Mostrar mensagens com a etiqueta Handel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Handel. Mostrar todas as mensagens

12/05/2019

Grupos #1: The Sixteen

The Sixteen é um grupo inglês, constituído por um coro e uma orquestra, formado em 1979 pelo maestro, também inglês, Harry Christophers (1953-), grupo este que se foi afirmando como um dos melhores em atividade, e que hoje está de parabéns, pois celebra o seu 40º aniversário.

Ao longo destes anos o grupo tem gravado imensos discos, com obras que vão do período Tudor (finais do século XV até ao início do século XVII, em Inglaterra e na Escócia) até à atualidade, tendo já interpretado e mesmo estreado muitas obras de compositores contemporâneos. Hoje, e para não gastar o tema de uma só vez, vamos espreitar para ver o que andaram a fazer com George Frideric Handel (1685-1759)...


CDs



George Frideric Handel
Messiah
Carolyn Sampson (soprano), Catherine Wyn-Rogers (meio-soprano),
Mark Padmore (tenor), Christopher Purves (baixo)
The Sixteen
Harry Christophers
Coro COR16062

George Frideric Handel
Coronation Anthems
My heart is inditing, HWV261. Zadok the Priest, HWV258.
The King shall rejoice, HWV260.
The Sixteen
Harry Christophers
Coro COR16066

George Frideric Handel
Saul
Elizabeth Atherton, Joélle Harvey (sopranos), Sarah Connolly (meio-soprano),
Jeremy Budd, Mark Dobell, Robert Murray, Tom Raskin (tenores),
B. Davies, E. Dougan, C. Purves, S. Young (baixos)
The Sixteen
Harry Christophers
Coro COR16103


YouTube




The Sixteen
The Sixteen / BBC Music / Wikipedia

02/07/2017

Sopranos #25: Beverly Sills (1929-2007)

Se a década de 1960 foi de afirmação da soprano norte-americana Beverly Sills, a segunda metade dessa década foi absolutamente decisiva, em boa parte graças ao seu desempenho como Cleópatra na ópera Giulio Cesare de George Frideric Handel (1685-1759). Apesar de ter aparecido nalguns palcos europeus, Sills concentrou a sua carreira no país natal, razão pela qual foi apresentada como a "Rainha da Ópera da América" pela revista Time, de que foi capa na edição de 22 de Novembro de 1971.

A retirada dos palcos foi no dia 27 de Outubro de 1980, com um recital em que foi acompanhada pelo seu pianista habitual, Charles Wadsworth (1929-), e com uma pequena curiosidade para nós, portugueses: a última canção que interpretou foi "Tell Me Why", num arranjo efetuado pela sua professora de canto Estelle Liebling (1880-1970) a partir de uma música popular portuguesa.

Beverly Sills faleceu há 10 anos, no dia 2 de Julho de 2007.


Internet



Beverly Sills
Beverly Sills Online / Encyclopedia of World Biography / the guardian / Wikipedia

27/11/2016

Guitarristas #2: Jimi Hendrix (1942-1970)


Sabem o que separa o compositor do período barroco George Frideric Handel (1685-1759) do guitarrista de rock Jimi Hendrix? Além de cerca de 250 anos e dos (muito) distintos campos musicais, muito pouco, apenas uma parede na Brook Street, Londres. Alemão de nascimento, e depois de uma passagem por Itália, no início da década de 1710 Handel decidiu mudar-se para Londres, tendo assentado arraiais no número 25 de Brook Street a partir de 1723.

Jimi Hendrix, natural de Seattle, Estados Unidos, deslocou-se pela primeira vez a Londres em Setembro de 1966, tendo lá regressado dois anos depois, para ficar a viver no número 23 de Brook Street. Uma porta ao lado da antiga casa de Handel, ou a tal parede que os separou... Consta que, quando soube da coincidência, Hendrix fez questão de ir a uma loja de discos para comprar algumas gravações de obras de Handel, nomeadamente o Messias e a Música Aquática.

E aquilo que à partida pareciam dois estilos inconciliáveis de tão díspares, acabam por se unir pela pouca distância física e pela criação de uma organização que ambiciona promover a música de ambos, a Handel & Hendrix in London.

