Mostrar mensagens com a etiqueta Furtwängler. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Furtwängler. Mostrar todas as mensagens

08/02/2014

Concertos para Piano #15: Concerto para Piano Nº3, de Béla Bartók

Já sabemos (ver aqui) que o Concerto para Piano Nº1 do compositor húngaro Béla Bartók (1881-1945) esteve longe de ter sido bem recebido pelo público, e nem o facto da estreia (em Julho de 1927) ter contado com o maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) ajudou a ultrapassar a indiferença generalizada. Talvez por isso o seu segundo concerto, composto no início da década de 1930, já tenha sido bem mais acessível, com o público a reagir de imediato mais favoravelmente.

O seu terceiro e último concerto para piano foi escrito quando já se encontrava nos Estados Unidos, para onde se tinha mudado em consequência do estalar da 2ª Guerra Mundial. Não dá oportunidades para grandes demonstrações de virtuosismo por parte do solista, assim como não faz muito uso de melodias tradicionais do seu país. O que perdeu nisso ganhou em melodia, o que facilitou a sua aceitação geral.

O período em que o escreveu (meados da década de 1940) não foi um período feliz na vida de Bartók, longe disso, tendo apenas escrito duas obras completas, sendo que este concerto não foi uma delas: foi terminado pelo seu amigo Tibor Serly (1901-1978) e estreado no dia 8 de Fevereiro de 1946, passam hoje 68 anos. Na ocasião, o pianista de serviço foi um outro amigo seu, o igualmente húngaro György Sándor (1912-2005), com o maestro Eugene Ormandy (1899-1985) a dirigir a Orquestra de Filadélfia.


CDs


Sergei Prokofiev
Piano Concertos - No.1 in D flat, Op.10; No.3 in C, Op.26.
Béla Bartók
Piano Concerto No.3 in E major, Sz119.
Martha Argerich (piano)
Montreal Symphony Orchestra
Charles Dutoit
EMI 5 56654-2
(1997)

Béla Bartók
Piano Concerto No.3 in E major, Sz119. For Children, Sz42 - Allegretto; Andante;
Allegro scherzando; Molto vivace.
Franz Liszt
Au bord d'une source, S160 No.4. Concert Studies, S144 - No.2, La leggierezza;
No.3, Un sospiro; S145 - No.1, Waldesrauschen.
Louis Kentner (piano)
BBC Symphony Orchestra
Adrian Boult
Pearl GEM0148
(1937-49)

Béla Bartók
Piano Concertos - No.1, Sz83; No.2, Sz95; No.3, Sz119.
Peter Donohoe (piano)
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
EMI 7 54871-2

Béla Bartók
Piano Concertos - No.1, Sz83; No.2, Sz95; No.3, Sz119.
Jean-Efflam Bavouzet (piano)
BBC Philharmonic Orchestra
Gianandrea Noseda
Chandos CHAN10610
(2009, 2010)

Johann Sebastian Bach
Piano Concerto in D minor, BWV1052 (arr. Busoni).
Franz Liszt
Piano Concerto No.1 in E flat, S124.
Béla Bartók
Piano Concerto No.3, Sz119.
Dinu Lipatti (piano)
Royal Concertgebouw Orchestra, Eduard van Beinum
Orchestra de la Suisse Romande, Ernest Ansermet
South West German Radio Symphony Orchestra, Paul Sacher
EMI Références 5 67572-2


Internet



Béla Bartók


31/10/2009

Concertos para Piano #11: Concerto para Piano Nº5, de Sergei Prokofiev

O russo Sergei Prokofiev (1891-1953) compôs 5 concertos para piano, dos quais apenas um, o quarto, não foi estreado em vida do compositor. Por culpa do já nosso conhecido pianista Paul Wittgenstein (1887-1961), que começou por encomendar a obra e se recusou posteriormente a tocá-la, certamente desagradado com o rumo que ela levou. O que é certo é que Prokofiev não fez qualquer menção de a apresentar publicamente, e faleceu antes que ela tivesse sido estreada.

No mesmo ano em que se deu este incidente, 1931, Prokofiev iniciou a composição daquele que viria a ser o seu e último Concerto para Piano. Pode-se afirmar, por um lado, que teve mais sucesso do que no anterior, pois conseguiu estreá-lo ainda vivo, mas, por outro lado, a indiferença mais ou menos generalizada com que foi recebido não lhe deu grandes motivos para satisfações.

