24/12/2015

Poetas #8: Louis Aragon (1897-1982)

Louis Aragon, Louis Andrieux de nascença, foi um poeta e romancista francês, membro fundador do movimento surrealista, em conjunto com os escritores e poetas André Breton (1896-1966) e Philippe Soupault (1897-1990). Após a adesão ao Partido Comunista, em 1927, acabou por abandonar o surrealismo, virando-se para a exaltação do comunismo, através de vários romances devidamente revolucionários.

Aragon não escapou às agruras da 2ª Guerra Mundial, tendo sido mobilizado logo em 1939, e vindo depois a tornar-se membro da Resistance. Mais tarde celebraria a resistência francesa em diversos textos, nomeadamente em La Diane française, uma colecção de poemas de que faz parte, por exemplo, La Rose et le Réséda:

Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Tous deux adoraient la belle
Prisonnière des soldats
Lequel montait à l'échelle
Et lequel guettait en bas
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Qu'importe comment s'appelle
Cette clarté sur leur pas
Que l'un fut de la chapelle
Et l'autre s'y dérobât
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Tous les deux étaient fidèles
Des lèvres du coeur des bras
Et tous les deux disaient qu'elle
Vive et qui vivra verra
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Quand les blés sont sous la grêle
Fou qui fait le délicat
Fou qui songe à ses querelles
Au coeur du commun combat
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Du haut de la citadelle
La sentinelle tira
Par deux fois et l'un chancelle
L'autre tombe qui mourra
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Ils sont en prison Lequel
A le plus triste grabat
Lequel plus que l'autre gèle
Lequel préfère les rats
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Un rebelle est un rebelle
Deux sanglots font un seul glas
Et quand vient l'aube cruelle
Passent de vie à trépas
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Répétant le nom de celle
Qu'aucun des deux ne trompa
Et leur sang rouge ruisselle
Même couleur même éclat
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
Il coule il coule il se mêle
À la terre qu'il aima
Pour qu'à la saison nouvelle
Mûrisse un raisin muscat
Celui qui croyait au ciel
Celui qui n'y croyait pas
L'un court et l'autre a des ailes
De Bretagne ou du Jura
Et framboise ou mirabelle
Le grillon rechantera
Dites flûte ou violoncelle
Le double amour qui brûla
L'alouette et l'hirondelle
La rose et le réséda

Foi também durante essa guerra que o compositor francês Francis Poulenc (1899-1963) compôs e publicou Deux Poemes de Louis Aragon, que incluo mais abaixo numa interpretação do soprano francês Régine Crespin (1927-2007). Ou de como a guerra acabou por juntar a música de um católico fervoroso aos poemas de um comunista convicto...

Louis Aragon faleceu há 33 anos, no dia 24 de Dezembro de 1982.


CD



Hector Berlioz
Les nuits d'été, Op.7.
Maurice Ravel
Shéhérazade.
Claude Debussy
Trois chansons de Bilitis.
Francis Poulenc
Banalités. Deux poèmes de Louis Aragon.
Régine Crespin (soprano), John Wustman (piano)
L'Orchestre de la Suisse Romande
Ernest Ansermet
Decca Legends 460 973-2


Internet



Louis Aragon
PoemHunter.com / poetica / Wikipedia

Francis Poulenc
The Official Website / Bach Cantatas Website / Naxos / Wikipedia

13/12/2015

Sinfonias #53: Symphony of Psalms, de Igor Stravinsky

Serge Koussevitzky (1874-1951) foi o maestro principal da Orquestra Sinfónica de Boston entre 1924 e 1949, o que dá uma boa ideia do sucesso que teve por aquelas bandas. O concerto inaugural dessa orquestra teve lugar no dia 22 de Outubro de 1881, pelo que à data das celebrações do 50º aniversário era Koussevitzky o seu principal regente. Para assinalar condignamente essa data o nosso maestro não se fez rogado na lista de compras, tendo encomendado obras a alguns dos mais importantes compositores: Howard Hanson, Paul Hindemith, Sergei Prokofiev, Maurice Ravel, Albert Roussel. A esta lista deveremos acrescentar ainda Igor Stravinsky (1882-1971) que, para o efeito, escreveu a Symphony of Psalms.