Jimi Hendrix nasceu há 74 anos, no dia 27 de Novembro de 1942.


Internet




Jimi Hendrix
Handel & Hendrix in London / The Official Jimi Hendrix Site / biography.com / Wikipedia

21/02/2016

Realizadores #2: Margarethe von Trotta (1942-)

A lista de prémios da realizadora alemã Margarethe von Trotta, que hoje celebra o 74º aniversário, é deveras impressionante, não sei mesmo se não será maior do que a lista de filmes que realizou. Além dos méritos cinematográficos propriamente ditos, nós por aqui também damos uma particular atenção às bandas sonoras, dando-se o caso de também aqui von Trotta não "ter facilitado".

O meio-soprano inglês Janet Baker (1933-), alvo de uma enorme admiração por parte da realizadora, participa na banda sonora de 3 filmes: Das zweite Erwachen der Christa Klages (O segundo despertar de Christa Klages, 1978), Schwestern oder die Balance des Glücks (As Irmãs, 1979) e Die bleierne Zeit (Anos de Chumbo, 1981).

Em As Irmãs interpreta uma área da ópera Dido e Aeneas de Henry Purcell (1659-1695), e nos Anos de Chumbo uma cantata de George Frideric Handel (1685-1759), Lucrezia. Ainda não descobri qual a cantata escolhida para O segundo despertar de Christa Klages, mas a esperança é a última coisa a morrer.


Internet



Margarethe von Trotta
IMDb / Wikipedia

Janet Baker
Bach Cantatas Website / allmusic / Wikipedia

14/04/2009

CDs #200: Haendel, Il trionfo del tempo e del disinganno

O pontificado de Benedetto Odescalchi (1611-1689), o papa Inocêncio XI, foi marcado, entre outras coisas, pelos constantes problemas que teve com o rei francês Luís XIV (1638-1715), que começaram ainda antes de chegar ao posto mais alto da Igreja, em Setembro de 1676. Tivesse vingado a vontade do rei, aliás, e Odescalchi nunca lá teria chegado... Inocêncio XI procurou promover a moral e os bons costumes, nomeadamente entre o clérigo, onde tais qualidades pareciam escassear..., mas também entre o povo, tendo decretado, por exemplo, o fim das casas de jogo em Roma e a proibição da ópera.

Proibição essa ainda em vigor quando o compositor alemão Georg Friedrich Händel (1685-1759) passou uma temporada em Itália, entre 1706 e 1709. Resolveu o problema da mesma forma que outros já o tinham feito anteriormente, virando-se para os oratórios. Que, na verdade, não eram assim tão diferentes da ópera: tinham duas secções, em vez de actos, normalmente três, e, muito importante, não tinham a parte teatral, ao dispensar acção no palco. Os libretos, curiosamente, vinham não raramente do seio da própria Igreja, como era o caso dos escritos pelo cardeal Pamphili (da família que tinha fornecido o anterior papa, Inocêncio X). Depois de já ter abastecido Alessandro Scarlatti (1660-1725), o cardeal forneceria o material de que resultaria o primeiro oratório escrito por Handel, com o nome, extraordinário, de Il Trionfo del Tempo e del Disinganno. Que, surpresa das surpresas, viria a ser igualmente, cerca de 50 anos depois, o seu último oratório! É que, em 1757, cego e com graves problemas de saúde, Handel ditou ao seu amanuense John Christopher Smith uma nova versão da obra, que intitulou de Il Trionfo del Tempo e della Veritá.

Da estreia, algures em 1707, pouco se sabe, excepto que não despertou um interesse por aí além e de que a direcção esteve provavelmente a cargo do violinista e compositor italiano Arcangelo Corelli (1653-1713). Terá sido mesmo esse o motivo que levou Handel a alterar a abertura da obra, inicialmente escrita em estilo francês, que pouco ou nada dizia a Corelli, depois modificada para o estilo italiano.

Georg Friedrich Händel faleceu há 250 anos, no dia 14 de Abril de 1759.




