27/04/2014

Compositores #111: Steve Reich (1936-)

Depois de um pequeno interregno, com uma visita à Primavera de Claude Debussy (1862-1918), regresso à música minimalista, e com outro dos seus grandes expoentes, o compositor norte-americano Steve Reich.

Em 2006 tive a oportunidade de assistir ao vivo na Casa da Música a um concerto em que o próprio Reich participou, na ocasião com a obra Daniel Variations, escrita por solicitação da Daniel Pearl Foundation, uma associação criada na sequência do assassinato do jornalista Daniel Pearl (1963-2002) no Paquistão em Fevereiro de 2002.

Em 1972, e com o objectivo de escrever uma peça que não necessitasse de instrumentos musicais, Steve Reich compôs Clapping Music que, como o nome indica, apenas requer que os intépretes (originalmente 2, apesar de haver várias versões disponíveis com mais) saibam bater palmas em condições.

O vídeo que incluo a seguir tem um condimento extra, visto que conta com Reich na interpretação, em parceria com o percussionista David Cossin, um dos membros do grupo nova-iorquino Bang on a Can.

A estreia de Clapping Music ocorreu há 42 anos, no dia 27 de Abril de 1972.


CD



African Rhythms
African Traditional
György Ligeti
Etudes - Fanfares; Fém; Entrelacs; Pour Irina; A bout de souffle.
Steve Reich
Clapping Music. Music for Pieces of Wood.
Pierre-Laurent Aimard (piano)
Aka Pygmies
Teldec 8573-86584-2
(2001, 2002)


Internet



Steve Reich
The Steve Reich Website / Wikipedia



18/04/2014

Obras Orquestrais #23: Printemps, de Claude Debussy

A Villa Medici albergou a Academia Francesa em Roma desde 1803, na altura por decisão de Napoleão Bonaparte (1769-1821), até aos finais da década de 1960, sendo que os últimos Prix de Rome foram atribuídos em 1968.

Já por aqui referi noutras ocasiões que um dos vencedores desse prémio foi o compositor francês Claude Debussy (1862-1918), em 1884 com a cantata L'enfant prodigue.  A conquista desse prémio incluía uma estadia prolongada na Villa Medici e uma obrigação: a de enviar regularmente para a Academia de Belas Artes Francesa uma nova obra orquestral, para que o seu progresso como compositor pudesse ser confirmado.

Além de ter detestado a residência na mansão, tendo-a abandonado antes do prazo previsto, Debussy foi falhando com a entrega das partituras, tendo-se dado o caso de uma delas, a de Printemps, composta em 1887, ter chegado a Paris numa versão para dois pianos e coro, o que não corresponde exactamente a uma obra orquestral... A explicação dada pelo compositor foi a de que um incêndio teria destruído a partitura com a versão orquestral da obra, mas o que é certo é que essa versão apenas apareceria em 1912, e pelas mãos do compositor, organista e maestro Henri Büsser (1872-1973).



Algumas curiosidades:

- A inspiração para escrever Printemps veio da observação de um estudo do pintor francês Marcel Baschet (1862-1941), ele próprio um vencedor do Prix de Rome (em 1883, naturalmente na categoria de pintura), e que, por sua vez, se terá inspirado no quadro A Primavera de Botticelli (1445-1510);

- O quadro de Debussy aqui reproduzido é precisamente da autoria de Marcel Baschet, e foi pintado no ano em que o compositor venceu o Prix de Rome (1884).

- A Academia de Artes de Paris não gostou da obra, achando-a "demasiado progressiva" e apelidando-a de "impressionista", tendo sido a primeira vez que tal termo foi utilizado para cunhar uma obra de Debussy, e logo num sentido pejorativo!

Por último, refira-se que a estreia de Printemps ocorreu no dia 18 de Abril de 1913, passam hoje 101 anos.


SACD



Claude Debussy
Images. Jeux. Nocturnes. La mer. Prélude à L'après-midi d'un faune. Marche écossaise sur un thème populaire. Printemps. Two Movements from L'enfant prodigue. Berceuse héroïque.
Women of the Royal Scottish National Orchestra Chorus
Royal Scottish National Orchestra
Stephane Denève
Chandos CHSA5102
(2011, 2012)



Internet




Claude Debussy
allmusic / Naxos / Wikipedia

13/04/2014

Escritores #7: Samuel Beckett (1906-1989)

Um pouco à imagem do país, continuamos por aqui algo minimalistas, desta vez às voltas com a música do compositor norte-americano Philip Glass (1937-). E porque ele compôs obras para várias peças do poeta, romancista e dramaturgo irlandês Samuel Beckett, nascido no dia 13 de Abril de 1906, passam hoje 108 anos.

