10/01/2009

CDs #192: Verdi, Aida

A morte do soprano Margherita Carosio (1908-2005), há 4 anos, a 10 de Janeiro de 2005, passou quase despercebida, apesar de ter tido uma carreira com sucessos assinaláveis, nomeadamente na sua Itália natal. Ficará para sempre recordada, contudo, não por algum dos sucessos que obteve, mas pelo que lhe aconteceu no fatídico mês de Janeiro de 1949 quando, em Veneza, sofreu de uma indisposição que a levou a ser substituída por uma Maria Callas (1923-1977) em início de carreira, no papel de Elvira da ópera I puritani de Vincenzo Bellini (1801-1835). Não foi o fim da linha para Carosio, que pisaria os palcos por mais 10 anos, mas foi, seguramente, o trampolim para a carreira de Callas que, com apenas meia dúzia de dias de ensaios, atingiu o estrelato.

Em 1952, Maria Callas faria a sua estreia no Covent Garden de Londres. Na primeira metade da década de 1950 o já nosso bem conhecido maestro inglês John Barbirolli (1899-1970) dirigiria frequentemente óperas nessa mesma casa, pelo que a probabilidade de se cruzarem não era desprezável. Tal viria a acontecer em Junho de 1953, por ocasião da coroação da rainha Elisabete II (1926-), para 3 récitas da Aida, de Giuseppe Verdi (1813-1901). A importância do evento justificava cuidados particulares na escolha dos intérpretes, pelo que a Callas se juntaram, por exemplo, Kurt Baum (1900-1989), Giulietta Simionato (1910-), que está em vias de perfazer 99 anos, Michael Langdon (1920-1991) e Joan Sutherland (1926-).

A primeira récita teve então lugar no dia 4 de Junho e, pelos vistos, esteve longe de correr bem. Do maestro aos cantores, passando pela orquestra, ninguém se livrou de comentários mais ou menos corrosivos. A coisa terá melhorado na récita seguinte, e por alturas da terceira, a 10 de Junho de 1953, já todas as forças estavam em forma e em sintonia (esta última qualidade parece ter estado quase ausente na primeira...). O disco que a Testament editou em 2004 contém naturalmente esta última récita, constituindo mais um dos documentos históricos lançados por esta editora. Há, contudo, que ter os ouvidos preparados para a respectiva audição: a gravação, a que dificilmente se poderá chamar de ideal, não esconde a idade, e há alturas em que parece que as vozes vão desaparecer de vez, principalmente quando o coro intervém.




Giuseppe Verdi
Aida.
Maria Callas, Joan Sutherland (sopranos), Kurt Baum, Hector
Thomas (tenores), Giulietta Simionato (meio-soprano),
Jess Walters (barítono), Giulio Neri, Michael Langdon (baixos)
The Covent Garden Opera Chorus & Orchestra
John Barbirolli
Testament SBT2 1355


Internet

Giuseppe Verdi
Classical Music Pages / Giuseppe Verdi Official Web Site / Classical Net / Opera Glass / Wikipedia

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