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20/10/2007

CDs #135: Ives, Symphonies Nos 2 & 3

Horatio William Parker (1863-1919) foi um compositor norte-americano razoavelmente conhecido no seu tempo, tendo sido aluno de dois conceituados professores (e igualmente compositores): George Chadwick (1854-1931) e Josef Rheinberger (1839-1901). Para estudar com este último Horatio Parker teve que se mudar para Munique, onde viveu entre 1882 e 1885, e onde adquiriu uma visão algo conservadora da música.

Conservadorismo esse que foi naturalmente reflectido nas suas obras e que, inevitavelmente, transportou para as salas de Yale, em Nova Iorque, onde leccionou desde os meados da década de 1890. Charles Ives (1874-1954), por outro lado, era um experimentalista, influenciado por seu pai, George Ives, para quem "qualquer combinação de notas era aceitável, desde que fizessem algum sentido". Em 1894, pouco depois de Horatio Parker para lá ter entrado como professor, Ives foi admitido em Yale como aluno, e não tardou em sofrer com as ideias conservadores do mestre. Bastou que, logo na primeira aula, tivesse apresentado uma Fugue in Four Keys, imediata e liminarmente rejeitada pelo professor, pouco interessado em apoiar tais experimentalismos. Ives acomodou-se, e como tese de graduação, em 1898, apresentou uma bem-comportada Sinfonia Nº1, interessante mas não mais do que isso.

Apanhando-se cá fora a história seria outra, como a Sinfonia Nº2 veio demonstrar. Denotando ainda a influência de grandes compositores do romântico (tardio), como Brahms (1833-1897), Dvorák (1841-1904) ou Tchaikovsky (1840-1893), cita, em todos os seus 5 andamentos, várias melodias bem conhecidas dos americanos. Alinhavada nos 2 primeiros anos do século XX e revista por volta de 1910, seria estreada apenas em 1951, pela Orquestra Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Leonard Bernstein (1918-1990).

Charles Ives nasceu há 133 anos, no dia 20 de Outubro de 1874.




Charles Ives
Symphony No.2. Symphony No.3.
General William Booth enters into Heaven.
Dallas Symphony Orchestra
Andrew Litton
Hyperion CDA67525
(2004, 2005, 2006)


Internet

Charles Ives
Classical Music Pages / Wikipedia / The Charles Ives Society, Inc. / Naxos / A Charles Ives Website

26/04/2006

Sinfonias #16: Sinfonia Nº4, de Charles Ives

Quem (se der ao trabalho de) ler alguns artigos (ver, por exemplo, este) sobre a história das companhias de seguros nos Estados Unidos, cruzar-se-á amiúde com o nome de Charles Ives (1874-1954), co-fundador, na 1ª década do século XX, da Mutual Life Insurance, cujo primeiro escritório foi aberto em Manhattan, Nova Iorque. Foi o resultado mais visível do encontro, em 1902, entre Ives e o agente de seguros Julian Myrick; a empatia de Ives e a facilidade com que comunicava com os clientes asseguraram o sucesso da companhia. Ives e Myrick viriam mesmo a ser dos maiores agentes de seguros dos Estados Unidos da América.

Pois o mesmo Charles Ives foi também um dos mais importantes compositores daquele país, cujo espírito inovador também se fez sentir na música que escreveu, para evidente desgosto de Horatio Parker (1863-1919), seu professor de harmonia em Yale, menos dado a estilos experimentais. Entende-se assim que a 1ª Sinfonia de Ives, com que obteve o canudo em Yale, seja uma obra convencional, não deixando antever o inovador que ele viria a ser.

Não é o caso da Sinfonia Nº4 que, de todas as obras orquestrais de Ives, é aquela que mais meios exige, com a orquestra aumentada de vários elementos, nomeadamente na percussão, e acrescentada de piano (tocado a 4 mãos) e de órgão. Requer ainda um coro, cujos elementos deverão estar espalhados pelo auditório, o mesmo acontecendo, aliás, com os percussionistas. Como resultado de tudo isto, são necessários 3 maestros para dar conta do recado e a estreia da versão completa, em 1965, contou com Leopold Stokowski (1882-1977), José Serebrier (1938-) e David Katz. A estreia em 1927 dos 2 primeiros andamentos desta sinfonia, com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque
dirigida por Eugene Goossens (1867-1958), foi tudo menos um sucesso, o que terá levado o compositor a uma nova revisão da obra e à adição de um 4º andamento, em 1943.


CDs



Charles Ives
An American Journey.
Symphony No.4 - Fugue. From the Steeples and Mountains. Remembrance.
The Things our Fathers Loved. Memories. Charlie Rutlage. Serenity.
In Flanders Fields. They Are There! Tom Sails Away. The Circus Band.
Thomas Hampson (barítono)
San Francisco Girls Chorus
San Francisco Symphony Chorus
San Francisco Symphony Orchestra
Michael Tilson Thomas
RCA Red Seal 09026 63703-2
(1999)

Charles Ives
Symphonies - No.2; No.4.
John Alldis Choir
London Philharmonic Orchestra
Philadelphia Orchestra
José Serebrier, Eugene Ormandy
RCA Red Seal 09026 63316-2
(1973, 1974)


Internet

Charles Ives
Danbury Muscum & Historical Society
/ The Charles Ives Society / Wikipedia / Classical Music Pages


Nota

Aparentemente não estava assim tão mal do juízo, e lá aguentei os 3 dias a pedalar até Santiago de Compostela. Foi uma experiência extraordinária, culminada com a repousante visão da Catedral e a recepção da Compostellae. A repetir.