Georg Friedrich Haendel
Il Trionfo del Tempo e del Disinganno.
Deborah York, Gemma Bertagnolli (sopranos)
Sara Mingardo (alto), Nicholas Sears (tenor)
Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini
Naïve OP30440
(2000)


Internet



Georg Fridrich Händel
gfhandel.org / Classical Music Pages / Baroque Composers and Musicians / Handel House Museum / Haendel.it / Wikipedia

22/12/2007

SACDs #14: Messiah, Handel

"Messiah was allowed by the greatest Judges to be the finest Composition of Music that ever was heard". Foi desta forma inflamada que o Dublin Journal reagiu à estreia da oratória Messias de Georg Friedrich Händel (1685-1759), no dia 13 de Abril de 1742. Foi um sucesso que veio mesmo a calhar pois, na altura, as óperas de Handel já não atingiam a popularidade de outros tempos, tendo constado que o compositor admitira mesmo a hipótese de sair de Inglaterra. As décadas de 1730 e 1740 viram então um Handel virado para as oratórias, género em que se sentia como peixe na água, e pelo qual o público britânico tinha grande apreço.

Depois dessa estreia a obra foi alvo de várias revisões, nomeadamente em 1743, aquando da apresentação no Covent Garden de Londres, e em 1745, quando foi apresentada no Foundling Hospital, também em Londres. Mesma a versão apresentada na estreia em Dublin não correspondeu exactamente à original, pois Handel introduziu algumas alterações e adaptou-a às características vocais de Susannah Cibber (1714-1766), que fazia o seu regresso aos palcos após um interregno mais ou menos forçado. Susannah, irmã do compositor Thomas Arne (1710-1778), de quem já aqui falámos há uns anos, e casada com o actor e escritor Theophilus Cibber (1703-1758), tinha assiduamente trocado intimidades com o ricalhaço William Sloper (1709-1789), hóspede do casal, de que resultaram uma escandaleira monumental, vários processos em tribunal e uma retirada estratégica dos palcos. E Susannah só participou na estreia desta oratória porque ela ocorreu em Dublin, suficientemente longe de Londres para a senhora se sentir a salvo... Como ela era mais actriz do que propriamente cantora, Handel viu-se então na necessidade de efectuar algumas modificações à partitura original.

Neste CD a versão apresentada é precisamente a de Dublin. É ainda esta a obra, embora não saibamos se nesta versão, que iremos hoje ouvir na Casa da Música, no Porto, naquela que será a nossa última deslocação musical de 2007. Já saiu entretanto a programação da dita cuja para 2008, de que falaremos noutra ocasião. Motivos não faltarão...




George Frideric Handel
Messiah (Dublin version, 1742).
Susan Hamilton (soprano), Annie Gill, Clare Wilkinson (contraltos),
Nicholas Mulroy (tenor), Matthew Brook (baixo)
Dunedin Consort & Players
John Butt
Linn Records CKD 285
(2006)


Internet

Georg Friedrich Handel
gfhandel.org / Classical Music Pages / Handel House Museum / haendel.it / Wikipedia / Georg Friedrich Handel

09/12/2007

Concertos #62

Georg Friedrich Handel (1685-1759) nasceu na Alemanha, passou uma temporada em Itália, em 1706, para absorver as inovações operáticas que por lá floresciam, e viveu uma boa parte (a maior parte...) da sua vida em Inglaterra. Entre 1723 e 1759, Handel habitou no número 25 da Brooke Street, em Londres, onde entretanto foi criado o Handel House Museum, que tivemos a oportunidade de visitar no passado mês de Julho. E que deu direito a uma animada discussão sobre Handel e um dos seus contemporâneos, Thomas Arne (1710-1778), com a senhora, simpatiquíssima, que foi a nossa guia na ocasião.

Depois da referida passagem por Itália, Handel compôs várias obras em estilo italiano, como óperas e cantatas. É o caso das cantatas que vamos poder ouvir já amanhã, na Casa da Música:

Dolc' è pur d'amor l'affanno, HWV109 (cantata italiana escrita em Londres por volta de 1718)
Mi palpita il cor, HWV132c (cantata italiana escrita em Londres na década de 1710)
Nel dolce tempo, HWV135b (cantata italiana escrita em Londres na década de 1710)
Vedendo amor, HWV175 (cantata italiana escrita em Roma nos finais da década de 1700)

As interpretações estarão a cargo do grande contratenor alemão Andreas Scholl (1967-), desta vez acompanhado pela Accademia Bizantina. Ou um extraordinário oásis no meio do deserto, cujas areias lá se irão estendendo por 2008 adentro...


