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29/12/2019

Tenores #12: Peter Schreier (1935-2019)

O tenor (que começou como alto) Peter Schreier foi mais um dos vultos musicais a deixar-nos neste ano quase a findar. Estreou-se em palco em 1959, na ópera Fidelio de Ludwig van Beethoven (1770-1827) tendo, a partir do início da década de 1970, acumulado a carreira de tenor com a de maestro. Mas foi como tenor que deixou um registo mais significativo no mundo da música, com particular destaque para as suas interpretações dos mestres germânicos (Bach, Mozart, Wagner).

Facto menos referido, foi também um excelente intérprete das obras (canções) do compositor austríaco Hugo Wolf (1860-1903), e é precisamente com Schreier e Wolf que ficamos hoje. Uma pequena curiosidade: Peter Schreier participou durante 25 anos no Festival de Salzburgo, o mesmo festival que em 1881 tinha dado guia de marcha a Hugo Wolf por o achar temperamentalmente desadequado...

Peter Schreier faleceu no dia 25 de Dezembro de 2019.


CD



Hugo Wolf
Morike Lieder - Der Genesene an die Hoffnung; Ein Stundlein wohl vor Tag;
Der Tambour; Nimmersatte Liebe.
Peter Schreier (tenor), Karl Engel (piano)
Orfeo C142981A


YouTube




Peter Schreier
OperaWire / DW / BBC / Wikipedia

05/05/2019

Pianistas #62: Cyprien Katsaris (1951-)

Pianista que brilha a interpretar as obras do compositor húngaro Franz Liszt (1811-1886) só pode ser um grande pianista, e é exatamente esse o caso do cipriota (nascido em França) Cyprien Katsaris, que hoje celebra o seu 68º aniversário.

Dá a ideia, aliás, que Katsaris estava condenado a entender-se com Liszt: uma professora sua no Conservatório de Paris, Monique de la Bruchollerie (1915-1972), tinha sido aluna de Emil von Sauer (1862-1942) que, por sua vez, tinha sido aluno de Liszt; e na primeira vez que pisou um palco em público, em Paris no dia 8 de Maio de 1966, tocou a Rapsódia Húngara de... Liszt. Katsaris foi ainda o primeira pianista a gravar a integral das transcrições para piano de todas as sinfonias de Ludwig van Beethoven (1770-1827), transcrições essas efetuadas por... pois, nem é preciso dizer...


CD



'Katsaris plays Liszt, Vol.1'
Franz Liszt
Hungarian Rhapsodies, S244 - No.2; No.3; No.5; No.7. Fünf Klavierstück, S192.
Piano Concerto No.2 in A major, S125. Elegies - No.1; No.2.
Trauer-Vorspiel und Trauermarsch, S206. La lugubre Gondola - I, S200 No.1;
II, S200 No.2. Piano Sonata in B minor, S178.
Cyprien Katsaris (piano)
Deutsches Symphony Orchestra
Arild Remmereit
Piano21 P21 041N


YouTube




Cyprien Katsaris
Official Website / bachtrack / Wikipedia

13/05/2018

Violoncelistas #18: Bernard Greenhouse (1916-2011)

O Beaux Arts Trio foi um grupo norte-americano (trio...) que esteve activo mais de 50 anos, entre 1955 e 2008, tendo conhecido várias formações mas mantido sempre o mesmo pianista ao longo dos anos, Menahem Pressler (1923-). Que, diga-se, em vez da reforma merecida optou por continuar com uma carreira a solo... Da formação original fizeram ainda parte o violinista Daniel Guilet (1899-1990) e o violoncelista Bernard Greenhouse.

Este último faleceu há precisamente 7 anos, no dia 13 de Maio de 2011, ocasião que aproveito então para aqui deixar uns registos de interpretações de um dos (muitos) compositores em que se distinguiram: Ludwig van Beethoven (1770-1827). Refira-se que o violoncelista do grupo quando este cessou a actividade era o brasileiro António Meneses, que tive a oportunidade de ver ao vivo num recital que deu na Casa da Música em Março de 2009.


