30/09/2009

Compositores #99: Valentin Silvestrov (1937-)

A história da música do século XX nunca estará completa se não considerarmos a influência do realismo socialista, com os seus ditames para uma produção artística politicamente correcta. Foram já vários os casos que aqui trouxe de compositores que foram fortemente por ele condicionados, e não foram tão poucos como isso aqueles que viram as suas vidas infernizadas. Para Andrei Zhdanov (1896-1948), o cabecilha dos polícias das artes, e companhia, os nomes das vítimas pouco diziam, pelo que até Sergei Prokofiev (1891-1953) passou as passas do Algarve.

Não consta que as autoridades soviéticas dispusessem na altura de tão sofisticados meios de vigilância como aqueles que alegadamente são hoje em dia plantados em Portugal nalguns palácios mais ou menos famosos. Também não consta, por outro lado, que as vítimas viessem a público expressar as suas suspeitas em relação às alegadas vigilâncias. Por duas razões, penso eu: por um lado, porque as vigilâncias não eram alegadas, mas sim às claras e conhecidas publicamente, "para servir de exemplo"; por outro lado, se não contribuiriam para um mau relacionamento das instituições, poriam em risco, inevitavelmente, o normal funcionamento das articulações... Mesmo assim não escapava compositor algum, o que prova a inutilidade das ditas cujas.

O ucraniano Valentin Silvestrov foi outro dos perseguidos por delito artístico, por razões que rapidamente perceberemos se lermos alguma biografia sua. Atentemos por exemplo na que vem no Dictionnaire de la Musique, de Marc Vignal, que começa logo por nos apresentar Silvestrov como possuindo, desde muito jovem, "um espírito aberto às correntes estéticas e às técnicas musicais do Ocidente (...)". Estava mesmo a pedir chatices, pois claro, e teve-as em doses generosas, de que mais tarde ficaremos a saber mais caso eu um dia volte a este compositor...

Valentin Silvestrov celebra hoje o seu 72º aniversário.


CDs





Valentin Silvestrov
Metamusik. Postludium.
Alexei Lubimov (piano)
Vienna Radio Symphony Orchestra
Dennis Russell Davies
ECM New Series 472 081-2
(2001)

Valentin Silvestrov
String Quartet No.1. Hymn 2001. Three Postludes - No.1, 'DSCH';
No.2; No.3. Cello Sonata.
Maacha Deubner (soprano), Silke Avenhaus, Valentin Silvestrov (pianos),
Simon Fordham (violino), Anja Lechner (violoncelo)
Rosamunde Quartet
ECM New Series 461 898-2

Valentin Silvestrov
Requiem for Larissa.
National Choir of Ukraine, 'Dumka'
National Symphony Orchestra of Ukraine
Vladimir Sirenko
ECM New Series 472 112-2
(2001)

Valentin Silvestrov
Piano Sonata No.1. Three Postludes. The Messenger 1996. Nostalghia.
Two Pieces - Benedictus; Sanctus. Two Pieces - Chopin Moments.
Jenny Lin (piano)
Hänssler Classic CD98 229
(2006)

Valentin Silvestrov
Bagatellen. Der Bote. Zwei Dialogue mit Nachwort. Elegie.
Stille Musik. Abschiedsserenade.
Valentin Silvestrov, Alexei Lubimov (pianos)
Munich Chamber Orchestra
Christoph Poppen
ECM New Series 476 6178
(2006)

Valentin Silvestrov
Drama. Post scriptum. Epitaph.
Jenny Lin (piano), Cornelius Dufallo (violino),
Yves Dharamraj (violoncelo)
Koch International Classics
KICCD7740

Valentin Silvestrov
Dedication. Post scriptum.
Gidon Kremer (violino), Vadim Sacharov (piano)
Munich Philharmonic Orchestra
Roman Kofman
Teldec 4509-99206-2

Valentin Silvestrov
Symphony No.5. Postludium.
Alexei Lubimov (piano)
Deutsches Symphony Orchestra
David Robertson
Sony Classical SK66825
(1996)