Internet

Georg Friedrich Handel
gfhandel.org / Handel House Museum / The Foundling Museum / Classical Music Pages / Wikipedia / Haendel.it

08/03/2007

Maestros #30: Thomas Beecham (1879-1961)

O maestro inglês Thomas Beecham (1879-1961) não se limitou a reger orquestras fundadas por outros, tendo ele mesmo tomado a iniciativa de criar várias (nada mau, para um maestro autodidacta!...): em 1915, a Beecham Opera Company; em 1932, a Orquestra Filarmónica de Londres; e, em 1946, a Orquestra Filarmónica Real. Ao contrário das outras, a Beecham Opera Company não teve vida longa; o facto de Beecham ter mantido em paralelo a direcção de récitas no Covent Garden gerou diversos conflitos, que terminariam com o fim da sua companhia em 1920. A Beecham Opera Company acabaria por dar origem à British National Opera Company. Que também não durou muito, convenhamos: a primeira récita teve lugar em Fevereiro de 1922, a última cerca de 7 anos depois, em Abril de 1929.

E, continuando à volta das iniciativas de Beecham, refira-se que se lhe deveu a primeira apresentação de Sergei Diaghilev (1872-1929) em Inglaterra quando, em 1914, Beecham lá organizou duas épocas de ópera e bailado russos. Ao longo de uma longa carreira, que se estendeu desde 1899, quando deu o primeiro concerto, até 1960, data do último, Beecham notabilizou-se em vários compositores: Handel (1685-1759), Haydn (1732-1809), Puccini (1858-1924), Sibelius (1865-1957) e Strauss (1864-1949), apenas para referir alguns e assim evitar uma extensa lista. Mas houve 2 compositores onde Beecham se destacou particularmente, não só pelo brilho que atingiu na interpretação das suas obras, mas também pela divulgação que lhes deu, numa época em que estavam muito longe de usufruir da popularidade de hoje: Frederick Delius (1862-1934), conforme já aqui
anteriormente referimos, e Hector Berlioz (1803-1869).

E depois possuía um sentido de humor aguçado, que o levava, por exemplo, a dirigir-se a uma violoncelista durante um ensaio nestes termos: "Minha senhora, tem entre as pernas um instrumento capaz de dar prazer a milhares de pessoas, e tudo o que consegue fazer é arranhá-lo"...

Thomas Beecham faleceu há 46 anos, no dia 8 de Março de 1961.


CDs





Hector Berlioz
Grande messe des morts, Op.5.
Royal Philharmonic Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
BBC Legends BBCL4011-2

Hector Berlioz
Harold in Italy, Op.16. Le corsaire - overture, Op.21.
King Lear - overture, Op.4. Trojan March.
Frederick Riddle (alto)
Royal Philharmonic Orchestra
BBC Symphony Orchestra
BBC Legends BBCL4065-2

Hector Berlioz
Les Troyens.
M. Ferrer, Y. Cork (meios-sopranos), J. Giraudeau, I. Joachim,
M. Breaneze (sopranos), C. Cambon (baixo), C. Paul, E. Franck (barítonos)
BBC Theatre Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Malibran-Music CDRG162

Sir Thomas Beecham conducts Berlioz
Overtures from Le Carnaval Romain, King Lear, Waverley,
Les Francs-Juges and Le Corsaire.
Overture and March from Les Troyens.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89807

The RPO Legacy, Volume 5.
Beecham conducts Haydn, Dvorák, Berlioz, Liszt, Paisiello.
Royal Philharmonic Orchestra
Dutton Laboratories 2CDEA5026

Frederick Delius
Orchestral Works, Volume 3.
Brigg Fair (An English Rhapsody). Koanga: La Calinda (arr. Fenby).
Hassan: Closing Scene. Irmelin Prelude.
Appalachia (Variations on an Old Slave Song).
Jan van der Gucht (tenor)
BBC Chorus
Royal Opera House Chorus
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Naxos Historical 8.110906