CD



Ludwig van Beethoven
Complete Piano Trios
Beaux Arts Trio
Philips 468 411-2


YouTube



Bernard Greenhouse
New York Times / The Guardian / Wikipedia

15/04/2018

Maestros #78: Neville Marriner (1924-2016)

O maestro inglês Neville Marriner já por aqui passou várias vezes, nomeadamente aquando do seu 80º aniversário e, 12 anos volvidos, quando fomos surpreendidos com a notícia da sua morte. Deixou-nos um grande número de gravações, superior a 600, em que foi não poucas vezes acompanhado por alguns dos mais reputados solistas. Entre eles contou-se o pianista norte-americano Murray Perahia (1947-), que também tem sido frequente visita das salas de gravação, com uma já extensa lista de discos no cv...

Hoje, dia em que Marriner celebraria o seu 94º aniversário, ficamos com uma gravação em que dirige a sua Academy of St Martin in the Fields, orquestra por ele fundada em 1958, no Concerto para Piano e Orquestra Nº2 de Ludwig van Beethoven (1770-1827). O solista é, obviamente, Murray Perahia.


Youtube




Neville Marriner

Academy of St Martin in the Fields / Decca / The Telegraph / Wikipedia

22/10/2017

Compositores #128: Louis Spohr (1784-1859)

Louis Spohr foi um compositor contemporâneo do seu compatriota alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827), e chegaram mesmo a tocar juntos em casa de Beethoven, quando este dava os últimos retoques no seu Trio para Piano, Op.70 No.1, constando que Spohr não terá ficado demasiadamente deslumbrado com essa obra...

Compositor prolífico, com perto de 300 obras conhecidas das quais cerca de 150 com número opus, foi para o violino, o seu instrumento de formação, que mais compôs, destacando-se os 18 concertos que escreveu para esse instrumento. Compôs também 4 concertos para clarinete, um instrumento para onde temos estado virados nos últimos tempos e que hoje aqui regressa. O primeiro desses foi escrito no Outono de 1808 e estreado no dia 16 de Junho do ano seguinte, com o compositor a dirigir a orquestra e com Johann Simon Hermstedt (1778-1846) no clarinete. Hermstedt que foi o dedicatário de todos os concertos para clarinete de Spohr.

Note-se, por curiosidade que, num vídeo exibido mais abaixo onde concerto é interpretado pelo clarinetista Aron Chiesa, a Orquestra Filarmónica de Bruxelas é dirigida pelo clarinetista e maestro português António Saiote (1960-)

Louis Spohr faleceu no dia 22 de Outubro de 1859, passam hoje 158 anos.


CD



'Louis Spohr: The Forgotten Master'.
Louis Spohr
Clarinet Concertos - No.1 in C minor, Op.26; No.2 in E flat major, Op.57;
No.3 in F minor, WoO19; No.4 in E minor, WoO20.
Paul Meyer (clarinete)
Lausanne Chamber Orchestra
Paul Meyer
Alpha ALPHA605
(2012)


Internet




Louis Spohr
allmusic / naxos / Wikipedia

17/09/2017

Violinistas #17: Zino Francescatti (1902-1991)

Nascido René-Charles Francescatti, o francês Zino Francescatti - que ninguém adivinharia ser de ascendência italiana... - cedo demonstrou ser um virtuoso do violino, tendo dado o primeiro concerto público quando tinha 5 anos. Durante a sua longa carreira formou dois duos que se tornaram lendários: primeiro com Maurice Ravel (1875-1937) e, mais tarde, com o pianista, igualmente francês, Robert Casadesus (1899-1972).

Por coincidência, ou talvez não, tanto na sua estreia em Paris, em 1925, como nos Estados Unidos (Nova Iorque), em 1939, tocou a mesma obra: o Concerto para Violino Nº1 de Niccolò Paganini (1782-1840). Nada como mostrar cedo toda a técnica para começar a cimentar uma carreira... Mais tarde virar-se-ia para outras paragens, tendo-nos deixado, nomeadamente, gravações com todas as obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827) para violino e piano, em parceria precisamente com Robert Casadesus e de que podemos apreciar um excerto no vídeo que se segue.