Valentin Silvestrov
Symphony No.2. Meditatsiya. Serenade.
Oleg Hudiyakov (flauta), Ivan Sokolov (piano), Dunayev, Smirnov (percussão)
Musica Viva Chamber Orchestra
Alexander Rudin
Olympia OCD477


Internet



Valentin Silvestrov
Schott Music / The Living Composers Project / Classical Archives / Wikipedia

26/09/2009

Pianistas #32: Alicia de Larrocha (1923-2009)

Mais uma triste notícia, a do falecimento da pianista espanhola Alicia de Larrocha. Ficará para a história como uma grande intérprete dos compositores seus compatriotas, mas a primeira vez que a ouvi foi nos Quadros de Uma Exposição, de Modest Mussorgsky (1839-1881); só mais tarde a ouvi então nos espanhóis, e pude aperceber-me da grandeza das suas interpretações de Isaac Albéniz (1860-1909), Henrique Granados (1867-1916), Manuel de Falla (1876-1946), Federico Mompou (1893-1987) e Xavier Montsalvatge (1912-2002), para nomear apenas alguns.

A longa carreira de Alicia de Larrocha levou-a aos 4 cantos do mundo, tendo tocado com alguns dos mais reputados maestros e recebido inúmeros prémios, entre eles o do Príncipe das Astúrias, em 1994.

Alicia de Larrocha faleceu ontem, dia 25 de Setembro de 2009, num hospital de Barcelona.


CDs




Enrique Granados
Cuentos de la juventud, Op.1. Bocetos.
Escenas románticas.
Alicia de Larrocha (piano)
RCA Red Seal 82876 53351-2
(1994)

Enrique Granados
12 Danzas espanolas, Op.37. Seven Valses poéticos.
Alicia de Larrocha (piano)
RCA Red Seal 09026 68184-2

Isaac Albéniz
Suite Iberia. Suite Iberia - No.13, Navarra (unfinished). Suite
española, Op.47. Serenata española, Op.181. Cantos de España, Op.232.
Alicia de Larrocha (piano)
Decca 478 0388

20 Great Pianists
Claudio Arrau, Simon Barere, Robert Casadesus, Shura Cherkassky,
Sviatoslav Richter, Alfred Cortot, Guiomar Novaes, Walter Gieseking,
Emil Gilels, Moura Lympany, Sergei Rachmaninov, Leopold Godowski,
Egon Petri, Myra Hess, Vladimir Horowitz, Wilhelm Kempff, Alicia de
Larrocha, Ignacy Jan Paderewski, Artur Rubinstein, Rudolf Serkin (pianos)
Living Era Classics AJC8563


Internet



Alicia de Larrocha
Bach Cantatas Website / Visão / Diário de Notícias / Christa Phelps Artist Management / The New York Times / Yahoo! News / BBC / Earth Times / Wikipedia

23/09/2009

DVDs #21: Maria, Cecilia Bartoli

Manuel García (1775-1832), natural de Sevilha, teve um sucesso assinalável como tenor, não só no seu país natal, como em França, Itália e Inglaterra. Ao mesmo tempo, ia preparando os seus filhos para a mesma vida: Manuel García (1805-1906), Maria Malibran (1808-1836) e Pauline Viardot (1821-1910). Maria por ser a mais velha, foi a primeira das duas raparigas a sujeitar-se ao ensino exigente do pai, assim um bocado para o violento e pouco dado a misericórdias. Desde muito jovem que Maria Malibran se habituou aos palcos, para onde o pai a lançou definitivamente em Junho de 1825, numa altura em que estavam em Londres.

No ano seguinte rumariam para Nova Iorque, onde o clã García aproveitou para apresentar a primeira ópera italiana em solo americano; acabou por ser uma estadia de cerca de 2 anos, em que Maria não perdeu a oportunidade para aperfeiçoar a sua técnica e... para se livrar um pouco do jugo do pai, casando com o homem de negócios François Eugène Malibran. Foi nessa altura, aliás, que deixou de ser Maria García e passou a Maria Malibran, apesar de o casamento não ter sido propriamente um sucesso. É que o cavalheiro faliu logo a seguir, e Maria, que tinha entretanto abandonado os palcos, teve que se fazer de novo à estrada para sobreviver, e em Novembro de 1827 encontrava-se de novo em Paris.