Frederick Delius
A Mass of Life.
Rosina Raisbeck (sop), Monica Sinclair (contralto), Charles Craig (tenor),
Bruce Boyce (barítono)
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SM2K89432

Frederick Delius
Floria Suite. Over the Hills and Far Away. Songs of Sunset.
Maureen Forrester (contralto), John Cameron (barítono)
Beecham Choral Society
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
EMI British Composers 5 75788-2

The Beecham Collection
Frederick Delius

A Village Romeo and Juliet, RTI/6. Songs of Sunset, RTII/5.
R. Soames (tenor), V. Terry, S. Hambleton, M. Davies, O. Haley (sopranos),
F. Smith, F. Sharp, R. Henderson (barítonos)
London Select Chorus
BBC Theatre Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Somm-Beecham 12-2

Sir Thomas Beecham conducts Delius
North Country Sketches. In a Summer Garden. Appalachia.
Royal Philharmonic Orchestra
Thomas Beecham
Sony Classical SMK89429

Internet

Thomas Beecham
Wikipedia
/ Quotes / Sir Thomas Beecham / Thomas Beecham (Conductor)

12/10/2006

Concertos #45

A designação de barroco aplicada à música, que hoje todos tomamos por natural, apenas começou a ser utilizada no século XX, e para caracterizar o período que foi dos finais do século XVI até a 1750, o ano da morte de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Na verdade, não foram assim tão poucos os autores que, ainda em meados do século XX, discordaram em absoluto da aplicação do termo barroco à música, alguns dos quais por o acharem pejorativo. Barroco pode ser traduzido por modo extravagante de compor (ver Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), o que terá provocado azias a muitos historiadores da música.

Uma das formas mais populares durante o período barroco foi o concerto grosso, caracterizado pela oposição do concertino, o grupo de músicos solistas, ao ripieno, o conjunto instrumental acompanhador. Foi sob a influência de Antonio Vivaldi (1678-1741) que o concerto grosso ganhou uma estrutura padrão: allegro, adagio, allegro.

Vivaldi foi um dos compositores a que se convencionou chamar do barroco tardio, (muito bem) acompanhado por outros como Bach, Georg Friedrich Händel (1685-1759) ou Domenico Scarlatti
(1685-1757). Pois deve-se igualmente a Vivaldi a colocação de um solista em diálogo com a orquestra, característica fundamental do concerto para um instrumento solista, em vez das duas massas em oposição características do concerto grosso. Dos cerca de 550 concertos que Vivaldi escreveu, aí uns 350 foram-no para instrumentos solistas, com particular destaque para o violino, que teve direito a mais de 230.

O concerto do próximo Sábado à noite na Casa da Música será totalmente dedicado ao período barroco, e estará a cargo de uma orquestra especialista na matéria, a Orquestra Barroca da União Europeia, e incluirá, entre outras obras, um Concerto para Violoncelo de Antonio Vivaldi.


Programa

Pietro Locatelli
Introduzione teatrale em si bemol, Op.4 Nº3.
"Il pianto d'Arianna", concerto para violino em mi bemol, Op.7 Nº6.
Antonio Vivaldi
Concerto para Violoncelo em sol menor, RV417.
Evaristo Dall'Abaco
Concerto a piu instrumenti em ré, Op.5 Nº6.
Pieter Hellendaal
Concerto grosso em sol menor, Op.3 Nº1.
Francesco Geminiani
"Follia", Variações sobre um tema de Corelli, Op.5 Nº12.
Christophe Coin (violoncelo), Lidewij van der Voort (violino)
Orquestra Barroca da União Europeia
Christophe Coin


Internet

Concerto Grosso
Wikipedia
/ Il Concerto Grosso

Antonio Vivaldi
Classical Music Pages / Wikipedia / Classical Net / Catalogue RV

04/06/2006

CDs #85: Cecilia Bartoli, Opera Proibita

Nos inícios do século XVII, Cornélio Jansénio (1585-1638), bispo de Ipres, estabeleceu um conjunto de princípios que, entre outras coisas, lhe valeram a condenação da Igreja Católica como herege. O jansenismo, defende, por exemplo, ser a natureza humana, por si só, incapaz de praticar o bem.

