tamanhas interferências no seu trabalho, pelo que decidiu pôr-se a andar; corria o ano de 1934 e, 5 anos depois, mudar-se-ia então para Buenos Aires, e tomaria cidadania argentina.

Com a (excelente) moda dos últimos anos das editoras vasculharem os baús, temos actualmente disponíveis mais discos de Kleiber do que da última vez que por aqui o trouxe, há 3 anos atrás, pelo que a lista é agora um pouco mais comprida.

Erich Kleiber nasceu há 118 anos, no dia 5 de Agosto de 1890.


CDs




Ludwig van Beethoven
Symphony No.3 in E flat major, Op.55, "Eroica". (1950)
Symphony No.5 in C minor, Op.67. (1953)
Concertgebouw Orchestra
Decca Legends 467 125-2

Great Conductors of the 20th Century
Erich Kleiber
Franz Schubert
Symphony No.5 in B flat, D485. (1953)
Ludwig van Beethoven
Symphony No.6 in F, Op.68, "Pastoral". (1955)
Wolfgang Amadeus Mozart
Symphony No.40 in G minor, K550. (1949)
Richard Strauss
Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op.28. (1953)
Antonín Dvorák
Carnival Overture, Op.92. (1948)
Josef Strauss
Sphärenklänge, Op.235. (1948)
Johann Strauss
Der Zigeunerbaron - Overture. (1948)
Du und Du, Op.367. (1929)
Czech Philharmonic Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Sinfonieorchester der Norddeutschen Rundfunks
Vienna Philharmonic Orchestra
Erich Kleiber
EMI 5 75115-2

Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor (2 performances).
NBC Symphony Orchestra
Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Erich Kleiber, Carlos Kleiber
Hänssler Classic 93 116
(1947, 1972)

Giuseppe Verdi
I Vespri Siciliani.
Maria Callas (soprano), Giorgio Kokolios-Bardi, Gino Sarri,
Aldo de Paoli, Brenno Ristori (tenores), Enzo Mascherini,
Lido Pettini (barítonos), Boris Christoff, Bruno Carmassi,
Mario Frosini (baixos), Mafalda Masini (contralto)
Maggio Musicale Fiorentino Chorus
Maggio Musicale Fiorentino Orchestra
Erich Kleiber
Testament SBT21416
(1951)


Internet

Erich Kleiber
Erich Kleiber / Erich Kleiber / Bach Cantatas Website / Wikipedia

01/08/2008

CDs #173: Sonatas with Richter

Não sei se será propriamente uma ironia do destino, mas não deixa de ser curioso que neste disco apareçam lado a lado sonatas de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e de Joseph Haydn (1732-1809). E porquê?! Por tudo aquilo que o pianista Sviatoslav Richter (1915-1997) foi dizendo e escrevendo ao longo da sua vida, conforme nos é relatado no livro "Sviatoslav Richter, Notebooks and Conversations" de Bruno Monsaingeon, e de que transcrevo aqui três passagens significativas:

"I know that Prokofiev absolutely adored Haydn: he was his favourite composer. I can say the same for myself: if not my favourite, at least one of my favourites."

"(...) The Handel Suites, of which I'm extremely fond, are harder for me to learn than most of Bach's works, perhaps because I find less music in them than in The Well-Tempered Clavier or the English Suites. Mozart is a similar problem for me. I can't keep him in my head. I prefer Haydn, whose works have a greater freshness, a greater element of surprise, at least where the piano sonatas are concerned."

"It's odd, but Haydn- who seems after all to be fairly close to Mozart in terms of genius - is infinitely less difficult to play (he's almost easy in fact). So what's Mozart's secret?"

Depois de ouvir uma gravação com os e 5º Concertos para Violino de Mozart com o violinista russo Oleg Kagan (1946-1990), Richter afirmaria algo um pouco em contradição com os pensamentos anteriores: "Oleg Kagan reveals a true understanding of Mozart, and I think that in the near future I'll try to join him in this miracle of music-making". Está visto que o desejo tornou-se realidade, como atesta este extraordinário disco. Oleg Kagan, que Richter achava ser "um violinista de primeira ordem, um verdadeiro músico e um homem encantador", tinha sido aluno do grande David Oistrakh (1908-1974) e foi casado com uma extraordinária violoncelista, Natalia Gutman (1942-), que já tivemos a oportunidade de ouvir ao vivo quando, há cerca de 2 anos, se apresentou na Casa da Música.

Sviatoslav Richter faleceu há 11 anos, no dia 1 de Agosto de 1997.




Wolfgang Amadeus Mozart
Violin Sonata in Bb, K378.
Josef Haydn
Piano Sonata No.39 in D, Hob.XVI:24.
Johannes Brahms
Violin Sonata No.1 in G, Op.78.
Sviatoslav Richter (piano), Oleg Kagan (violino)
Alto ALC1010
(1982, 1985)


Internet

Sviatoslav Richter
Live Classics / Culture Kiosque / Sviatoslav Richter / Bach Cantatas Website / Wikipedia / Sviatoslav Teofilovich Richter

Oleg Kagan
Live Classics / Oleg Kagan / Wikipedia / Natalia Gutman (Fundação Calouste Gulbenkian)