Zino Francescatti faleceu há 26 anos, no dia 17 de Setembro de 1991.


CD



Ludwig van Beethoven
Violin Sonatas - No.7 in C minor, 'Eroica', Op.30/2; No.8 in G major, Op.30/3;
No.9 in A major, 'Kreutzer', Op.47.
Zino Francescatti (violino)
Biddulph 80210-2
(1949, 1953)


Internet



Zino Francescatti
The New York Times / Legendary Violinists / allmusic / Wikipedia

28/03/2015

Pianistas #42: Rudolf Serkin (1903-1991)

O pianista austríaco Rudolf Serkin, de quem hoje se assinalam os 112 anos passados sobre o seu nascimento, já por aqui passou algumas vezes, a última das quais em 2008, sem, contudo, ter tido direito à inserção de qualquer vídeo onde aparecesse a tocar.

Serkin distinguiu-se principalmente nos grandes compositores austríacos e alemães em geral, e em Ludwig van Beethoven (1770-1827), em particular, sendo precisamente a interpretar uma sonata deste último que o podemos ver (e ouvir) num dos vídeos anexos.

Aproveitei ainda a oportunidade para incluir uma entrevista em que Serkin é questionado por outro grande músico, o violinista Isaac Stern (1920-2001).


CDs


Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - No.1 in C major, Op.15; No.2 in B flat major, Op.19;
No.3 in C minor, Op.37; No.4 in G major, Op.58; No.5 in E flat major,
'Emperor', Op.73. Fantasia in C minor, 'Choral Fantasy', Op.80.
Rudolf Serkin (piano)
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Rafael Kubelik
Orfeo C647 053D
(1977)

Johann Sebastian Bach
Capriccio in E major, BWV993.
Max Reger
Variations and Fugue on a Theme of J. S. Bach.
Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.24 in F sharp major, Op.78.
Piano Sonata No.21 in C major, 'Waldstein', Op.53.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4177-2
(1973)

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.20 in D minor, K466.
Ludwig van Beethoven
Piano Concertos - No.1 in C major, Op.15; No.5 in E flat major, 'Emperor', Op.73.
Symphony No.7 in A major, Op.92.
Rudolf Serkin (piano)
New York Philharmonic Symphony Orchestra
Guido Cantelli
Music & Arts CD1170
(1953, 1954)

Felix Mendelssohn
Prelude and Fugue, Op.35 No.1.
Johannes Brahms
Four Pieces, Op.119.
Ludwig van Beethoven
Diabelli Variations, Op.120.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4211-2
(1969, 1975)

Ludwig van Beethoven
Piano Sonatas - No.29, 'Hammerklavier', Op.106; No.31, Op.110.
Rudolf Serkin (piano)
BBC Legends BBCL4241-2


Internet



Rudolf Serkin


23/01/2009

CDs #193: Arthur Nikisch conducts Beethoven

A última vez que por aqui falei do maestro húngaro Arthur Nikisch (1855-1922) foi a propósito de um disco em que brilhava um outro grande maestro, o inglês Adrian Boult (1889-1983). Uma feliz coincidência, dado o facto de Boult ter uma enorme admiração por Nikisch, além de por ele ter sido fortemente influenciado. Admiração que se estendia, diga-se, à economia de movimentos de Nikisch durante a direcção da orquestra, pouco mexendo os braços e muito menos abanando a cabeça... Um low-profile que, contudo, não o tornava menos eficaz na obtenção daquilo que pretendia; o próprio Boult chegaria a afirmar que tinha sido de Nikisch a mais arrebatadora interpretação que tinha ouvido da 1ª Sinfonia de Johannes Brahms (1833-1897).

Depois de ter mostrado dotes musicais desde muito novo, Nikisch começou por estudar violino e piano, e foi com este último instrumento que deu o primeiro recital público. Seria todavia como violinista que iniciaria a carreira no mundo da música, depois de ter estudado em Viena com Joseph Hellmesberger (1828-1893), tendo sido dirigido na década de 1870, entre outros, por Brahms, Anton Bruckner (1824-1896), Franz Liszt (1811-1886), Giuseppe Verdi (1813-1901) e Richard Wagner (1813-1883). Ainda antes do final dessa década iniciar-se-ia na direcção de orquestra, inicialmente como maestro assistente na Orquestra da Ópera de Leipzig e, apenas um ano depois, já como maestro principal.

