Mostrar mensagens com a etiqueta Fauré. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fauré. Mostrar todas as mensagens

06/05/2018

Poetas #14: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O título deste texto é um pouco (bastante...) redutor, dado que o belga Maurice Maeterlinck, além de poeta, foi dramaturgo e ensaísta. Foi também bastante bom a copiar obras de outros, como o provam as acusações de plágio relacionadas com a sua obra La Vie des Termites, publicada em 1926. Voltando às coisas positivas, e que felizmente abundam, merecem realce os vários e importantes prémios atribuídos a Maeterlinck, com destaque para o Nobel da Literatura em 1911, assim como também, para mim, deveremos assinalar o facto de variadíssimas obras deste autor terem servido de base / inspiração para obras musicais.

Uma delas foi indubitavelmente Pelléas et Mélisande, uma peça que escreveu em 1892 e que teve a sua estreia nos palcos (parisienses) no dia 17 de Maio de 1893. A lista de compositores que nela se inspiraram é deveras impressionante:

Claude Debussy (1862-918) - ópera
Gabriel Fauré (1845-1924) - suite orquestral
Arnold Schoenberg (1874-1951) - poema sinfónico
Jean Sibelius (1865-1957) - música de cena
William Wallace (1860-1940) - suite para orquestra

Maurice Maeterlinck faleceu há 69 anos, no dia 6 de Maio de 1949.


CDs




William Wallace
Creation Symphony in C sharp minor. Prelude To The Eumenides.
Pelléas and Mélisande Suite.
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins
Hyperion CDA66987
(1997)

Claude Debussy
Pelléas et Mélisande
Wolfgang Holzmair, Laurent Naouri, Jérôme Varnier (barítonos), Anne Sofie von Otter,
Florence Couderc (soranos), Alain Vernhes (baixo), Hanna Schaer (meio-soprano)
Radio France Chorus
French National Orchestra
Bernard Haitink
Naïve V4923
(2001)

Arnold Schoenberg
Pelleas und Melisande
Richard Wagner
Siefried Idyll
Orchestra of the Deutsche Opera
Christian Thielemann
Deutsche Grammophon 469 008-2

Jean Sibelius
Symphonies - No.4, Op.63 and No.7, Op.105. Tapiola, Op.112.
Suite from 'Pelléas et Melisande', Op.46.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4041-2


YouTube





Maurice Materlinck
Nobelprize.org / Encyclopaedia Britannica / Wikipedia

05/03/2017

Quartetos de Cordas #13: Quarteto de Cordas em fá maior, de Maurice Ravel

No que toca a quartetos de cordas e ao compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) a contabilidade é relativamente fácil de fazer: apenas escreveu um. Tal e qual como Claude Debussy (1862-1918), que o compôs entre 1892 e 1893, cerca de 10 anos antes de Ravel iniciar o seu.

A referência a este facto não é inocente, uma vez que esta obra de Debussy serviu de óbvia inspiração para o quarteto de cordas de Ravel. Escrito entre 1902 e 1903, teve a sua estreia, em Paris e com o Quarteto Heymann, no dia 5 de Março de 1904, passam hoje 113 anos.

O dedicatário desta obra foi o compositor e seu antigo professor Gabriel Fauré (1845-1924) que, por sinal, ficou bem menos impressionado com ela do que Debussy...


