29/12/2013

Violoncelistas #12: Pablo Casals (1876-1973)

Como protesto contra a benevolência com que o mundo em geral olhava para o regime fascista de Francisco Franco (1982-1975), o violoncelista catalão Pablo Casals retirou-se dos palcos, isto pouco depois do final da 2ª Guerra Mundial. O regresso apenas aconteceria em 1950, e por uma razão substancial: as celebrações do bicentenário do falecimento do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750).

Nada mais apropriado para o dia de hoje, em que passam 137 anos sobre o nascimento de Pablo Casals, do que aqui juntar precisamente dois dos expoentes da música: Pablo Casals, pois claro, e Bach.


CD



Johann Sebastian Bach
6 Suites for Violoncello, BWV1007-12.
Pablo Casals (violoncelo)
EMI Classics 7 61027-2


Internet





Pablo Casals
Pablo Casals / allmusic / Encyclopedia of World Biography / A Portrait of Pablo Casals / Naxos / Wikipedia

23/12/2013

Lugares #194

Gonçalo Bandarra (1500-1556), sapateiro e profeta, passa por ser o filho mais famoso de Trancoso, menos pela actividade à volta dos sapatos e muito mais pelas professias em verso que foi derramando. No regresso da última maratona BTT de Beselga voltámos a vir por Trancoso, desta vez para prestar a nossa homenagem a tão ilustre figura.


Foi um dos alvos preferidos da Inquisição, ou não fosse um dos seus passatempos favoritos fazer interpretações muito pessoais das escrituras do Antigo Testamento. Outro dos seus temas de eleição era o futuro de Portugal ou, para ser mais preciso, a forma como via esse futuro. Eu nunca fui muito de acreditar em bruxas, pelo que desconfio de tudo o que tenha a ver com profecias, adivinhações e outras actividades similares. Mas a verdade é que Bandarra acertou em cheio nalgumas das suas profecias, talvez, quem sabe, porque já no século XVI não fosse assim tão difícil prever o nosso futuro comum.


Uma delas, em particular, ganha nova vida nestes tempos difíceis que atravessamos, pelo que não resisto a colocá-la aqui:

Sou sapateiro, mas nobre
Com bem pouco cabedal,
E tu, triste Portugal,
Quanto mais rico, mais pobre.


08/12/2013

Sinfonias #46: Sinfonia Nº5, de Jean Sibelius

O compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) contava já 33 anos e uma apreciável experiência na escrita de música orquestral quando se rendeu ao género sinfónico, a que regressaria regularmente durante cerca de duas décadas e meia.

À altura da composição da Sinfonia Nº5 o mundo atravessava tempos conturbados, pois estava-se em plena 1ª guerra mundial. Sibelius compôs várias versões (3, para ser mais preciso), entre 1915 e 1919, sendo que ele próprio dirigiu a orquestra na estreia da última delas, no dia 21 de Outubro de 1921, em Helsínquia.

A primeira versão, também com o compositor a liderar as hostes, tinha tido lugar por altura do seu 50º aniversário, no dia 8 de Dezembro de 1915, passam hoje 98 anos. As (significativas) alterações que lhe introduziu posteriormente revelaram-se acertadas, visto ser esta a mais popular das 7 sinfonias que compôs.


CDs





The Sibelius Edition.
Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Hallé Orchestra
John Barbirolli
EMI Classics 5 67299-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.5 in E flat major, Op.82; No.6 in D minor, Op.104. Tapiola, Op.112.
Boston Symphony Orchestra
Colin Davis
Philips 468 198-2

Jean Sibelius
Symphony No.5 in E flat major, Op.82 (orig. 1915 version). En Saga, Op.9 (orig. 1892 version).
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vänskä
BIS BIS-CD800

Jean Sibelius
Symphonies - No.2 in D major, Op.43; No.5 in E flat major, Op.82.
Royal Philharmonic Orchestra
Hallé Orchestra
John Barbirolli
Testament SBT1418
(1968)

Jean Sibelius
Symphonies - No.4 in A minor, Op.63; No.5 in E flat, Op.82.
The Swan of Tuonela, Op.22 No.2. Finlandia, Op.26.
Philadelphia Orchestra
Eugene Ormandy
Pristina Audio PASC177
(1950, 1954)

Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Moscow Radio Symphony Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
Melodyia MELCD10 01669

The Sibelius Edition - Volume 12 (Symphonies)
Jean Sibelius
Symphonies 1-7.
Lahtin Symphony Orchestra
Osmo Vänskä, Jaakko Kuusisto
BIS BIS-CD1933/35

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37.
Jean Sibelius
Symphony No.5 in E flat major, Op.82.
Glenn Gould (piano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Sony Classical 88697 28782-2


Internet



Jean Sibelius
Sibelius / Sibelius 2015 / allmusic / Classical Net / Naxos / Classical Archives / Wikipedia


22/11/2013

CDs #233: The Prince of the Pagodas - Suite, Britten

O Teatro Sadler's Wells tem uma longa história, que remonta a 1683, ano em que um tal de Richard Sadler lá abriu uma casa da música ("Music House"). O restante nome do teatro vem do facto de no terreno existirem alguns poços de água que, segundo se acreditava na altura, possuíam propriedades medicinais (tipo curavam tudo e mais alguma coisa). O teatro não brotou, assim, de nenhum impulso artístico, mas da necessidade de providenciar algum tipo de entretenimento para as pessoas que lá se dirigiam na procura de curas para as suas maleitas.

A relação do compositor inglês Benjamin Britten (1913-1976) com este teatro vem do tempo da 2ª Grande Guerra; durante esse período o teatro esteve encerrado, e as suas duas companhias residentes (a de dança e a de ópera) mantiveram-se activas em turnés pelo país. Para a reabertura do teatro, em Junho de 1945, foi escolhida a ópera Peter Grimes, cuja composição tinha ocupado Britten uma boa parte do ano anterior. Do elenco fez parte, naturalmente, o seu companheiro de sempre, o tenor Peter Pears (1910-1986).

Em meados da década de 1950 o compositor andava às voltas com a escrita de uma música de bailado para o Teatro Sadler's Wells e em Novembro de 1955, já quase a queimar a data limite para a sua entrega, encontrava-se ainda entalado a meio do dos 3 actos. A inspiração para finalizar "The Prince of the Pagodas" veio de uma visita à ilha indonésia de Bali, em Janeiro de 1956, sendo que a estreia do bailado teria lugar no dia 1 de Janeiro de 1957, mais de um ano depois da data inicialmente prevista.

Ao contrário do que desejava, Britten nunca chegou a extrair uma suite desta música de ballet, trabalho de que, em 1997, se encarregaram os estudiosos Donald Mitchell (1925-) e Mervyn Cook, e que é uma das obras que aparece neste (excelente) disco.

Benjamin Britten nasceu há 100 anos, no dia 22 de Novembro de 1913.




Balinese Ceremonial Music.
Benjamin Britten
Suite from the Ballet 'The Prince od the Pagodas', Op.57.
Colin McPhee
Tabuh-Tabuhan.
Benjamin Britten, Colin McPhee (pianos)
BBC Symphony Orchestra
Leonard Slatkin
Chandos CHAN10111
(1941, 2003)


Internet



Benjamin Britten

27/10/2013

Baixos-barítonos #1: Walter Berry (1929-2000)

Rezam as crónicas que os londrinos demoraram muitos anos a reconhecer o talento do baixo-barítono austríaco Walter Berry, que só em 1976 teve a oportunidade de lá se estrear, no Covent Garden, como Barak na ópera Die Frau ohne Schatten de Richard Strauss (1864-1949). Foram um pouco lentos, obviamente, bastando que nos lembremos que foi exactamente com este papel que Walter Berry se estreou, com assinável êxito, no Metropolitan de Nova Iorque, 10 anos antes, em 1966...

Como um mal raramente vem só, acabaram por não ter a oportunidade de o ver ao vivo num dos papéis que mais o celebrizou, senão mesmo aquele em que brilhou mais intensamente: Papageno, na ópera Die Zauberflöte de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

Walter Berry faleceu há 13 anos, no dia 27 de Outubro de 2000.