Não deixa de ser admirável, pelo menos eu assim o considero, termos hoje em dia a oportunidade de ouvir gravações deste maestro, falecido em Janeiro de 1922. Dentre as façanhas que lhe são atribuídas consta a de ter sido um dos primeiros maestros a gravar uma sinfonia completa; e é essa gravação, efectuada em Novembro de 1913, da Sinfonia Nº5 de Ludwig van Beethoven (1770-1827), que consta do presente disco. Que fecha com uma obra, a Rapsódia Húngara Nº3, de um dos compositores em que mais se distinguiu, Liszt, gravada em Junho de 1913. Extraordinárias audições, se nos conseguirmos abstrair da (falta de) qualidade do som, normal para gravações efectuadas há 95 anos...

Arthur Nikisch morreu há 87 anos, no dia 23 de Janeiro de 1922.




Ludwig van Beethoven
Egmont Overture, Op.84. Symphony No.5 in C minor, Op.67.
Carl Maria von Weber
Der Freischütz - Overture. Oberon - Overture.
Wolfgang Amadeus Mozart
The Marriage of Figaro - Overture.
Franz Liszt
Hungarian Rhapsody No.1.
London Symphony Orchestra
Berlin Philharmonic Orchestra
Arthur Nikisch
Dutton CDBP9784


Internet

Arthur Nikisch
Classic Encyclopedia / Online Encyclopedia / BrasiliaVirtual / Wikipedia

14/12/2008

Sinfonias #33: Sinfonia Nº6, de Franz Schubert

Ludwig van Beethoven (1770-1827) compôs a 1ª sinfonia no virar do século XVIII para o século XIX, e o próprio estreou-a no dia 2 de Abril de 1800, em Viena, com uma recepção mais ou menos calorosa por parte do público e algum desprezo por uma boa parte da crítica. Tal não impediu, todavia, que uns anos mais tarde o compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828) a tomasse como modelo para a sua Sinfonia Nº6; escreveu-a na mesma tonalidade, dó maior, e, algo nunca visto em alguma das suas sinfonias anteriores, intitulou o 3º andamento de scherzo (como é o caso das Sinfonias Nº2 e Nº3 de Beethoven).

Schubert tinha composto 4 sinfonias num curto espaço de cerca de 4 anos, entre 1813 e 1816, e em Outubro de 1817 meteu de novo mãos à obra, tendo terminado a Sinfonia Nº6 pouco tempo depois, em Fevereiro do ano seguinte. Schubert tinha passado um período a viver com o pai, dando aulas de dia e compondo furiosamente à noite, de que resultaram, além das referidas sinfonias, mais de uma centena de canções e várias obras de música de câmara. Em 1818 abandonou o posto de professor para se dedicar por inteiro às coisas da música, actividade que conseguiu muito mais facilmente conciliar com a vida boémia que tanto apreciava...

A Sinfonia Nº6 de Franz Schubert foi estreada em público há 180 anos, no dia 14 de Dezembro de 1828, menos de 1 mês depois da morte do compositor.


CDs



Franz Schubert
Symphonies Nos.1-6, 8 & 9.
Staatskapelle Dresden
Colin Davis
RCA Red Seal 82876 60392-2

Franz Schubert
Symphonies Nos.3, 5 & 6.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI Classics 7 69750-2


Internet

Franz Schubert
The Schubert Institute (UK) / Classical Music Pages / Naxos / Classical Music Archives / Karadar Classical Music / ThinkQuest: Library / suite101.com / Wikipedia

30/11/2008

CDs #189: Beethoven, Symphony No.9, Furtwängler

Há dois maestros a quem sempre associei uma áurea de mistério: o italiano Arturo Toscanini (1867-1957) e o alemão Wilhelm Furtwängler (1886-1954). Ligados pela música mas separados pela política, pois Toscanini não perdoou a relação ambígua que Furtwängler manteve com o regime nazi. Só para dar uma ideia da tortuosidade de Furtwängler, relembro aquela famosa carta (1) que escreveu ao ministro da propaganda nazi, Joseph Goebbels (1897-1945) em Abril de 1933, mostrando a sua preocupação pela imposição de quotas máximas de músicos de origem judaica, e no quanto isso poderia prejudicar a qualidade da orquestra; na mesma missiva mostrava compreensão em relação a perseguições noutras áreas, havendo boas razões para tal, desde que não incluísse a musical...