CDs




Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Gabriel Fauré
String Quartet in E minor, Op.121.
Ad Libitum Quartet
Naxos 8.554722
(1999)

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Claude Debussy
String Quartetin G minor, Op.10.
Gabriel Fauré
String Quartet in E minor, Op.121.
Quatuor Ebène
Virgin Classics 5 19045-2

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Arcanto Quartet
Harmonia Mundi HMC90 2067
(2009)

Alexander Borodin
String Quartet No.2 in D major.
Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Dimitri Shostakovich
String Quartet No.8 in C minor, Op.110.
Borodine Quartet
BBC Legends BBCL4063-2

Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Talich Quartet
La Dolce Volta LDV08
(2012)

Maurice Ravel
String Quartet in F major.
Henri Dutilleux
Ainsi la nuit.
Claude Debussy
String Quartet in G minor, Op.10.
Belcea Quartet
EMI Debut 5 74020-2


Internet



Maurice Ravel
bio.com / allmusic / Wikipedia

26/05/2013

Pianistas #36: Vlado Perlemuter (1904-2002)

Na sua página pessoal na internet, o pianista anglo-australiano Stephen Hough (1961-) escreve um (longo) texto sobre o igualmente pianista Vlado Perlemuter, a propósito da sua (de Hough...) participação numa masterclass de Perlemuter. Descreve, em particular, a sua admiração pela modéstia do grande pianista francês (nascido na Lituânia), alguém que "tinha estudado com Alfred Cortot, e que tinha estado no centro de um tempo particularmente rico da vida pianística parisiense". Além de ter estudado com Moritz Moszkowski (1854-1925) e Alfred Cortot (1877-1962), Perlemuter conheceu pessoalmente Gabriel Fauré (1845-1924) e Maurice Ravel (1875-1937), vindo mesmo a tornar-se num dos grandes intérpretes deste último. Um dos poucos compositores seus contemporâneos que tocou, tendo-se dedicado essencialmente a tocar obras de compositores dos períodos clássico e romântico.

O primeiro disco abaixo listado é precioso, por colocar lado-a-lado professor (Cortot) e aluno (Perlemuter), em gravações efectuadas entre 1939 e 1954.

Vlado Perlemuter nasceu há 109 anos, no dia 26 de Maio de 1904.


CDs


Ludiwg van Beethoven
Piano Concerto No.1 in C, Op.15.
Maurice Ravel
Trio for Piano, Violin and Cello in A minor.
Franz Liszt
Two Legends.
Alfred Cortot, Vlado Perlemuter (pianos), Jeanne Gautier (violino),
André Lévy (violoncelo)
Lausanne Chamber Orchestra
Victor Desarzens
Tahra TAH610
(1947, 1954, 1939)

Wolfgang Amadeus Mozart
The 18 Piano Sonatas. Fantasia in C minor, K475.
Vlado Perlemuter (piano)
Musical Concepts MC141
(1956)


Internet



Vlado Perlemuter

25/05/2009

Sinfonias #37: Sinfonia Nº3, de George Enescu

O romeno George Enescu (1881-1955), que já uma vez passou por estas páginas, estudou em Viena e em Paris, tendo tido aulas com alguns pesos pesados da história da música: Josef Hellmesberger (1828-1893), Robert Fuchs (1847-1927), Jules Massenet (1842-1912) e Gabriel Fauré (1845-1924). Enescu, violinista virtuoso dotado de uma memória extraordinária, nunca tomou como actividade principal a composição, e o conjunto da sua obra é ainda hoje pouco conhecido. É geralmente considerado, contudo, como o grande compositor do seu país, estando para a Roménia um pouco como Béla Bartók (1881-1945) está para a Hungria.

Enescu compôs 3 sinfonias, a primeira em 1905, a segunda entre 1912 e 1914, e a terceira entre 1916 e 1918. Esta última, transpirando Brahms por todos os poros, além de um coro, exige uma orquestra de dimensões apreciáveis, que deverá incluir, nomeadamente, 12 contrabaixos. Será outra das razões para o pequeno, muito pequeno número de boas gravações disponíveis, destacando-se uma do nosso Lawrence Foster (1941-).

A estreia da Sinfonia Nº3 de George Enescu teve lugar no dia 25 de Maio de 1919, passam hoje 90 anos.


