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13/05/2012

Concertos para Piano #14: Concerto para Piano Nº2, de Camille Saint-Saëns

O meu professor de inglês do ensino secundário, o professor Macedo, era um calmeirão bem disposto, dotado de um agudo sentido de humor, nunca deixando sem um comentário adequado as nossas respostas mais disparatadas. Quando estas passavam o limite do imaginável limitava-se a disparar um "a ignorância é muito atrevida", ao mesmo tempo que as bochechas bem guarnecidas ajudavam a compor um largo sorriso, que tão bem recordo passados todos estes anos.

Pois a ignorância, no caso a minha, continua a fazer das suas, e foi por via dela que este blogue agora tem o aspecto que tem. Ao procurar resolver um pequeno problema com a template do desNorte, fui brindado com uma mensagem do Blogger informando-me de que esta, pela sua antiguidade, tinha sido descontinuada e que, por via disso, não era mais possível disponibilizar qualquer tipo de suporte. Não dando a velha havia que espetar com uma nova em cima, pensei, o que foi rapidamente executado e com os resultados que estão à vista: as várias ligações que tanto trabalharam deram a preparar (para blogues, orquestras, editoras, etc.) desapareceram completamente e já desisti de as tentar repor. O que vale é que, sendo o número de leitores (muito) pequeno, as consequências nunca serão devastadoras...

Como o foram, por exemplo, e agora estou de volta ao tema habitual que por aqui nos mantém entretidos, no dia 28 de Junho de 1928, quando um incêndio destruiu o interior da Salle Pleyel, em Paris, palco das estreias de obras de vários compositores consagrados. Uma delas foi do Concerto para Piano Nº2 do compositor francês Camille Saint-Saëns (1835-1921), uma obra que, curiosamente, foi composta precisamente por causa dessa sala. É que o já nosso bem conhecido pianista Anton Rubinstein (1829-1894) tinha pedido a Saint-Saëns que lá lhe organizasse um concerto mas, como a sala já tinha ocupação para as 3 semanas seguintes, o compositor achou que teria tempo para preparar algo de novo, até como compensação pela demora. O pouco tempo de gestação não impediu que, com os anos, este se viesse a revelar o mais popular dos 5 concertos para piano que escreveu. A falta de tempo de preparação não evitou, contudo, o falhanço da estreia, ocorrida no dia 13 de Maio de 1868, passam hoje 144 anos.


CDs



Camille Saint-Saëns
Piano Concertos - No.1 in D, Op.17; No.2 in G minor, Op.22; No.3 in E flat, Op.29;
No.4 in C minor, Op.44; No.5 in F, Op.103.
Stephen Hough (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Sakari Oramo
Hyperion CDA67331/2
(2000)

Camille Saint-Saëns
Piano Concertos. Violin Concertos - No.1; No.3. Cello Concertos - No.1; No.2.
Symphony No.3, 'Organ'.
Pascal Rogé (piano), Kyung-Wha Chung (violino), Lynn Harrell (violoncelo),
Peter Hurford (órgão)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
Decca 475 465-2

Camille Saint-Saëns
Piano Concertos - No.2, Op.22; No.5, 'Egyptian', Op.103.
César Franck
Symphonic Variations.
Jean-Yves Thibaudet (piano)
Suisse Romande Orchestra
Charles Dutoit
Decca 475 8764

Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.4, Op.58.
Camille Saint-Saëns
Piano Concerto No.2, Op.22.
Heitor Villa-Lobos
Prole do bebê, Book I - Moreninha; Pobrezinha; Polichinelle.
Frédéric Chopin
Etude in E minor, Op.25 No.5. Scherzo in B flat minor, Op.31.
Artur Rubinstein (piano)
BBC Symphony Orchestra, Rudolf Schwarz
London Philharmonic Orchestra, Antál Dorati
BBC Legends BBCL4216-2
(1957, 1958, 1967, 1968)

Robert Schumann
Piano Concerto, Op.54.
Edvard Grieg
Piano Concerto, Op.16.
Camille Saint-Saëns
Piano Concerto No.2, Op.22.
Howard Shelley (piano)
Orchestra of Opera North
Howard Shelley
Chandos CHAN10509
(2008)