O concerto de estreia, em Berlim, no dia 31 de Outubro de 1932, passam hoje 77 anos, foi um desfile de pesos-pesados: contou com o próprio compositor ao piano, com o maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) à frente da orquestra e ainda com o violista (e compositor) Paul Hindemith (1895-1963) na outra obra que fez parte do programa, Harold in Italy, de Hector Berlioz (1803-1869).


CD



Sergei Prokofiev
Piano Concertos - No.1, Op.10; No.2, Op.16; No.3, Op.26;
No.4, Op.53 (for the left hand); No.5, Op.55.
Horacio Gutiérrez, Boris Berman (pianos)
Royal Concertgebouw Orchestra
Neeme Järvi
Chandos CHAN10522X
(1989, 1990)


SACD



Maurice Ravel
Piano Concerto in G major.
Sergei Prokofiev
Piano Concerto No.5 in G major, Op.55.
Francesco Schlimé
Three Improvisations.
Francesco Tristano Schlimé (piano)
Russian National Orchestra
Mikhail Pletnev
Pentatone PTC5186 080


Internet



Sergei Prokofiev
The Prokofiev Page / Naxos / Classical Net / Classical Music Pages / Answers.com / Wikipedia

30/11/2008

CDs #189: Beethoven, Symphony No.9, Furtwängler

Há dois maestros a quem sempre associei uma áurea de mistério: o italiano Arturo Toscanini (1867-1957) e o alemão Wilhelm Furtwängler (1886-1954). Ligados pela música mas separados pela política, pois Toscanini não perdoou a relação ambígua que Furtwängler manteve com o regime nazi. Só para dar uma ideia da tortuosidade de Furtwängler, relembro aquela famosa carta (1) que escreveu ao ministro da propaganda nazi, Joseph Goebbels (1897-1945) em Abril de 1933, mostrando a sua preocupação pela imposição de quotas máximas de músicos de origem judaica, e no quanto isso poderia prejudicar a qualidade da orquestra; na mesma missiva mostrava compreensão em relação a perseguições noutras áreas, havendo boas razões para tal, desde que não incluísse a musical...

Pergunto-me então se estes factos não terão repercussões na forma como avaliamos a sua obra, mas esta é uma pergunta condenada a ficar sem resposta. Naquilo que à música diz respeito, houve dois compositores em particular a que Furtwängler ficará para sempre ligado: Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Johannes Brahms (1833-1897). Furtwängler atribuía uma especial importância à Sinfonia Nº9 de Beethoven e, a partir de certa altura, apenas a interpretava "em ocasiões especiais".

A gravação que trago aqui hoje é ainda um pouco mais especial, pois foi efectuada em Agosto de 1954 durante o Festival de Lucerna, e foi a última vez que o maestro a interpretou, pois faleceria cerca de 3 meses depois. Tem ainda a vantagem sobre outras suas gravações desta sinfonia pelo facto de ter sido gravada ao vivo, meio em que se sentia bem mais à-vontade. Além de contar no elenco com uma das minhas deusas, o soprano Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006)...

Wilhelm Furtwängler faleceu há 54 anos, no dia 30 de Novembro de 1954.




Ludwig van Beethoven
Symphony No.9 in D, Op.125, "Choral".
Elisabeth Schwarzkopf (soprano), Elsa Cavelti (contralto),
Ernst Häfliger (tenor), Otto Edelmann (barítono)
Lucerne Festival Choir
Philharmonia Orchestra
Wilhelm Furtwängler
Music & Arts CD-790


Internet

Wilhelm Furtwängler
Bach Cantatas Website / The Wilhelm Furtwängler Society of America / Société Wilhelm Furtwängler / Naxos / Classical Notes / Wikipedia


(1) La Symphonie des Chefs, de Robert Parienté

19/07/2008

Violinistas #9: Szymon Goldberg (1909-1993)

Dos vários e distintos alunos do reputadíssimo professor Carl Flesch (1873-1944) já tive a oportunidade de para aqui trazer Henryk Szeryng (1918-1988) e Max Rostal (1905-1991). Hoje cabe a vez ao polaco de nascimento Szymon Goldberg, que foi aluno de Flesch a partir de 1917, quando se mudou para Berlim.