CD



George Enescu
Symphonies - No.1 in E flat major, Op.13.; No.2 in A major, Op.17;
No.3 in C major, Op.21. Vox maris.
Catherine Sydney (soprano), Marius Brenciu (tenor)
Les Éléments Chamber Choir
Monte-Carlo Philharmonic Orchestra
Lyon National Orchestra
Lawrence Foster
EMI 5 86604-2
(1992, 2004)


Internet



George Enescu
George Enescu / International Enescu Society / International Festival and Competition George Enescu / Naxos / Bach Cantatas Website / Answers.com / Wikipedia

13/01/2009

Compositores #91: Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)

Já tinha anteriormente afirmado, a propósito da programação da Casa da Música para 2009, que este ano teria tons (sons...) acentuadamente brasileiros. Reforçando tal facto, decidi convidar para aqui hoje o brasileiro Mozart Camargo Guarnieri, possivelmente um dos mais conhecidos e divulgados compositores do Brasil , a seguir a Heitor Villa-Lobos (1887-1959).

Nascido no seio de uma família modesta, Camargo Guarnieri viu-se forçado, nos primeiros anos de vida em São Paulo, a conciliar os estudos musicais com a necessidade de ajudar o pai na barbearia. Devagar as coisas foram melhorando, e a 2ª metade da década de 1930 encontrou Camargo Guarnieri em Paris, para prosseguir os estudos com Charles Koechlin (1867-1950), por sua vez um antigo aluno de Gabriel Fauré (1845-1924).

Deu-se depois o regresso ao Brasil, a São Paulo, e não tardou muito até que Camargo Guarnieri se tornasse num dos elementos mais notados da vida musical daquela cidade, tendo, inclusivamente, sido co-fundador da Academia Brasileira de Música, fundada em Julho de 1945 precisamente por Villa-Lobos. Foi um compositor prolífico, com mais de 700 obras à sua conta, entre sinfonias, concertos para piano, obras para orquestra de câmara, música de câmara, sonatas e música vocal, além das óperas Pedro Malazarte e Um Homem Só.

Mozart Camargo Guarnieri faleceu há 16 anos, no dia 13 de Janeiro de 1993.


CDs




Mozart Camargo Guarnieri
Symphonies - No.2, "Uirapurú"; No.3. Abertura Concertante.
Sao Paulo Symphony Orchestra
John Neschling
BIS BIS-CD-1220

Mozart Camargo Guarnieri
Symphonies - No.5; No.6. Suíte Vila Rica.
Sao Paulo Symphony Chorus
Sao Paulo Symphony Orchestra
John Neschling
BIS BIS-CD-1320

Mozart Camargo Guarnieri
Piano Concertos - No.1; No.2; No.3.
Max Barros (piano)
Warsaw Philharmonic Orchestra
Thomas Conlin
Naxos 8.557666

Alberto Nepomuceno
Prece. Galhofeira.
Mozart Camargo Guarnieri
Dansa negra. Dansa brasileira.
Oscar Lorenzo Fernandez
Suites Brasileiras - No.1; No.2; No.3. Três Estudos em Forma de Sonatina.
Heitor Villa-Lobos
A Lenda do Cabloco. Valsa da Dor.
Fructuoso Vianna
Toada nº2, Jogos Pueris, Schumanianna. Prelúdios - No.3; No.4.
Serenata Espanhola. Berceuse do Sabiá. Seresta. Corta-Jaca.
Cristina Ortiz (piano)
Intrada INTRA016

Obrigado Brazil
Mozart Camargo Guarnieri
Dansa brasileira. Dansa negra.
+ obras de César Camargo Mariano, António Carlos Jobim, Heitor
Villa-Lobos, Jacob do Bandolim, Roberto Baden-Powell, Pixinquinha,
Sérgio Assad, Egberto Gismonti e Waldyr Azevedo.
Yo-Yo Ma (violoncelo), Cesar Camargo Mariano, Helio Alves, Kathrin
Stott (pianos), Rosa Passos, Odair Assad, Sergio Assad, Romero Lubambo,
Oscar Castro-Neves, Egberto Gismonti (guitarras), Cyro Baptista, José
da Silva, José de Faria (percussão), Nilson Matta (contrabaixo), Paulo
Braga (tambores), Paquito d'Rivera (clarinete)
Sony Classical SK89935
(2002)