Começou aí a melhor fase da sua carreira, com uma sucessão de êxitos fenomenal, com cidades entupidas para a ver passar, público histérico aos gritos, desmaios a torto e a direito, e sabe-se lá mais o quê. Ao ponto de alguém ter afirmado que os aplausos e gritos do público "rivalizavam com a mais violenta das erupções do Vesúvio".

Este concerto do meio-soprano Cecilia Bartoli (1966-) em Novembro de 2007, em Barcelona, veio na sequência de um projecto em que a italiana procurou explorar e de certa forma recriar o mundo musical de Maria Malibran, na passagem do 2º centenário do nascimento desta.

Maria Malibran faleceu há 173 anos, no dia 23 de Setembro de 1836.




The Barcelona Concert & Malibran Rediscovered.
Cecilia Bartoli (meio-soprano), Ada Pesch (violino),
Daniel Casares (guitarra)
Orchestra La Scintilla
Decca 074 3252


Internet



Maria Malibran
Maria Malibran - Cecilia Bartoli, Music Foundation / suite101.com / answers.com / Divas / Cecilia Bartoli: A Diva and Her Obsession / Cecilia Bartoli on the trail of Maria Malibran / Wikipedia

18/09/2009

Sopranos #18: Anna Netrebko (1971-)

Aproveitando a onda de sopranos, convidei hoje a russa Netrebko, que está assim para a lírica um pouco como Kournikova (1981-) esteve para o ténis: são ambas Annas, estão ou estiveram perto do top, e possuem um look que nos faz perdoar de imediato qualquer exibição menos feliz. Esperemos apenas que Netrebko não desapareça de circulação tão depressa como a outra...

Para o início da sua carreira, Anna Netrebko contou com o apoio de um maestro já nosso conhecido, Valery Gergiev (1953-), que tive a sorte de poder ver ao vivo em Janeiro último. E não foi por muito que não me cruzei com Netrebeko em Londres quando, em Julho de 2007, fiz a minha estreia nos Concertos Promenade, pois ela apresentou-se no concerto de encerramento...

2002 terá sido, porventura, o ano charneira na carreira de Netrebko, com o enorme sucesso obtido na sua estreia no Festival de Salzburgo, e a primeira aparição no Met de Nova Iorque. Do resto se falará noutra altura, que a prosa está a ficar longa de mais.

Anna Netrebko celebra hoje o seu 38º aniversário.


CDs




Joseph Calleja - The Golden Voice.
Nicolaus Adam
Si j'étais roi - Elle est princesse!... Un regard de ses yeux.
Vincenzo Bellini
I puritani - Son grià lontani. La Sonnambula - Elvino!
E me tu lasci... Son geloso del zefiro errante.
Georges Bizet
Les pêcheurs de perles - Je crois entendre encores.
Joseph Calleja (tenor), Anna Netrebko, Tatiana Lisnic (sopranos)
Academy of St Martin in the Fields
Carlo Rizzi
Decca Classics 475 6931

Giacomo Puccini
La bohème.
Anna Netrebko, Nicole Cabell (sopranos), Rolando Villazón, Kevin
Connors (tenores), Boaz Daniel, Stéphane Degout (barítonos),
Vitalij Kowaljow, Tiziano Bracci (baixos)
Bavarian Radio Symphony Chorus
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Bertrand de Billy
Deutsche Grammophon 477 6600
(2008)