CDs





Strauss Heroines
Richard Strauss
Der Rosankavalier - Da geht er hin; Ach, du bist wieder da!. Arabella: Ich danke, Fraulein.
Capriccio - Moonlight music / Closing scene; Wo ist mein Bruder.
Renée Fleming, Barbara Bonney (sopranos), Susan Graham (meio-soprano),
Johannes Chum (tenor), Walter Berry (baixo-barítono)
Vienna Philharmonic Orchestra
Christoph Eschenbach
Decca 466 314-2
(1998)

Richard Strauss
Vier letzte Lieder. Arabella (excerpts). Capriccio (excerpts).
Elisabeth Schwarzkopf, Anny Felbermayer (sopranos), Murray Dickie (tenor),
Josef Metternich, Harald Proglhof (barítonos), Walter Berry (baixo)
Philharmonia Orchestra
Otto Ackermann, Lovro von Matacic
EMI Références 5 67495-2
(1953, 1954)

Richard Strauss
Salome.
C. Goltz (soprano), H. Braun (barítono), J. Patzak, A. Dermota, H. Pröglhöf,
H. Gallos (tenores), M. Kenney, E. Schürhoff (meios-sopranos). L. Webber,
W. Berry, H. Alsen, H. Gallos (baixos)
Vienna Philharmonic Orchestra
Clemens Krauss
Decca Original Masters 475 6087
(1954)

Alban Berg
Wozzeck.
Walter Berry (barítono), Max Lorenz, Murray Dickie, Peter Klein (tenores),
Karl Dönch (baixo), Christel Goltz (soprano)
Vienna State Opera Chorus
Vienna State Opera Orchestra
Karl Böhm
Andante AND3060
(1955)

Wolfgang Amadeus Mozart
Don Giovanni.
Cesare Siepi (barítono), Elisabeth Grümmer, Elisabeth Schwarzkopf, Erna
Berger (sopranos), Anton Dermota (tenor), Otto Edelmann, Walter Berry,
Raffaele Arié (baixos)
Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Wilhelm Furtwängler
Orfeo d'Or C624 043D
(1953)

Wolfgang Amadeus Mozart
Così fan tutte.
Gundula Janowitz, Olivera Miljakovic (sopranoss), Christa Ludwig (meio-soprano),
Adolf Dallapozza (tenor), Walter Berry (barítono), Eberhard Waechter (baixo)
Vienna State Opera Chorus
Vienna State Opera Orchestra
Joseph Krips
Orfeo d'Or C697 072
(1968)

Ludwig van Beethoven
Fidelio.
Christa Ludwig (meio-soprano), Jon Vickers, W. Kmentt (tenores), Ljubomir
Pantscheff, W. Kreppel (baixos), E. Wächter, W. Berry (baixos-barítonos),
Gundula Janowitz (soprano), K. Paskalis (barítono)
Vienna State Opera Chorus
Vienna State Opera Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 477 7364

Richard Strauss
Ariadne auf Naxos.
G. Janowitz, E. Gruberová, H. Groote, S. Ghazarian (sopranos), A. Baltsa (meio-soprano),
J. King, K. Equiluz, G. Unger (tenores), W. Berry, B. McDaniel (barítonos),
M. Jungwirth (baixo), A. Gall (contralto)
Vienna State Opera Orchestra
Karl Böhm
Orfeo d'Or C817 112I
(1976)


Internet




Walter Berry
Bach Cantatas Website / allmusic / Answers.com / Wikipedia

06/10/2013

Concertos para Violino #7: Concerto para Violino Nº2, de Karol Szymanowski

A estreia do Concerto para Violino Nº2 do compositor polaco (nascido na Ucrânia) Karol Szymanowski (1882-1937), a 6 de Outubro de 1933 em Varsóvia, teve um carácter especial, pela data e pelos intérpretes envolvidos. Em primeiro lugar, por ter coincidido com o 51º aniversário do compositor, e depois pelo facto de tanto o violinista, Pawel Kochanski (1887-1934), como o maestro, Grzegorz Fitelberg (1879-1953), serem seus amigos de longa data.

A participação do violinista nessa estreia é ainda mais significativa: Kochanski já tinha estreado várias outras obras de Szymanowski, nomeadamente uma Sonata para Violino, em 1909, e uma peça com a designação de Nocturne and Tarantella, em 1920. E só não tinha igualmente participado na estreia do 1º Concerto para Violino, que lhe tinha sido dedicado, pelo facto de as convulsões da Revolução Russa de 1917 terem forçado o cancelamento do concerto que estava agendado para S. Petersburgo.

