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19/07/2008

Violinistas #9: Szymon Goldberg (1909-1993)

Dos vários e distintos alunos do reputadíssimo professor Carl Flesch (1873-1944) já tive a oportunidade de para aqui trazer Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991). Hoje cabe a vez ao polaco de nascimento Szymon Goldberg, que foi aluno de Flesch a partir de 1917, quando se mudou para Berlim.

Foi ainda nessa cidade que, no início da década de 1930, Goldberg formou um trio com Paul Hindemith (1895-1963) e Emanuel Feuermann (1902-1942). Por essa altura já Goldberg era primeiro violinista da Orquestra Filarmónica de Berlim, posto que se viu forçado a abandonar em 1934, pela sua ascendência judaica. Isto apesar dos esforços do maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) que, numa carta enviada a Joseph Goebbels (1897-1945) em Abril de 1933, procurou chamar a atenção para o erro crasso que, na sua opinião, se estava prestes a cometer, ao impor quotas máximas de judeus na orquestra. Já o que se passava noutras áreas, não directamente ligadas à música, não preocupava tanto Furtwängler, mas isso são histórias a que voltarei lá mais para o final do ano...

Szymon Goldberg faria então uma primeira turné pela Europa e, nos inícios da década de 1940, uma outra pela Ásia. Acabou por passar cerca de 4 anos, entre 1942 e 1945, na ilha de Java, cedendo a um amável convite dos japoneses, impossível de recusar... A prova de que não guardou rancores viria mais tarde, pois entre 1990 e 1993, ano da sua morte, iria dirigir a Orquestra Filarmónica do Novo Japão, fundada em 1972 pelo maestro Seiji Ozawa (1935-). Pelo meio adquiriu nacionalidade norte-americana, em 1953, e fundou a Orquestra de Câmara Holandesa, 2 anos depois.

Szymon Goldberg faleceu há 15 anos, no dia 19 de Julho de 1993.


CDs



Johannes Brahms
Violin Sonatas - No.1 in G, Op.78; No.2 in A, Op.100;
No.3 in D minor, Op.108.
Szymon Goldberg (violino), Artur Balsam (piano)
Testament SBT1357
(1953)

Franz Schubert
Music for Violin & Piano.
Sonatinas - D major, D384; G minor, D408. Sonata in A minor, D385.
Grand Duo for Violin and Piano in A major, D574.
Fantasie in C major, D934. Sonata in A minor, "Arpeggione", D821.
Szymon Goldberg (violino), Radu Lupu, Jean Françaix (pianos),
Maurice Gendron (violoncelo)
Decca 466 748-2


Internet

Szymon Goldberg
Bach Cantatas Website / The New York Times / TIME / Wikipedia

09/10/2007

Violinistas #7: Carl Flesch (1873-1944)

Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991), dois extraordinários violinistas que já por aqui passaram anteriormente, foram alunos do grande professor húngaro Carl Flesch, ele próprio um reputadíssimo violinista. A lista de alunos de Flesch dá uma ideia precisa da sua importância como pedagogo, contando-se entre eles, além dos dois já referidos, Szymon Goldberg (1909-1993), Ida Haendel (1923?-), Louis Krasner (1903-1995) e Ginette Neveu (1919-1949).

O facto de ter nascido no seio de uma família judaica impossibilitou-o de levar uma vida pacata. Refira-se, por exemplo, o facto de, em 1935, lhe ter sido retirada a si e à sua família a cidadania alemã, obtida 5 anos antes. Já em 1934 tinha deixado voluntariamente a Musikhochschule de Berlim, onde tinha começado por dar master classes em 1921 e onde leccionava de uma forma regular desde 1928; outro interveniente, a mesma triste história, claro, pois já o compositor Franz Schreker (1878-1934) tinha passado exactamente pelo mesmo 2 anos antes. Os processos eram tristemente consistentes...

Triste foi também o fim de um dos seus violinos, um Brancaccio Stradivarius de 1725, que Flesch teve que vender em 1928 por ter perdido muito dinheiro na Bolsa de Valores de Nova Iorque; o instrumento acabaria por ser destruido num dos vários ataques aliados a Berlim.

Carl Flesch nasceu há 134 anos, no dia 9 de Outubro de 1873.


