30/10/2008

CDs #185: The Griller Quartet Play Arthur Bliss

Voluntariamente ou não, o que é certo é que não são assim tão poucas as vezes em que deixo os assuntos incompletos, o que, apesar de não ser muito agradável, sempre me vai deixando material para futuros textos... Em Outubro de 2007, por exemplo, referi aqui o apoio que a patrona das artes Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953) deu ao compositor inglês Benjamin Britten (1913-1976). Pouco tempo depois, em Janeiro de 2008, trouxe aqui o Quarteto de Cordas Nº4 do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951), mais uma obra resultante de uma encomenda de Sprague Coolidge. Pelo meio fui mencionando outros compositores bafejados pela mesma sorte, como Béla Bartók (1881-1945), Sergei Prokofiev (1891-1953), Maurice Ravel (1875-1937) e Igor Stravinsky (1882-1971).

Lista incompleta, está bom de ver, faltando nela, por exemplo, o compositor inglês Arthur Bliss (1891-1975), que até hoje apenas tinha passado por aqui uma vez e ao de leve, em Setembro de 2004. Pois em meados da década de 1920 este compositor recebeu algumas encomendas de Sprague Coolidge, de que resultaram, nomeadamente, um Quinteto com Oboé e o Quarteto de Cordas Nº1, que é a obra que abre o disco que aqui trago hoje. Este quarteto era destinado ao (na altura) famoso Quarteto Flonzaley, só que quis o destino que o desejo da patrona nunca se realizasse. É que o esse grupo desfez-se em 1928, e Bliss apenas começou a escrever a obra em 1940...

Apesar de ter levado o título de Quarteto de Cordas Nº1, sabe-se que não foi a primeira obra do género que compôs. Não se sabe, contudo, exactamente quantos quartetos de cordas escreveu, suspeitando-se que terão sido quatro e que terá rabiscado aí mais uns dois ou três. Revisões atrás de revisões fizeram com que apenas em Abril de 1941 o tal primeiro quarteto estivesse em condições de ser considerado completo. A estreia londrina ocorreria em Março de 1942, e com o grupo que o interpreta neste disco, o Quarteto Griller. De que o nosso amigo P. Q. P. Bach falou há não muito tempo, a pretexto de uma outra extraordinária interpretação, no caso de quartetos de cordas de Ernest Bloch (1880-1959).

Elizabeth Sprague Coolidge nasceu há 144 anos, no dia 30 de Outubro de 1864.




Arthur Bliss
String Quartet No.1 in B flat. String Quartet No.2 in F minor.
Griller Quartet
Dutton CDBP 9780
(1943, 1950)


Internet

Arthur Bliss
The Arthur Bliss Society / Chester Novello / Naxos / Boosey & Hawkes / MusicWeb International / Karadar Classical Music / Classical Composers / Wikipedia

28/10/2008

Concertos #69

Logo nos primórdios deste blogue revelei a minha admiração pelas sinfonias do compositor austríaco Anton Bruckner (1824-1896), nomeadamente quando rabisquei uma notas sobre o maestro alemão Günter Wand (1912-2002). Referi nessa altura o facto deste maestro ter-se começado a interessar pelas sinfonias de Bruckner muito tardiamente, com a honra da estreia a caber à Sinfonia Nº5.

Para não fugir à regra, esta sinfonia de Bruckner teve um longo período de gestação, além de ter sido sujeita a importantes revisões, habituais neste compositor; Bruckner começou a escrevê-la em Fevereiro de 1875, terminou-a em Maio de 1877, e passou os meses seguintes entretido a modificá-la, tendo-a dado por finalizada em Janeiro de 1878. Mais complexa do que a Sinfonia Nº4, nunca iria atingir os mesmos níveis de popularidade. Isto é, aliás, uma forma simpática de descrever a coisa; a verdade é que Bruckner nunca a chegaria a ouvir, visto ter sido apenas estreada, sem grande sucesso, em Abril de 1894, já o compositor se encontrava gravemente doente. É a única das sinfonias deste compositor que se inicia com uma introdução lenta, e é também aquela que é normalmente desaconselhada para quem se quer iniciar no universo sinfónico de Bruckner...

