Mostrar mensagens com a etiqueta Concertos Promenade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Concertos Promenade. Mostrar todas as mensagens

18/08/2019

Maestros #85: Basil Cameron (1884-1975)


Se ter um nome germânico ou que soasse como tal poderia facilitar a carreira (internacional) de um maestro nos inícios do século XX, tal deixou seguramente de ser verdade a partir de 1914, altura em que rebentou a 1ª Grande Guerra. Assim se explica o facto de o inglês (de ascendência alemã) Basil Cameron ter começado por utilizar o nome Basil Hindenberg no início da sua carreira de regente musical, e de o ter rapidamente mudado para o original Basil Cameron assim que se ouviram os primeiros tiros do referido conflito...

Depois de ter passado a maior parte da década de 1930 nos Estados Unidos, Basil Cameron regressou a Inglaterra em 1938, não mais deixando esse país. Acabaria por ser um dos maestros mais ativos nos Proms com, segundo os registos da BBC, 437 presenças em palco, entre 1941 e 1964, sendo que neste último ano dirigiu o concerto da última noite, sempre uma ocasião especial.

Basil Cameron nasceu há 135 anos, no dia 18 de Agosto de 1884.


CD



Benjamin Britten
Piano Concerto in D, Op.13 (revised version).
Mátyás Seiber
To Poetry (Song cycle for high voice and piano).
Alan Bush
Voices of the Prophets, Op.41.
Noel Mewton-Wood (piano), Pear Pears (tenor)
London Symphony Orchestra
Basil Cameron
Testament SBT1493


YouTube




Basil Cameron
Classical Source / AllMusic / Bach Cantatas Website / Wikipedia

08/07/2018

Pianistas #56: Benjamin Grosvenor (1992-)


Em 2011 o pianista britânico Benjamin Grosvenor, que hoje celebra o seu 26º aniversário, tornou-se no mais jovem solista de sempre a aparecer na noite de abertura dos Proms. Na ocasião tocou o Concerto para Piano Nº2 de Franz Liszt (1811-1886), o que não deixa de ser curioso, se nos lembrarmos de que se trata de uma obra que o próprio compositor tentou evitar que fosse tocada em público.

Benjamin Grosvenor irá regressar aos Proms este ano mas, infelizmente, não passará aqui pelo nosso retângulo. Já por cá esteve no ano passado, contudo, com apresentações na Gulbenkian e na Casa da Música. O mais perto que estará este ano será em Madrid, em Outubro, no âmbito de um Ciclo de Grandes Intérpretes.


YouTube




Benjamin Grosvenor
Benjamin Grosvenor / Hazard Chase / The Guardian / Wikipedia

29/04/2018

Maestros #79: Malcolm Sargent (1895-1967)

Malcolm Sargent foi um maestro inglês reconhecido pela queda que tinha para as obras vocais, mas também pela incansável divulgação das obras dos seus compatriotas. Foi o maestro principal dos famosos Concertos Promenade, entre 1948 e 1967, ano da sua morte. Dirigiu inúmeras last nights dos Proms, devendo-se-lhe em grande parte a popularidade de que elas atualmente ainda gozam. Mas, se por um lado lá brilhou, por outro também fez brilhar, e foi no seu reinado que se verificaram as estreias nos Proms de alguns dos mais reputados maestros da altura, como Pierre Boulez (1925-2016), Carlo Maria Giulini (1914-2005), Bernard Haitink (1929-), Georg Solti (1912-1997) e Leopold Stokowski (1882-1977).

As composições de Edward Elgar (1857-1934) foram presença assídua nos concertos e nas gravações de Malcolm Sargent, e é com ambos que ficamos hoje, dia em que passam 123 anos sobre o nascimento deste maestro.


CD



Frederick Delius
Violin Concerto
Edward Elgar
Violin Concerto in B minor, Op.61.
Albert Sammons (violino)
Liverpool Philharmonic Orchestra, Malcolm Sargent
New Queen's Hall Orchestra, Henry Wood
Naxos Historical 8.110951
(1929, 1944)

Edward Elgar
Elgar's Interpreters on Record, Volume 5
The Dream of Gerontius (excerpts). Caractacus (excerpts). With Proud Thanksgiving.
I. Baillie, E. Suddaby (soranos), A. Desmond, M. Brunskill, M. Jarred (contratenores),
H. Nash, W. Widdop, E. Reach (tenores), A. Cranmer, E. Brown (barítonos),
H. Stevens, K. Falkner (baixos)
Hallé Choir
Hallé Orchestra, Malcolm Sargent
City of Birmingham Symphony Orchestra, Stanford Robinson
Elgar Editions EECD003-5