Cerca de um século depois, Pasquier Quesnel (1634-1719), salientou-se pela sua convicta defesa dos princípios jansenistas, em conjunto com o teólogo francês Antoine Arnaud (1612-1694). Com a morte deste último, Quesnel assumiu a direcção do movimento jansenista. Antes disso, em 1675, vira o papa Clemente X (1590-1676) proibir a leitura das suas Réflexions morales sur les évangiles. Em 1713, naquela que ficou como a sua mais célebre publicação, o papa Clemente XI (1649-1721) escreveu a bula Unigenitus, condenando 101 proposições de Quesnel, por heréticas. Foi do bom e do bonito na igreja francesa, uma polémica que ocupou uma boa parte do século XVIII.

O pontificado de Clemente XI ficou ainda marcado pelos problemas políticos relacionados com a sucessão em Espanha, que levariam mesmo à guerra. Em 1701, no meio de um intrincado ambiente político, o papa decretou a proibição de espectáculos públicos em Roma pelo que, durante a 1ª década do século XVIII, ópera era coisa a que lá não se podia assistir. Pelo menos em locais públicos, que os poderosos rapidamente encontraram meios (locais) alternativos... A outra forma de dar a volta ao texto consistiu em escrever oratórios, satisfazendo desse modo imperiosas necessidades operáticas... O disco Opera Proibita, da meio-soprano italiana Cecilia Bartoli, que hoje comemora o 40º aniversário, contém precisamente árias de alguns desses oratórios, da autoria de Handel (1685-1759), Alessandro Scarlatti (1660-1725) e Antonio Caldara (1670?-1736). As almas mais curiosas poderão sempre encontrar uma opinião pessoalíssima sobre este disco aqui.




Opera Proibita.
Cecilia Bartoli (meio-soprano)
Les Musiciens du Louvre
Marc Minkowski
Decca 475 6924
(2004, 2005)


Internet

Cecilia Bartoli
deccaclassics.com
/ Gulbenkian.pt / Wikipedia

27/04/2006

CDs #81: George F. Handel, Music for the Royal Fireworks

Há uns bons anos atrás, aí uns 16 ou 17, na noite de S. João, apanhei um daqueles sustos de que dificilmente me esquecerei. Na altura não havia qualquer tipo de controlo em relação à travessia pedonal do tabuleiro superior da ponte D. Luís, e nesse ano, vá-se lá saber por quê, esta decidiu abanar loucamente. Foi confusão geral, gritaria estridente, gente por todos os lados a correr desalmadamente, trôpegas pela oscilação da ponte, como que saídas da taberna do Manel com uns copitos a mais! A partir desse ano a polícia começou a limitar o número de pessoas que a atravessavam simultaneamente. Veio a segurança, foi-se a emoção... Um dos momentos mais esperados da noite de S. João é o fogo de artifício, por sinal nos últimos anos servido em dose dupla, pela consistente rivalidade e desentendimento entre as cidades vizinhas.




Em 1749 o compositor inglês de origem alemã George F. Handel (1685-1759) escreveu Music for the Royal Fireworks, para assinalar a assinatura do tratado de Aix-la-Chapelle (Aachen, Alemanha), que pôs fim à Guerra da Sucessão da Áustria. Da estreia da obra, o mínimo que se pode dizer é que foi atribulada:

O ensaio preparatório, público, efectuado num jardim de Londres, contou com a presença de cerca de 12.000 pessoas. Como resultado, um engarrafamento monstruoso na ponte de Londres (London Bridge), entupida por 3 horas...

A estreia propriamente dita aconteceu há 257 anos, no dia 27 de Abril de 1749, e a emoção não esteve ausente: a estrutura montada especialmente para a ocasião ardeu parcialmente, além de ter chovido durante o concerto, o que terá provavelmente ajudado a apagar o dito cujo, não tendo deixado, contudo, de ensopar o público...



G. F. Handel
Music for the Royal Fireworks. Concerto in D. Concerto in F.
The English Concert
Trevor Pinnock
Archiv Produktion 453 451-2


Internet

http://www.herodote.net/histoire10183.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_of_Aix-la-Chapelle_(1748)

22/06/2005

CDs #42: Beethoven, Complete works for piano & cello

Alfred Brendel é um dos pianistas que mais apreciamos, e não perdemos uma oportunidade para expressar a nossa admiração. Já o fizemos neste texto, a propósito de um DVD e neste, aquando do recital que deu na Casa da Música. Desta vez temos uma dupla razão dupla para voltar a falar do apelido Brendel: o lançamento recente de um duplo CD com as obras de Beethoven para piano e violoncelo, interpretadas por uma dupla Brendel, pai e filho.