Internet

Mozart Camargo Guarnieri
Algosobre / P. Q. P. Bach / Ponteio Publishing, Inc. / Wikipédia

29/08/2008

Escritores #8: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O compositor francês Claude Debussy (1862-1918), apesar de ter ensaiado outras tentativas, nomeadamente a partir da obra The Fall of the House of Usher de Edgar Allan Poe (1809-1849), apenas nos deixou uma ópera completa, Pelléas et Mélisande. Esta descreve-nos as desventuras de Golaud, o marido ciumento, e Mélisande, a infeliz esposa que viria a derreter-se de amores por Pelléas, meio-irmão de Golaud. Este, depois de suspeitas várias, lá logrou ouvir a troca de juras de amor entre Mélisande e Pelléas e, louco de raiva, matou o meio-irmão logo ali. Mélisande, por sua vez, viria a morrer pouco depois de dar à luz a filha do casal, deixando Golaud divido entre os remorsos de ter eventualmente contribuído para a morte da esposa e os ciúmes dos amores desta por Mélisande. A estreia desta ópera teve lugar em Paris, no dia 30 de Abril de 1902.

Mais modesto, o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) limitou-se, em 1905, a compôr a música de cena Pelléas et Mélisande, estruturada em 8 andamentos. Exibindo um tom menos emocional e mais escuro do que o da ópera de Debussy, esta obra de Sibelius foi estreada em Helsínquia no dia 17 de Março de 1905.

Já andava Debussy entretido a escrever a ópera e Patrick Campbell (1865-1940), uma famosa actriz inglesa, pediu-lhe para escrever uma música de cena para a peça Pelléas et Mélisande, entusiasmada como estava depois de assistir à respectiva estreia londrina, em 1895. Campbell queria traduzi-la para inglês e incluí-la no seu repertório, mas Debussy, indiferente a tais excitações, mandou-a às urtigas. A nossa actriz, contudo, não era senhora de desistir facilmente, virando-se então para Gabriel Fauré (1845-1924), e dessa vez com mais sucesso. Demasiado ocupado na altura, Fauré deixou a orquestração a cargo do seu aluno Charles Koechlin (1867-1950) mas, perante o sucesso obtido, viria posteriormente a extrair dela uma suite sinfónica, que ele próprio orquestrou e que teria a sua estreia no dia 3 de Fevereiro de 1901.

Ainda nos inícios do século XX, um compositor já nosso bem conhecido, Richard Strauss (1864-1949), desconhecendo que Debussy já tinha iniciado tal empreitada, sugeria a Arnold Schoenberg (1874-1951) que compusesse uma ópera igualmente baseada na peça Pelléas et Mélisande. Schoenberg, todavia, optaria por escrever um poema sinfónico, que o próprio compositor estrearia em Viena no dia 26 de Janeiro de 1905. Sem grande sucesso, diga-se, que só viria a encontrar uns anos mais tarde. Tal como no caso de Debussy, esta obra acabou por ser a única do género escrita por Schoenberg, que não mais se viraria para os poemas sinfónicos.

Todas estas obras, como está bom de ver, basearam-se na peça Pelléas et Mélisande do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, e que nasceu no dia 29 de Agosto de 1862, passam hoje 146 anos.