Internet



Camille Saint-Saëns

11/04/2008

CDs #157: Balakirev, Symphony No.1, Russia, Tamara

O compositor russo Mily Balakirev (1837-1910) já passou várias vezes pelas páginas do desNorte, nomeadamente sempre que se referiu o Grupo dos Cinco, um grupo por ele formado a partir da segunda metade da década de 1850 com o objectivo de criar uma escola de composição distintamente russa. Além do próprio Balakirev, faziam parte desse grupo Alexander Borodin (1833-1887), César Cui (1835-1918), Modest Mussorgsky (1839-1881) e Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908).

O início da formação desse grupo coincidiu com a estreia de Balakirev como pianista, em 1858 em S. Petersburgo, tendo tocado, com grande sucesso, o Concerto para Piano Nº5 de Beethoven (1770-1827). Às carreiras de pianista e compositor Balakirev juntava a de professor, e ainda encontrava tempo para dar largas ao seu mau feitio... Que o diga o nosso já conhecido Anton Rubinstein (1829-1894), crítico assumido do movimento nacionalista russo e, portanto, alvo preferencial de Balakirev; Rubinstein, farto de aturar as picardias deste, chegou mesmo ao ponto de resignar ao posto de maestro na Sociedade Musical Russa, por forma a reatar a sua actividade de pianista itinerante e, assim, livrar-se do homem...

Como compositor, Balakirev não chegou a ter muito sucesso o que, em parte, é explicado pela instabilidade emocional de que sofria; não tinha as suas obras em grande consideração pelo que, além de levar imenso tempo a terminá-las, revia-as com alguma frequência. Como exemplo, refira-se o facto de ter iniciado a composição da Sinfonia Nº1 em 1864 e apenas a ter terminado em 1897 quando, finalmente, achou que ela estava em condições. A estreia teve lugar há 110 anos, no dia 11 de Abril de 1898, com o próprio autor a reger a orquestra, e é uma das obras que faz parte de um (excelente) disco lançado há pouco mais de 3 anos pela editora Regis Records, apesar da gravação ser de 1974.




Mily Balakirev
Symphony No.1 in C minor. Symphonic Poems - Russia; Tamara.
USSR State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov
Regis RRC1131
(1974, 1978)


Internet

Mily Balakirev
Clássicos / Wikipedia / Naxos / Karadar Classical Music / Mili Balakirev

22/02/2008

CDs #153: Moiseiwitsch, Acoustic Recordings 1916-1925

O pianista russo Anton Rubinstein (1829-1894) terá criado aquele que foi o primeiro concurso internacional para pianistas e compositores, que ocorreu em São Petersburgo a cada 5 anos, desde o início da década de 1890 até à 2ª Guerra Mundial. Ao longo das suas várias edições premiou grandes nomes, como os compositores Ferruccio Busoni (1866-1924) e Sergei Prokofiev (1891-1953), e os pianistas Wilhelm Backhaus (1884-1969) e Benno Moiseiwitsch (1890-1963). Esta competição, embora apenas para pianistas, reapareceu em 2003 com uma periodicidade bi-anual (tem lugar nos anos ímpares), tendo decorrido no ano passado em Dresden.

Quando Moiseiwitsch venceu este concurso tinha apenas 9 anos. Pouco tempo depois decidiu prosseguir os estudos na prestigiada Guildhall School of Music, em Londres, mas foi recambiado por " não haver nada que lhe fosse necessário ensinar"... Acabaria por estudar, mas em Viena e com o professor polaco Theodor Leschetizky (1830-1915) conhecido por, além de reputado professor, ter fundado com... Anton Rubinstein o Conservatório de São Petersburgo.

Não tardariam as turnés, em especial pela Europa e pelos Estados Unidos, a assinatura de um contrato com a HMV e as respectivas gravações. Este disco contém as efectuadas entre 1916 e 1925, quando os processos eram ainda assaz primitivos. Gravações com cerca de 90 anos, portanto, pelo que há que adaptar o ouvidinho e esquecer todo aquele ruído de fundo...