Curiosamente, a estreia acabaria por ter lugar em Bruxelas, no dia 13 de Dezembro de 1930, passam hoje 85 anos, com a Orquestra da Sociedade Filarmónica local a ser dirigida pelo nosso já bem conhecido Ernest Ansermet (1883-1969). A cidade de Boston apenas a ouviria 6 dias depois...


CDs




Igor Stravinsky
Symphony of Psalms. Symphony in Three Movements. Symphonies of Wind Instruments.
Berlin Radio Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 457 616-2

Igor Stravinsky
Symphony of Psalms. Les Noces. Threni: The Lamentations of Jeremiah.
A. Wells, J. Moffat (sopranos), S. Bickley, J. Lane (meios-sopranos), M. Hill, J. Cornwell (tenores)
A. Ewing, D. Wilson-Johnson, M. Robson (baixos)
Tristan Fry Percussion Ensemble
Simon Joly Chorale
Philharmonia Orchestra
Robert Craft
Koch International Classics KICCD7514

Igor Stravinsky
Symphony of Psalms. Cantata on old English texts. Mass. Babel. Credo. Pater noster. Ave Maria.
Mary Ann Hart (meio-soprano), Thomas Bogdan (tenor), David Wilson-Johnson (narrador), Michael Parloff, Bart Feller (flautas)
S. Taylor (oboé), M. Feld (cora), F. Sherry (violoncelo)
Gregg Smith Singers
Simon Joly Chorale
Philharmonia Orchestra
St Luke's Orchestra
Robert Craft
Naxos 8.557504
(1992, 1995, 2001, 2002)

Igor Stravinsky
Symphony in Three Movements. Symphony of Psalms. Symphony in C.
Berlin Radio Choir
Berlin Philharmonic Orchestra
Simon Rattle
EMI 2 07630-0


Internet



Igor Stravinsky
Igor Stravinsky Foundation / Boosey & Hawkes / Wikipedia

06/12/2015

Maestros #66: Nikolaus Harnoncourt (1929-)

Violoncelista de formação, Nikolaus Harnoncourt começou a dirigir orquestras por volta de 1970, contava na altura cerca de 40 anos de idade. Se atendermos a que hoje, 45 anos depois, ainda continua a dirigi-las, ficamos com uma boa ideia da longevidade do maestro. Só temos que estar felizes e agradecidos, especialmente neste dia em que celebra o seu 86º aniversário.

A prestigiada editora Deutsche Grammophon, por outro lado, foi fundada no dia 6 de Dezembro de 1898, passam hoje 117 anos. Que melhor forma de assinalar ambas as datas do que aqui trazendo um dos poucos (senão mesmo o único) discos que Harnoncourt gravou para essa editora?

Deixo aqui então os dados e as imagens do Concerto de Ano Novo de 2003, onde, como dita a tradição, a família Strauss teve lugar de honra, com valsas de vários dos seus membros a marcarem presença. Diga-se que Harnoncourt só uma outra vez dirigiu tal concerto, no ano de 2001.


CD



New Year's Concert 2003
Wiener Philharmoniker
Nikolaus Harnoncourt
Deutsche Grammophon 474 250-2


Internet



Nikolaus Harnoncourt
Nikolaus Harnoncourt / Bach Cantatas Website / Wikipedia

22/11/2015

Concertos para Violino #11: Concerto para Violino, de Arnold Bax

Jascha Heifetz (1901-1987) foi um dos mais virtuosos violinistas de todos os tempos, e raramente perdia uma oportunidade para mostrar o nível estratosférico da sua técnica. Seria esse um dos motivos para de quando em vez recusar uma obra que lhe tinha sido dedicada, por acreditar que ela não lhe daria grandes oportunidades para brilhar.

