31/03/2009

SACDs #23: Schumann, Symphony No.1, Overtures

A carreira pianística do alemão Robert Schumann (1810-1856) acabou antes de começar, pela impossibilidade de utilizar um dos dedos da mão direita, por um de dois motivos, ambos suficientemente românticos: segundo uns, tal ter-se-á ficado a dever à utilização de uma engenhoca, inventada pelo próprio Schumann, para dar mais consistência aos dedos; segundo outros, porventura mais atentos à apetência de Schumann pela boa vida, foi consequência de medicamentos tomados para a sífilis. Perdeu-se um pianista mas ganhou-se um compositor, e logo o arquétipo do romântico.

Mais à-vontade em obras instrumentais para piano, género a que pertencem os seus primeiros 23 opus, Schumann teve algumas dificuldades em saltar para o sinfónico. 1841 foi um ano charneira: depois de uma experiência no início da década de 1830, foi nesse ano que Schumann se rendeu decisivamente ao género sinfónico, com a composição da Sinfonia Nº1, Op.38, e da Abertura, Scherzo e Final, Op.52, ambas apresentadas neste disco. A sinfonia foi escrita num ápice, esboçada em meros 4 dias, entre 23 e 26 de Janeiro de 1841, e a 20 de Fevereiro encontrava-se já totalmente orquestrada. Um marco importante, registado pela esposa, Clara Schumann (1819-1896), no seu diário, ao referir que Robert Schumann "tinha finalmente chegado ao patamar onde ele, com a sua imaginação viva, realmente pertencia".

Com a Primavera a servir de inspiração, os movimentos desta sinfonia chegaram a ter nomes sugestivos, como "O Acordar da Primavera" e "O Pico da Primavera", que, contudo, foram retirados pelo autor ainda antes da primeira edição. Parece que Schumann não apreciava indicações programáticas, pelo que apenas a própria sinfonia teve direito a nome, obviamente... Primavera.

A estreia, em Leipzig, a 31 de Março de 1841, passam hoje 168 anos, teve um outro grande compositor, Felix Mendelssohn (1809-1847), à frente da orquestra.




Robert Schumann
Symphony No.1 in B flat major, Op.38, "Spring".
Overture to Schiller's "Braut von Messina", Op.100.
Overture to the Opera "Genoveva", Op.81.
"Zwickau Symphony" in G minor. Overture, Scherzo and Finale, Op.52.
Swedish Chamber Orchestra
Thomas Dausgaard
BIS BIS-SACD-1569
(2005, 2006, 2007)


Internet

Robert Schumann
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27/03/2009

Violinistas #11: Alfredo Campoli (1906-1991)

O compositor inglês Arthur Bliss (1891-1975) começou por ser modernista mas acabou, na década de 1920, por deixar-se disso e render-se a expressões melódicas mais ricas e tradicionais, não sem que, pelo meio, tenha destruído parte das suas partituras da juventude, arrependido dos caminhos por onde tinha andado. Esta década ficou ainda marcada pela sua ida para os Estados Unidos e pelas primeiras encomendas da patrona das artes Elizabeth Sprague Coolidge (1864-1953), como já aqui mencionei anteriormente.

A 2ª Grande Guerra encontraria Bliss de novo no continente americano, mas regressaria a Inglaterra em 1941. Datam dessa época várias obras para bailados e para filmes, bem como uma ópera, The Olympians. Das diversas obras que compôs na década seguinte, a de 1950, destaco uma dedicada a Alfredo Campoli, o Concerto para Violino, que ele próprio estreou em 1955. Campoli, se bem se lembram, foi aquele violinista que durante algum tempo foi proibido de participar em concursos, pois batia sempre a concorrência...