Foi ainda nessa cidade que, no início da década de 1930, Goldberg formou um trio com Paul Hindemith (1895-1963) e Emanuel Feuermann (1902-1942). Por essa altura já Goldberg era primeiro violinista da Orquestra Filarmónica de Berlim, posto que se viu forçado a abandonar em 1934, pela sua ascendência judaica. Isto apesar dos esforços do maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) que, numa carta enviada a Joseph Goebbels (1897-1945) em Abril de 1933, procurou chamar a atenção para o erro crasso que, na sua opinião, se estava prestes a cometer, ao impor quotas máximas de judeus na orquestra. Já o que se passava noutras áreas, não directamente ligadas à música, não preocupava tanto Furtwängler, mas isso são histórias a que voltarei lá mais para o final do ano...

Szymon Goldberg faria então uma primeira turné pela Europa e, nos inícios da década de 1940, uma outra pela Ásia. Acabou por passar cerca de 4 anos, entre 1942 e 1945, na ilha de Java, cedendo a um amável convite dos japoneses, impossível de recusar... A prova de que não guardou rancores viria mais tarde, pois entre 1990 e 1993, ano da sua morte, iria dirigir a Orquestra Filarmónica do Novo Japão, fundada em 1972 pelo maestro Seiji Ozawa (1935-). Pelo meio adquiriu nacionalidade norte-americana, em 1953, e fundou a Orquestra de Câmara Holandesa, 2 anos depois.

Szymon Goldberg faleceu há 15 anos, no dia 19 de Julho de 1993.


CDs



Johannes Brahms
Violin Sonatas - No.1 in G, Op.78; No.2 in A, Op.100;
No.3 in D minor, Op.108.
Szymon Goldberg (violino), Artur Balsam (piano)
Testament SBT1357
(1953)

Franz Schubert
Music for Violin & Piano.
Sonatinas - D major, D384; G minor, D408. Sonata in A minor, D385.
Grand Duo for Violin and Piano in A major, D574.
Fantasie in C major, D934. Sonata in A minor, "Arpeggione", D821.
Szymon Goldberg (violino), Radu Lupu, Jean Françaix (pianos),
Maurice Gendron (violoncelo)
Decca 466 748-2


Internet

Szymon Goldberg
Bach Cantatas Website / The New York Times / TIME / Wikipedia

19/05/2005

CDs #37: Dvorák, Saint-Saëns, Cello Concertos

Duas das mais apreciadas obras para violoncelo, um dos mais conceituados intérpretes do instrumento, uma orquestra no seu apogeu e um maestro à altura das circunstâncias. Este último, o italiano Carlo Maria Giulini, está de parabéns, pois hoje comemora o seu 91º aniversário. E nós também, por termos o privilégio de, entre outros igualmente extraordinários, podermos ouvir o disco objecto do postal de hoje.


Carlo Maria Giulini

Enquanto violista Giulini tocou sob a orientação de maestros como Wilhelm Furtwängler (1886-1954), Otto Klemperer (1885-1973) e Bruno Walter (1876-1962). Destes três só um não se daria mal com a ascensão do nacional-socialismo, mas isso são outras histórias... Como maestro, Giulini esteve à frente, entre outras, das orquestras do Teatro alla Scala de Milão
, Filarmónica de Viena, Sinfónica de Chicago e Filarmónica de Londres.

Estas gravações dos Concertos para Violoncelo de Dvorák
(1841-1904) e Saint-Saëns (1835-1921) foram efectuadas em Londres em Abril e Maio de 1977. As obras foram cuidadosamente ensaiadas pela orquestra, contudo sem a presença do solista, Mstislav Rostropovich (1927-), que chegou atrasado por dificuldades nas ligações aéreas. Problema? Nenhum!: sentou-se, preparou-se, e menos de um minuto depois estavam a gravar. Resultado? Um daqueles discos para a ilha deserta...



Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, Op.104.
Camille Saint-Saëns
Cello Concerto No.1 in A minor, Op.33.
Mstislav Rostropovich
London Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini
EMI GROC 5 67593-2

28/01/2005

Concertos #7

Amanhã lá iremos de novo a mais uma aventura musical. Da parte musical se encarregarão a soprano Dora Rodrigues e a Orquestra Nacional do Porto dirigida por Marc Tardue.