Uma das vítimas foi o compositor inglês Arnold Bax (1883-1953) e o seu concerto para violino, começado a compor em 1937 e terminado no mês de Março do ano seguinte. Dedicou-o a Heifetz, mas este recusou a gentileza, convencido como estava de que o concerto padecia da falta de desafios técnicos. Como resultado, a partitura passou alguns anos na gaveta, até que a aproveitou para satisfazer uma encomenda que lhe fizeram para escrever uma obra para as celebrações do dia de Santa Cecília, em 1943. A obra já estava escrita e tudo, pelo que o trabalho do compositor, neste caso em particular, não terá sido dos mais complicados...

O Concerto para Violino de Bax foi então estreado no dia 22 de Novembro de 1943, passam hoje 72 anos. Na ocasião Eda Kersey (1904-1944) foi a solista de serviço, com o já nosso bem conhecido Henry Wood (1869-1944) a dirigir a Orquestra Sinfónica da BBC.


CD



Arnold Bax
Symphony No.3. Violin Concerto.
Eda Kersey (violino)
Hallé Orchestra, John Barbirolli
BBC Symphony Orchestra, Adrian Boult
Dutton Laboratories Epoch CDLX7111
(1943, 1944)


Internet



Arnold Bax
The Sir Arnold Bax Website / Naxos / Bach Cantatas Website / Wikipedia


15/11/2015

Sinfonias #52: Sinfonia Nº5, de Mendelssohn

No dia 25 de Junho de 1830 teriam lugar em Berlim as cerimónias que assinalariam o tricentenário da Confissão de Augsburgo, e o compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847) planeava estrear uma sinfonia que iria compor especialmente para aquela ocasião, a "Sinfonia da Reforma".

Uma série de percalços, contudo, que passaram por problemas de saúde que enfrentou e por sensíveis questões políticas e religiosas que se foram colocando, fizeram com que os planos de Mendelssohn saíssem furados, e no dia planeado acabou por não haver sinfonia para ninguém.

A estreia acabaria por ter lugar, ainda em Berlim, numa audição privada no dia 15 de Novembro de 1832, passam hoje 183 anos, com os músicos a serem dirigidos pelo próprio compositor. Seria a primeira e última vez que ele dirigiria esta obra.


CDs



Felix Mendelssohn
Symphonies - No.4 in A, 'Italian', Op.90 (original and revised versions); No.5 in D, 'Reformation', Op.107.
Vienna Philharmonic Orchestra
John Eliot Gardiner
Deutsche Grammophon 459 156-2

Felix Mendelssohn
Symphonies - No.3 in A minor, 'Scottish', Op.56; No.5 in D, 'Reformation', Op.107.
Dresden Staatskapelle
Colin Davis
Profil Medien PH05048


Internet



Felix Mendelssohn
Felix Mendelssohn / Bach Cantatas Website / allmusic / Wikipedia

07/11/2015

Pianistas #44: Hélène Grimaud (1969-)

Plagiando descaradamente um artista da nossa praça, pode-se dizer que a pianista francesa (nasceu em Aix-en-Provence) Hélène Grimaud tem dois amores: a música e os lobos. Esta última faceta, interessantíssima por sinal, não será hoje abordada aqui, mas os mais curiosos poderão espreitar o site do Centro de Conservação dos Lobos, uma organização sem fins lucrativos que ela co-fundou em Nova Iorque em 1999, com o objectivo de ajudar a promover a conservação daquela espécie.

Uma das boas gravações de Grimaud foi efectuada em 1998, acompanhada pela Staatskapelle de Berlim sob a direcção do maestro Kurt Sanderling (1912-2011), em que interpretaram o Concerto para Piano Nº1 de Johannes Brahms (1833-1897). No vídeo que incluo mais abaixo é de novo esta obra que aparece, só que desta vez a acompanhar a pianista está a SWR Sinfonieorchester Baden-Baden und Freiburg dirigida por Michael Gielen (1927-).

Hélène Grimaud celebra hoje o seu 46º aniversário.


CD



Johannes Brahms
Concerto for Piano and Orchestra No.1 in D minor, Op.15.
Hélène Grimaud (piano)
Staatskapelle Berlin
Kurt Sanderling
Erato 3984 21633-2


Internet



Hélène Grimaud
Official Website / New Yorker / Wikipedia

25/10/2015

Concertos para Violino #10: Concerto para Violino Nº2, de Martinu

Bohuslav Martinu (1890-1959) não é, seguramente, um dos mais conhecidos compositores checos (posição ocupada, por exemplo, por Antonín Dvorák e Bedrich Smetana), mas deixou-nos um vasto repertório que merece ser explorado e apreciado.