Edward Elgar
Enigma Variations
Albert Coates
Purcell Suite
Gustav Holst
The Perfect Fool, Op.39
Georg Friedrich Handel
Messiah, HWV56 - Overture; Pastoral Symphony
Samuel Coleridge-Taylor
Othello Suite, Op.79.
London Symphony Orchestra
Malcolm Sargent
Beulah 2PD13


Youtube



Malcolm Sargent
Bach Cantatas Website / BBC / Wikipedia

07/10/2017

Trompetistas #1: Alison Balsom (1978-)

Só nos inícios do século XIX é que o trompete ganhou válvulas e, com elas, a possibilidade de produzir uma gama mais alargada de sons. Tal não era possível com o seu antecessor, o trompete natural, que, por via disso, ficou quase sempre limitado a um papel de suporte na orquestra. Por volta de 1795 um trompetista da Corte de Viena, Anton Weidinger (1767-1852) introduziu algumas melhorias no trompete natural que, se não foram suficientes para que este chegasse aos calcanhares do trompete de válvulas, pelo menos chegaram para convencer o compositor austríaco Joseph Haydn (1732-1809) a aceitar escrever um concerto para esse instrumento.

Composto em 1796, Weidinger iria estreá-lo apenas em 1800, no dia 22 de Março. Apesar de hoje em dia ser, possivelmente, o concerto mais popular de Haydn, só em 1929, mais de 100 anos depois da estreia, é que viria a ser novamente tocado... Um dos seus mais destacados intérpretes da atualidade é a inglesa Alison Balsom, que hoje festeja o seu 39º aniversário, e de que deixo mais abaixo uma gravação vídeo efetuada durante os Concertos Promenade de 2009.


CD



Joseph Haydn
Trumpet Concerto in E flat major, HobVIIe/1.
Johann Nepomuk Hummel
Trumpet Concerto in E flat major, S49/WoO1.
Johann Neruda
Trumpet Concerto in E flat major.
Giuseppe Torelli
Trumpet Concerto in D major, 'Estienne Roger'.
Alison Balsom (trompete)
Deutsche Kammerphilharmonie, Bremen
Alison Balsom
EMI 2 16213-0


Internet



Alison Balsom
Official Website / Warner Classics / Wikipedia

10/09/2017

Barítonos #4: Thomas Allen (1944-)

O primeiro Concerto Promenade teve lugar no dia 10 de Agosto de 1895, no Queen's Hall, em Londres, com o seu fundador, Henry Wood (1869-1944), a dirigir a orquestra. Em 1941 os concertos decorreram no Royal Albert Hall, sala onde se têm mantido até à atualidade. Ontem, 9 de Setembro, foi dia do concerto nº75 dos Proms deste ano e foi, simultaneamente, o último concerto desta que foi a 123ª temporada dos Concertos Promenade.

O último concerto dos Proms de 2004 contou com a participação do barítono inglês Thomas Allen (Sir Thomas Allen desde 1999...), o nosso aniversariante de hoje, uma vez que nasceu no dia 10 de Setembro de 1944. Como é tradicional na enorme festa que é o concerto que encerra cada temporada dos Proms, neste de 2004 misturaram-se obras mais sérias com outras mais ligeiras, e é nesta última versão que encontramos um Thomas Allen em excelente forma.


Internet



Thomas Allen
Operabase / the guardian / Askonas Holt / Wikipedia

03/03/2009

Concertos #73

Na década de 1890, o empresário (e director do Queen's Hall) Robert Newman (1858-1926) ambicionava "criar um público para a música clássica", para o que pretendia organizar uns concertos que, numa fase inicial, apresentariam música mais acessível e depois, gradualmente, iriam introduzir obras de maior qualidade. Newman encontrou em Henry Wood (1869-1944) o parceiro ideal para tão ambicioso projecto, e no dia 10 de Agosto de 1895 teve lugar o primeiro Concerto Promenade. No Queen's Hall, obviamente, e com Henry Wood a dirigir a orquestra, como não podia deixar de ser.