Pawel Kochanski foi de novo o dedicatário do 2º Concerto para Violino, em cuja composição, entre 1932 e 1933, ele próprio colaborou, em condições que só ajudaram a aumentar a carga emotiva da respectiva estreia: é que nessa altura ele já sabia que lhe tinha sido diagnosticado um cancro e que não teria muito mais tempo de vida. Faleceu 3 meses depois da estreia.


CDs




Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Symphony No.3, "Song of the Night", Op.27.
Konstanty Kulka (violino), Wieslaw Ochman (tenor)
Polish Radio Chorus of Krakow
Polish Radio National Symphony Orchestra
Jerzy Maksymiuk, Jerzy Semkow
HMV Classics 5 73860-2

Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Nocturne and Tarantella, Op.28 (orq. Fitelberg).
Ilya Kaler (violino)
Warsaw Philharmonic Orchestra
Antoni Wit
Naxos 8.557981
(2006)

Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Symphony No.4, "Sinfonia Concertante", Op.60.
Thomas Zehetmair (violino), Leif Ove Andsnes (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 5 57777-2

Karol Szymanowski
Violin Concertos - No.1, Op.35; No.2, Op.61.
Benjamin Britten
Violin Concerto, Op.15.
Frank Peter Zimmermann (violino)
Swedish Radio Symphony Orchestra, Manfred Honeck
Warsaw Philharmonic Orchestra, Antoni Wit
Sony Classical 88697 43999-2

Jean Sibelius
Violin Concerto in D minor, Op.47.
Karol Szymanowski
Violin Concerto No.2, Op.61.
Henryk Wieniawski
Violin Concerto No.2 in D minor, Op.22.
Franz Schubert
Violin Sonata in A major, D574.
Felix Mendelssohn
Violin Sonata in F minor, Op.4.
Robert Schumann
Violin Sonata No.1 in A minor, Op.105.
Leos Janácek
Violin Sonata.
Giuseppe Tartini
Sonata for Violin and Basso Continuo in G minor, 'Devil's Trill', Bg5.
Karol Rathaus
Pastorale and Dance, Op.39.
Bronislav Gimpel (violino), Martin Krause (piano)
RIAS Symphony Orchestra
Fritz Lehmann, Arthur Rother, Alfred Gohlke
Audite AUDITE21.418
(1955, 1957)


Internet




Karol Szymanowski
Szymanowski / Naxos / allmusic / Culture Pl / Classical Archives / Wikipedia

08/09/2013

Poemas Sinfónicos #4: Also sprach Zarathustra, de Richard Strauss

Os poemas sinfónicos do compositor alemão Richard Strauss (1864-1949) já por aqui foram passando, ou não tivesse sido ele um dos grandes responsáveis pelo aumento da sua popularidade, após terem sido introduzidos uns anos antes pelo húngaro Franz Liszt (1811-1886).

O poema sinfónico Also sprach Zarathustra (Assim falava Zarathustra) foi composto em 1896 com base, obviamente, no romance filosófico homónimo de Friedrich Nietzsche (1844-1900).

Anda por aí um anúncio do SLB que utiliza um excerto desta composição, que algumas, não muitas..., pessoas terão reconhecido como uma ideia copiada de 2001: Odisseia no Espaço do realizador norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999). Ainda menos pessoas saberão que a obra musical a que associamos de imediato o início deste filme é precisamente este poema sinfónico de Strauss. O seu a seu dono.

Richard Strauss faleceu há 64 anos, no dia 8 de Setembro de 1949.


CDs





Richard Strauss
Also sprach Zarathrusta, Op.30. Don Juan, Op.20. Salome - Dance of the Seven Veils.
Vienna Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Decca Legends 466 388-2
(1959)

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Concerto for Horn and Orchestra No.2, AV132.
Four Last Songs. Don Juan, Op.20. Ein Heldenleben, Op.40.
Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op. 28
Norbert Hauptmann (trompa), Gundula Janowitz (soprano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon Panorama 469 208-2

Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op.30. Don Juan, Op.20. Eine Alpensinfonie, Op.64.
Till Eulenspiegels lustige Streiche, Op.28. Vier letzte Lieder.
Anna Tomowa-Sintow (soprano)
Berlin Philharmonic Orchestra
Herbert von Karajan
Deutsche Grammophon 474 381-2
(1972, 1973)