Juan Diego Flórez - Bel Canto Spectacular.
Vincenzo Bellini
I Puritani - Finì! Me Lassa!... Vieni, fra queste braccia.
Gaetano Donizetti
Don Pasquale - Povero Ernesto! L'elisir d'amore - Venti scudi;
Una furtiva lagrima. La Favorite - La maîtresse du roi?... Ange si pur.
Gioacchino Rossini
Otello - Ah vieni, nel tuo sangue vendicherò le offese.
Il viaggio a Reims - Di che son reo?; D'alma celeste, oh Dio.
Juan Diego Flórez, Plácido Domingo (tenores), Patricia Ciofi,
Anna Netrebko (sopranos), Daniela Barcellona (meio-soprano),
Mariusz Kwiecien, Fernando Piqueras (barítonos)
Cor de la Generalitat Valenciana
Orquesta de la Comunitat Valenciana
Daniel Oren
Decca Classics 478 0315

Vincenzo Bellini
I Capuleti e i Montecchi.
Anna Netrebko (soprano), Elina Garanca (meio-soprano), Joseph
Calleja (tenor), Robert Gleadow (baixo), Tiziano Bracci (baixo-barítono)
Vienna Singakademie
Vienna Symphony Orchestra
Fabio Luisi
Deutsche Gramophon 477 8031
(2008)

Russian Album
Mikhail Glinka
A Life for the Tsar - I gaze toward the field, the open field.
Sergei Prokofiev
War and Piece - Scene 4: Aria.
Sergei Rachmaninov
Sing not to me, beautiful maiden, Op.4 No.4.
How fair this spot, Op.21 No.7.
Anna Netrebko (soprano)
Chorus of the Mariinsky Theatre
Orchestra of the Mariinsky Theatre
Valery Gergiev
Deutsche Grammophon 477 6384

Souvenirs
Anna Netrebko (soprano)
Prague Philharmonic Choir
Prague Philharmonia
Emmanuel Villaume
Deutsche Grammophon 477 7639


Internet



Anna Netrebko
Anna Netrebko / Deutsche Grammophon / AllAboutOpera.com / Universal Music Classical / The New York Times / Wikipedia

13/09/2009

Sopranos #17: Arleen Augér (1939-1993)

As desventuras do maestro austríaco Josef Krips (1902-1974) começaram com o Anschluss, a anexação da Áustria pela Alemanha nazi, em Março de 1938, pelas suas raízes judaicas. Krips apenas regressaria à Áustria após o final da guerra, para reger a Orquestra Filarmónica de Viena e colaborar no Festival de Salzburgo; festival este que, refira-se, teve a sua edição de 1945 realizada apenas 3 meses depois do final da 2ª Guerra Mundial, numa altura em que a cidade estava ainda ocupada pelas forças americanas.

Foi precisamente em Salzburgo que, na 2ª metade da década de 1960, o soprano Arleen Augér se apresentou em audição a Josef Krips que, apesar da total falta de experiência no palco da norte-americana, lhe ofereceu de imediato um contrato. Arleen Augér estrear-se-ia na Ópera do Estado de Viena em 1967, como Rainha da Noite na ópera Die Zauberflöte de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

Com o passar dos anos Augér foi-se afastando das lides operáticas e concentrando a sua carreira no lied (canção) e na música sacra, com interpretações notáveis de alguns dos mais importantes compositores do barroco, como Johann Sebastian Bach (1685-1750) e Georg Friedrich Händel (1685-1759).

Arleen Augér nasceu há 70 anos, no dia 13 de Setembro de 1939.


CDs



Arnold Schoenberg
Five Orchestral Pieces, Op.16.
Anton Webern
Six Orchestral Pieces, Op.6.
Alban Berg
Lulu Suite.
Arleen Augér (soprano)
City og Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
HMV Classics 5 74318-2

Johann Sebastian Bach
Sacred Cantatas - Nos.126-129.
N. Amini, Arleen Augér, J. Beckmann (sopranos), R. Bollen,
I. Danz, H. Gardow (meios-sopranos), T. Altmeyer, A.
Baldin (tenores), N. Anderson, Matthias Goerne (barítonos)
Stuttgart Bach Collegium
Helmuth Rilling
Hänssler Classic CD92.040
(1980-1982)