De entre as obras concertantes que escreveu as mais conhecidas serão os dois concertos para violoncelo e o concerto para oboé. Compôs também dois concertos para violino, o primeiro dos quais foi estreado, postumamente, no dia 25 de Outubro de 1973, passam hoje 42 anos, havendo uma explicação fácil para tal atraso: é que durante muito anos o concerto foi dado como perdido, tendo o manuscrito apenas sido descoberto em 1968, 9 anos após a morte do compositor.


CDs



Bohuslav Martinu
The Complete Music for Violin and Orchestra
Violin Concertos - No.1, H226; No.2, H293.
Bohuslav Matousek (violino)
Czech Philharmonic Orchestra
Christopher Hogwood
Hyperion CDA67674
(2001, 2004)

Bohuslav Martinu
Violin Concertos - No.1, H226; No.2, H293. Rhapsody-Concerto, H337.
Josef Suk (violino)
Czech Philharmonic Orchestra
Václav Neumann
Supraphon SU3967-2
(1973, 1987)


Internet



Bohuslav Martinu
Bohuslav Martinu Foundation / Boosey & Hawkes / Wikipedia

18/10/2015

CDs #238: The Dawn of Recording

Em 1876 o norte-americano Thomas Edison (1847-1931) construiu um laboratório em Menlo Park, Nova Jérsia, que passaria a ser o principal berço das suas inúmeras invenções. A primeira que trouxe o nome dele para a ribalta foi a do fonógrafo, nascido a partir das experiências que na altura estava a efectuar com o objectivo de melhorar a eficiência do telégrafo. Edison tinha o primeiro fonógrafo a funcionar em Agosto de 1877, mas apenas pediu a respectiva patente no dia 24 de Dezembro desse ano, e começou a sua comercialização em 1878.

Nessa época o sul-africano Julius Block (1858-1934) mostrava ser um excelente homem de negócios, desenvolvendo com sucesso na Rússia a empresa que lá herdara do seu pai. A carreira que ambicionara no mundo da música é que saiu prejudicada, mas Block nunca desistiu, de uma forma ou de outra, de ter alguma intervenção na área musical. Foi dos primeiros, senão mesmo o primeiro, a imaginar uma aplicação para o fonógrafo de Edison que fosse para além do mero entretenimento familiar e, em 1889, tratou mesmo de visitar o tal laboratório do grande inventor com o objectivo de confirmar as potencialidades da engenhoca. O próprio inventor se encarregou da demonstração, e terá impressionado de tal modo o sul-africano que este só descansou quando garantiu que poderia levar um consigo.

O que se passou a partir daí constitui uma das páginas mais extraordinárias da história da música. Block exibiu a novidade não só ao czar, como a vários conservatórios e universidades, e passou a organizar sessões fonográficas, gravando para a posteridade alguns dos mais importantes intérpretes de então. Durante várias décadas pensou-se que os cilindros com as gravações estavam definitivamente perdidos, até que alguns apareceram no início da década de 1990, e uma quantidade mais substancial foi recuperada mais recentemente, em 2002, o que permitiu que aparecessem agora num disco triplo editado pela Marston Records. Só para terem uma ideia do valor histórico deste documento, refiro que a gravação mais antiga tem 120 anos, visto ter sido efectuada em Janeiro de 1890!

Thomas Edison faleceu há 84 anos, no dia 18 de Outubro de 1931.




The Dawn of Recording - The Julius Block Cylinders
Marston Records 53011-2


Internet



Thomas Edison
Thomas Edison Home Page / Edison Innovation Foundation / Wikipedia

11/10/2015

Concertos para Piano #16: Concerto para Piano Nº1, de Chopin

"Hats off, gentlemen! A genius!", foi a expressão, embora suponho que em alemão..., que o compositor Robert Schumann (1810-1856) utilizou para chamar a atenção dos mais distraídos para Frédéric Chopin (1810-1849), pouco tempo antes de este se ter mudado para Paris, em 1831, depois de uma curta estadia em Viena.