Internet

Maurice Maeterlinck
Nobelprize.org / Symbolism and Maurice Maeterlinck / biographybase / Famous Belgians / Algosobre / Maurice Maeterlinck / Wikipedia

09/05/2007

Obras para Piano #6: Valses Nobles et Sentimentales, de Maurice Ravel

"O título da obra indica de uma forma suficientemente clara a minha intenção de compor uma série de valsas seguindo o exemplo de Schubert". Depois de um regresso ao século XVIII, com Le Tombeau de Couperin, Maurice Ravel (1875-1937) virou-se para o século seguinte, com as Valses Nobles et Sentimentales. Escritas em Paris no início de 1911, foram estreadas a 9 de Maio desse ano pelo seu dedicatário, o pianista e compositor Louis Aubert (1877-1968). Muito antes de ser reconhecido como uma pianista exímio, Aubert tinha-se notabilizado como um notável... soprano!, e foi como tal que, por exemplo, participou na estreia do Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924), em 1888. Teve ainda tempo de brilhar no Stabat Mater de Rossini e na Missa de Carl Maria von Weber (1786-1826), até que lá se decidiu dedicar a actividades mais compatíveis com a condição masculina...

Há ainda uma outra curiosidade relacionada com esta obra. A estreia foi efectuada num concerto em que várias outras peças foram tocadas sem que, contudo, se tivesse procedido à identificação dos respectivos compositores. À audiência foi então pedido que os identificasse e, no que às Valses Nobles et Sentimentales diz respeito, há que dizer que o nome de Ravel esteve longe de ser o mais votado! Zoltán Kodály (1882-1967) e Eric Satie (1866-1925) pareceram nomes mais prováveis; Claude Debussy (1862-1918), a bem da sua reputação, foi dos poucos que acertou no nome...


CDs




Modest Mussorgsky
Pictures at an Exhibition.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales.
Ivo Pogorelich (piano)
Deutsche Grammophon 437 667-2

Wolfgang Amadeus Mozart
Piano Concerto No.13 in C major, K415.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales
Arturo Benedetti Michelangeli (piano)
Orchestra Sinfonica di Roma della RAI
Orchestra Sinfonia de Torino della RAI
Carlo Maria Giulini, Nino Sanzogno
Urania URN22230

Sergei Prokofiev
Piano Sonata No.2.
Alexander Scriabin
Piano Sonata No.7.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales.
Sviatoslav Richter (piano)
Live Classics LCL 472

Claude Debussy
Children's Corner.
Gabriel Fauré
Five Impromptus - No.2, Op.31; No.3, Op.34.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales.
Nikita Magaloff (piano)
Accord 476 1679

Franz Schubert
Piano Sonata in A minor, D845. Piano Sonata in B flat major, D960.
Four Impromptus, D899. Moments Musicaux, D780.
Claude Debussy
Pour le piano. Suite bergamasque. Préludes, Books I & II.
Images, Set I. L'Isle joyeuse.
Maurice Ravel
Sonatine. Le tombeau de Couperin. Valses Nobles et Sentimentales.
Friedrich Gulda (piano)
Andante AN2110


Internet

Maurice Ravel
Maurice Ravel frontispice / Wikipedia / IRCAM / Naxos / Classical Music Pages / Classical NetUniversité du Québec

Louis Aubert
Musica et Memoria / Wikipedia

09/05/2006

Concertos #38

95 anos, no dia 9 Maio de 1911, teve lugar na Société Musicale Indépendante, em Paris, a estreia de Valses Nobles et Sentimentales, do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937). Na série de concertos lá realizados na época, os autores não eram identificados, por forma a que o público apreciasse a música apenas baseado no seu valor intrínseco. Naturalmente que muitos procuravam adivinhá-lo e, como resultado disso, as Valses Nobles et Sentimentales foram atribuídas, além de Ravel, a Eric Satie (1866-1925), a Zoltán Kodály (1882-1967) e mesmo a Théodore Dubois (1837-1924), um antigo vencedor do Prix de Rome, em 1861. Surprema ironia, esta, se nos lembrarmos de que Ravel a ele tinha concorrido por 4 vezes no início do século, sem nunca o ter vencido!...

