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05/02/2007

Óperas #13: Otello, de Giuseppe Verdi

Os primeiros anos da vida musical de Giuseppe Verdi (1813-1901) foram pacatamente passados em Busseto, de onde era natural. Depois da falhada tentativa de ser admitido no Conservatório de Milão, em 1832, Verdi regressou a casa e, em 1836, assumiu a direcção da Sociedade Filarmónica local.

Em 1839, contudo, Verdi demitiu-se do cargo, largou tudo e mudou-se para Milão. Para ser mais exacto, não largou exactamente tudo, pois levou com ele Oberto, uma ópera que tinha escrito. Contra todas as expectativas a obra foi aceite pela direcção do La Scala e registou um sucesso assinalável, a tal ponto que o compositor recebeu uma encomenda para mais 3 óperas.

Gradualmente Verdi foi estabelecendo a sua reputação, primeiro no país natal, depois internacionalmente, com a ópera Rigoletto, em 1851. Em 1860, preparava-se Verdi para viver dos rendimentos, e deu-se o episódio que originou La forza del destino, aqui anteriormente contado. Em 1871 escreveria Aida, após o que se seguiria um interregno de 15 anos, sem escrever uma única ópera. Otello, com libreto de Arrigo Boito (1842-1918) baseado na peça homónima de William Shakespeare (1564-1616), marcou o regresso operático de Verdi, e foi estreada há 120 anos, no dia 5 de Fevereiro de 1887. Nasceu de parto difícil, a primeira vez que Verdi foi sondado para a escrever aconteceu em 1879, tendo Arrigo Boito sido já na altura sugerido para escrever o libreto, mas a verdade é que apenas em 1884 os dois homens começaram a trabalhar no Otello.

A estreia foi, naturalmente, um acontecimento grandioso, dada a popularidade de Verdi, aliada à passagem dos referidos 15 anos desde a última ópera. Não foi isenta de percalços, que os cantores convidados garantiram a animação do evento: o tenor Francesco Tamagno (1850-1905) revelava uma persistente tendência para desviar-se das indicações de Verdi, para manifesta irritação deste; Romilda Pantaleone não seria a primeira escolha para o papel de Desdemona, mas consta que o maestro de serviço, Franco Faccio (1840-1891), tinha por ela um interesse que em muito extravasava o campo musical...; e o barítono francês Victor Maurel (1848-1923), que interpretaria Iago, fazia constar que se encontrava afónico!


CDs



Giuseppe Verdi
Otello.
Licia Albanese (soprano), Martha Lipton (meio-soprano), Ramon Vinay,
John Garris, Robert Hayward (tenores), Leonard Warren (barítono),
Nicola Moscona, Clifford Harvout, Philip Cinsman (baixos)
New York Metropolitan Opera Chorus & Orchestra
Fritz Busch
Preiser 90377
(1948)

Giuseppe Verdi
Otello.
Cheryl Studer (soprano), Denyce Graves (meio-soprano), Plácido Domingo,
Ramón Vargas, Michael Schade (tenores), Sergei Leiferkus (barítono),
Ildebrando d'Arcangelo, Giacomo Prestia, Philippe Duminy (baixos)
Hauts-de-Seine Maîtrise
Paris Opéra-Bastille Chorus & Orchestra
Myung-Whun Chung
Deutsche Grammophon 439 805-2


DVDs



Giuseppe Verdi
Otello.
Rosanna Carteri (soprano), Luisella Ciaffi (meio-soprano), Mario del Monaco,
G. Mattera, A. Cesarini (tenores), Renato Capecchi (barítono), Plinio Clabassi,
N. Catalani, B. Cioni (baixos)
Chorus & Orchestra of RAI, Milan
Tullio Serafin
Hardy Classic Video HCD4004

Giuseppe Verdi
Otello.
Barbara Frittoli (soprano), Rossana Rinaldi (meio-soprano),Plácido Domingo,
Cesare Catani, Antonello Ceron (tenores), Leo Nucci (barítono), Giovanni
Battista Parodi, Cesare Lana, Ernesto Panariello (baixos)
Coro e Orchestra del Teatro alla Scala di Milano
Riccardo Muti
TDK Mediactive DV-OPOTEL


Internet

Verdi: Il sito ufficiale
/ parmaitaly.com / Operas / Classical Music Pages
Otello: Performance History
/ GrandiTenori.com

22/05/2006

Obras Vocais #5: Messa da Requiem, de Giuseppe Verdi

Depois da estreia de Aida, no dia 24 de Dezembro de 1871, houve um interregno superior a 15 anos até que Giuseppe Verdi (1813-190) estreasse outra ópera. Na verdade a seguinte, Otello, com libreto de Arrigo Boito (1842-1918) a partir da obra de William Shakespeare (1564-1616), teve a sua estreia no dia 5 de Fevereiro de 1887.