Como nós já mergulhámos há uns anitos nesse universo, nem hesitámos em adquirir os rectângulos para o concerto do próximo Domingo no Coliseu dos Recreios, e em que a Sinfonia Nº5 de Anton Bruckner ocupará uma boa parte do programa. No âmbito do Ciclo Grandes Orquestras Mundiais da Fundação Calouste Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica da BBC irá ser dirigida pelo maestro checo Jirí Belohlávek (1946-), contando ainda com o soprano americano Christine Brewer (1955-) nos Wesendonk-Lieder de Richard Wagner (1813-1883).

Ou de como rumamos de novo a sul...


Internet

Anton Bruckner
Classical Music Pages / Anton Bruckner, Symphony Versions Discography / Karadar Classical Music / Classical Net / P. Q. P. Bach / Classical Music Archives / The Immortal Bruckner / Anton Bruckner and 19th Century Austrian Music, Culture and Society / suite101.com / About.com / Wikipedia

26/10/2008

Lugares #182

Tabuaço, vila do Distrito de Viseu localizada na região do Douro, é sede de um município formado por 17 freguesias. Pouca gente mora por aquelas bandas: a população da vila não chegará a 2.000 e, no seu conjunto, habitarão apenas cerca de 8.500 pessoas nas tais 17 freguesias.

É uma terra banhada por rios vários; além do Douro, por lá serpenteiam os rios Torto, Távora e Tedo. Orgulha-se, justificadamente, dos seus vestígios pré-históricos e romanos. A estes últimos pertence, nomeadamente, o Mosteiro de São Pedro das Águias, cuja comunidade cisterciense terá sido uma das primeiras populações agregadas nos tempos medievais. Entende-se assim a promoção que lhe é feita, lendo-se, por exemplo, o que aparece nos folhetos oficiais: "Esta terra, velha de séculos, está cheia de motivos de interesse, dos seus muitos pelourinhos à igrejas, da Casa da Roda ao mosteiro de S. Pedro das Águias (...)".




Foi esse o principal motivo que nos levou à freguesia da Granjinha, encostada ao rio Távora que, nessa zona, delimita a zona oriental do município de Tabuaço. O primeiro pouso, como é nosso hábito, foi no Posto de Turismo, para melhor nos ambientarmos. E ambientados rapidamente ficámos quando, após termos revelado o nosso objectivo cimeiro, nos foi dito que a Quinta de S. Pedro das Águias tinha, entretanto, "sido vendida a uma senhora", e que essa senhora, como era próprio do mês de Agosto, "tinha ido de férias" mas, numa atitude simpática, "havia deixado a chave com o Presidente". Acontece que, para azar nosso, era Domingo, e Presidente (que assumimos ser o da Câmara...) que se preze goza uma merecida folga, pelo que ficámos limitados a ver o conjunto arquitectónico pela parte de fora!

Por que carga de água é que a bendita senhora não deixou a chave com o padre?! Pelo menos a folga domingueira não se lhe aplica...


Internet

Tabuaço
Câmara Municipal de Tabuaço / Mosteiro de São Pedro das Águias / Tabuaço um Passado Presente / Associação Nacional Municípios Portugueses / 360º Portugal / Triplov / Wikipedia

24/10/2008

Blogues #29

Quem criou o Prémio Dardos esclarece-nos que:

"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o "Prêmio Dardos" e o aceita deve seguir algumas regras:

1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos."



A Menina Marota e O Polidor tiveram a gentileza de incluir o desNorte nas respectivas listas dos distinguidos, o que eu agradeço. Seguindo as regras definidas, distribuo essa gentileza pelos seguintes blogues, utilizando como única regra serem alguns dos que me dão mais prazer em visitar, e sem ter tido o cuidado de verificar se já foram anteriormente alvo da mesma distinção: A Baixa do Porto, Almocreve das Petas, Atendedor de Chamadas, Bicho Carpinteiro, Canhoto, Guilhermina Suggia, Ideias Soltas, Indústrias Culturais, Ma-Schamba, Milton Ribeiro, O Jumento, Ópera e Demais Interesses, P. Q. P. Bach, Rua da Judiaria, Valkirio.