No ano anterior, em 1830 portanto, Chopin tinha estreado os seus 2 concertos para piano: em Março o Concerto para Piano Nº2 que, curiosamente, tinha sido o primeiro que ele tinha composto, e no dia 11 de Outubro, passam hoje 185 anos, o Concerto para Piano Nº1, com o próprio compositor ao piano, no âmbito de uma série de concertos que deu de despedida da sua terra natal.

Chopin dedicou o Concerto para Piano Nº1 a Friedrich Kalkbrenner (1785-1849), compositor, pianista, professor e construtor de pianos, através da sua associação com a casa Pleyel.


CDs





Frédéric Chopin
Piano Concertos - No.1 in E minor, Op.11; No.2 in F minor, Op.21.
Martha Argerich (piano)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
EMI 5 56798-2
(1998)

Frédéric Chopin
Piano Concertos - No.1 in E minor, Op.11; No.2 in F minor, Op.21.
Krystian Zimerman (piano)
Polish Festival Orchestra
Krystian Zimerman
Deutsche Grammophon 459 684-2
(1999)

Frédéric Chopin
Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11.
Franz Liszt
Piano Concerto No.1 in E flat major, S124.
Yundi Li (piano)
Philharmonia Orchestra
Andrew Davis
Deutsche Grammophon 477 6402
(2006)

Frédéric Chopin
Piano Concertos - No.1 in E minor, Op.11; No.2 in F minor, Op.21.
Artur Rubinstein (piano)
Los Angeles Philharmonic Orchestra, Alfred Wallenstein
NBC Symphony Orchestra, William Steinberg
Naxos Historical 8.111296
(1953, 1946)

Frédéric Chopin
Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11. Four Ballades. Barcarolle, Op.60.
Nocturnes - No.5, Op.15 No.2; No.13, Op.48 No.1; No.17, Op. posth.
Friedrich Gulda (piano)
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Deutsche Grammophon 477 8724

Frédéric Chopin
Piano Concerto No.1 in E minor, Op.11. Fantasia on Polish Airs, Op.13.
Krakowiak, Op.14.
Eldar Nebolsin (piano)
Warsaw Philharmonic Orchestra
Antoni Wit
Naxos 8.572335
(2009)

Frédéric Chopin
Piano Concertos - No.1 in E minor, Op.11; No.2 in F minor, Op.21.
Daniel Barenboim (piano)
Berlin Staatskapelle
Andris Nelsons
Deutsche Grammophon 477 9520
(2010)

Frédéric Chopin
Piano Concertos - No.1 in E minor, Op.11; No.2 in F minor, Op.21.
Ingrid Fliter
Scottish Chamber Orchestra
Jun Märkl
Linn Records CKD455
(2013)

Murray Perahia plays Chopin
Concertos, Sonatas, Ballades, Mazurkas, Études, Préludes, Impromptus and more.
Murray Perahia (piano)
Israel Philharmonic Orchestra
Zubin Mehta
Sony Classical 88843 06243-2
(1973)


Internet



Frédéric Chopin
Our Chopin / Chopin Muzeum / Classical Net / Wikipedia

04/10/2015

Concertos para Violoncelo #3: Concerto para Violoncelo Nº1, de Shostakovich

Dmitri Shostakovich (1906-1975) compôs aos pares, no que a concertos para instrumentos diz respeito: 2 para piano, 2 para violino e 2 para violoncelo; um número curiosamente reduzido, se atendermos ao facto de ter sido um compositor assaz prolífico (só sinfonias foram 15...).


Este seu primeiro concerto para violoncelo foi escrito em Julho de 1959 e, segundo alguns, foi influenciado pelos incidentes envolvendo a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Boris Pasternak (1890-1960) e a edição de Doutor Jivago; este romance foi primeiramente editado em 1957 e em Itália, pelo facto da sua publicação ter sido proibida na União Soviética. Pasternak viu-se ainda forçado a rejeitar o referido prémio, numa humilhação pública que muito terá afectado Shostakovich, ele próprio várias vezes vítima do zelo persecutório das autoridades soviéticas.