Great Pianists - Moiseiwitsch 10
Acoustic Recordings 1916-1925.
Benno Moiseiwitsch (piano)
Naxos Historical 8.111116


Internet

Benno Moiseiwitsch
Wikipedia / Arbiter Records / Cambridge Encyclopedia

05/09/2007

CDs #131: Liszt, Symphonic Poems, Vol.2

Johann Faustus até poderá ter tido uma vida mais ou menos normal, mas também é possível que tenha sido um perfeito herege, responsável por actos inconfessáveis. Quando faleceu, por volta de 1540, gozava de uma reputação pouco recomendável, e as lendas que foram depois aparecendo encarregaram-se de impossibilitar de vez a distinção entre a realidade e a ficção. Do que o homem não se livrou foi de ficar para a posteridade como Dr. Fausto, aquele que fez um pacto com o Diabo.

História apetecível, dramatizada por vários escritores que, dessa forma, mais contribuíram para a fama do homem; Christopher Marlowe (1564-1593), poeta e dramaturgo inglês, foi o primeiro de vários, numa lista naturalmente dominada pelo escritor alemão Goethe (1749-1832). Goethe publicou Fausto em 2 partes, a datando, na sua última versão, de 1808, e a de 1832. Na versão de Goethe, a coisa começa com Mefistófeles a pedir autorização a Deus para corromper a alma de Fausto, pedido a que Deus acedeu, convencido como estava da impossibilidade de tal se vir a verificar. Se estava ou não certo não nos cabe aqui revelar...

O que nos interessa por agora é saber que em 1830, ainda não tinha Goethe editado a 2ª parte do seu drama, Hector Berlioz (1803-1869) chamou a atenção de Franz Liszt (1811-1886) para essa obra, e que esta não o deixou indiferente, ao ponto de uns anos mais tarde ter escrito que, assim que se sentisse com condições para tal, escreveria uma obra baseada em Dante e, depois, uma outra em Fausto. O próprio Berlioz não resistiu ao tema, tendo composto, em 1846, a lenda dramática A Danação de Fausto, que dedicou a Franz Liszt. Este, por sua vez, escreveu Eine Faust-Symphonie, em 1854, após uma visita ao Festival de Roterdão, onde esteve (muito bem) acompanhado pelo nosso já bem conhecido Anton Rubinstein (1829-1894). Obra que, naturalmente, dedicou a Berlioz... Em 1857 adicionaria um coral no final, mas é a versão original que é usualmente interpretada, tal como acontece no disco que aqui trago hoje.

Passam hoje exactamente 150 anos sobre a estreia de Eine Faust-Symphonie, de Franz Liszt.




Franz Liszt
Symphonic Poems Vol.2.
Eine Faust-Symphonie in drei Charakterbildern (nach Goethe), S108.
Von der Wiege bis zum Grabe, S107.
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10375
(2005)


Internet

Franz Liszt
Classical Music Pages / Classical Net / Maestro Maurice Abravanel / Franz Liszt Project / Wikipedia / The Franz Liszt Site

20/11/2005

Pianistas #7: Anton Rubinstein (1829-1894)

A família Rubinstein esteve ligada ao compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) nalguns dos mais importantes momentos da sua carreira, algo que já por aqui tivemos a oportunidade de referir no passado: Tchaikovsky foi aluno de Anton Rubinstein no Conservatório de S. Petersburgo, em meados dos anos 60 e, mais tarde, em 1874, ir-se-ia dar a cena da recusa de Nikolai Rubinstein (1835-1881), irmão de Anton, em tocar o seu Concerto para Piano Nº1.


Anton Rubinstein

Anton Rubinstein, falecido há 111 anos, é aqui apresentado como pianista, porque foi como tal que começou por se notabilizar. Menino prodígio, com 11 anos já realizava turnés europeias e, ainda muito novo, teve a oportunidade de se cruzar com Frédéric Chopin
(1810-1849), Franz Liszt (1811-1886) e Felix Mendelssohn (1809-1847).