Pergunto-me então se estes factos não terão repercussões na forma como avaliamos a sua obra, mas esta é uma pergunta condenada a ficar sem resposta. Naquilo que à música diz respeito, houve dois compositores em particular a que Furtwängler ficará para sempre ligado: Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Johannes Brahms (1833-1897). Furtwängler atribuía uma especial importância à Sinfonia Nº9 de Beethoven e, a partir de certa altura, apenas a interpretava "em ocasiões especiais".

A gravação que trago aqui hoje é ainda um pouco mais especial, pois foi efectuada em Agosto de 1954 durante o Festival de Lucerna, e foi a última vez que o maestro a interpretou, pois faleceria cerca de 3 meses depois. Tem ainda a vantagem sobre outras suas gravações desta sinfonia pelo facto de ter sido gravada ao vivo, meio em que se sentia bem mais à-vontade. Além de contar no elenco com uma das minhas deusas, o soprano Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006)...

Wilhelm Furtwängler faleceu há 54 anos, no dia 30 de Novembro de 1954.




Ludwig van Beethoven
Symphony No.9 in D, Op.125, "Choral".
Elisabeth Schwarzkopf (soprano), Elsa Cavelti (contralto),
Ernst Häfliger (tenor), Otto Edelmann (barítono)
Lucerne Festival Choir
Philharmonia Orchestra
Wilhelm Furtwängler
Music & Arts CD-790


Internet

Wilhelm Furtwängler
Bach Cantatas Website / The Wilhelm Furtwängler Society of America / Société Wilhelm Furtwängler / Naxos / Classical Notes / Wikipedia


(1) La Symphonie des Chefs, de Robert Parienté

15/11/2008

Sinfonias #31: Sinfonia Nº4, de Beethoven

Apesar de atormentado pela crescente surdez que, entre outras coisas, fez aumentar a sua faceta anti-social, a primeira década do século XIX revelou-se extremamente produtiva para o compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827); entre 1800 e 1808 compôs, nomeadamente, as primeiras 6 sinfonias, 11 sonatas para piano, várias peças de câmara, 2 concertos para piano, 1 concerto para violino, 1 missa e a ópera Fidelio (que reveria em 1814).

No Verão de 1806, e num curto espaço de tempo, escreveu a Sinfonia Nº4, sob encomenda do conde Franz von Oppersdorf, que foi igualmente o dedicatário. A sinfonia que a antecedeu, "Sinfonia Heróica", não tinha registado grande sucesso na estreia pública, em Abril de 1805, chegando a ser apelidada de "interminável", para o que terão certamente contribuído as durações dos primeiros andamentos (a do a rondar os 15 minutos, não lhe ficando a do muito atrás...). O ambiente mais colorido e vivaz da Sinfonia Nº4 dever-se-á muito possivelmente ao facto do compositor estar na altura novamente caído de amores, na caso por Thérèse von Brunsvik (1775-1861), sua aluna e futura dedicatária da Sonata para Piano Nº24, composta em 1809 e apropriadamente intitulada de "A Thérèse".

Depois de uma primeira audição privada, em Março de 1807, em casa do príncipe Lobkowitz, a sinfonia foi estreada em público no dia 15 de Novembro desse ano, passam hoje 201 anos. Teve uma recepção bem mais calorosa que a anterior, se bem que só após a terceira audição se possa falar em êxito estrondoso.