82 anos, em 1927 portanto, a BBC passou a responsabilizar-se pela organização dos concertos. Em 1930, a Orquestra Sinfónica da BBC, fundada nesse ano pelo já nosso conhecido maestro Adrian Boult (1889-1983), sucedeu a "Henry Wood e a sua Orquestra Sinfónica" e lá se manteve até aos inícios da 2ª Grande Guerra, quando a BBC se viu impossibilitada de manter o suporte; "rei morto, rei posto", e Henry Wood passaria a contar com a Orquestra Sinfónica de Londres. Em 1941 os Proms mudaram-se (definitivamente) para o Royal Albert Hall, e a partir de 1942 voltaram a contar com o patrocínio da BBC.




Em 2007 deu-se a nossa estreia nos Proms, outro marco importante na história destes concertos (!!!). Para celebrar tal ocasião foram apresentadas as seguintes obras (conforme já aqui anteriormente referido):

Henri Dutilleux
The Shadows of Time.
Maurice Ravel
Piano Concerto for the Left Hand.
Hector Berlioz
Symphonie fantastique.

Com:

Roger Muraro, piano
Choristers from Eton College Chapel Choir
BBC National Orchestra of Wales
Thierry Fischer

Já tínhamos tido a oportunidade de ouvir ao vivo o Concerto para a mão esquerda, de Maurice Ravel, com o nosso Artur Pizarro; desta vez a parte solista esteve a cargo do francês Roger Muraro. Esta obra, relembre-se, foi encomendada por, e dedicada a, Paul Wittgenstein (1887-1961), que a estreou no dia 5 de Janeiro de 1932. Ainda nesse mesmo ano Wittgenstein iria tocá-la em solo inglês, precisamente num Concerto Promenade, e com Henry Wood na direcção da orquestra.

Henry Wood nasceu há 140 anos, no dia 3 de Março de 1869.

10/05/2008

CDs #162: Boult conducts Ireland

Na primeira metade do século XX não havia muitos maestros que rivalizassem em popularidade com Thomas Beecham (1879-1961). Adrian Boult (1889-1983) foi um dos poucos mas, ao contrário de Beecham, extrovertido e dado às artes do espectáculo, Boult cultivava a discrição, o que não o impediu de ter tido uma longa e bem sucedida carreira. Isto apesar de a terem procurado encurtar quando, em 1950, foi forçado a reformar-se da Orquestra Sinfónica da BBC por ter atingido a idade de 60 anos.

Essa orquestra, recorde-se, tinha sido fundada em 1930 pelo próprio Adrian Boult. Dois anos depois e Thomas Beecham fundaria a Orquestra Filarmónica de Londres, que no ano passado celebrou efusivamente o 75º aniversário. E foi esta, curiosamente, uma das várias orquestras que Boult dirigiu após 1950, por não se ter dado por convencido com a referida reforma compulsiva... Dessa colaboração resultaram várias gravações, e um disco lançado há pouco tempo, já no decorrer deste ano, contém algumas efectuadas em 1966 e em 1971, e em que Boult interpreta obras de um seu compatriota, o compositor inglês John Ireland (1879-1962). E se Boult foi para Londres após a famosa reforma, Ireland viveu nessa cidade cerca de 55 anos, e nela se inspirou para escrever algumas das obras constantes deste disco.

Uma delas, a Marcha Épica, foi composta em 1942 em resultado de uma encomenda da BBC, e foi a primeira obra a ser interpretada no concerto de abertura dos Concertos Promenade desse mesmo ano. Em plena 2ª Grande Guerra, portanto, e no segundo ano em que os Proms tiveram lugar no Royal Albert Hall, após a Luftwaffe ter bombardeado o Queen's Hall no dia 10 de Maio de 1941, passam hoje 67 anos.




John Ireland
Tritons, symphonic prelude. The Forgotten Rite, prelude.
Mai-Dun, symphonic rhapsody. A London Overture. Epic March.
Themes from Julius Caeser. Suite 'The Overlanders'.
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Lyrita SRCD.240


Internet

Adrian Boult
Bach Cantatas / Wikipedia / National Portrait Gallery

John Ireland
The John Ireland Charitable Trust / The John Ireland Trust / Guild Music / Naxos / Wikipedia / Karadar Classical Music

17/07/2007

Concertos #58

O ano de 1830 foi marcante para o jovem compositor Hector Berlioz (1803-1869): em Abril termina a Sinfonia Fantástica, que viria a ser tocada pela primeira vez em público no dia 5 de Dezembro e, em Agosto, vence o já por aqui muitas vezes falado Prix de Rome, com a cantata Sardanapale. Tal como Florent Schmitt (1870-1958), de quem aquilo falaremos em breve, Berlioz teve que concorrer 5 vezes para ganhar o diabo do prémio; sempre melhor do que o que aconteceu com Maurice Ravel (1875-1937), evidentemente, que nunca o ganhou...