Rubinstein foi um crítico do movimento nacionalista russo, cujo rosto mais visível foi o grupo Os Cinco, de que por aqui
se falou há uns dias atrás, e que lhe valeu mesmo uma troca de mimos com Mily Balakirev (1837-1910). É que Rubinstein fundou a Sociedade Musical Russa, em 1859, e o Conservatório de S. Petersburgo, em 1862, para "combater o amadorismo desse movimento nacionalista"...

Até 1867, Rubinstein foi director e professor do Conservatório, período durante o qual teve Tchaikovsky como aluno. Depois, voltou à sua carreira de pianista e dedicou-se igualmente à composição. Esta última faceta será porventura a menos conhecida nos dias de hoje, apesar de ter registado alguns sucessos enquanto vivo. Prolífico, escreveu cerca de 2 dezenas de óperas, oratórios, 6 sinfonias, 5 concertos para piano, música de câmara e obras vocais.

Tem-se assistido, nos últimos tempos, a um reavivar do interesse pela obra de Rubinstein, e ainda recentemente a Hyperion lançou um disco com o Concerto para Piano Nº4. Já o encomendei há várias semanas mas, aparentemente, está sem stock em Inglaterra. Talvez consequência dos sarilhos em que aquela editora se meteu...


CD



Xaver Scharwenka
Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.32.
Anton Rubinstein
Piano Concerto No.4 in D minor, Op.70.
Marc-André Hamelin (piano)
BBC Scottish Symphony Orchestra
Michael Stern
Hyperion CDA67508


Internet

Anton Rubinstein: Biografia 1
/ Biografia 2 / Biografia 3

25/10/2005

SACDs #3: Tchaikovsky, Violin Concerto, Piano Concerto No.1

A vida nunca foi fácil para o compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893). Sofrendo de depressões várias desde muito novo, a composição ao piano servia-lhe de lenitivo. Apenas aos 22 anos, todavia, se virou definitivamente para a música, inscrevendo-se no Conservatório de São Petersburgo, onde estudou composição com Anton Rubinstein (1829-1894) e Nikolai Zaremba (1821-1879).


Pyotr Ilyich Tchaikovsky

Tchaikovsky ficou 12 anos no conservatório, quando Nadezhda von Meck, uma patrona das artes, decidiu providenciar-lhe uma generosa pensão anual. Corria o ano de 1878 e, 3 anos antes, tinha acontecido o famoso episódio do seu Concerto para Piano Nº1, que Tchaikovsky tinha começado a escrever em 1874. Resumidamente, que já antes aqui
falámos disto, o pianista a quem a obra se destinava, Nikolai Rubinstein (1835-1881) disse o pior possível da obra e recusou-se a tocá-la. Achou, aliás, que a obra era impossível de ser interpretada, pelo que, de certa forma, foi coerente... até certa altura: Rubinstein viria a tornar-se num dos melhores intérpretes deste concerto!


Nikolai Rubinstein, Leopold Auer

Um par de anos depois, mudou o concerto, repetiu-se a cena. Tchaikovsky, com a colaboração do violinista Josef Kotek, escreveu o Concerto para Violino, o único, aliás, que escreveria para este instrumento. Desta vez o destinatário era o lendário violinista Leopold Auer (1845-1930) que, contudo, achou a peça impossível de ser tocada... Para não variar, Auer viria mais tarde a inclui-la no seu repertório, mas, porventura mais orgulhoso do que o seu colega pianista, esperou que Tchaikovsky batesse a bota...


Christian Tetzlaff, Nikolai Lugansky, Kent Nagano

O disco de hoje agrupa estes dois concertos, com as interpretações, excelentes, do violinista Christian Tetzlaff, do pianista Nikolai Lugansky e da Orquestra Nacional Russa dirigida por Kent Nagano. Com a vantagem acrescida de ser daquelas gravações que fazem com que o som saia por tudo o que é coluna!



Tchaikovsky
Violin Concerto in D, Op.35.
Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23.
Christian Tetzlaff (violino), Nikolai Lugansky (piano)
Russian National Orquestra
Kent Nagano
Pentatone Classics 5186 022
(2003)


Internet

http://www.geocities.com/Vienna/5648/Tchaikovsky.htm
http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/tchaikovsky.html
http://www.island-of-freedom.com/TCHAIK.HTM