CDs





Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.3 in E flat, "Eroica", Op.55; No.4 in B flat, Op.60.
Zürich Tonhalle Orchestra
David Zinman
Arte Nova Classics 74321 59214-2
(1998)

Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.4 in B flat, Op.60 and No.5 in C minor, Op.67.
Coriolan Overture, Op.62.
Swedish Chamber Orchestra
Thomas Dausgaard
Simax PSC1180

Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.4 in B flat, Op.60; No.5 in C minor, Op.67.
Egmont Overture, Op.84.
Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer
Testament SBT1407

Ludwig van Beethoven
Complete Symphonies.
Janice Watson (soprano), Catherine Wyn-Rogers (meio-soprano),
Stuart Skelton (tenor), Detlef Roth (baixo)
Edinburgh Festival Chorus
Scottish Chamber Orchestra
Philharmonia Orchestra
Charles Mackerras
Hyperion CDS44301-5

Ludwig van Beethoven
Complete Symphonies and Selected Overtures.
Jarmila Novotna (soprano), Kerstin Thorborg (meio-soprano),
Jan Peerce (tenor), Nicola Moscona (baixo)
Westminster Cathedral Choir
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Music & Arts CD-1203(5)
(1939)

Ludwig van Beethoven
Prometheus Overture, Op.43. Symphony No.4 in B major, Op.60.
Wolfgang Amadeus Mozart
Flute Concerto No.1, KV313.
Eduard Scherbachev (flauta)
Moscow Philharmonic Symphony Orchestra
Kyrill Kondrashin
Melodya MELCD10 01007
(1964, 1965, 1967)

Ludwig van Beethoven
Symphony No.4 in B flat, Op.60. Symphony No.8 in F major, Op.93.
Vienna Philharmonic Orchestra
Wilhelm Furtwängler
Nuova Era 013.6310
(1953, 1954)

Ludwig van Beethoven
Symphonies. Overtures.
Anna-Kristiina Kaappola (soprano), M. Beate Kielland (meio-soprano),
Markus Schäfer (tenor), Thomas Bauer (barítono)
Anima Eterna
Jos van Immerseel
Zig Zag Territories ZZT080402-6
(2008)

Ludwig van Beethoven
Die Symphonien.
Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado
Deutsche Grammophon 477 5864


SACD



Ludwig van Beethoven
Symphonies - No.4 in B flat, Op.60 and No.5 in C minor, Op.67.
Minnesota Orchestra
Osmo Vänskä
BIS BIS-SACD1416
(2004)


Internet

Ludwig van Beethoven
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09/09/2008

Quartetos de Cordas #6: Quarteto de Cordas Nº15, de Beethoven

No que à música de câmara diz respeito, a obra de Ludwig van Beethoven (1770-1827) divide-se em 4 grupos principais: os quartetos de cordas, as sonatas para violino e piano, as sonatas para violoncelo e piano, e os trios para piano e cordas.

Ao contrário do que sucedeu com a maioria dos outros géneros a que igualmente se dedicou, Beethoven não compôs quartetos de cordas de uma forma continuada. Podem-se mesmo identificar 3 períodos distintos: um inicial, entre 1798 e 1800, em que escreveu os Quartetos Op.18 e onde, apesar de ainda se notarem as óbvias influências de Joseph Haydn (1732-1809) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), já se percebe a fuga ao modelo clássico; um segundo período, a que pertencem os Quartetos Opp.59, 74 & 95, onde o compositor se afastou decisivamente do modelo tradicional, enfrentando por isso um menor entusiasmo; e um terceiro e último período, a que pertencem os Quartetos Opp.127, 130, 131, 132, 133 & 135, que representaram um avanço significativo no género, utilizando estruturas mais complexas e exigindo bem mais dos músicos.

O Quarteto de Cordas Nº15, Op.132, pertence assim a este último período; esboçado em 1823 e terminado 2 anos depois, teve a sua estreia, em Viena, no dia 9 de Setembro de 1825. Ao contrário do que sucedeu com vários outros quartetos deste período, registou um êxito assinalável nessa estreia, o que levou a que o concerto se repetisse 2 dias depois. Foi dedicado ao príncipe Nikolai Borisovich Galitzine (1794-1866), pertencente a uma das mais relevantes famílias aristocráticas da Rússia.