Dias felizes para Berlioz, seguramente, mas turbulentos para a sua França natal, mergulhada nas convulsões internas de que resultou a Revolução de Julho, em que Louis-Philippe (1773-1850) sucederia no trono a Charles X (1757-1836); para que não ficasse demasiadamente sorridente na fotografia, o próprio Louis-Philippe seria mais tarde forçado a abdicar...

Por essa altura Berlioz andava demasiado caído pela actriz irlandesa Harriet Smithson (1800-1854) para que as lutas revolucionárias lhe toldassem a inspiração; Harriet, que Berlioz viu pela primeira vez em Setembro de 1827 representando em duas peças de William Shakespeare (1564-1616), acabaria de servir de musa inspiradora para a referida Sinfonia Fantástica. Em 1832 conhecer-se-iam pessoalmente, depois de Harriet assistir a um concerto onde esta sinfonia foi tocada, e acabariam por dar o nó no dia 3 de Outubro do ano seguinte.

A Sinfonia Fantástica é uma das obras constantes do programa do concerto a que vamos ter a oportunidade de assistir já no próximo dia 20. Fechando o Porto culturalmente para férias em Julho, e procurando esquecer o desgosto que nos provoca a miserável programação da Casa da Música (neste mês e nos outros...), decidimos mudar de ares e fazer a nossa estreia nos Concertos Promenade. Isto, claro, se os terroristas e as medidas anti-eles nos permitirem lá chegar...


Programa

Henri Dutilleux
The Shadows of Time.
Maurice Ravel
Piano Concerto for the Left Hand.
Hector Berlioz
Symphonie Fantastique.
Roger Muraro (piano)
Choristers from Eton College Chapel Choir
BBC National Orchestra of Wales
Thierry Fischer


Internet

Hector Berlioz
The Hector Berlioz Website / The Hector Berlioz Page / The Symphony / Classical Music PagesWikipedia / Internet Public Library / Naxos

25/09/2006

SACDs #10: Sibelius, Symphonies Nos.3 & 7

Os Concertos Promenade nasceram de uma ideia do empresário Robert Newman, que pretendia que, no seu início, eles fossem populares, porque popular seria a música apresentada para, aos poucos, irem introduzindo obras mais difíceis e, desse modo, criar um público para a música clássica. A Henry Wood (1869-1944) coube a responsabilidade de ser o maestro principal desses concertos, função que desempenhou até Julho de 1944. O primeiro concerto teve lugar no dia 10 de Agosto de 1895 e, duas décadas e meia depois, já por lá tinham passado obras de Claude Debussy (1862-1918), Sergei Rachmaninov (1873-1943), Maurice Ravel (1875-1937), Richard Strauss (1864-1949) e Vaughan Williams (1872-1958), resultado dos objectivos inicialmente traçados.

Em 1901, houve um outro compositor que viu uma obra sua ser interpretada nos Proms: o finlandês Jean Sibelius (1865-1957), com a suite orquestral King Christian II. É que, por essa altura, Sibelius gozava já de uma óptima reputação, fruto de algumas obras de sucesso que já tinha composto, com particular destaque para Finlandia, escrita em 1900.

A obra seguinte, a Sinfonia Nº2, foi entendida pelos seus compatriotas como um hino contra o opressor (na altura a Finlândia não era um país independente, estando reduzida a uma província do império russo), ficando mesmo conhecida na altura como a "Sinfonia da Libertação". Tanto quanto se sabe, nunca foi essa a intenção do compositor... A sinfonia que se seguiu foi de gestação longa, composta entre 1904 e 1907, e dedicada ao compositor inglês e um dos primeiros promotores da sua música, Granville Bantock (1868-1946). Ao contrário das tendências do romantismo (tardio) da época, com obras que exigiam grandes orquestras, Sibelius escreveu uma sinfonia sóbria, num estilo próximo do clássico, para uma orquestra de proporções razoáveis, que Beethoven certamente não estranharia... A Sinfonia Nº3 foi estreada em Helsínquia pelo próprio compositor, no dia 25 de Setembro de 1907.




Jean Sibelius
Symphony No.3. Symphony No.7.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO0051 (CD) / LSO0552 (SACD)
(2003)


Internet

Jean Sibelius
Jean Sibelius - The website
/ Classical.net / Sibelius - Finland's voice in the world / Classical Music Pages

Proms
History of the Proms / Wikipedia