26/02/2012

CDs #224: Carlos Kleiber, Erich Kleiber, Borodin, Symphony No.2

A música nunca foi a única, nem mesmo a principal, actividade para o russo Alexander Borodin (1833-1887), compositor que há mais de 7 anos andava ausente destas paragens. Muito por culpa, diga-se, da dificuldade em arranjar este disco, de edição limitada e indisponível na maioria dos meus habituais fornecedores. Mas que entretanto foi por aqui aparecendo nalgumas listas, a última das quais em Agosto de 2008, quando o convidado foi Erich Kleiber (1890-1956), que aqui nos aparece (excelentemente) acompanhado pelo seu filho, Carlos Kleiber (1930-2004).

Borodin estudou Química na sua terra natal, São Petersburgo, e foi a essa área que dedicou a maior parte do seu tempo, como investigador e professor, havendo mesmo uma reacção química que levou o seu nome. Apenas no intervalo dessas actividades é que Borodin se dedicava à sua outra paixão, a música, o que fez dele um compositor pouco prolífico, mas não menos importante no seio do Grupo dos Cinco. O pouco tempo investido na produção musical fez ainda com que levasse muito tempo a terminar as obras, como foi o caso da Sinfonia Nº2; iniciada em 1869, apenas em 1876 terminou a versão orquestral, que seria estreada no dia 26 de Fevereiro de 1877, passam hoje 135 anos. E passa também por ser não só a sua mais popular, como a mais significativa de toda a produção sinfónica do referido Grupo dos Cinco, composto por Rimsky-Korsakov (1844-1908), César Cui (1835-1918), Modest Mussorgsky (1839-1881) e Mily Balakirev (1837-1910), além, obviamente, de Borodin.

Este disco traz-nos 2 gravações desta obra, efectuadas por Kleiber pai & filho com uma diferença de 25 anos, a mais antiga efectuada em Dezembro de 1947 e a mais recente em Dezembro de 1972. E que nos permite, nomeadamente, observar as abordagens distintas de cada um, com a temperatura a subir no caso da interpretação de Carlos Kleiber, mais urgente e por isso despachada em menos tempo (cerca de 25 minutos e meio, contra mais de 27 minutos no caso da de Erich Kleiber). Grandes audições!




Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor, Op.5.
Radio-Sinfonieorchester Stuttgart, Carlos Kleiber
NBC Symphony Orchestra, Erich Kleiber
hänssler classic CD 93.116
(1972, 1947)


Internet



Alexander Borodin
biography base / Lesson Tutor / 8 notes / Alexander Borodin / Wikipedia

20/02/2012

CDs #223: Prokofiev, Violin Concertos, Piano Concerto No.3

A relação entre o regente suíço Ernest Ansermet (1883-1969) e a Orchestre de la Suisse Romande durou uns estimáveis 50 anos, entre 1918, ano em que ele mesmo fundou essa orquestra, e 1967, altura em que lhe sucedeu o maestro polaco Paul Kletzki (1900-1973).

O violinista norte-americano de ascendência italiana Ruggiero Ricci (1918-) também não deixou os créditos da longevidade por mãos alheias, com uma carreira de 75 anos, que começou em 1928 em São Francisco e terminou apenas em 2003, com um último recital em França em que tocou na companhia da extraordinária pianista argentina Martha Argerich (1941-).

Tal como Ricci, também o igualmente norte-americano Julius Katchen (1926-1969) foi uma criança prodígio, com um primeiro concerto público em Outubro de 1937, com 11 anos mal feitos, e logo com a Orquestra de Filadélfia sob a direcção do grande maestro Eugene Ormandy (1899-1985). No meio destes todos o único que acabou por ter uma carreira curta foi mesmo o pianista Julius Katchen, falecido aos 42 anos vítima de cancro.

Um disco que junte todos estes músicos não pode ser, logo à partida, um disco qualquer, daí o meu apreço por este que trago aqui hoje, editado no âmbito da série Decca Ansermet Legacy, normal dada a longa relação de exclusividade que Ansermet manteve com a editora Decca. As gravações são da década de 1950 (e lá voltamos nós a esta década...) e incluem 3 obras do compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953).

Ernest Ansermet faleceu há 43 anos, no dia 20 de Fevereiro de 1969.




Sergei Prokofiev
Violin Concerto No.1 in D major, Op.19.
Violin Concerto No.2 in G minor, Op.63.
Piano Concerto No.3 in C major, Op.26.
Ruggiero Ricci, violino
Julius Katchen, piano
L'Orchestre de la Suisse Romande
Eugene Ormandy
Decca Eloquence 480 0837
(1954, 1958)


Internet



Ernest Ansermet
Bach Cantatas Website / allmusic / Decca / MontreuxMusic.com / Naxos / Classical Conducting / More Than The Notes / Wikipedia

13/02/2012

Compositores #104: Colin Matthews (1946-)

Assim como hoje em dia se fala da maldição dos 27 anos (parece que houve uma quantidade assinalável de músicos mais ou menos pops e mais ou menos conhecidos que esticaram o pernil com essa idade), também durante muitos e bons anos se falou na maldição associada à 9ª sinfonia, com um número importante de compositores a não viverem o suficiente para poderem completar uma 10ª (Beethoven, Schubert, Bruckner, Dvorák, Mahler, ...). Antonín Dvorák (1841-1904) tentou mesmo enganar o destino, baralhando as contas das sinfonias e chamando à ; não ganhou nada com o negócio, e antes de escrever uma 10ª já tinha uns palmos de terra por cima.