A primeira parte do concerto será preenchida com a Sinfonia Mathis der Maler (Mathis o pintor) do compositor alemão Paul Hindemith (1895-1963), obra inspirada na vida do pintor do século XVI Mathis Grünewald. A estreia desta sinfonia aconteceu a 12 de Março de 1934, com a Orquestra Sinfónica de Berlim dirigida por Wilhelm Furtwängler (de quem recentemente falei aqui
).


Paul Hindemith

Na segunda parte teremos a Sinfonia Nº4 de Gustav Mahler (1860-1911) que na sua estreia, a 25 de Novembro de 1901, registou um fracasso assinalável. E tal não se deveu certamente a um menor conhecimento da obra por parte do maestro, dado que à frente da orquestra esteve... o próprio Mahler.

O lado da aventura será assegurado pelos dois minorcas que insistimos em levar connosco, com o objectivo elevado de os cultivar desde pequenos. E não haja dúvidas que eles se esforçam: já tentaram cultivar amizade com uma das segundas violinistas, desenvolveram especiais aptidões para imitar o maestro e, da última vez, depois de uma corrida desenfreada, o mais novo quase mergulhava de cabeça na cultura... e ficava com ela enfiada no meio da harpa!

25/01/2005

Maestros #7: Wilhelm Furtwängler (1886-1954)

Passam hoje 119 anos sobre o nascimento do maestro e compositor alemão Wilhelm Furtwängler, ocorrido a 25 de Janeiro de 1886.


Wilhelm Furtwängler

Começou por aprender piano, se bem que a sua ambição inicial era a de ser compositor. Contudo, bem cedo começou a reger orquestras, tinha 20 anos ainda mal feitos. Em 1911 tornou-se director da Ópera de Lübeck e em 1920 sucedeu a Richard Strauss (1864-1949) na direcção dos concertos sinfónicos da Ópera do Estado de Berlim. Ainda na década de 20 sucederia a Artur Nikisch (1855-1922) à frente da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig e da Orquestra Filarmónica de Berlim. Posteriormente asseguraria também a direcção musical do Festival de Bayreuth.



Por essa altura já tinha uma reputação solidamente estabelecida na Europa e nos Estados Unidos, alicerçada principalmente na interpretação das obras dos clássicos alemães. A década de 30, contudo, foi muito complicada para Furtwängler, acusado de ser complacente com o regime que imperava na Alemanha. Tal viria mesmo a estar na base do corte de relações com outro maestro famoso, Arturo Toscanini (1867-1957), conforme recentemente referi aqui. Acabou mal amado pelos nazis e pelos que se lhes opunham; forçado a fugir do país antes que os nazis lhe deitassem a unha, em Fevereiro de 1945, não mais seria autorizado a reger nos Estados Unidos.

As suas interpretações nem sempre seguiam marcações precisas, a emoção e a improvisação predominavam, associadas a frequentes alterações de tempos e flutuações de andamentos. Algumas das gravações que nos deixou são ainda hoje consideradas de referência, e são discos a que regresso assiduamente com prazer renovado.


CDs



Live Recordings 1944-53
Beethoven, Schubert, Schumann, Brahms, Bruckner, Strauss, Tchaikovsky,
Hindemith, Cesar Franck, Ravel, Wagner
Berlin Philharmonic Orchestra
Vienna Philharmonic Orchestra
Wilhelm Furtwängler
Deutsche Grammophon 474 030-2

Ludwig van Beethoven
Symphony No.9.
Elisabeth Schwarzkopf, Elisabeth Höngen, Hans Hopf, Otto Edelmann
Bayreuth Festival Chorus and Orchestra
Wilhelm Furtwängler
EMI GROC 5 66953-2

Richard Wagner
Tristan und Isolde.
Kirsten Flagstad, Ludwig Suthaus, Blance Thebom, Fischer-Dieskau,
Josef Greindl, Rudolf Schock
Chorus of the Royal Opera House, Covent Garden
Philharmonia Orchestra
Wilhelm Furtwängler
EMI 5 85873-2