Só que hoje em dia pouca gente dele se lembra, começando o esquecimento logo pelos livros dedicados às coisas da música; de todos os que possuo, e não são tão poucos como isso, não há um que lhe dedique uma linha! Não é que remedeie a injustiça mas, naquilo que me diz respeito, vou procurando trazê-lo à liça sempre que para tal encontre uma boa desculpa. Como a de hoje, por exemplo, pelo facto de Alfredo Campoli ter falecido há 18 anos, no dia 27 de Março de 1991.


CDs




Alfred Coates
Violin Concerto in D.
Ernest John Moeran
Violin Concerto.
Alfredo Campoli, Colin Sauer (violinos)
BBC Northern Orchestra, Charles Groves
BBC Symphony Orchestra, Adrian Boult
Divine Art 27806
(1951, 1954)

Edward Elgar
Symphonies - No.1; No.2. Cello Concerto. Violin Concerto.
'Enigma' Variations. Cockaigne, 'In London Town'.
In the South, 'Alassio'. Sea Pictures. Falstaff.
Janet Baker (meio-soprano), Alfredo Campoli, Rodney Friend,
John Willison (violinos), John Chambers (viola), Paul Tortelier,
Alexander Cameron (violoncelos), David Bell (órgão)
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult, Edward Elgar
LPO LPO0016/20

Visions of Elgar
Edward Elgar
Cello Concerto. Cockaigne, 'In London Town'. 'Enigma' Variations.
Falstaff. Imperial March. In the South, 'Alassio'. Symphony No.2.
Isobel Baillie (soprano), Marjorie Thomas (contralto), Richard
Lewis (tenor), Alfredo Campoli (violino), Anthony Pini (violoncelo)
Huddersfield Choral Society
Royal Choral Society
BBC Symphony Orchestra
Liverpool Philharmonic Orchestra
London Symphony Orchestra
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult, Malcolm Sargent, Edward van Beinum, Anthony Collins,
Albert Coates
Beulah 14PD15

The Art of Campoli
Felix Mendessohn
Concerto for Violin and Orchestra in E minor, Op.64.
Edward Elgar
Concerto for Violin and Orchestra in B minor, Op.61.
Alfredo Campoli (violino)
London Philharmonic Orchestra
Eduard van Beinum, Adrian Boult
Beulah 4PD10
(1949, 1954)


Internet



Alfredo Campoli
Divine Art / The New York Times / MusicWeb International / Wikipedia

23/03/2009

Sinfonias #35: Sinfonia Nº3, de Reinhold Glière

Já por aqui passaram vários dos compositores que foram vítimas do realismo socialista, a política para as artes implementada pelas autoridades soviéticas, que teve em Andrei Zhdanov (1896-1948) o seu principal executor: Sergei Prokofiev (1891-1953), Aram Khachaturian (1903-1978) e Nikolai Myaskovsky (1881-1950). Houve também, obviamente, compositores que passaram mais ou menos incólumes por tal situação e, nessa lista, teremos que incluir Reinhold Glière (1875-1956).

A parte mais significativa da obra de Glière foi escrita durante a primeira metade do século XX, só que não soava muito diferente das obras que os seus compatriotas tinham escrito no século anterior; é que Glière, além de fortemente influenciado pelo romantismo russo, era avesso a grandes experimentações sonoras, nunca tendo composto uma obra que soasse a moderna. Se aliarmos este facto ao de jamais as suas composições terem revelado influências externas, então vemos que estavam reunidas todas as condições para não ser chateado pelas autoridades.

Da sua vasta obra merecem especial destaque as sinfonias que escreveu, no total de 3; destas, a mais conhecida é indubitavelmente a última, uma sinfonia programática inspirada na vida do lendário e mítico herói Ilya Muromets que, incapaz de andar desde muito jovem, foi miraculosamente curado quando tinha 33 anos, tendo, nessa mesma altura, recebido poderes sobre-humanos, que usou profusamente na libertação de várias cidades.

A Sinfonia Nº3 de Reinhold Glière foi estreada há 97 anos, no dia 23 de Março de 1912.