Richard Strauss
Der Rosenkavalier.
Régine Crespin, Arleen Augér, Helen Donath, Rosl Schwaiger (sopranos),
Hans Reautschigg, Kurt Equiluz, Murray Dickie, Luciano Pavarotti (tenores),
Manfred Jungwirth, Alfred Jerger, Leo Heppe, Otto Wiener, Alexander
Maly (baixos), Rohangiz Yachmi (alto), Emmy Loose, Yvonne
Minton (meios-sopranos)
Vienna Philharmonic Orchestra
Georg Solti
Decca 475 9988


Internet



Arleen Augér
The Arleen Auger Memorial Fund, Inc. / Bach Cantatas Website / Decca Classics / Classical Archives / Answers.com / The Independent / Classics Online / Wikipedia

09/09/2009

Pianistas #31: Pierre-Laurent Aimard (1957-)

A maioria das obras para piano do compositor francês Olivier Messiaen (1908-1992) foram estreadas por Yvonne Loriod (1924-), sua esposa. Em paralelo com a carreira de pianista, Loriod dedicou-se ao ensino, tendo começado ainda muito jovem a leccionar no Conservatório de Paris.

Entre os seus alunos contou-se Pierre-Laurent Aimard, que acabaria por construir uma carreira profundamente ligada à música de Messiaen, começando desde logo pela sua vitória no Concurso Olivier Messiaen de 1977 e passando pelas inúmeras vezes em que interpretou obras deste compositor. Pelo meio foi-se especializando em música contemporânea, à volta da qual estabeleceu uma reputação de que poucos rivais se podem gabar. Não deixa assim de ser curioso que um dos seus discos mais admirados contenha obras de... Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Pierre-Laurent Aimard celebra hoje o seu 52º aniversário.


CDs





Olivier Messiaen
Vingt regards sur l'enfant Jésus.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Teldec 3984-26868-2

Pierre-Laurent Aimard at Carnegie Hall
Alban Berg
Sonata for Piano.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.23 in F minor, "Appassionata".
Franz Liszt
Legendes for Piano, S175 - No.2.
Claude Debussy
Études - Pour les huit doigts. Images - Reflets dans l'eau;
Poissons d'or.
György Ligeti
Etudes for Piano, Book 1: No.2; No.6; No.10.
Olivier Messiaen
Vingt regards sur l'enfant Jésus - No.11.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Teldec 0927-43088-2
(2001)

Ludwig van Beethoven
Complete Piano Concertos - No.1 in C, Op.15; No.2 in B flat, Op.19;
No.3 in C minor, Op.37; No.4 in G, Op.58; No.5 in E flat, Op.73.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 0927-47334-2
(2000-2)

African Rhythms.
György Ligeti
Etudes - Fanfares; Fém; Entrelacs; Pour Irina; A bout de souffle.
Steve Reich
Clapping Music. Music for Pieces of Wood.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Aka Pygmies
Teldec 8573-86584-2

Claude Debussy
Études. Images.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Teldec 8573-83940-2

Antonín Dvorák
Piano Concerto in G minor, B63. The Golden Spinning-Wheel, B197.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 8573-87630-2
(2001)

Elliott Carter
Night Fantasies. Two Diversions. 90+.
Maurice Ravel
Gaspard de la nuit.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Warner Classics 2564-62160-2

Johann Sebastian Bach
The Art of Fugue, BWV1080.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Deutsche Grammophon 477 7345

Hommage à Messiaen
Olivier Messiaen
Préludes. Catalogue d'oiseaux - Book 3 No.6, L'Alouette Lulu;
Book 5 No.9, La Bouscarle. Quatre études de rythme - Ile de feu.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Deutsche Grammophon 477 7452
(2008)


Internet



Pierre-Laurent Aimard
Warner Classics & Jazz / Harrison Parrott / Deutsche Grammophon / Economist.com / Fundação Calouste Gulbenkian / Classical Archives / Answers.com / Wikipedia

06/09/2009

Compositores #98: Detlev Glanert (1960-)

Não é que andasse a perseguir esse objectivo, mas o que é um facto é que este é o primeiro compositor que aqui trago cuja biografia não consta (ainda) da Wikipedia. É também uma das poucas vezes em que convido para este canto compositores ainda vivos, pelo que este é um momento especial aqui no desNorte. A distinção vai então direitinha para o alemão Detlev Glanert, que tem construído uma interessante carreira baseada principalmente nas suas obras líricas e orquestrais, mais até nas primeiras do que propriamente nestas últimas.

