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13/03/2006

Compositores #61: Hugo Wolf (1860-1903)

Ao contrário de Franz Schubert (1797-1828), o compositor, igualmente austríaco, Hugo Wolf (1860-1903), nascido há 146 anos, dava uma extrema importância aos textos que musicava, daí poucas vezes ter utilizado poemas de poetas menores ou menos conhecidos. Para o seu primeiro ciclo pegou em poemas de Heinrich Heine (1797-1856), e iria posteriormente musicar textos de Joseph von Eichendorff (1788-1857) e Goethe (1749-1832).

É assim surpreendente que Wolf se tenha virado para os poemas do poeta romântico alemão, e pastor luterano, Eduard Mörike (1804-1875), para escrever aquele que é o seu mais importante ciclo de canções, Mörike Lieder. À partida, o "poeta do repouso da alma", dos poemas de estilo gracioso, por vezes humorístico, não se parecia coadunar com o estilo truculento e temperamental de Wolf, que já lhe tinha valido alguns dissabores. Pois a verdade é que dali saiu o mais extraordinário ciclo de canções que Wolf escreveu, e que o estabeleceu definitivamente como um digno e natural sucessor de Schubert e Robert Schumann (1810-1856).

E tal poderá também ser considerado surpreendente, que o começo de Wolf não foi propriamente auspicioso, pois ser expulso do Conservatório de Viena, por razões disciplinares, não será uma das melhores formas de entrar no mundo da música. 4 anos passados e, em 1881, Wolf foi despachado de Salzburgo pouco depois de ter sido admitido como assistente do maestro Karl Muck (1859-1940), por o terem achado temperamentalmente desadequado... Perante tais dificuldades em usar os sons, Wolf passou a usar o verbo, descarregando a sua ira em Brahms (1837-1897) e Bruckner (1824-1896), ao mesmo tempo que defendia vigorosamente Wagner (1813-1883), por quem tinha uma enorme admiração.

O final dos anos 80 e o início dos 90 viram o seu período mais prolífico e criativo, com a edição dos ciclos de Mörike, de Eichendorff e de Goethe, além das Spanisches Liederbuch e das Italienisches Liederbuch. Em 1897 a saúde mental de Wolf deixava já muito a desejar e, no ano seguinte, seria definitivamente internado num asilo, vindo a falecer no dia 22 de Fevereiro de 1903.


CDs




Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Peter Schreier (tenor), Karl Engel (piano)
Orfeo C142981A

Hans Hotter
Wolf Lieder Recital.
Mörike Lieder - No.5; No.12; N.10; No.9.
Goethe Lieder - No.34; No.36; No.29; No.14; No.15; No.51.
Italienisches Liederbuch - No.27; No.22; No.14.
3 Portraits de Michelangeli. Eichendorff Lieder - No.2.
Hans Hotter (barítono), Gerald Moore (piano)
Testament SBT1197

Hugo Wolf
22 Lieder.
Elisabeth Schwarzkopf (soprano), Wilhelm Furtwängler (piano)
EMI Références 5 67570-2

Hugo Wolf
Goethe Lieder.
Geraldina McGreevy (soprano), Graham Johnson (piano)
Hyperion CDA67130

Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Joan Rodgers (soprano), Stephan Genz (barítono), Roger Vignoles (piano)
Hyperion CDA67311/2

Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Roman Trekel (barítono), Oliver Pohl (piano)
Oehms OC305

Hugo Wolf
Italienisches Liederbuch. Spanisches Liederbuch. Mörike Lieder.
Irmgard Seefried (soprano), Erik Werba (piano)
Orfeo C614031B

Hugo Wolf
Mörike Lieder.
Werner Güra (tenor), Jan Schultsz (piano)
Harmonia Mundi HMC901882


Internet

Hugo Wolf
Karadar Classical Music
/ Classical Music Pages / Wikipedia

28/02/2006

Concertos #36

A biografia do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) diz-nos que cedo exibiu talentos musicais, ao piano e na composição, e que apreciava particularmente os prazeres da vida, nomeadamente os relacionados com namoradas e champanhe... Coisas do destino, seria por amor a uma mulher que Schumann se veria metido em trabalhos, quando decidiu apaixonar-se pela filha do seu antigo professor Friedrich Wieck (1785-1873), Clara. O professor fez os possíveis e impossíveis para impedir o casamento, que só uma ordem judicial viria a possibilitar. Casariam finalmente em Setembro de 1840, não sem que antes tivessem passado longos períodos afastados um do outro e Schumann atravessado períodos de profundas depressões.