Richard Strauss
Also Sprach Zarathustra, Op.30. Ein Heldenleben, Op.40.
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
RCA Living Stereo 82876 61389-2
(1954)

Richard Strauss
Also Sprach Zarathrusta, Op.30. Don Juan, Op.20. Four Last Songs.
Lucia Popp (soprano)
London Philharmonic Orchestra
Klaus Tennstedt
EMI Classics 5 86436-2

Internet



Richard Strauss
Richard Strauss online / allmusic / Classical Net / Schott Music / Richard Strauss Society / Boosey & Hawks / Classical Archives / Naxos / Arkiv Music / Wikipedia


22/08/2013

CDs #232: The Art of Ivry Gitlis

Em boa hora a editora Brilliant Classics lembrou-se de editar um CD triplo com gravações do violinista israelita Ivry Gitlis (1922-), pois estamos em presença de um grande intérprete, pouco conhecido do público em geral. O disco, lançado já no decorrer deste ano e abrangendo gravações que vão de 1953 a 1962, cobre uma boa parte do repertório central deste músico, com obras que vão dos grandes compositores românticos aos mais representativos do século XX.

Apesar de nunca ter pertencido ao "mainstream", teve uma longa e bem sucedida carreira, com estreias de grande sucesso em França, em 1951, e nos Estados Unidos, em 1955, a que se foram sucedendo digressões por vários países e continentes. No YouTube está disponível uma gravação de um desses concertos de 1955 nos Estados Unidos, do Concerto para Violino de Jean Sibelius (1865-1957), que também consta deste disco, com George Szell (1897-1970) à frente da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque (concerto gravado no dia 18 de Dezembro de 1955 no Carnegie Hall, Nova Iorque).

É, desde 1990, Embaixador da Boa Vontade da UNESCO.

Ivry Gitlis celebra hoje o seu 91º aniversário.


CD



The Art of Ivry Gitlis
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Violin Concerto in D, Op.35.
Max Bruch
Violin Concerto No.1 in G minor, Op.26.
Jean Sibelius
Violin Concerto in D minor, Op.47.
Felix Mendelssohn
Violin Concerto in E minor, Op.64.
Béla Bartók
Violin Concerto No.2, Sz112.
Alban Berg
Violin Concerto.
Paul Hindemith
Violin Concerto in D.
Igor Stravinsky
Violin Concerto in D.
Ivry Gitlis (violino)
Vienna Symphony Orchestra, Heinrich Hollreiser, Jascha Horenstein
Pro Musica Symphony, Vienna, William Strickland
Westphalia Symphony Orchestra, Hubert Reichert
Concerts Colonne Orchestra, Harold Byrns
Brilliant Classics  9145


Internet



Ivry Gitlis
Legendary Violinists / allmusic / Aurora Chamber Music / UNESCO / Wikipedia

28/07/2013

CDs #231: New Year's Concert 97

O maestro austríaco Josef Krips (1902-1974) foi um dos muitos que, aquando da anexação da Áustria pelos nazis em 1938, o Anschluss, teve que fugir do país, para onde apenas regressou uma vez a 2ª Grande Guerra terminada, em 1945. Foi por via desse retorno que Krips teve a oportunidade de ser o primeiro, após essa guerra, a dirigir tanto a Orquestra Filarmónica de Viena como a do Festival de Salzburgo. E foi também Krips quem dirigiu o primeiro Concerto de Ano Novo em Viena, no dia 1 de Janeiro de 1946.

Durante bastante tempo esses concertos foram sempre dirigidos pelo mesmo maestro: até 1954 pelo igualmente austríaco Clemens Krauss (1893-1954), entre 1955 e 1979 por Willi Boskovsky (1909-1991), a que se seguiu Lorin Maazel (1930-) até 1986. Após essa data a filosofia da coisa mudou, com vários maestros a serem convidados para dirigirem esses concertos. Lorin Maazel, por exemplo, voltaria a dirigi-los em 1994, 1996, 1999 e 2005.

Em 1997 a honra coube ao italiano Riccardo Muti (1941-), que já por lá tinha passado em 1993. Como é da tradição, foram interpretadas várias obras menos conhecidas da família Strauss, juntamente com outras de presença obrigatória, como o Danúbio Azul (An der schönen blauen Donau) e a Radetzky-Marsch.