21/10/2008

Maestros #40: Georg Solti (1912-1997)

A lista dos premiados no Concurso Internacional de Genebra na categoria de piano inclui alguns dos grandes intérpretes desse instrumento (selecção da minha responsabilidade, discutível como qualquer uma outra):

Arturo Benedetti-Michelangeli (1º prémio em 1939, ano da 1ª edição)
Georg Solti (2º prémio, 1941; 1º prémio, 1942)
Friedrich Gulda (1º prémio, 1946)
Sergio Fiorentino (2º prémio, 1947)
Martha Argerich (1º prémio, 1957)
Maurizio Pollini (2º prémio, 1957; 2º prémio, 1958)
Pierre-Laurent Aimard (2º prémio, 1976)

Logo à vista salta o nome do húngaro Georg Solti, pois este deixou o seu nome gravado no livro de honra da música graças à sua actividade como maestro, muito mais do que propriamente como pianista! Solti foi um dos maestros responsáveis pela minha entrada na música clássica, constando de uma boa parte dos primeiros discos que adquiri, na maioria deles à frente da Orquestra Sinfónica de Chicago, de que foi maestro principal entre 1969 e 1991. Esta orquestra, refira-se, sempre prezou a estabilidade governativa, tendo tido apenas 9 maestros principais nos seus primeiros 115 anos de existência (entre 1891 e 2006)! Melhor, em termos estatísticos, obviamente, apenas a direcção artística da Ilha da Madeira...

A sua primeira experiência de relevo na direcção de orquestras teve lugar em Salzburgo, onde, entre 1935 e 1937, foi assistente de dois reputadíssimos maestros: Bruno Walter (1876-1962) e Arturo Toscanini (1867-1957). Ainda manteria por uns anos a carreira de pianista, incluindo as referidas participações em Genebra, e apenas após o final da 2ª Grande Guerra lançar-se-ia definitivamente como regente. Claro que a sua ascendência judaica teve muita influência no meio disto tudo, mas isso serão histórias para outro serão. Para outra altura ficarão igualmente alguns, excelentes, DVDs que contam com Solti; por ora ficamos apenas com uma pequena lista de CDs.

Georg Solti nasceu há 96 anos, no dia 21 de Outubro de 1912.


CDs




Anton Bruckner
The Symphonies.
Chicago Symphony Orchestra
Georg Solti
Decca 448 910-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concertos - No.10 in E flat major, for Two Pianos, K365;
No.7 in F major, for Three Pianos, K242; No.20, K466.
Daniel Barenboim, András Schiff, Georg Solti (pianos)
English Chamber Orchestra
Georg Solti
Decca 430 232-2

Sir Georg Solti
The Last Recording.
Béla Bartók
Cantata profana, Sz94.
Zoltán Kodály
Psalmus Hungaricus, Op.13.
Leó Weiner
Serenade, Op.3.
Tamás Daróczy (tenor), Alexander Agache (barítono)
Hungarian Radio and Television Chorus
Budapest Festival Orchestra
Georg Solti
Decca 458 929-2

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Piano Concerto No.1.
Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Shura Cherkassky
Prélude Pathétique.
Nikolai Rimsky-Korsakov
Flight of the bumble-bee.
Shura Cherkassky (piano)
London Symphony Orchestra
Georg Solti
BBC Legends BBCL4160-2
(1968, 1982)

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.5 in E flat major, Op.73, "Emperor".
Piano Sonata No.21 in C major, Op.53, "Waldstein".
Frédéric Chopin
Études - Op.25, Nos.1-3, 6, 8-9; Op.10 No.5.
Wilhelm Backhaus (piano)
Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester
Georg Solti
Medici Arts MM006-2
(1956, 1959, 1953)