Gustav Mahler (1860-1911) foi outro dos compositores que, aquando da morte, trabalhava na 10ª sinfonia, que deixou quase completamente esboçada mas com a maioria da orquestração por efectuar. Foi nas décadas de 50 e 60 do século passado que o musicólogo inglês Deryck Cooke (1919-1976) se empenhou em completá-la, e foi também por esta via que eu primeiro me cruzei com o nome do compositor inglês Colin Matthews, que com ele colaborou entre 1966 e 1972 na concepção da versão final desta última sinfonia de Mahler.

Com variadas obras dos mais diversos géneros musicais (onde apenas o operático permanece ausente), Colin Matthews passa por ser hoje um dos compositores britânicos mais proeminentes. Ainda recentemente, em Agosto do ano passado, estreou nos Proms a obra No Man's Land, tendo contado nessa altura com alguém já nosso bem conhecido, o tenor Ian Bostridge (1964-).

Colin Matthews nasceu há 66 anos, no dia 13 de Fevereiro de 1946.


CDs




Colin Matthews
Alphabicycle Order. Horn Concerto.
Henry Goodman (narrador), Richard Watkin (trompa)
Children's Choir
Hallé Orchestra
Mark Elder, Edward Gardner
Hallé CDHLL7515

Gustav Holst
The Planets, Op.32.
Colin Matthews
Pluto, The Renewer.
Kaija Saariaho
Asteroid 4179: Toutatis.
Matthias Pintscher
towards Osiris.
Mark-Anthony Turnage
Ceres.
Brett Dean
Komarov's Fall.
Women's Voices of the Rundfunkchor Berlin
Berliner Philharmoniker
Simon Rattle
EMI Classics 3 69690-2
(2006)

Claude Debussy
Jeux. Préludes (arr. C. Matthews) - Danseuses de Delphes; Voiles;
Les collines d'Anacapri; Des pas sur la neige; La sérénade interrompué.
Colin Matthews
Postlude: Monsieur Croche.
Hallé Orchestra
Mark Elder
Hallé CDHLL7518

Horizon 1
Moritz Eggert
Number 9 VI: a bigger splash.
Detlev Glanert
Theatrum Bestiarum.
Colin Matthews
Turning Point.
Theo Verbeij
LIED.
Jörgen van Rijen (trombone)
Royal Concertgebouw Orchestra
Markus Stenz
RCO Live RCO08003
(2008)

Internet



Colin Matthews
Faber Music / The Living Composers Project / Composition:Today / Hallé / Wikipedia

06/02/2012

Sinfonias #40: Sinfonia Nº3, de Robert Schumann

Apesar de ter cursado Direito na Universidade de Leipzig, as principais motivações de Robert Schumann (1810-1856) distribuíam-se por outras áreas, como a filosofia, a música, as tabernas e as mulheres. Aqui, e até porque somos um canto de respeito, só nos interessa a faceta musical, pelo que se quiserem saber das outras vão ter que procurar noutro lado.

No que então à música diz respeito, sabemos que o nosso amigo Schumann começou por estudar piano aos 10 anos, só que a carreira de pianista que chegou a ambicionar seguir nunca aconteceu, por problemas de paralisia parcial na mão direita. Não podendo tocar optou por compor para outros tocarem, acabando o conjunto de peças que escreveu para piano por ser um dos mais representativos do génio da sua produção musical. Não deixou, todavia, de abordar as formas sinfónicas e concertantes, com destaque para as 4 sinfonias e para os concertos para piano e para violoncelo.

Schumann despachou as 4 sinfonias no espaço de uma década, entre 1841, ano em que compôs as Sinfonias Nºs 1 e 4, e 1851, ano em que reviu a Sinfonia Nº4. A Sinfonia Nº3, apesar do número que ostenta, foi, assim, a última que compôs, no Outono de 1850, numa altura em que vivia em Düsseldorf, cidade banhada pelo rio Reno que, nas palavras do próprio compositor, serviu de inspiração para a obra.

A estreia, com direcção do autor e sem grande sucesso, diga-se, teve lugar no dia 6 de Fevereiro de 1851, passam hoje 161 anos.


CDs



Robert Schumann
Symphonies - No.1 in B flat, Op.38; No.2 in C, Op.61; No.3 in E flat, Op.97;
No.4 in D minor, Op.120. Concert for 4 Horns, Op.86.
Roger Montgomery, Gavin Edwards, Susan Dent, Robert Maskell (hns)
Orchestre Révolutionnaire et Romantique
John Eliot Gardiner
Archiv Produktion 457 591-2

Robert Schumann
Symphony No.3 in E flat, 'Rhenish', Op.97. Overture, Scherzo and Finale, Op.52.
Genoveva Overture.
Philharmonia Orchestra
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 459 680-2
(1998)

Robert Schumann
Symphony No.2 in C major, Op.61.
Symphony No.3 in E flat major, Op.97, "Rhenish".
Berlin Philharmonic Orchestra
Rafael Kubelik
Deutsche Grammophon 429 520-2
(1964, 1965)


SACDs



Robert Schumann
Symphonies - No.3, 'Rhenish', Op.38; No.4, Op.120. Manfred Overture, Op.115.
Hermann und Dorothea, Op.126.
Swedish Chamber Orchestra
Thomas Dausgaard
BIS-SACD1619
(2008)


Internet




Robert Schumann
Classical Net / Robert Schumann in Zwickau / Answers.com / Victoria Station / BBC / Wikipedia