Riccardo Muti celebra hoje o seu 72º aniversário.


CD



New Year's Concert 97
Johann Strauss
Motoren, Walzer, Op.265. 's gibt nur a Kaiserstadt, 's gibt nur a Wien!, Polka, Op.291.
Josef Strauss
Carrière, Polka schnell, Op.200. Frauenherz, Polka mazur, Op.166.
Johann Strauss
Hofballtänze, Walzer, Op.298. Bluette, Polka française, Op.271.
Die Bajadere, Polka schnell, Op.351.
Franz von Suppé
Leichte Kavallerie, Ouvertüre.
Johann Strauss
Freuet euch des Lebens, Walzer, Op.340. Patronessen, Polka française, Op.286.
Joseph Hellmesberger
Leichfüβig, Polka schnell.
Johann Strauss
Neue Pizzicato-Polka, Op.449. Fata Morgana, Polka mazur, Op.330.
Russischer Marsch, Op.426.
Josef Strauss
Dynamiden, Walzer, Op.173. Vorwärts!, Polka schnell, Op.127.
Josef Strauss
Eingesendet, Polka schnell, Op.240.
Johann Strauss
An der schönen blauen Donau, Walzer, Op.314.
Johann Strauss (father)
Radetzky-Marsch, Op.228.
Wiener Philharmoniker
Riccardo Muti
EMI Classics 5 56336-2


Internet




Riccardo Muti
Riccardo Muti / Riccardo Muti Music / allmusic / Bach Cantatas Website / Fundação Calouste Gulbenkian / ArkivMusic / Wikipedia

14/07/2013

Pianistas #37: Nadia Reisenberg (1904-1983)

Continuando na onda do piano, cabe agora a vez a Nadia Reisenberg, nascida na Lituânia mas com residência nos Estados Unidos (Nova Iorque) desde o início da década de 1920, tendo mesmo obtido a cidadania americana.

Apesar do seu nome ter ficado mais intimamente ligado a Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), a verdade é que nalguns dos seus concertos mais marcantes foram outros os compositores contemplados, como por exemplo o russo Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908); a primeira interpretação pública em Nova Iorque do seu Concerto para Piano foi da responsabilidade de Nadia Reisenberg, em 1924, com o já nosso conhecido Walter Damrosch (1862-1950) a dirigir a Orquestra Sinfónica daquela cidade.

Nadia Reisenberg nasceu há 109 anos, no dia 14 de Julho de 1904.


CDs



Joseph Haydn
Sonatas - Nos. 13, Hob.XVI.6; 35, Hob.XVI.43; 50, HobXVI.37; 53, Hob.XVI.34;
60, Hob.XVI.50;  62, Hob.XVI.52. Variations.
Nadia Reisenberg (piano)
Ivory Classics 70806
(1955-58)

Frédéric Chopin
Allegro de concert, Op.46. Barcarolle, Op.60. Berceuse, Op.57. Piano Sonata No.3, Op.58.
Complete Nocturnes and Mazurkas.
Nadia Reisenberg (piano)
Bridge 9276A/D
(1947-57)

George Frideric Handel
Keyboard Suite No.9, HWV434.
Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Sonata No.8, K310.
Carl Maria von Weber
Rondo brillante (La gaité), J252 Op.62.
Frédéric Chopin
Piano Sonata No.3, Op.58. Nocturne, Op. Posth.
Samuel Barber
Excursions, Op.20.
Alexander Scriabin
Six Études.
Igor Stravinsky
Étude, Op.7 No.4.
Nadia Reisenberg (piano)
Bridge 9304A/B
(1947)

'Women at the Piano, Vol.3'.
Naxos 8.111217
(1928-54)

Piotr Ilyich Tchaikovsky
Violin Concerto in D major, Op.35.
Mili Alexeyevich Balakirev
Tamara - Symphonic Poem.
Richard Wagner
Die Meistersinger von Nürnberg - Prelude. Die Walküre - Ride of the Valkyries.
Wolfgang Amadeus Mozart
Symphony No.34 in C, K338 - Finale Allegro Vivace.
Paul Creston
Threnody.
Gian-Carlo Menotti
The Old Maid and the Thief - Overture.
Mischa Portnoff
Piano Concerto.
Mishel Piastro (violino), Nadia Reisenberg (piano)
New York Philharmonic Orchestra
John Barbirolli
Barbirolli Society SJB1030/31
(1937-1942)