CD



Reinhold Glière
Symphony No.3, "Il'ya Mouromets", Op.42.
London Symphony Orchestra
Leon Botstein
Telarc CD80609


Internet

Reinhold Glière
Reinhold Glière / Sikorski / Reinhold M. Glière / Naxos / Glière: Biography / Classical Archives / Wikipedia

19/03/2009

Óperas #19: Faust, de Charles Gounod

Um dos problemas de ter uma obra de grande sucesso é o de se ignorarem quase por completo todas as outras do mesmo autor, e é um bocado isso o que se passa com o compositor francês Charles Gounod (1818-1893) e a ópera Fausto. Gounod é Faust e Faust é Gounod, e esquecemos tudo o resto que ele compôs; e algumas das outras obras até tiveram algum sucesso, como a cantata Fernand. Não é muito conhecida hoje?! Pois não, mas, em 1839, foi com ela que venceu o famoso Prix de Rome, coisa que Maurice Ravel (1875-1937) nunca conseguiu, apesar de a ele ter concorrido variadíssimas vezes!

A ópera Faust baseia-se, obviamente, na obra de Goethe (1749-1832), muito popular entre os compositores franceses na 1ª metade do século XIX: Louise Bertin (1805-1877) começou a compôr a sua versão operática de Fausto em 1826, mas a ópera apenas seria estreada, com pouco sucesso, em 1831; e o nosso bem conhecido Hector Berlioz (1803-1869) estreou La damnation de Faust em 1846. Mais uma vez Berlioz antecipou-se a Gounod, pois já tinha igualmente vencido o Prix de Rome, em 1830, portanto 9 anos antes do seu rival...

A ópera Faust de Gounod foi estreada em Paris no dia 19 de Março de 1859, passam hoje 150 anos. A versão original sofreu depois várias modificações, com algumas adições efectuadas, umas em 1863 e outras logo depois no ano seguinte; a última alteração foi efectuada em 1869, com a inclusão do bailado, resultando naquela que é hoje normalmente considerada a versão definitiva.

A terminar, fica registada a intenção de aqui trazer um dia outras obras deste compositor, sob pena de estar a contribuir para o efeito que comecei por criticar no início deste texto...


CDs



Charles Gounod
Faust.
Georges Noré (tenor), Geori Boué, Huguette Saint-Arnaud (sopranos),
Roger Rico (baixo), Roger Bourdin, Ernest Franck (barítonos), Betty
Bannerman (meio-soprano)
Royal Philharmonic Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Naxos Historical 8.110117-18
(1948)

Charles Gounod
Faust.
Jan Peerce (tenor), Victoria de los Angeles (soprano), Cesare
Siepi, Lawrence Davidson (baixos), Robert Merrill (barítono),
Mildred Miller, Thelma Votipka (meios-sopranos)
Orchestra & Chorus of the Metropolitan Opera House, New York
Pierre Monteux
Andromeda ANDRCD 5037
(1955)


Internet

Charles Gounod
Charles Gounod - His life, his works... / Answers.com / Karadar Classical Music / Naxos / Bach Cantatas Website / Suite101.com / Classical Archives / 8notes.com / Wikipedia

15/03/2009

CDs #198: Rachmaninov, Symphony No.1, Isle of the Dead

O russo Mitrofan Belyayev (1836-1904) nasceu no seio de uma abastada família; o pai comercializava madeiras e o filho não tardou muito a exibir igual aptidão para o negócio, pelo que, uns anos depois, a passagem de testemunho foi levada a cabo sem sobressaltos. Desde muito novo, contudo, que Belyayev sentia uma forte atracção pelo mundo musical, tendo estudado vários instrumentos e tocado durante largos anos num quarteto de cordas. Com o tempo foi-se dedicando menos à interpretação (e ao negócio das madeiras...) e mais à promoção das obras dos seus compatriotas, tendo apoiado um número apreciável de compositores. E poucos dos grandes nomes lhe escaparam, desde Alexander Glazunov (1865-1936) a Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), passando por Alexander Scriabin (1872-1915), Mily Balakirev (1837-1910) e Sergei Taneyev (1856-1915).