Richard Strauss
Der Rosenkavalier.
Regine Crespin, Arleen Auger, Helen Donath (sopranos), Yvonne
Minton, Emmy Loose (meios-sopranos), Murray Dickie, Luciano
Pavarotti, Adolf Tomaschek, Karl Terkal, Anton Dermota, Franz
Setzer, Friedrich Strack, Nikolaus Simkowsky, Hans Reautschigg,
Kurt Equiluz (tenores), Anne Howells, Rohangiz Yachmi (altos),
Manfred Jungwirth, Alfred Jerger, Leo Heppe, Otto Wiener,
Alexander Maly (baixos), Herbert Prikopa, Herbert Lackner (barítonos)
Vienna Philharmonic Orchestra
Georg Solti
Decca 475 9988
(1968)


Internet

Georg Solti
Sir Georg Solti / Bach Cantatas Website / Decca Music Group / The Kennedy Center / Sony BMG / NationMaster.com / Wikipedia

17/10/2008

CDs #184: Janácek, Haas, Pavel Haas Quartet

O compositor checo Pavel Haas (1899-1944) compôs três quartetos de cordas, o primeiro dos quais em 1920, quando ainda era aluno de Jan Kunc (1883-1976) no Conservatório de Brno, para onde tinha entrado no ano anterior. É uma obra atípica, de um movimento só que se despacha em cerca de 13 minutos. O suficiente, contudo, para impressionar Léos Janácek (1854-1928), que providenciou que o quarteto fosse tocado primeiro em Brno, em 1921, e no ano seguinte em Praga. Cidade em cujo Conservatório o nosso já conhecido Janácek ministrava master classes, que Haas iria frequentar durante cerca de dois anos.

1937 assistiu à estreia da ópera Sarlatán (O Charlatão), que Haas tinha terminado no ano anterior, e cujo sucesso contribuiu para consolidar o prestígio de que já gozava na vida cultural de Brno, cidade onde tinha nascido e onde tinha fixado residência. No ano seguinte, em 1938, Haas escreveu o Quarteto de Cordas Nº3, numa época em que já pressentia os tempos tumultuosos que se aproximavam, pela sua origem judaica e pelas movimentações nazis que se iam observando. Em 1940 chegou mesmo ao ponto de se divorciar, por forma a garantir a segurança da mulher e da filha de 4 anos. Parecia adivinhar o que aí vinha, pois no ano seguinte foi detido e deportado para Terezin, onde permaneceria até 1944. Haas seria depois transferido para Auschwitz, onde faleceria nas câmaras de gás no dia 17 de Outubro de 1944, passam hoje 64 anos.

Deste disco, continuação de um outro de que aqui falei em Fevereiro deste ano, faz ainda parte o Quarteto de Cordas Nº1 de Janácek, de que certamente se falará noutra oportunidade.




Léos Janácek
String Quarteto No.1 after Tolstoy's "Kreutzer Sonata".
Pavel Haas
String Quartet No.1 in C sharp minor, Op.3.
String Quartet No.3, Op.15.
Pavel Haas Quartet
Supraphon SU3922-2
(2007)


Internet

Pavel Haas
Czech Music Information Centre / Terezin / Boosey & Hawkes / Wikipedia

14/10/2008

CDs #183: Tchaikovsky, The Three Piano Concertos

Há perto de 2 anos trouxe a este canto um disco com o violinista Henryk Szeryng (1918-1988) e o pianista Gary Graffman (1928-), com gravações efectuadas ao vivo na Biblioteca do Congresso de Washington. No texto que rabisquei na altura aproveitei para falar brevemente de Szeryng, sobre quem, aliás, já anteriormente tinha dito algo, em Março de 2005. Sobre Gary Graffman, contudo, nem uma palavra, situação, injusta, que se manteve até hoje.