Internet

Carl Flesch
Carl Flesch by José Sánchez-Penzo / The Violin Site / Wikipedia / International Carl Flesch Violin Competition

03/12/2006

CDs #107: Henryk Szeryng & Gary Graffman at the Library of Congress

Ao mostrar desde muito cedo enormes qualidades para tocar violino, Henryk Szeryng (1918-1988) teve a oportunidade de estudar com alguns dos mais reputados professores: com Carl Flesch (1873-1944) em Berlim, nos inícios da década de 30, e com Nadia Boulanger (1887-1979), em Paris. Entretanto, em 1933, já tinha tido a sua estreia concertante, em Varsóvia, com o Concerto para Violino de Beethoven, com a orquestra dirigida por Bruno Walter (1876-1962).

Com a 2ª Guerra Mundial, Szeryng ofereceu-se como voluntário e, fluente como era em várias línguas, acabou por ficar como tradutor do general Wladyslaw Sikorski (1881-1943), primeiro-ministro do governo polaco no exílio. Foi também no exercício dessas funções que Szeryng ajudou imensos compatriotas a obter refúgio no México, país para onde ele próprio se mudaria após o fim da guerra. Em 1946 obteria cidadania mexicana, e teria provavelmente mantido a carreira de violinista em banho maria não fosse o encontro, na Cidade do México, em 1954, com o pianista Artur Rubinstein (1887-1982), polaco de nascimento. Este lá o convenceu a regressar aos palcos e, 2 anos depois, Szeryng fazia a sua estreia em Nova Iorque e provava ser um dos melhores violinistas da sua geração. Daria recitais por mais 30 anos...

No dia 3 de Dezembro de 1971, Henryk Szeryng e o pianista norte-americano Gary Graffman (1928-) deram um recital na Biblioteca do Congresso (The Library of Congress
), em Washington, que ficou registado e de que resultou o presente disco. Refira-se que da colecção da biblioteca, além de mais de 29 milhões de livros, fazem parte mais de 2 milhões de gravações!



Great Performances from the Library of Congress, Volume 22.
Johannes Brahms

Sonata No.1 in G major, Op.78.
Robert Schumann
Sonata No.1 in A minor, Op.105.
Ludwig van Beethoven
Andante, piu tosto allegretto from Sonata in A major, Op.12 No.2.
Wolfgang Amadeus Mozart
Rondo: Allegro from Sonata in C major, K296.
Henryk Szeryng (violino), Gary Graffman (piano)
Bridge 9179


Internet

Henryk Szeryng
Biography
/ Legendary Violinists / Wikipedia

Gary Graffman
Biography / International Creative Management / Wikipedia

07/08/2005

Violinistas #4: Max Rostal (1905-1991)

O êxodo causado pela emergência da ideologia nazi levou a que vários países acolhessem músicos dos mais consagrados, mas desalinhados com tal regime. O Reino Unido nesse aspecto foi particularmente feliz, ao receber inúmeros artistas no seu seio. Entre eles Carl Flesch (1873-1944), reputadíssimo violinista e professor húngaro, e Max Rostal, seu aluno, igualmente violinista e professor, e tema do postal de hoje, dia em que se celebra o centenário do seu nascimento.


Max Rostal

Austríaco de nascimento, Max Rostal viria mesmo a obter a cidadania britânica. A sua carreira começou bem antes disso, aos 6 anos de idade já dava concertos públicos! Nos anos 30 foi professor na Hochshule de Berlim
, mas os acontecimentos atrás referidos levaram-no a mudar-se para Londres, corria o ano de 1934. Nessa cidade, em paralelo com a carreira de violinista manteve a de professor, na Guildhall School of Music. Em 1958 mudou-se para a Suíça, tendo dado aulas no Conservatório de Berna até 1985, cidade onde viveu até à sua morte, ocorrida a 6 de Agosto de 1991, a 1 dia de fazer 86 anos.

O disco que aqui trazemos reune a quase totalidade das obras de compositores ingleses que Rostal gravou, faltando apenas uma sonata para violino de Benjamin Frankel (1906-1973). As interpretações são deslumbrantes, as gravações, de 1954, de boa qualidade, as audições... do melhor que poderíamos esperar!



Frederick Delius
Violin Sonata No.2.
William Walton
Violin Sonata.
Edward Elgar
Violin Sonata in E minor, Op.82.
Max Rostal (violino), Colin Horsley (piano)
Testament SBT1319