O jovem Sergei Rachmaninov (1873-1943) foi outro dos que beneficiaram dos préstimos de Belyayev que, em 1897, apoiou a estreia da sua Sinfonia Nº1, que tinha composto durante o ano de 1895. A estreia acabou por ser um momento inolvidável, pela dimensão do desastre, para o que terá (grandemente) contribuído o estado de embriaguez do maestro de serviço, Glazunov...

Rachmaninov perdeu uma sinfonia (nunca ninguém voltaria a pôr a vista na partitura manuscrita) e ganhou uma depressão nervosa, de que levaria 3 anos a recuperar! Eram todos muito amigos, pois claro: Glazunov, embriagado ou não, teve uma direcção de orquestra ruinosa; César Cui (1835-1918), igualmente compositor e outro dos apoiados por Belyayev, arrasou a sinfonia e o respectivo autor, e assim contribuindo para que Rachmaninov a passasse a rejeitar em absoluto.

A Sinfonia Nº1 de Rachmaninov foi estreada há 112 anos, no dia 15 de Março de 1897.




Sergei Rachmaninov
Symphony No1 in D minor, Op.13.
Isle of the Dead, Op.29.
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
Regis RRC1247
(1966)


Internet

Sergei Rachmaninov
Classical Music Pages / Humanities Web / Naxos / Classical Net / Bach Cantatas Website / Wikipedia

10/03/2009

Concertos #74

Camille Saint-Saëns (1835-1921), um músico e compositor do mais precoce que se pode imaginar, escreveu música cobrindo quase todos os géneros, do orquestral ao sinfónico, passando pelo instrumental, vocal, sagrado e operático, sem esquecer as obras que compôs para conjuntos de câmara. A sua importância na cena musical francesa nem sempre foi reconhecida, chegando ao ponto de, nos finais do século XIX, ser mais admirado fora de portas do que propriamente em França. Claude Debussy (1862-1918) foi um dos que se juntou à festa, apresentando ironicamente Saint-Saëns como "o homem que mais sabe de música no mundo inteiro"...

A 7ª edição do Concurso Internacional Tchaikovsky teve lugar entre os dias 10 de Junho e 9 de Julho de 1982, tendo Viktoria Mullova (1959-) vencido a competição de violino, com o júri a ser presidido por Leonid Kogan (1924-1982). Na modalidade de violoncelo o vencedor foi o brasileiro António Meneses (1957-), eleito por um júri de que fazia parte Natalia Gutman (1942-), violoncelista que tivemos o prazer de ouvir na Casa da Música em Setembro de 2006. No próximo Sábado será então a vez de Meneses lá aparecer, em mais uma dose de perfume brasileiro que nos será servida este ano. O Concerto para Violoncelo e Orquestra Nº1 de Saint-Saëns será uma das obras que constará do programa; o compositor francês compôs dois concertos para este instrumento, sendo que este primeiro foi escrito entre 1872 e 1873, e estreado no dia 19 de Janeiro de 1873.


Programa

Camille Saint-Saëns
Concerto Nº1 para Violoncelo e Orquestra, Op.33.
Silvestre Revueltas
Sensemayà.
Heitor Villa-Lobos
Fantasia para Violoncelo e Orquestra.
Robert Schumann
Sinfonia Nº2, Op.61.
António Meneses (violoncelo)
Orquestra Nacional do Porto
Klaus Weise


Internet

Camille Saint-Saëns
Classical Music Pages / Lesson Tutor / Karadar Classical Music / Naxos / BBC / Camille Saint-Saëns / Classic Encyclopedia / Wikipedia

07/03/2009

Maestros #45: Kyrill Kondrashin (1914-1981)

Já aqui o referi anteriormente, mas não hesito em começar este texto trazendo este assunto de novo à baila: na primeira edição do Concurso Internacional Tchaikovsky, que decorreu entre os dias 18 de Março e 14 de Abril de 1958, um dos membros do júri da competição de piano foi o nosso compatriota Sequeira Costa (1929-), que dentro em pouco irá comemorar o seu 80º aniversário. Uma grandessíssima distinção, pois claro, ou não estivesse acompanhado nesse júri, por exemplo, por Emil Gilels (1916-1985), Dmitri Kabalevsky (1904-1987), Sviatoslav Richter (1915-1997), Arthur Bliss (1891-1975) e Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993).