O ano de 1840 marcaria ainda uma viragem importante na produção de Schumann que, se até essa altura se tinha dedicado a compôr música para piano, começou a escrever principalmente canções. Nesse ano compôs mesmo alguns dos mais importantes ciclos de canções de sempre: Myrthen, Frauenliebe und -leben e Dichterliebe, além de outros onde musicou poemas de Joseph von Eichendorff (1788-1857) e Heinrich Hein (1797-1856). Deste último já falámos aqui, a propósito do ciclo Schwanengesang de Schubert (1797-1828) e do recital de Matthias Goerne (1967-), e falou também recentemente o Nuno Guerreiro na Rua da Judiaria, nos 150 anos passados sobre a sua morte.

Poucos meses antes de casar com Clara Wieck, Schumann escreveu o ciclo de canções Liederkreis, com poemas de Heine que, por essa altura, vivia em Paris, e a quem Schumann fez questão de que lhe fosse entregue uma cópia do ciclo. Enquanto não chegava uma resposta do poeta, Schumann pegou nos Lyrisches Intermezzo e escreveu um outro ciclo de canções, que designou por Dichterliebe. Composto inicialmente por 20 canções, viria a ser reduzido para 16, após Schumann ter visto recusada a sua publicação por 2 vezes. As 4 que foram retiradas seriam mais tarde publicadas, como os Opp.127 Nºs 2 & 3, e Opp.142 Nºs 2 & 4.

E se no dia de Natal do ano passado
confessei a minha predilecção pelo jovem tenor Ian Bostridge, amanhã vou ter o enorme prazer de o ouvir ao vivo na Casa da Música, num recital em que, acompanhado pelo pianista, igualmente britânico, Julius Drake, irá interpretar o ciclo de canções Kernerlieder, além do já referido Dichterliebe. Grandes audições certamente, não tenho a menor dúvida quanto a isso!


Programa

Robert Schumann
Kernerlieder, Op.35. Dichterliebe, Op.48.
Ian Bostridge (tenor), Julius Drake (piano)


Internet

Robert Schumann
Classical Music Pages
/ Robert Schumann / Wikipedia

Heinrich Hein
Buch der Lieder - Lyrisches Intermezzo


Ian Bostridge
EMI Classics
/ Bach-Cantatas / Calouste Gulbenkian Foundation / Wikipedia


Adenda

Não era propriamente uma meia dúzia de gatos pingados, mas o recital merecia muito mais assistência. A hora a que decorreu, imprópria para consumo, terá para tal contribuído, mas não justificará tudo.

22/01/2006

Concertos #33

Ao contrário do sucedido com Die schöne Müllerin e Winterreise, Franz Schubert (1797-1828) não concebeu Schwanengesang como um ciclo de canções. Quis o destino, e o editor Tobias Haslinger (1787-1842) também..., que duas séries de canções que Schubert tinha escrito, uma musicando poemas de Heinrich Heine (1797-1856), a outra de Ludwig Rellstab (1799-1860), viessem a ser juntas e a dar origem a um ciclo, o referido Schwanengesang.

Schubert escreveu esses dois grupos de canções em 1828, e levou o grupo Heine ao seu editor, Heinrich Probst, em Outubro desse ano, poucas semanas antes de falecer. A edição viria a ter lugar apenas no ano seguinte, e pela mão do referido Haslinger que, na altura, efectuou a junção com o grupo Rellstab. Para confundir um pouco as coisas, Haslinger dividiu o recém-criado ciclo em dois volumes, e meteu uma das canções de Rellstab no volume dedicado às de Heine... Schwanengesang contém, aliás, todas as canções em que Schubert musicou poemas de Heine.

No recital desta tarde, na Casa da Música, o barítono alemão Matthias Goerne (1967-) irá cantar ainda o ciclo An die ferne Geliebte, de Ludwig van Beethoven (1770-1827), acompanhado pelo pianista, igualmente alemão, Eric Schneider. Fosse outro o pianista, e teríamos um remake do disco gravado ao vivo em 2003 e lançado este ano pela Decca. Um dos melhores do ano, na minha opinião, e alvo de revoluções persistentes durante o estágio de preparação para este recital. E quanto ao pianista que acompanha Goerne neste disco, é só esperar pelo início de Junho...


Programa

Ludwig van Beethoven
An die ferne Geliebte, Op.98.
Franz Schubert
Schwanengesang, D957.
Matthias Goerne (barítono), Eric Schneider (piano)


Internet

Matthias Goerne: Site Oficial
/ Biografia
Franz Schubert: Classical Music Pages
/ Classical Net / The Schubert Institute