Claro que o compositor teve que dissimular bem toda e qualquer referência desalinhada com os ditames do regime pois, apesar de Estaline ter falecido 6 anos antes de Shostakovich compor este concerto, as regras do socialismo realista durariam até perto da década de 1970...

O Concerto para Violoncelo Nº1 de Shostakovich foi estreado há 56 anos, no dia 4 de Outubro de 1959, com Mstislav Rostropovich (1927-2007) como solista e o maestro Evgeny Mravinsky (1903-1988) à frente da Orquestra Filarmónica de Leninegrado.


CDs




Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat major, Op.107.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Symphony No.4 in F minor, Op.36.
Mstislav Rostropovich (violoncelo)
Leningrad Philharmonic Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky
BBC Legends BBCL4143-2
(1960, 1971)

Dmitri Shostakovich
Cello Concertos - No.1 in E flat major, Op.107; No.2 in G minor, Op.126.
Heinrich Schiff (violoncelo)
Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks
Maxim Shostakovich
Philips 412 526-2

Dmitri Shostakovich
Cello Concertos - No.1 in E flat major, Op.107; No.2 in G minor, Op.126.
Daniel Müller-Schott (violoncelo)
Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks
Yakov Kreizberg
Orfeo C659 081A

Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat major, Op.107. Cello Sonata in D minor, Op.40. Moderato.
Emmanuelle Bertrand (violoncelo), Pascal Amoyel (piano)
BBC National Orchestra of Wales
Pascal Rophé
Harmonia Mundi HMC90 2142
(2013)

Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat major, Op.107.
Zoltán Kodály
Solo Cello Sonata, Op.8.
Pieter Wispelwey (violoncelo)
Australian Chamber Orchestra
Richard Tognetti
Channel Classics CCS15398
(1999)

William Walton
Cello Concerto.
Dmitri Shostakovich
Cello Concerto No.1 in E flat major, Op.107.
Jamie Walton (violoncelo)
Philharmonia Orchestra
Alexander Briger
Signum SIGCD220
(2009)


Internet



Dmitri Shostakovich
Dmitri Shostakovich / Classical Net / Wikipedia

27/09/2015

Concertos para Violino #9: Concerto para Violino Nº8, de Louis Spohr

Louis Spohr (1784-1859) foi um compositor alemão quase contemporâneo de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e de quem se fala pouco hoje em dia, apesar de no seu tempo ter brilhado a grande altura, principalmente como violinista virtuoso. Escreveu 18 concertos para o seu instrumento de eleição, o violino, sendo que o seu Concerto para Violino e Orquestra Nº8, Op.47, de 1816, foi sempre o mais popular e, provavelmente, passa mesmo por ser a sua composição mais interpretada.

A estreia ocorreu em Itália, na cidade de Milão, no dia 27 de Setembro de 1816, passam hoje 199 anos. Nos vídeos abaixo incluídos (apenas com som) a solista de serviço é a norte-americana Hillary Hahn (1979-), uma das grandes violinistas da actualidade.


CD



Niccolò Paganini
Violin Concerto No.1 in D, Op.6.
Louis Spohr
Violin Concerto No.8 in A minor, Op.47.
Hillary Hahn (violino)
Swedish Radio Symphony Orchestra
Eiji Oue
Deutsche Grammophon 477 6232
(2005, 2006)


Internet



Louis Spohr
The Spohr Society of Great Britain / allmusic / Naxos / Wikipedia

13/09/2015

Poetas #7: Julian Tuwim (1894-1953)

Vários dos poemas de Julian Tuwim foram musicados por alguns dos mais importantes compositores polacos, nomeadamente Karol Szymanowski (1882-1937) e Witold Lutoslawski (1913-1994). Szymanowski musicou Słopiewnie e Lutoslawski Piosenki dziecinne (Canções infantis), Spóźniony słowik e O Panu Tralalińskim (O Senhor Tralalińskim).