Essa primeira edição foi ganha pelo pianista norte-americano Van Cliburn (1934-) e, na ocasião, a orquestra foi dirigida pelo convidado de hoje, o maestro russo Kyrill Kondrashin. E se Sequeira Costa fez parte do tal júri graças a um convite de Dmitri Shostakovich (1906-1975), a relação de Kondrashin com o grande compositor russo não foi menos estreita, tendo gravado todas as suas sinfonias e sido responsável pelas estreias da Sinfonia Nº4, em Dezembro de 1961, e da Sinfonia Nº13, em Dezembro do ano seguinte.

Kyrill Kondrashin morreu há 28 anos, no dia 7 de Março de 1981.


CDs





Dmitri Shostakovich
Symphony No.13 in B flat minor, "Baby Yar", Op.113.
Vitaly Gromadsky (baixo)
USSR State Academy Choir
Moscow Philharmonic Orchestra
Kyrill Kondrashin
Russian Disc RDCD11191

Franz Liszt
Piano Concertos - No.1 in E flat; No.2 in A.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.10 in G minor, Op.14 No.2; No.19 in G minor,
Op.49 No.1; No.20 in G major, Op.49 No.2.
Sviatoslav Richter (piano)
London Symphony Orchestra
Kyrill Kondrashin
Philips 50 Great Recordings 464 710-2

Johannes Brahms
Double Concerto in A minor, Op.102. Violin Concerto in D major, Op.77.
David Oistrakh (violino), Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Moscow Philharmonic Orchestra
Kyrill Kondrashin
BBC Legends BBCL4197-2

Dmitri Shostakovich
Complete Symphonies. Violin Concerto No.2. October, Op.131.
Evgenia Tselovalnik (soprano), Evgeny Nesterenko, Vitaly Gromadsky,
Artur Eizen (baixos), David Oistrakh (violino)
Russian State Polyphonic Cappella
Moscow Choral Academy
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra
Kyrill Kondrashin
Melodyia MELCD10 01065

Sergei Rachmaninov
Piano Concertos - No.1, Op.1; No.2, Op.18; No.3, Op.30; No.4, Op.40.
Rhapsody on a Theme of Paganini, Op.43.
Sviatoslav Richter, Yakov Zak, Lev Oborin (pianos)
USSR State Symphony Orchestra, Kurt Sanderling
Moscow Symphony Orchestra, Kyrill Kondrashin
USSR State Symphony Orchestra, Kyrill Kondrashin
APR APR6005
(1947, 1949, 1952, 1954, 1955)

Wolfgang Amadeus Mozart
The Magic Flute - Overture. Fantasia in F minor. Duettino
Concertante (all arr. Busoni). Fugue in C minor, K426. Concerto, K365.
Camille Saint-Saëns
Variations on a Theme of Beethoven, Op.35.
Emil Gilels, Yakov Zak (pianos)
USSR State Symphony Orchestra
Kyrill Kondrashin
APR APR5664

Ludwing van Beethoven
Prometheus Overture, Op.43. Symphony No.4 in B major, Op.60.
Wolfgang Amadeus Mozart
Flute Concerto No.1, KV313.
Eduard Scherbachev (flauta)
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra
Kyrill Kondrashin
Melodyia MELCD10 01007
(1964, 1965, 1967)

Franz Liszt
Piano Concerto No.1 in E flat major, S124.
Béla Bartók
Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz106.
Pavel Serebriakov (piano)
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra
Kyrill Kondrashin
Melodyia MELCD10 01063