A obra é composta por uma sucessão de valsas, seguindo o exemplo de Franz Schubert (1797-1828) e, ao mesmo tempo, homenageando-o. Apresentadas como "... le plaisir délicieux et toujours nouveau d'une occupation inutile", retratam o ambiente vienense da música de salão, e foram dedicadas ao pianista e compositor Louis Aubert (1877-1968), que foi, aliás, quem as estreou. Louis Aubert que começou por ganhar celebridade pela sua voz de... soprano, tendo sido mesmo dele a primeira interpretação de Pie Jesus, no Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924), em 1888.

Esta foi uma das obras que o pianista polaco Krystian Zimerman (1956-) interpretou na primeira parte do recital que deu na Casa da Música
no passado dia 11 de Março. Que começou com a Sonata para Piano, KV330, de Mozart (1756-1791), que foi-se conseguindo ouvir entre ataques de tosse generalizados, com especial brilhantismo por parte de uma simpática e bem constituída sexagenária, distante poucos lugares aqui do escriba e da respectiva família. Chegou ao ponto de nós, desesperados espectadores-ouvintes, temermos pelo próximo pianíssimo de Zimerman, certos de que aí viria novo ataque da velhinha...

A segunda parte do recital, já com a senhora mais calma, foi preenchida com obras de Frédéric Chopin (1810-1849), e foi dos momentos mais fantásticos a que tivemos a felicidade de assistir. Não é por acaso que Krystian Zimerman é considerado um dos melhores pianistas da actualidade no repertório romântico.


Programa

Wolfganf Amadeus Mozart
Sonata para Piano, KV330.
Maurice Ravel
Valses Nobles et Sentimentales.
Frédéric Chopin
Balada Nº4, Op.52. Quatro Mazurkas, Op.24. Sonata em si bemol menor, Op.35.
Krystian Zimerman (piano)


Internet

Maurice Ravel
Classical Music Pages
/ Maurice-Ravel.net / Catalogue des oeuvres / Wikipedia

Kystian Zimerman
Polish Culture
/ Krystian Zimerman / Discography / Wikipedia

11/01/2005

Compositores #17: Maurice Duruflé (1902-1986)

Por estas bandas já aqui passaram compositores prolíficos, como Cole Porter, e outros que nem por isso, como Gabriel Fauré ou Michael Tippett. Na passagem dos 103 anos do seu nascimento, hoje trago aqui um compositor (e organista) que bem pode ser considerado o paradigma do não prolífico, o francês Maurice Duruflé.


Maurice Duruflé

Duruflé deixou apenas 14 obras publicadas!, entre as quais um Requiem (1947) e uma Missa (1966), andando todas elas à volta do canto gregoriano. Estudou música com Charles Tournemire (1870-1939) e Louis Vierne (1870-1937), e composição com Paul Dukas (1865-1935). Certamente que um dia mais tarde voltarei a este último, não só a propósito da sua própria música, mas também sobre a influência decisiva que teve sobre um grande compositor espanhol que viveu no século passado, Joaquín Rodrigo (1901-1999).

Além de compositor foi organista, na igreja de St. Etiénne-du-Mont, em Paris, e professor no Conservatório de Paris. Faleceu no dia 16 de Junho de 1986.


CDs



Remembrance
Duruflé - Ubi Caritas, Op.10 No.1; In parasidum.
(+ Burgon, Tallis, Ireland, Parry, Stanford, Handl, Kellam, Purcell, ...)
Huw Williams (orgão)
St Paul's Cathedral Choir
John Scott
Hyperion CDA67398

Fugue sur le thème du Carillon des heures de la Cathédral de Soissons, Op.12.
Prélude, Adagio et Choral varié sur le thème de Veni Creator, Op.4.
Prélude sur l'Introït de l'Épiphanie, Op.13. Suite, Op.5.
Prélude et Fugue sur le nom de d'Alain, Op.7. Scherzo, Op.2. Méditation, Op. posth.
Hans Fagius (orgão)
BIS CD-1304