Os prémios que obteve resultaram, sem surpresas, de algumas das óperas que escreveu: Der Spiegel des großen Kaisers, que lhe valeu o Prémio de Ópera Rolf Liebermann, em 1993, e Scherz, Satire, Ironie und tiefere Bedeutung, com que, em 2001, recebeu o Prémio da Ópera da Bavária. No que à música orquestral diz respeito, Glanert já compôs, entre outras obras, 3 sinfonias, concertos para piano e orquestra e, em Novembro próximo, irá estrear em solo alemão o Duplo Concerto para Piano.

Detlev Glanert nasceu há 49 anos, no dia 6 de Setembro de 1960.


CD



"Horizon 1 - Premières 2007"
Moritz Eggert
Number 9 VI: a bigger splash.
Detlev Glanert
Theatrum Bestiarum.
Colin Matthews
Turning Point.
Theo Verbeij
LIED.
Jörgen van Rijen (trombone)
Royal Concertgebouw Orchestra
Markus Stenz
RCO Live RCO08003
(2007)


SACD



Dimitri Shostakovich
Symphony No.10, Op.93.
Detlev Glanert
Theatrum bestiarum.
Cologne Radio Symphony Orchestra
Semyon Bychkov
Avie AV2137
(2005, 2006)


Internet



Detlev Glanert
Boosey & Hawkes / guardian.co.uk / MusicWeb International

02/09/2009

Óperas #22: The Lighthouse, de Peter Maxwell Davies

Reparei agora que nunca aqui falei do compositor inglês Peter Maxwell Davies (1934-) o que, por muito indesculpável que possa parecer, também não será demasiadamente grave, pois até hoje ainda ninguém se queixou. A vantagem é que compositores não faltam, e a grande maioria nunca por aqui passou, pelo que se alguém se lembrasse agora de desatar a refilar pela ausência de cada um deles, dificilmente faria alguma coisa de útil até ao fim dos seus dias; como tenho os leitores deste modesto canto por pessoas estimáveis, posso dormir descansado...

Pois Maxwell Davies passa por ser um dos compositores britânicos mais interpretados, além dos mais prolíficos, com algumas centenas de obras no seu curriculum, abrangendo, entre outros, os géneros concertante, orquestral, sinfónico e operático. The Lighthouse, ou O Farol, pertence a este último, sendo igualmente a ópera deste compositor que maior sucesso obteve. O próprio Maxwell Davies encarregou-se do libreto e, para tal, inspirou-se numa história que teve tanto de verdadeira como de misteriosa.

Em Dezembro de 1900 um barco passou perto do farol das ilhas Flannan, pertencentes à Escócia, e reparou que este tinha a luz desligada. Reportado o problema, foi enviado um barco, Hesperus, para averiguar o que se passava, e o que a tripulação descobriu quando lá chegou é ainda hoje assunto de muitas conversas. O farol encontrava-se vazio, sem nenhum dos seus 3 guardas no interior, constando que em cima da mesa encontravam-se os restos de uma refeição não terminada; o que é certo é que os guardas nunca mais foram vistos, nem os seus corpos alguma vez apareceram, havendo as mais díspares explicações para o que poderá ter sucedido.

A ópera The Lighthouse foi estreada no Festival de Edimburgo no dia 2 de Setembro de 1980, passam hoje 29 anos.


Internet



Peter Maxwell Davies
Boosey & Hawkes / Chester Novello / Naxos / Answers.com / Intermusica / Classics Online / Wikipedia