Internet



Nadia Reisenberg
The Nadia Reisenberg & Clara Rockmore Foundation / Jewish Women's Archive / The New York Times / Naxos / Wikipedia


30/06/2013

Compositores #110: Federico Mompou (1893-1987)

A lista de alunos de Isidore Philipp (1863-1958) é deveras impressionante, sendo que alguns deles já por aqui passaram e outros ainda por aqui passarão, como Aaron Copland (1900-1990), Jean Françaix (1912-1997), Yvonne Loriod (1924-2010), Nikita Magaloff (1912-1992) ou Albert Schweitzer (1875-1965), para citar apenas alguns.

Entre eles esteve igualmente o catalão Federico Mompou, que estudou com Isidore Philipp em Paris nos primeiros anos da década de 1910. Datam dessa altura as suas primeiras peças para piano, intituladas de Impresiones intimas. Como compositor, Mompou especializar-se-ia precisamente em escrever pequenas peças (miniaturas) para piano que, apesar de eminentemente catalãs, não disfarçam as influências francesas, principalmente de Claude Debussy (1862-1918) e de Eric Satie (1866-1925).

Num dos vídeos abaixo incluídos ouve-se o próprio Mompou a interpretar algumas das peças pertencentes ao ciclo de quinze Cançons y danses, pelo que é um documento duplamente interessante.

Federico Mompou faleceu há 26 anos, no dia 30 de Junho de 1987.


CDs





Piano Music by Federico Mompou
Cançons I danses - Nos. 1, 3, 5, 7, 8 and 9. Preludes - Nos. 1, 5, 6, 7, 9 & 10.
Cants mágics. Charmes. Variations.
Stephen Hough (piano)
Hyperion CDA66963
(1996)

Federico Mompou
Piano Music, Vol.1.
Cançons I danses. Six charmes. Scènes d'enfants.
Jordi Masó (piano)
Naxos 8.554332
(1997)

Federico Mompou
Cançons i danses. Six Charmes. 12 Variations sur un thème de Chopin.
Impresiones intimas. 12 Preludes - Nos.I-X. Suburbis. Paisajes.
Martin Jones (piano)
Nimbus NI5724/7

Federico Mompou
Piano Music, Vol.6.
El plany del captaire. Les fàbriques prop de la platja. Record de platja. Barri de platja.
Camins de sorra. Five Impressions. Pastotal en la boira. L'ermita de La Garriga.
Pastoral salvatge. Camí de muntanya. Les amigues retornen del camp. El camí del jardi.
Montseny. L'eco. Pensament. Impressions de muntaya. Two Little Preludes.
Prelude (1913). Two Arabesques. Estanys de paper de plata. Les hores. Ball pla.
Dansa dels tres reis que han caigut del camell. Cançó i dansa del pessebre.
Jordi Masó (piano)
Naxos 8.572142
(2009)

Leos Janácek
In the Mists.
Federico Mompou
Charmes.
Arvo Pärt
Variationen zur Gesundung von Arinushka.
John Tavener
Ypakoe.
Elena Riu (piano)
Linn Records CKD111

Frédéric Chopin
Valses.
Federico Mompou
Valse-Evocation.
Alexandre Tharaud (piano)
Harmonia Mundi HMC90 1927

Spanish Love Songs
Alexis-Emmanuel Chabrier
España.
Enrique Granados
Descúbrase el pensamiento. El mirar de la Maja.
Federico Mompou
Damunt de tu, només les flors.
Lorraine Hunt Lieberson (meio-soprano), Joseph Kaiser (tenor),
Steven Blier, Michael Barrett (pianos)
New York Festival of Song
Bridge BRIDGE9228
(2004)

Robert Schumann
Carnaval, Op.9. Faschingsschwank aus Wien, Op.26.
Claude Debussy
Images - Reflets dans l'eau; Hommage à Rameau; Cloches à travers les feuilles.
Frédéric Chopin
Fantaisie in F minor, Op.49. Ballade No.1 in G minor, Op.23. Waltz in E flat, Op. posth.
Federico Mompou
Canción y danza No.6 - Canción.
Arturo Benedetti Michelangeli (piano)
Testament SBT2088
(1957)


Internet



Federico Mompou
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