CDs




Ludwig van Beethoven
String Quartets - No.15 in A minor, Op.132; No.16 in F, Op.135.
Cleveland Quartet
Telarc CD80247

Ludwig van Beethoven
String Quartet No.15 in A minor, Op.132.
String Quintet in C minor, Op.104.
Louise Williams (viola)
The Lindsays
ASV CDDCA1118

Ludwig van Beethoven
The Complete String Quartets.
Vermeer Quartet
Warner Classics 2564 61399-2

Ludwig van Beethoven
The Late String Quartets - Opp.95, 130-133 & 135.
Takács Quartet
Decca 470 849-2

Ludwig van Beethoven
String Quartets - No.12, Op.127; No.15, Op.132.
Hagen Quartet
Deutsche Grammophon 477 5705


Internet

Ludwig van Beethoven
Classical Music Pages
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05/07/2008

CDs #170: Backhaus, Beethoven, Chopin

Um disco extraordinário, este, pelas interpretações do grande pianista de origem alemã Wilhelm Backhaus (1884-1969) e pelo significado especial que as obras apresentadas, de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Frédéric Chopin (1810-1849), tiveram na sua carreira: foi o Concerto para Piano Nº5 de Beethoven que tocou na sua estreia nos Estados Unidos, em Janeiro de 1912, e Backhaus foi o primeiro a gravar a integral dos Études de Chopin, em 1928, uma gravação ainda hoje considerada de referência.

Além de Beethoven, de quem gravou a (quase, se não mesmo a) totalidade das obras para piano, Backhaus destacou-se no repertório do período romântico, merecendo uma referência especial as suas interpretações de Johannes Brahms (1833-1897) e do já citado Chopin. Teve uma longa carreira, de cerca de 70 anos, que começou em 1900 com a primeira turné e que recebeu um enorme impulso em 1905, quando venceu o Prémio Rubinstein, em Paris, onde relegou para segundo plano, entre outros, Béla Bartók (1881-1945), que viria a ser um dos grandes compositores do século XX.

Na tal estreia em solo americano, a Orquestra Sinfónica de Nova Iorque foi dirigida por um maestro já nosso conhecido, Walter Damrosch (1862-1950), que tinha tido a honra de dirigir o concerto de estreia do Carnegie Hall, no dia 5 de Maio de 1891. Backhaus iria revelar-se igualmente um excelente músico de câmara, e a sua gravação mais célebre no género, das Sonatas para Violoncelo de Brahms, foi efectuada com um violoncelista também já bem conhecido da casa, o francês Pierre Fournier (1906-1986).

Wilhelm Backhaus faleceu há 39 anos, no dia 5 de Julho de 1969, com 85 anos, quando se preparava para dar um concerto em Villach, na Áustria.




Ludwig van Beethoven
Piano Concerto No.5 in E flat major, Op.73, "Emperor".
Piano Sonata No.21 in C major, Op.53, "Waldstein".
Frédéric Chopin
Études - Op.25, Nos.1-3, 6, 8-9; Op.10 No.5.
Wilhelm Backhaus (piano)
Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester
Georg Solti
Medici Arts MM006-2
(1956, 1959, 1953)


Internet

Wilhelm Backhaus
Lion of the keyboard / Historical interpretations of Frederick Chopin works / Wikipedia / Arbiter Records / Naxos / Decca Music Group / Bach Cantatas Website / University of Maryland

26/03/2008

SACDs #17: Beethoven, Piano Sonatas

O ano de 1802 foi especialmente difícil para Ludwig van Beethoven, que chegou mesmo a escrever um documento, destinado aos seus irmãos, em que, entre outras coisas, os informava da sua intenção de se suicidar. Esse documento, escrito em Outubro desse ano, ficou conhecido como o Testamento de Heiligenstadt, pelo facto de na altura o compositor se encontrar na localidade com aquele nome, não muito distante de Viena. Foi, apesar de tudo, uma época bastante produtiva, em que compôs a Sinfonia Nº2, começou a esboçar a Sinfonia Nº3, e escreveu ainda um oratório, Christus am Ölberge, e uma ópera, Fidelio.

