Lennox Berkeley (1903-1989) foi um dos muitos, e brilhantes, compositores que passou pelas aulas de Nadia Boulanger (1887-1979), que frequentou entre 1927 e os inícios da década de 1930. O facto de ter também estudado com Maurice Ravel (1875-1937), vir-se-ia a traduzir numa notória influência francesa na sua obra. Desta constam várias peças para piano, alguma das quais escritas para o pianista neo-zelandês Colin Horsley. E não foi necessário que as partituras viajassem até aos antípodas (ou perto disso), deu-se apenas o caso de Horsley ter vivido a maior parte da sua vida no Reino Unido...
Esta estreita ligação a Lennox Berkeley é, sem dúvida, o melhor cartão de apresentação de Colin Horsley. Sendo que nas costas desse cartão terão que constar obrigatoriamente os nomes de outros dois grandes intérpretes, o trompista Dennis Brain (1921-1957) e o violinista Max Rostal (1905-1991), com quem tocou frequentemente.
Colin Horsley faleceu há 7 anos, no dia 28 de Julho de 2012.
CDs
Frederick Delius Violin Sonata No.2. Edward Elgar Violin Sonata in E minor, Op.82. William Walton Violin Sonata.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319
Lennox Berkeley Piano Sonata in A major, Op.20. Six Preludes, Op.23. Scherzo in D major, Op.32 No.2. Impromptu in G minor, Op.7 No.1. Arthur Benjamin Pastorale, Arioso and Finale. Scherzino. Études Improvisées. Siciliana.
Colin Horsley, Lamar Crowson (pianos)
Lyrita REAM2109
Lennox Berkeley (1903-1989) foi mais um dos ilustres alunos da extraordinária professora Nadia Boulanger (1887-1979), que começou pela composição mas que cedo se virou para o ensino, após a morte em 1918 da sua irmã Lili Boulanger (1893-1918). E que sucesso ela teve no ensino, a lista dos alunos que passaram pelas suas aulas é algo de único no mundo da música.
Pois do inglês Lennox Berkeley diz-se habitualmente que deixou uma marca indelével na música britânica, apesar de não ter atingido a notoriedade de Benjamin Britten, Michael Tippett ou William Walton, o que é, simultaneamente, uma coisa simpática e assim não tão simpática para se dizer sobre alguém, mas que, neste caso, não andará longe da realidade.
O pianista Colin Horsley não era inglês, longe disso (se atendermos ao facto da Nova Zelândia ficar do outro lado do globo...), mas foi estudar para Londres em 1936 e acabaria por desenvolver toda a sua carreira em Inglaterra. Além de ter encomendado algumas obras a Lennox Berkeley, teve a oportunidade de estrear um apreciável número de outras deste compositor, entre as quais, em 1948, o Concerto para Piano, uma obra que tinha sido finalizada nesse mesmo ano.
Colin Horsley nasceu no dia 23 de Abril de 1920, passam hoje 97 anos.
CDs
'Colin Horsley - Rachmaninoff Preludes & Transcriptions'
Colin Horsley (piano)
Atoll Music ACD442 (1954-59)
Frederick Delius Violin Sonata No.2. Edward Elgar Violin Sonata in E minor, Op.82. William Walton Violin Sonata.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319
Lennox Berkeley Piano Sonata in A major, Op.20. Six Preludes, Op.23. Scherzo in D major, Op.32 No.2. Impromptu in G minor, Op.7 No.1. Arthur Benjamin Pastorale, Arioso and Finale. Scherzino. Études Improvisées. Siciliana.
Colin Horsley, Lamar Crowson (pianos)
Lyrita REAM2109
A inglesa Pamela Bowden, contralto, compensou a ausência dos palcos operáticos, onde poucas presenças registou, com uma dedicação extraordinária aos compositores seus contemporâneos, nomeadamente Malcolm Arnold (1921-2006), Lennox Berkeley (1903-1989), Benjamin Britten (1913-1976) e Michael Tippett (1905-1998).
