Mostrar mensagens com a etiqueta Alessandro Scarlatti. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alessandro Scarlatti. Mostrar todas as mensagens

14/04/2009

CDs #200: Haendel, Il trionfo del tempo e del disinganno

O pontificado de Benedetto Odescalchi (1611-1689), o papa Inocêncio XI, foi marcado, entre outras coisas, pelos constantes problemas que teve com o rei francês Luís XIV (1638-1715), que começaram ainda antes de chegar ao posto mais alto da Igreja, em Setembro de 1676. Tivesse vingado a vontade do rei, aliás, e Odescalchi nunca lá teria chegado... Inocêncio XI procurou promover a moral e os bons costumes, nomeadamente entre o clérigo, onde tais qualidades pareciam escassear..., mas também entre o povo, tendo decretado, por exemplo, o fim das casas de jogo em Roma e a proibição da ópera.

Proibição essa ainda em vigor quando o compositor alemão Georg Friedrich Händel (1685-1759) passou uma temporada em Itália, entre 1706 e 1709. Resolveu o problema da mesma forma que outros já o tinham feito anteriormente, virando-se para os oratórios. Que, na verdade, não eram assim tão diferentes da ópera: tinham duas secções, em vez de actos, normalmente três, e, muito importante, não tinham a parte teatral, ao dispensar acção no palco. Os libretos, curiosamente, vinham não raramente do seio da própria Igreja, como era o caso dos escritos pelo cardeal Pamphili (da família que tinha fornecido o anterior papa, Inocêncio X). Depois de já ter abastecido Alessandro Scarlatti (1660-1725), o cardeal forneceria o material de que resultaria o primeiro oratório escrito por Handel, com o nome, extraordinário, de Il Trionfo del Tempo e del Disinganno. Que, surpresa das surpresas, viria a ser igualmente, cerca de 50 anos depois, o seu último oratório! É que, em 1757, cego e com graves problemas de saúde, Handel ditou ao seu amanuense John Christopher Smith uma nova versão da obra, que intitulou de Il Trionfo del Tempo e della Veritá.

Da estreia, algures em 1707, pouco se sabe, excepto que não despertou um interesse por aí além e de que a direcção esteve provavelmente a cargo do violinista e compositor italiano Arcangelo Corelli (1653-1713). Terá sido mesmo esse o motivo que levou Handel a alterar a abertura da obra, inicialmente escrita em estilo francês, que pouco ou nada dizia a Corelli, depois modificada para o estilo italiano.

Georg Friedrich Händel faleceu há 250 anos, no dia 14 de Abril de 1759.




Georg Friedrich Haendel
Il Trionfo del Tempo e del Disinganno.
Deborah York, Gemma Bertagnolli (sopranos)
Sara Mingardo (alto), Nicholas Sears (tenor)
Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini
Naïve OP30440
(2000)


Internet



Georg Fridrich Händel
gfhandel.org / Classical Music Pages / Baroque Composers and Musicians / Handel House Museum / Haendel.it / Wikipedia

04/06/2006

CDs #85: Cecilia Bartoli, Opera Proibita

Nos inícios do século XVII, Cornélio Jansénio (1585-1638), bispo de Ipres, estabeleceu um conjunto de princípios que, entre outras coisas, lhe valeram a condenação da Igreja Católica como herege. O jansenismo, defende, por exemplo, ser a natureza humana, por si só, incapaz de praticar o bem.

Cerca de um século depois, Pasquier Quesnel (1634-1719), salientou-se pela sua convicta defesa dos princípios jansenistas, em conjunto com o teólogo francês Antoine Arnaud (1612-1694). Com a morte deste último, Quesnel assumiu a direcção do movimento jansenista. Antes disso, em 1675, vira o papa Clemente X (1590-1676) proibir a leitura das suas Réflexions morales sur les évangiles. Em 1713, naquela que ficou como a sua mais célebre publicação, o papa Clemente XI (1649-1721) escreveu a bula Unigenitus, condenando 101 proposições de Quesnel, por heréticas. Foi do bom e do bonito na igreja francesa, uma polémica que ocupou uma boa parte do século XVIII.

O pontificado de Clemente XI ficou ainda marcado pelos problemas políticos relacionados com a sucessão em Espanha, que levariam mesmo à guerra. Em 1701, no meio de um intrincado ambiente político, o papa decretou a proibição de espectáculos públicos em Roma pelo que, durante a 1ª década do século XVIII, ópera era coisa a que lá não se podia assistir. Pelo menos em locais públicos, que os poderosos rapidamente encontraram meios (locais) alternativos... A outra forma de dar a volta ao texto consistiu em escrever oratórios, satisfazendo desse modo imperiosas necessidades operáticas... O disco Opera Proibita, da meio-soprano italiana Cecilia Bartoli, que hoje comemora o 40º aniversário, contém precisamente árias de alguns desses oratórios, da autoria de Handel (1685-1759), Alessandro Scarlatti (1660-1725) e Antonio Caldara (1670?-1736). As almas mais curiosas poderão sempre encontrar uma opinião pessoalíssima sobre este disco aqui.




Opera Proibita.
Cecilia Bartoli (meio-soprano)
Les Musiciens du Louvre
Marc Minkowski
Decca 475 6924
(2004, 2005)


Internet

Cecilia Bartoli
deccaclassics.com
/ Gulbenkian.pt / Wikipedia