Agora corrigida graças a um outro disco, duplo, com Graffman ao piano a interpretar os 3 concertos para piano de Tchaikovsky (1840-1893) e ainda obras de Mussorgsky (1839-1881) e Balakirev (1837-1910). As gravações foram todas efectuadas na década de 1960, uns anos antes de Graffman começar a sofrer de problemas na mão direita, que o viriam mesmo a impossibilitar de a utilizar para fins pianísticos. À semelhança do que antes se passara com Paul Wittgenstein (1887-1961) e Leon Fleisher (1928-), Gary Graffman não parou de tocar, tendo-se virado para o repertório de piano para a mão esquerda. O compositor norte-americano William Bolcom (1938-), refira-se, compôs mesmo um concerto para "dois pianos mão esquerda", intitulado Gaea for Two Pianos Left Hand and Orchestra, e destinado precisamente a Graffman e Fleisher. Estavam todos longe de imaginar que uns anos mais tarde Fleisher recuperaria a mobilidade da mão direita, e voltaria a interpretar o repertório "normal"!

Gary Graffman comemora hoje o seu 80º aniversário.




Piotr Ilyich Tchaikovsky
Piano Concerto No.1, Op.23. Piano Concerto No.2, Op.44.
Piano Concerto No.3, Op.75.
Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Mily Balakirev
Islamey.
The Cleveland Orchestra, George Szell
The Philadelphia Orchestra, Eugene Ormandy
Sony S2K 94737
(1962, 1965, 1969)


Internet

Gary Graffman
In-Tune Productions / Classical Domain Archives / Wikipedia / The Library of Congress

10/10/2008

Lugares #181

A Serra de Arga, fica no distrito de Viana do Castelo, ocupando partes dos concelhos de Caminha, Ponte de Lima e Viana do Castelo, e é cercada a norte pelo rio Minho e a sul pelo rio Lima. Não ficando demasiadamente longe dos nossos domínios, é e será um destino preferencial das nossas deambulações nacionais, por proporcionar, nomeadamente, fantásticos passeios a pé. Da última vez que lá fomos, contudo, limitámo-nos a visitar aquilo que se podia alcançar de automóvel, num igualmente saudável exercício de preguiça.



O destino, mais ou menos óbvio, foi então o Santuário de São João de Arga, composto por uma igreja e duas albergarias em forma de L. A igreja datará possivelmente do século XIII, mas intervenções posteriores, efectuadas no século XIX, transformaram-na quase por completo e poucos vestígios deixaram da versão original.

Em finais de Agosto é uma óptima altura para lá ir, aquando da romaria de S. João de Arga, que começa com os romeiros a dar 3 voltas à capela, prosseguindo com cantares e danças ao desafio, com bailaricos vários e tasquinhas à disposição, onde se pode provar aguardente com mel. Ora digam lá se não parece melhor do que estar entupido no trânsito do Algarve?!





Internet

Arga de São João
Freguesias de Portugal / Sítios e Estados / Santuário de S. João d'Arga / Guia da Cidade / Clube Celtas do Minho

07/10/2008

Maestros #39: Charles Dutoit (1936-)

O maestro suíço Charles Dutoit não é, seguramente, um dos mais mediáticos à face da Terra, para o que terá contribuído o cuidado com que sempre manteve a sua vida privada longe dos holofotes, ao contrário de muito artista cá da praça. Sabe-se que durante algum tempo foi casado com uma pianista que já por aqui passou, Martha Argerich (1941-), pianista esta que viria mais tarde a dar o nó (e depois a desfazê-lo) com um outro pianista que também já foi nosso convidado, Stephen Kovacevich (1940-). E como nós aqui apenas nos dedicamos à causa musical, mais não diremos sobre assuntos do coração...

Dutoit foi outro dos que passaram por Tanglewood, no final da década de 1950, para ter formação adicional em direcção de orquestras. A coisa deve ter corrido bem, pois logo em 1959 passou a maestro convidado da Orchestre de la Suisse Romande, fundada em 1918 pelo grande maestro, igualmente suíço, Ernest Ansermet (1883-1969).