William Blake (1757-1827), que dificilmente poderia ser um contralto..., foi um poeta, pintor e tipógrafo inglês, cuja obra poética, em particular, apenas teve o devido reconhecimento já bem depois da sua morte. Malcolm Arnold musicou 5 poemas de Blake em 1959 ("Five William Blake Songs"), tendo precisamente em vista Pamela Bowden, a quem dedicou as canções. A estreia ocorreu no dia 26 de Março de 1959, naturalmente com a própria Bowden,e com o compositor a dirigir a orquestra (de cordas).
Dos 5 poemas escolhidos por Arnold este passa por ser o meu preferido:
Memory, hither come
Memory, hither come, And tune your merry notes; And, while upon the wind, Your music floats, I'll pore upon the stream, Where sighing lovers dream, And fish for fancies as they pass Within the watery glass. I'll drink of the clear stream, And hear the linnet's song; And there I'll lie and dream The day along: And, when night comes, I'll go To places fit for woe, Walking along the darken'd valley, With silent Melancholy.
Pamela Bowden nasceu há 91 anos, no dia 17 de Abril de 1925.
CD
Malcolm Arnold Peterloo Overture, Op.97. Concerto for Two Pianos (three hands) & Orchestra, Op.104. Song of Simeon - A Nativity Masque, Op.69. Viola Concerto, Op.108. Four Cornish Dances, Op.91. The Fair Field - Overture, Op.110. Concerto for Two Violins, Op.77. Fantasy for Solo Harp, Op.117. Sinfonietta No.1, Op.48. Horn Concerto No.2, Op.58. Five Blake Songs, Op.66.
Ann Dowdall, Ursula Connors (sopranos), Jean Allister, Pamela Bowden (contraltos),
Ian Partridge (tenor), Christopher Keyte, Forbes Robinson (baixos), Simon Hutton (narrador),
Roger Best (viola)
BBC Symphony Orchestra, Northern Sinfonia, London Symphony Orchestra,
English Chamber Orchestra, BBC Northern Orchestra
Malcolm Arnold
BBC Radio Classics 15656 91817-2 (1966, 1967, 1968, 1969, 1971, 1973, 1976, 1977)
Nunca é tarde para corrigir omissões passadas, e por isso aqui vai: em Outubro de 2004 listei aqui alguns dos alunos de Nadia Boulanger (1887-1979), a eminente compositora, maestrina e professora, onde apareciam alguns nomes sonantes e outros que nem por isso; ausentes estiveram vários, pois claro, e um deles foi o nosso convidado de hoje, o compositor inglês Lennox Berkeley (1903-1989). Tendo nós uma acentuada tendência para esquecermos os nossos melhores, não admira que aqui e ali também nos vamos esquecendo dos melhores dos outros, pelo que a minha falha não será demasiado grave, por seguir a tendência geral...
Segundo o livreco que acompanha o CD, Lennox foi apresentado em 1926 a Nadia Boulanger pelo maestro inglês Anthony Bernard (1891-1963); segundo outras fontes foi Maurice Ravel (1875-1937) quem, após dar uma vista de olhos nalgumas composições do jovem Berkeley, o aconselhou a ter aulas com aquela professora. Estas versões não parecem incompatíveis de todo, pelo que me permito concluir que foi Ravel quem fez a sugestão e Bernard quem tratou das apresentações! Berkeley ficaria por Paris até 1932.
Berkeley sentia-se em casa em França, por ventura mais em casa do que no seu país natal, e tal reflectiu-se igualmente na sua música, que nunca esteve perto de representar as tradições inglesas, ao contrário da dos seus compatriotas Edward Elgar (1857-1934) e Vaughan Williams (1872-1958), por exemplo. Será essa umas das razões para nunca ter atingido em Inglaterra o grau de reconhecimento de outros compositores seus contemporâneos, como William Walton (1902-1983) e Michael Tippett (1905-1998)
Neste disco temos 2 das 4 sinfonias que compôs: a Sinfonia Nº1, terminada em 1941 e estreada a 8 de Julho de 1843; e a Sinfonia Nº2, composta na década de 1950, estreada a 24 de Fevereiro de 1959, e revista duas décadas depois, versão esta que é a que consta do disco.
Lennox Berkeley Symphony No.1, Op.16. Symphony No.2, Op.51 (rev. 1976). London Philharmonic Orchestra Norman del Mar, Nicholas Braithwaite Lyrita SRCD249 (1975, 1978)