Requiem, Op.9. Notre père.
Wyn-Rogers, Finley, Warnier, Escaich, Mazeau, Sage
Cambridge Voices
Ian de Massini
Herald HAVPCD 234


Internet

http://www.geocities.com/Vienna/2820/duru.html
http://www.musimem.com/durufle-maurice.htm
http://brahms.ircam.fr/textes/c00000699/

04/11/2004

Compositores #10: Gabriel Fauré (1845-1924)

Assinalam-se hoje os 80 anos da morte do compositor francês Gabriel Fauré, ocorrida no dia 4 de Novembro de 1924.


Gabriel Fauré

Fauré fez os primeiros estudos musicais na École Niedermeyer, onde esteve cerca de 12 anos e chegou a ser aluno de Saint-Saëns (texto CDs #6, de 30 de Setembro).


Louis Niedermeyer

Viria posteriormente a ser professor de composição no Conservatório, onde teve como alunos, entre outros, Maurice Ravel e Nadia Boulanger (ver texto Compositores #7, de 22 de Outubro). Compreender-se-á então melhor o empenho de Nadia Boulanger na divulgação da música de Fauré, tida por demasiado moderna para a época e portanto de difícil aceitação. Fauré foi director do Conservatório entre os anos de 1905 e 1920.

Pouco prolífico, dedicou-se fundamentalmente aos géneros
vocal, com destaque para os ciclos de canções, para a música instrumental, através de obras para piano, e para a música de câmara. Compôs ainda um Requiem, em 1887, e uma ópera, Pénélope, em 1913.


CDs



13 Nocturnes
Germaine Thyssens-Valentin
Testament SBT 1262

Piano Quintets
Domus
Hyperion CDA66766

Requiem, Op.48 (versão de 1901)
Collegium Vocale
La Chapelle Royale
Orquestra dos Campos Elísios
Harmonia Mundi HMC90 1771


Internet

http://mac-texier.ircam.fr/textes/c00000760/
http://www.bookrags.com/biography/gabriel-urbain-faure/
http://www.testament.uk.com/
http://www.hyperion-records.co.uk/
http://www.harmoniamundi.com/

22/10/2004

Compositores #7: Nadia Boulanger (1887-1979)

O título deste post está assumidamente incorrecto, por redutor. É que Nadia Boulanger, que morreu há 25 anos atrás, no dia 22 de Outubro de 1979, além de compositora, foi maestrina e professora de música. A sua actividade como professora foi aquela que mais profundamente marcou a cena musical do século XX. Nadia Boulanger teve como alunos, entre outros, Daniel Barenboim, Elliott Carter, Aaron Copland, Clifford Curzon, John Eliot Gardiner, Philip Glass, Roy Harris, Dinu Lipatti, Astor Piazolla, Walter Piston. É uma lista impressionante, e o melhor testemunho da sua grandeza.


Nadia Boulanger

Deve-se-lhe a primeira interpretação em Londres do Requiem de Fauré, em 1936. Apenas em 1948 viria a gravar essa obra em disco, reeditada há uns anos pela EMI (ver lista mais abaixo). Foi uma das poucas gravações que fez, não há muitos discos por onde escolher...


CDs



Gabriel Fauré
Requiem, Op.48.
Gisèle Peyron (soprano), Doda Conrad (baixo)
Boulanger Ensemble
Coro
Orquestra (não identificada)
Nadia Boulanger
EMI CDH7 61025-2




Gabriel Fauré
Requiem, Op.48.
Janet Price (soprano), Bernadette Greevy (meio-soprano),
Ian Partridge (tenor), John Carol Case (barítono)
Coro da BBC
Orquestra Sinfónica da BBC
Nadia Boulanger
BBC Music BBCL 4026-2


Internet

http://www.nadiaboulanger.org/

http://www.americansymphony.org/dialogues_extensions/97_98season/6th_concert/leon.cfm