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Piano Concerto No.2, Op.44. Concert Fantasia, Op.56.
Tatyana Nikolayeva (piano)
USSR State Symphony Orchestra
Nikolai Anosov, Kyrill Kondrashin
APR APR5666
(1950, 1951)


Internet

Kyrill Kondrashin
Kondrashin's Shostakovich Cycle / Naxos / Sony BMG / Answers.com / Wikipedia

03/03/2009

Concertos #73

Na década de 1890, o empresário (e director do Queen's Hall) Robert Newman (1858-1926) ambicionava "criar um público para a música clássica", para o que pretendia organizar uns concertos que, numa fase inicial, apresentariam música mais acessível e depois, gradualmente, iriam introduzir obras de maior qualidade. Newman encontrou em Henry Wood (1869-1944) o parceiro ideal para tão ambicioso projecto, e no dia 10 de Agosto de 1895 teve lugar o primeiro Concerto Promenade. No Queen's Hall, obviamente, e com Henry Wood a dirigir a orquestra, como não podia deixar de ser.

82 anos, em 1927 portanto, a BBC passou a responsabilizar-se pela organização dos concertos. Em 1930, a Orquestra Sinfónica da BBC, fundada nesse ano pelo já nosso conhecido maestro Adrian Boult (1889-1983), sucedeu a "Henry Wood e a sua Orquestra Sinfónica" e lá se manteve até aos inícios da 2ª Grande Guerra, quando a BBC se viu impossibilitada de manter o suporte; "rei morto, rei posto", e Henry Wood passaria a contar com a Orquestra Sinfónica de Londres. Em 1941 os Proms mudaram-se (definitivamente) para o Royal Albert Hall, e a partir de 1942 voltaram a contar com o patrocínio da BBC.




Em 2007 deu-se a nossa estreia nos Proms, outro marco importante na história destes concertos (!!!). Para celebrar tal ocasião foram apresentadas as seguintes obras (conforme já aqui anteriormente referido):

Henri Dutilleux
The Shadows of Time.
Maurice Ravel
Piano Concerto for the Left Hand.
Hector Berlioz
Symphonie fantastique.

Com:

Roger Muraro, piano
Choristers from Eton College Chapel Choir
BBC National Orchestra of Wales
Thierry Fischer

Já tínhamos tido a oportunidade de ouvir ao vivo o Concerto para a mão esquerda, de Maurice Ravel, com o nosso Artur Pizarro; desta vez a parte solista esteve a cargo do francês Roger Muraro. Esta obra, relembre-se, foi encomendada por, e dedicada a, Paul Wittgenstein (1887-1961), que a estreou no dia 5 de Janeiro de 1932. Ainda nesse mesmo ano Wittgenstein iria tocá-la em solo inglês, precisamente num Concerto Promenade, e com Henry Wood na direcção da orquestra.

Henry Wood nasceu há 140 anos, no dia 3 de Março de 1869.

01/03/2009

Meios-sopranos #4: Lorraine Hunt Lieberson (1954-2006)

Lorraine Hunt Lieberson era um dos meios-sopranos que eu mais apreciava, em especial no repertório barroco, pelo que senti particularmente o seu desaparecimento prematuro, embora não totalmente inesperado. Eram conhecidos os problemas de saúde que já a tinham afectado anteriormente, e levado mesmo a cancelar a sua participação na estreia da ópera L'Amour de Loin de Kaija Saariaho (1952-), no Festival de Salzburgo de 2000.