Em Maio de 1873 deu-se o falecimento do poeta e romancista italiano Alessandro Manzoni (1785-1873), por quem Verdi tinha uma particular admiração, desde que, em 1829, leu o romance I Promessi Sposi, que Manzoni escreveu entre 1821 e 1827 e que foi publicando ao ritmo de um volume por ano. Numa carta dirigida à sua amiga condessa Clara Maffei, Verdi escreveu a propósito da morte de Manzoni: "Agora está tudo terminado! E com ele termina a mais pura, sagrada e maior das nossas glórias". Verdi visitou o túmulo de Manzoni no dia 2 de Junho e, nesse mesmo dia, escreveu ao seu editor, Giulio Ricordi (1840-1912), informando-o da sua intenção de compôr um Requiem em memória do escritor.

Apesar de Verdi ter composto esta obra para ser tocada em salas de concerto, a estreia teve lugar numa igreja, a de S. Marcos, em Milão, no dia 22 de Maio de 1874, no primeiro aniversário da morte de Manzoni, e com o próprio Verdi a dirigir o coro e a orquestra. Esta Messa de Requiem foi, naturalmente, a mais significativa obra que Verdi escreveu no referido período de acalmia operática, entre 1871 e 1887.


CDs



Giuseppe Verdi
Messa da Requiem. Quattro pezzi sacri.
Elena Filipova (soprano), Gloria Scalchi (meio-soprano),
Cesar Hernández (tenor), Carlo Colombara (baixo)
Hungarian State Operas Choir
Hungarian State Orchestra
Pier Giorgio Morandi
Naxos 8.550944/45

Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Angela Gheorghiu (soprano), Daniela Barcellona (meio-soprano),
Roberto Alagna (tenor), Julian Konstantinov (baixo)
Eric Ericson Chamber Choir
Swedish Radio Chorus
Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado
EMI 5 57168-2

Giuseppe Verdi
Messa da Requiem.
Zinka Milanov (soprano), Kerstin Thorborg (meio-soprano),
Helge Rosvaenge (tenor), Nicola Moscona (baixo)
BBC Symphony Chorus
BBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
Testament SBT21362


Internet

Giuseppe Verdi
Giuseppe Verdi: il sito ufficiale
/ Classical Music Pages / Wikipedia / Requiem / The Verdi Requiem

Alessandro Manzoni
Biografia / Vita e opere / Wikipedia

24/02/2005

Compositores #24: Arrigo Boito (1842-1918)

Ora aqui está mais um daqueles títulos complicados. É que o italiano Arrigo Boito, nascido em Pádua163 anos, apenas compôs uma única obra (ópera) completa em toda a sua vida, Mefistofele, estreada em 1868 sob a sua própria regência. E não foi propriamente um sucesso, a palavra catástrofe estará mais perto da realidade! Paralelamente, desenvolveu intensa actividade como libretista e crítico musical.

Arrigo Boito com Giuseppe Verdi
Arrigo Boito

Revista posteriormente, Mefistofele acabou por triunfar nos principais palcos italianos, em Bolonha, Veneza e no La Scala de Milão. Pelos vistos terá gasto toda a sua inspiração operática nesta obra, dado ter andado mais de 50 anos às voltas com a sua segunda ópera, Nerone, sem nunca a ter terminado!

Ficará igualmente para a história como o libretista de algumas das mais importantes óperas de Verdi: da versão revista de Simon Boccanegra, de Otello e de Falstaff. Escreveu ainda o libreto de La Gioconda, de Amilcare Ponchielli (1834-1886).


CD



Mefistofele.
Cesare Siepi, Lucia Danieli, Renata Tebaldi, Florina Cavalli, Mario del Monaco
Coro del Teatro dell'Opera di Roma
Orchestra dell'Accademia di Santa Cecilia
Tullio Serafin
Decca 440 054-2


Internet

http://www.classical.net/music/comp.lst/boito.html
http://opera.stanford.edu/Boito/main.html