Em 1977 foi nomeado director musical da Orquestra Sinfónica de Montreal, cargo que manteve durante 25 anos. Dutoit fez um excelente trabalho com esta orquestra, levando-a a um reconhecimento internacional que não tinha atingido até então, e deixando-nos um extraordinário conjunto de gravações, de que destacamos algumas na lista abaixo apresentada.

Charles Dutoit celebra hoje o seu 72º aniversário.


CDs





Jacques Ibert
Bacchanale. Bostoniana. Escales. Concerto for Flute and Orchestra.
Timothy Hutchins (flauta)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 440 332-2
(1992)

Sergei Prokofiev
Piano Concertos - No.1 in D flat, Op.10; No.3 in C, Op.26.
Béla Bartók
Piano Concerto No.3, Sz119.
Martha Argerich (piano)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
EMI 5 56654-2
(1997)

Frédéric Chopin
Piano Concertos - No.1 in E minor, Op.11; No.2 in F minor, Op.21.
Martha Argerich (piano)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
EMI 5 56798-2
(1998)

Hector Berlioz
L'enfance du Christ, Op.25. Sara la baigneuse, Op.11.
Mélodies, 'Irlande', Op.2 - No.2, Hélène; No.4, La belle voyageuse;
No.6, Chant Sacre.
Susan Graham, Susanne Mentzner (meios-sopranos), John Mark Ainsley,
Gordon Getz (tenores), François Le Roux (barítono), Philip Cokorinos,
Andrew Wentzel, M. Belleu (baixos)
Montreal Symphony Chorus
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 458 915-2

Astor Piazzolla
Tangazo. Adios nonino. Milonga del Angel. Enrico IV: Oblivion.
Concerto for Bandoneon and Guitar. 3 Movimientos tanguisticos
portenos. Danza criolla.
Louise Pellerin (oboé), Eduardo Isaac (guitarra),
Daniel Binelli (bandoneon)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 468 528-2
(2000)

Camille Saint-Saëns
Piano Concertos. Violin Concertos - No.1; No.3.
Cello Concertos - No.1; No.2. Symphony No.3, "Organ".
Pascal Rogé (piano), Kyung-Wha Chung (violino),
Lynn Harrell (violoncelo), Peter Hurford (órgão)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 475 465-2

Mikis Thedorakis
Adagio for Solo Flute, String Orchestra and Percussion.
Zorbas - Suite-ballet. Carnaval - Suite-ballet.
Montreal Symphony Chorus
Montreal Symphony Orchestra
Philharmonia Orchestra
Charles Dutoit
Decca 475 6130

Maurice Ravel
Bolero. Alborada del gracioso. Rapsodie Espagnole.
La valse. Ma Mere I'Oye.
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 410 010-2


Internet

Charles Dutoit
Decca Music Group / Pittsburgh Symphony Orchestra / The New York Times / Charles Dutoit's Biography / Sony BMG / Wikipedia

06/10/2008

Concertos para Violino #6: Concerto para Violino Nº2, de Karol Szymanowski

A região de Timoshovka, actualmente parte da Ucrânia, já fez parte do território polaco e, na segunda metade do século XIX, era comum as mais abastadas e influentes famílias polacas ainda lá possuírem terrenos. Era o caso da família de Karol Szymanowski (1882-1937), e foi lá que o nosso compositor nasceu, em Outubro de 1882. Para compensar a não ida à escola (ainda muito jovem deu cabo de uma perna, o que o impedia de se movimentar facilmente), o pai pô-lo a estudar música, na escola de Gustav Neuhaus em Elisavetgrad e, se começou pelo piano, o professor rapidamente se apercebeu dos seus dotes para a composição. Foi então para aí que Szymanowski decisivamente se virou, e não tardou muito para se tornar num dos mais importantes compositores polacos da sua geração.

Por curiosidade, refira-se que Gustav Neuhaus foi pai do famoso pianista Heinrich Neuhaus (1888-1964). Heinrich nasceu precisamente em Elisavetgrad (hoje chamada de Kirovograd), e é nessa cidade que existe o Museu Neuhaus, que abriu pela primeira vez as portas no dia 12 de Abril de 1981. Estava tudo em família, neste ambiente profundamente musical, quanto mais não seja pelo facto de Szymanowski e Neuhaus serem primos...