Julian Tuwim teve uma breve passagem por Portugal, por motivos fáceis de compreender: o facto de ser polaco de origem judaica levou-o a ter que abandonar o seu país natal em 1939, quando as forças nazis invadiram a Polónia; o primeiro destino que escolheu foi a França, mas quando este país deixou de ser um poiso seguro optou por rumar ao Brasil, e foi nessa altura que fez uma paragem aqui no pequeno rectângulo.

Pois eu acabei de descobrir outra relação de Tuwim com Portugal, sob a forma de um dos seus poemas, e bem a propósito do agitado momento político que atravessamos. Ora aqui vai (na versão em inglês, dado que a versão em polaco seria aqui inútil e não encontrei nenhuma em português...):

I roast in the sun, old wretch...
I lie, and yawn, I stretch.
Old am I, but full of pep:
When I take a slug from the cup
I sing.
My ancient bones bask in the sun's glow,
And my curly, wise, grey head.
In that wise head, like woods in spring
Hums and hums a wiser wine.
Eternal thoughts flow and flow,
Like time.

Ainda não perceberam onde está a relação?! Então atentem ao título do poema: The Dancing Socrates.

Julian Tuwin nasceu há 121 anos, no dia 13 de Setembro de 1894.


Internet




Julian Tuwim
PoemHunter.com / culture.pl / Wikipedia

30/08/2015

Meios-sopranos #6: Regina Resnik (1922-2013)

A Little Night Music é um musical, onde tanto o texto como a música são da responsabilidade do norte-americano Steven Sondheim (1930-). O título, está bom de ver, resulta da tradução literal da Serenata Nº13 de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Eine Kleine Nachtmusik.

Esteve nos palcos da Broadway cerca de 1 ano e meio, entre Fevereiro de 1973 e Agosto de 1974, tendo continuado a ser apresentado regularmente em vários locais, tanto nos Estados Unidos como na Europa. A par com as companhias teatrais, também as operáticas incluíram este musical nos seus repertórios; uma delas foi a da Ópera da Cidade de Nova Iorque, que o apresentou por 18 vezes, entre Agosto de 1990 e Julho de 1991.

Do elenco fazia parte o meio-soprano Regina Resnik, que tomou como seu o papel da Madame Armfeldt. Refira-se que esta cantora norte-americana, nascida passam hoje 93 anos, começou a sua carreira como soprano, em 1942, e só 14 anos depois, em Fevereiro de 1956, se apresentou pela primeira vez em palco como meio-soprano.


Internet



Regina Resnik
Jewish Women's Archive / Gramophone / The New York Times / Wikipedia

19/08/2015

Sinfonias #51: Sinfonia Nº1, de George Enescu

Apesar de ser considerado o mais importante dos compositores romenos, o virtuosismo de George Enescu (1881-1955), o violinista, eclipsou em larga medida a sua faceta de compositor. Foi como intérprete, aliás, que teve a oportunidade de partilhar os palcos com outros grandes nomes, como o pianista Alfred Cortot (1877-1962), o violoncelista Louis Fournier ou o igualmente pianista Alfredo Casella (1883-1947).

Foi precisamente a este último que Enescu dedicou a sua Sinfonia Nº1, escrita em 1905 e estreada no dia 21 de Janeiro do ano seguinte. São óbvias as influências germânicas (Brahms, Wagner) e francesas (Berlioz, Franck) nesta obra, naturais para quem estudou as respectivas escolas, primeiro em Viena e logo depois em Paris.

George Enescu nasceu há 134 anos, no dia 19 de Agosto de 1881.