Alfred Brendel, Adrian Brendel

Ludwig van Beethoven (1770-1827) escreveu apenas 5 sonatas para piano e violoncelo que, curiosamente, cobrem os três períodos da sua vida, se é que esta pode ser assim fragmentada:

As duas primeiras, Op.5 No.1 & No.2, foram das primeiras obras do compositor, compostas em 1796, e tendo sido por ele tocadas nesse ano aquando de uma deslocação a Berlim;

a sonata seguinte, Op.69, foi escrita por volta de 1807, numa altura mais complicada da vida de Beethoven que, desde 1802 vinha sofrendo crescentes problemas de audição;

as duas últimas, Op.102 No.1 & No.2, datam de 1815, ano geralmente considerado de transicção para o 3º período, marcado por um decréscimo de actividade e pelo agravamento do estado de saúde.

O CD inclui ainda 2 conjuntos de Variações sobre temas de Die Zauberflöte, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), e as 12 Variações sobre um tema de Judas Maccabaeus de Georg Friedrich Handel (1685-1759).



Ludwig van Beethoven
The complete works for piano and cello.
Alfred Brendel (piano), Adrian Brendel (violoncelo)
Philips 475 379-2

28/05/2005

Concertos #15

Começaram por aparecer em Itália e Espanha durante o século XVI, tiveram o seu apogeu no século XVIII e foram desaparecendo gradualmente no seguinte. Os castratos eram cantores masculinos que mantinham o registo de contralto ou soprano por via de serem castrados antes da puberdade, normalmente entre os 6 e os 8 anos de idade. O último castrato terá sido Alessandro Moreschi, que viveu entre 1858 e 1922, e a última ópera importante a conter um papel específico para castrato foi Il Crociato in Egitto, do compositor alemão Giacomo Meyerbeer (1791-1864).


Andreas Scholl

A oposição à criação de castratos foi crescendo e estes acabariam por desaparecer ainda antes do final do século XIX. Desde então uma boa parte dos papéis a eles anteriormente destinados (refira-se que Handel, por exemplo, lhes destinou inúmeros papéis principais em várias das suas óperas) é interpretada por contratenores.

Um dos mais conceituados actualmente é o alemão Andreas Scholl (1967-), que hoje teremos a oportunidade de ouvir em recital na Casa da Música
, num programa onde constarão obras de Handel, Haydn e Mozart. Até lá!


Internet

http://www.haendel.it/interpreti/old/moreschi.htm
http://www.meyerbeer.com/velutti.htm
http://www.andreasschollsociety.org/
http://www.radix.net/~dalila/singers/scholl.html

09/10/2004

DVDs #3: George Frideric Handel (1685-1759), Tamerlano

Ópera em 3 actos de Handel, Tamerlano começou a ser composta no dia 3 de Julho de 1724 e ficou terminada no dia 23... do mesmo mês... do mesmo ano. Sofreu contudo variadíssimas modificações até à estreia, que aconteceu a 31 de Outubro, justificadas principalmente por alterações no elenco (o papel de Irene, por exemplo, inicialmente destinado a uma soprano teve que ser adaptado para contralto). O libreto resulta de uma adaptação feita por Nicola Haym (1678-1729) à obra Tamerlano de Agostino Piovene. São inúmeras, aliás, as óperas de Handel com libreto de Haym: Amadigi di Gaula, Flavio, Giulio Cesare, Ottone, Radamisto, Teseo.

É o DVD em visão/audição cá em casa.



George Frideric Handel
Tamerlano.
Monica Bacelli (mezzo), Thomas Randle (tenor),
Elisabeth Norberg-Schulz, Anna Bonitatibus (sopranos),
Graham Pushee (contratenor), Antonio Abete (baixo)
The English Concert
Trevor Pinnock
ArtHaus Musik 100 702


Internet