Depois de passagens por Varsóvia e Berlim, Szymanowski viajou imenso até ao eclodir da 1ª Guerra Mundial, altura em que se viu forçado a regressar à terra natal. A Revolução Bolchevique viria a fazer com que a família de Szymanowski se mudasse para Elisavetgrad; o compositor iria mais tarde assentar arraiais em Varsóvia, e passaria a década de 1930 na Suíça, país onde faleceria em Março de 1937. Entre 1932 e 1933 compôs o Concerto para Violino Nº2, a obra mais emblemática do novo estilo que tinha introduzido na década anterior e que marcou o afastamento da forte influência inicial de Frédéric Chopin (1810-1849) e, simultaneamente, a última de grande fôlego que compôs.

Karol Szymanowski nasceu há 126 anos, no dia 6 de Outubro de 1882, e este Concerto para Violino Nº2 foi estreado há 75 anos, no dia 6 de Outubro de 1933.


CDs



Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Symphony No.3, "Song of the Night", Op.27.
Konstanty Kulka (violino), Wieslaw Ochman (tenor)
Polish Radio Chorus of Krakow
Polish Radio National Symphony Orchestra
Jerzy Maksymiuk, Jerzy Semkow
HMV Classics 5 73860-2

Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Nocturne and Tarantella, Op.28 (orq. Fitelberg).
Ilya Kaler (violino)
Warsaw Philharmonic Orchestra
Antoni Wit
Naxos 8.557981
(2006)

Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Symphony No.4, "Sinfonia Concertante", Op.60.
Thomas Zehetmair (violino), Leif Ove Andsnes (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 57777-2


Internet

Karol Szymanowski
University of Southern California / Polish Music Center / Karol Szymanowski / Naxos / Answers.com / Wikipedia

01/10/2008

Concertos #68

Em Abril do ano passado, aquando da passagem do pianista russo Grigory Sokolov (1950-) pela Casa da Música, deixei aqui algumas informações relativas ao Concurso Internacional Tchaikovsky, que ele venceu em 1966 na categoria de piano. Na primeira edição desse concurso, em 1958, apenas puderam competir pianistas e violinistas, mas a seguinte, realizada 4 anos depois, já contou igualmente com violoncelistas. O presidente do júri da competição de violoncelo nessa edição de 1962 foi o saudoso Mstislav Rostropovich (1927-2007), e um dos terceiros prémios foi atribuído a uma violoncelista que também já passou na Casa da Música, Natalia Gutman (1942-).

A 7ª edição, realizada em 1982, teve como vencedora em violino Viktoria Mullova (1959-) que, em 2005, deu um extraordinário recital na Casa da Música, e a competição de violoncelo foi ganha pelo brasileiro Antonio Menezes (1957-), membro do Trio Beaux Arts, e que já no decorrer deste ano, em parceria com o pianista Menahem Pressler (1923-), lançou um excelente disco (duplo) com a integral das obras de Beethoven (1770-1827) para violoncelo e piano (Avie AV2103). O 6º prémio em violoncelo foi atribuído ao norueguês Truls Mørk (1961-), e é precisamente este músico que vamos ter a oportunidade de ouvir na Casa da Música na próxima Terça-feira, dia 7, numa das nossas cada vez mais raras deslocações para aquelas bandas.

Truls Mørk virá acompanhado pelo pianista, igualmente norueguês, Håvard Gimse (1966-), e do programa constarão obras de Ludwig van Beethoven, Edvard Grieg (1843-1907), Franz Liszt (1811-1886) e Richard Strauss (1864-1949):

Ludwig van Beethoven
Sonata, Op.5 No.1.
Edvard Grieg
Sonata.
Franz Liszt
Élégie.
Richard Strauss
Sonata, Op.6.


Internet

Truls Mørk
Official Website / EMI Classics / The New York Times / Conversation with Truls Mørk / Wikipedia