CDs


George Enescu
Symphony No.1 in E flat major, Op.13. Suite No.3 in D major, "Villageoise", Op.27.
BBC Philharmonic Orchestra
Gennady Rozhdestvensky
Chandos CHAN9507
(1995, 1996)

George Enescu
Symphonies - No.1 in E flat major, Op.13; No.2 in A major, Op.17; No.3 in C major, Op.21.
Vox Maris.
Catherine Sydney (soprano), Marius Brenciu (tenor)
Les Éléments Chamber Choir
Monte-Carlo Philharmonic Orchestra
Lyon National Orchestra
Lawrence Foster
EMI Classics 5 86604-2
(1990, 1992, 2004)


Internet



George Enescu

01/08/2015

Pianistas #43: John Ogdon (1937-1989)

Seis anos depois regresso a este pianista (e compositor) inglês, cuja carreira, a partir de certa altura, foi prejudicada pelos problemas de saúde mental que começou a evidenciar. Foi um dos alunos de uma das minhas pianistas de eleição, Myra Hess (1890-1965), aquela que, enquanto Londres era intensamente bombardeada pelas forças alemãs durante a 2ª Guerra Mundial, manteve uma série de recitais à hora de almoço na National Gallery.

Incluo mais abaixo dois vídeos que considero particularmente interessantes: no primeiro interpreta a Valse Oubliée de Franz Liszt; no segundo, apenas com som, toca o Concerto para Piano de Ferruccio Busoni (1866-1924), a obra com que se estreou em palco em Londres, corria o ano de 1958.

John Ogdon faleceu há 26 anos, no dia 1 de Agosto de 1989.


CDs




John Ogdon Plays a Liszt Recital
Années de pèlerinage, deuxième année, Italie, S161- No.7.
Liebesträume, S541 - No.1 in A flat, 'Hohe Liebe'.
Trauer-Vorspiel, S206 No.1 & No.2. Réminiscences de Simon
Boccanegra, S438. Two Concert Studies, S145. Études d'exécution
transcendants d'après Paganini, S140 - No.2 & No.3. Harmonies
poétiques et religieuses, S173 - No.7. Mephisto Waltz No.1, S514,
'Der Tanz in der Dorfschenke'.
John Ogdon (piano)
Testament SBT1133
(1961, 1963, 1966, 1968)

Franz Liszt
Piano Concertos - No.1 in E flat, S124; No.2 in A, S125. Mephisto
Waltz No.1, S514. Transcendental Study, S139 No.1.
John Ogdon (piano)
Bournemouth Symphony Orchestra, Constantin Silvestri
BBC Symphony Orchestra, Colin Davis
BBC Legends BBCL4089-2
(1967, 1969, 1970, 1971)

Sergei Rachmaninov
Etudes-tableaux - Op.33; Op.39.
Ferruccio Busoni
Variations and Fugue on Chopin's C minor Prelude, K213. Turandots
Frauengemach (Intermezzo), K249 No.4. Sonatina No.6, K284.
John Ogdon (piano)
Testament SBT1295
(1961, 1974)

John Ogdon - Legendary British Virtuoso
Obras de Bach, Bartók, Beethoven, Birtwistle, D. Blake, Busoni, Chaminade, Chopin,
Maxwell Davies, Debussy, Dukas, Dutilleux, Fauré, Franck, Glazunov, Goehr, Granados,
Grieg, Richard Hall, Headington, Hoddinott, Ibert, Ireland, Liszt, Litolff,
Mendelssohn, Messiaen, Moszkowski, Mozart, Ogdon, Poulenc, Rachmaninov, Rawsthorne,
Schmitt, Schumann, C. Scott, Johnson Sherlaw, Shostakovich, Sinding, Stevenson,
Tchaikovsky e Tippett
John Ogdon (piano), com Brenda Lucas (piano), James Holland, Tristan Fry (percussão)
John Alldis Choir
Royal Philharmonic Orchestra, Daniel Revenaugh
City of Birmingham Symphony Orchestra, Louis Frémaux
Philharmonia Orchestra, John Barbirolli, John Pritchard, Colin Davis
Bournemouth Symphony Orchestra, Paavo Berglund
New Philharmonia Orchestra, Paavo Berglund
London Symphony Orchestra, Aldo Ceccato
Royal Philharmonic Orchestra, Lawrence Foster
EMI Icon 7 04637-2

John Ogdon - The Complete RCA Album Collection
Obras de Alkan, Beethoven, Liszt, Mennin, Nielsen, Rachmaninov e Yardumian
John Ogdon (piano)
RCA 88843 03907-2


Internet



John Ogdon
John Ogdon Foundation / John Ogdon: A Pianist Possessed / Wikipedia