Não muito tempo depois, em 1804, Beethoven iniciou a composição da Sonata Nº23 para Piano, que só lá para 1838 ganharia o título por que hoje é universalmente conhecida, Appassionata, atribuído pelo editor Cranz, de Hamburgo, aquando da publicação de uma versão para quatro mãos. Terminada em 1805 ou 1806, foi publicada em Fevereiro de 1807 e dedicada ao conde Franz von Brunswick, irmão de Thereza, por quem Beethoven teve uma paixoneta. A Appassionata é uma das grandes sonatas para piano que pertencem ao chamado período médio do compositor, em conjunto com a Sonata Nº21, Waldstein, e a Sonata Nº26, Les Adieux.

É também uma das 3 sonatas que constam deste excelente disco da pianista canadiana Angela Hewitt que, nas palavras da própria, procurou apresentar uma sonata popular, precisamente a Appassionata, em conjunto com uma menos conhecida, no caso a nº4, e uma favorita dos estudantes de piano, a nº7. As gravações foram efectuadas em Itália em Setembro de 2005, um mês e pouco antes do recital que deu na Casa da Música, a que tive a felicidade de assistir.

Foi num dia 26 de Março, de 1778, que Beethoven se apresentou pela primeira vez em público, com apenas 7 anos de idade. Foi também num dia 26 de Março, mas de 1827, que Beethoven faleceu, passam hoje 181 anos.




Ludwig van Beethoven
Piano Sonata No.7 in D major, Op.10 No.3.
Piano Sonata No.4 in E flat major, Op.7.
Piano Sonata No.23 in F minor, "Appassionata", Op.57.
Angela Hewitt (piano)
Hyperion SACDA67518
(2005)


Internet

Ludwig van Beethoven
Classical Music Pages / Ludwig van Beethoven's website / All About Beethoven / The Unheard Beethoven / Mad about Beethoven / Raptus Association / Classical Net / Essentials of Music / Wikipedia / Ludwig van Beethoven

27/02/2008

CDs #154: Beethoven, Symphonies 2 & 8

As guerras napoleónicas continuavam um pouco por todo o lado, a surdez avançava impiedosa e, como se tal não bastasse, ainda havia de se apaixonar por uma mulher casada. O ano de 1812 iria ser especialmente complicado para Ludwig van Beethoven (1770-1827), e a Sinfonia Nº7, composta nesse ano, reflecte claramente o período trágico que ele atravessava. É então surpreendente que a 8ª Sinfonia, composta na mesma altura, exiba uma ambiência diametralmente oposta, mais ligeira e bem-humorada, que lhe valeu mesmo o título de "Pequena Sinfonia".

Humor que, e agora entramos no reino da especulação, chegou ao ponto de, na primeira parte da sinfonia, gozar um pouco com o metrónomo, um aparelho inventado por Dietrich Nikolaus Winkel (1780-1826) em 1812, e aprimorado pelo seu (de Beethoven) amigo Johann Nepomuk Maelzel (1772-1838) pouco tempo depois. Em 1813, quando se conheceram, Maelzel convenceu mesmo Beethoven a compôr uma peça para um outro instrumento mecânico que tinha inventado, o "Panharmonicon", de que resultou a "Wellingtons Sieg, oder die Schlacht bei Vittoria", Op.91. Resultou ainda uma outra coisa, por sinal: o fim da amizade entre os dois. É que o nosso amigo Maelzel, um pouco dado a trafulhices, decidiu reivindicar como sua a propriedade da obra, por uma suposta doação de Beethoven. Pois a única coisa que acabou por receber deste foi um processo em tribunal... E se acharam esta história recambolesca, então procurem ler a das trapalhadas em que Maelzel se meteu com a sua "máquina de jogar xadrez", bastando para tal seguir algumas das ligações sugeridas no final deste texto.

A Sinfonia Nº8 teve a sua estreia no dia 27 de Fevereiro de 1814.



Ludwig van Beethoven
Symphony No.2 in D major, Op.36.
Symphony No.8 in F major, Op.93.
London Classic Players
Roger Norrington
EMI 7 47698-2
(1987)


Internet

Beethoven: lvbeethoven.com
/ Classical Music Pages / Wikipedia
Maelzel: Wikipedia
/ Mad about Beethoven