O seu nome só ficou a ser (mais ou menos) conhecido em meados da década de 1980, quando interpretou o papel de Sesto em Giulio Césare, de George Friedrich Händel (1685-1759), numa encenação de Peter Sellars (1957-). Que, por essa altura, já era famoso qb, depois de uns anos antes ter sido acusado de praticar "actos de vandalismo artístico", por causa de uma ousada encenação do Don Giovanni de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

Antes desse triunfo inaugural, Hunt Lieberson tinha estudado piano, violino e viola, e só em 1981 começou a levar o canto mais a sério. Veio então o tal sucesso, a que se seguiram colaborações com Nicholas McGegan (1950-) e William Christie (1944-), dois músicos que se especializaram na interpretação de obras do período barroco. Durante a década de 1990 alargou o repertório e, a par da continuada dedicação ao barroco, ouvimo-la a interpretar, por exemplo, Jules Massenet (1842-1912), Hector Berlioz (1803-1869), Gustav Mahler (1860-1911), Alban Berg (1885-1935) e Benjamin Britten (1913-1976), sem esquecer obviamente o seu marido, o compositor Peter Lieberson (1946-).

Lorraine Hunt Lieberson nasceu há 55 anos, no dia 1 de Março de 1954.


CDs





John Adams
El Niño.
Dawn Upshaw (soprano), Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano),
Willard White (baixo)
Theatre of Voices, London Voices
Deutsches Symphony Orchestra
Kent Nagano
Nonesuch 7559 79634-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Idomeneo.
Ian Bostridge, Anthony Rolfe Johnson, Paul Charles-Clarke (tenores),
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano), Lisa Milne, Barbara
Frittoli (sopranos), John Relyea (baixo)
Edinburgh Festival Chorus
Scottish Chamber Orchestra
Charles Mackerras
EMI 5 57260-2

John Harbison
North and South. Six American Painters. Book of Hours and Seasons.
Christmas Vespers: The Three Wise Men.
Lorraine Hunt Lieberson, Emily Lodine (meios-sopranos),
Bill Kurtis (narrador)
The Chicago Chamber Musicians
Naxos American Classics 8.559188

Gustav Mahler
Fünf Rückert-Lieder.
Georg Friedrich Händel
Theodora - As with rosy steps. Ariodante - E vivo ancora… Scherza infida.
Johannes Brahms
Unbewegte laue Luft, Op.57 No.8.
Peter Lieberson
Five Rilke Songs - No.1, O ihr Zärtlichen; No.3, Stiller Freund,
Ashoka's Dream - So many years have passed.
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano), Roger Vignoles (piano)
Wigmore Hall Live WHLIVE0013
(1998)

Spanish Love Songs
Alexis-Emmanuel Chabrier
España.
Enrique Granados
Descúbrase el pensamiento. El mirar de la Maja.
Federico Mompou
Damunt de tu, només les flors.
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano), Joseph Kaiser (tenor),
Steven Blier, Michael Barrett (pianos)
New York Festival of Song
Bridge BRIDGE 9228

Johann Sebastian Bach
Cantatas - No.82, Ich habe genug; No.199, Mein Herze schwimmt in Blut.
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano)
Orchestra of Emmanuel Music
Craig Smith
Nonesuch 7559 79692-2

Georg Friedrich Händel
La Lucrezia, HWV145. Theodora, HWV68 - Ah! Whither should we fly,
or fly from whom?; As with rosy steps the morn; O bright...
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano)
Orchestra of the Age of Enlightenment
Harry Bicket
Avie AV0030


SACD



Gustav Mahler
Symphony No.2, "Resurrection".
Isabel Bayrakdarian (soprano), Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano)
San Francisco Symphony Chorus
San Francisco Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas
Avie 821936 0005/6-2
(2004)


DVD



John Adams
El Niño.
Dawn Upshaw (soprano), Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano),
Willard White (baixo)
Theatre of Voices, London Voices
Deutsches Symphony Orchestra
Kent Nagano
ArtHaus Musik 100 220


Internet

Lorraine Hunt Lieberson
Bach Cantatas Website / The New Yorker / The New York Times / guardian.co.uk / Los Angeles Times / stereophile / Harmonia Mundi / San Francisco Chronicle / Times / The Boston Globe / Nonesuch Records / Wikipedia