O primeiro encontro entre eles ocorreu em meados da década de 1960, quando Glass compôs a música para a peça Play, que tinha sido primeiro levada à cena no dia 14 de Junho de 1963, na Alemanha. Na década de 1970 a parceria prosseguiu, com Glass a musicar várias peças de Beckett (The Lost Ones, Cascando, Mercier and Camier). A primeira metade da década de 1980 assistiu a novos projectos, com Glass a providenciar a música para duas obras importantes de Beckett: Company (1983) e Endgame (1984).

Se a produção da segunda esteve longe de agradar ao escritor, já o caso de Company foi diferente, com Beckett a aprovar a música de Glass, para quarteto de cordas, que iria ser interpretada nos intervalos da peça. Company acabaria por ser editada como o Quarteto de Cordas Nº2 de Philip Glass, com o título de... Company, obviamente...

Além do carácter minimalista da música de Michael Nyman (1944-) e de Philip Glass, há ainda um outro ponto de contacto entre este e o anterior texto que publiquei: o documentário que incluo mais abaixo (embora apenas a 1ª parte) sobre Glass foi realizado por Peter Greenaway (1942-).


CD



Philip Glass
String Quartets 1-4.
Carducci String Quartet
Naxos 8.559636
(2008)


Internet



Samuel Beckett
The Samuel Beckett On-Line Resources and Links Pages / Nobel Prizes and Laureates / Wikipedia

Philip Glass
Official Website / Wikipedia

05/04/2014

Realizadores #1: Peter Greenaway (1942-)

O realizador britânico Peter Greenaway nasceu no dia 5 de Abril de 1942, celebrando então hoje o seu 72º aniversário. Tem vários e notáveis filmes no seu curriculum, sendo que um deles, The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover ("O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela"), me impressionou particularmente, e por dois motivos principais: o argumento, uma rebuscada história de amores, traições e vinganças (cujo ponto alto acontece quando a mulher adúltera obriga o marido a comer do corpo cozinhado do amante), e a banda sonora, da autoria do compositor inglês Michael Nyman (1944-).


A colaboração entre os dois já vinha de trás e estendeu-se no tempo, com Nyman a escrever as músicas para vários outros filmes de Greenaway: The Draughtsman's Contract (1982), A Zed and Two Noughts (1985), Drowning by Numbers (1988) e Propero's Books (1991).


CD



Michael Nyman
The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover.
The Michael Nyman Band
EMI 5 98459-2


Internet



Peter Greenaway
IMDb / A Tribute to: Peter Greenaway / Wikipedia

Michael Nyman
IMDb / Official Website / Wikipedia

01/04/2014

CDs #235: Rachmaninov, 24 Preludes

Apesar de hoje ser o dia que é, um novo regresso do compositor russo Sergei Rachmaninov (1873-1943) não resulta de qualquer descuido ou engano, mas apenas do facto de ele se ter lembrado de nascer a um dia 1 de Abril, no caso do ano de graça de 1873. E também não é por acaso que a sua música para piano volta à baila pois, além de ter sido um extraordinário pianista, deixou-nos um importante conjunto de obras para esse instrumento.

Desse conjunto fazem parte os Prelúdios, num total de 24, assim distribuídos:

- Um isolado, o Op.3 Nº2,
- Outros 10 prelúdios, sob o Op.23, e
- Mais 13, sob o Op.32

Por feliz coincidência estes 24 prelúdios demoram, regra geral (!), um pouco menos de 80 minutos a serem tocados, o que cabe perfeitamente dentro de um único CD. Foi precisamente o que fez o pianista escocês Steven Osborne (1971-), que os gravou em Agosto de 2008, resultando neste disco da editora Hyperion.




Sergei Rachmaninov
Preludes - in C sharp minor, Op.3 No.2; Op.23; Op.32.
Steven Osborne
Hyperion CDA67700
(2008)


Internet



Sergei Rachmaninov
The Rachmaninoff Network / Piano Society

Steven Osborne
Steven Osborne Pianist