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13/01/2009

Compositores #91: Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)

Já tinha anteriormente afirmado, a propósito da programação da Casa da Música para 2009, que este ano teria tons (sons...) acentuadamente brasileiros. Reforçando tal facto, decidi convidar para aqui hoje o brasileiro Mozart Camargo Guarnieri, possivelmente um dos mais conhecidos e divulgados compositores do Brasil , a seguir a Heitor Villa-Lobos (1887-1959).

Nascido no seio de uma família modesta, Camargo Guarnieri viu-se forçado, nos primeiros anos de vida em São Paulo, a conciliar os estudos musicais com a necessidade de ajudar o pai na barbearia. Devagar as coisas foram melhorando, e a 2ª metade da década de 1930 encontrou Camargo Guarnieri em Paris, para prosseguir os estudos com Charles Koechlin (1867-1950), por sua vez um antigo aluno de Gabriel Fauré (1845-1924).

Deu-se depois o regresso ao Brasil, a São Paulo, e não tardou muito até que Camargo Guarnieri se tornasse num dos elementos mais notados da vida musical daquela cidade, tendo, inclusivamente, sido co-fundador da Academia Brasileira de Música, fundada em Julho de 1945 precisamente por Villa-Lobos. Foi um compositor prolífico, com mais de 700 obras à sua conta, entre sinfonias, concertos para piano, obras para orquestra de câmara, música de câmara, sonatas e música vocal, além das óperas Pedro Malazarte e Um Homem Só.

Mozart Camargo Guarnieri faleceu há 16 anos, no dia 13 de Janeiro de 1993.


CDs




Mozart Camargo Guarnieri
Symphonies - No.2, "Uirapurú"; No.3. Abertura Concertante.
Sao Paulo Symphony Orchestra
John Neschling
BIS BIS-CD-1220

Mozart Camargo Guarnieri
Symphonies - No.5; No.6. Suíte Vila Rica.
Sao Paulo Symphony Chorus
Sao Paulo Symphony Orchestra
John Neschling
BIS BIS-CD-1320

Mozart Camargo Guarnieri
Piano Concertos - No.1; No.2; No.3.
Max Barros (piano)
Warsaw Philharmonic Orchestra
Thomas Conlin
Naxos 8.557666

Alberto Nepomuceno
Prece. Galhofeira.
Mozart Camargo Guarnieri
Dansa negra. Dansa brasileira.
Oscar Lorenzo Fernandez
Suites Brasileiras - No.1; No.2; No.3. Três Estudos em Forma de Sonatina.
Heitor Villa-Lobos
A Lenda do Cabloco. Valsa da Dor.
Fructuoso Vianna
Toada nº2, Jogos Pueris, Schumanianna. Prelúdios - No.3; No.4.
Serenata Espanhola. Berceuse do Sabiá. Seresta. Corta-Jaca.
Cristina Ortiz (piano)
Intrada INTRA016

Obrigado Brazil
Mozart Camargo Guarnieri
Dansa brasileira. Dansa negra.
+ obras de César Camargo Mariano, António Carlos Jobim, Heitor
Villa-Lobos, Jacob do Bandolim, Roberto Baden-Powell, Pixinquinha,
Sérgio Assad, Egberto Gismonti e Waldyr Azevedo.
Yo-Yo Ma (violoncelo), Cesar Camargo Mariano, Helio Alves, Kathrin
Stott (pianos), Rosa Passos, Odair Assad, Sergio Assad, Romero Lubambo,
Oscar Castro-Neves, Egberto Gismonti (guitarras), Cyro Baptista, José
da Silva, José de Faria (percussão), Nilson Matta (contrabaixo), Paulo
Braga (tambores), Paquito d'Rivera (clarinete)
Sony Classical SK89935
(2002)


Internet

Mozart Camargo Guarnieri
Algosobre / P. Q. P. Bach / Ponteio Publishing, Inc. / Wikipédia

29/08/2008

Escritores #8: Maurice Maeterlinck (1862-1949)

O compositor francês Claude Debussy (1862-1918), apesar de ter ensaiado outras tentativas, nomeadamente a partir da obra The Fall of the House of Usher de Edgar Allan Poe (1809-1849), apenas nos deixou uma ópera completa, Pelléas et Mélisande. Esta descreve-nos as desventuras de Golaud, o marido ciumento, e Mélisande, a infeliz esposa que viria a derreter-se de amores por Pelléas, meio-irmão de Golaud. Este, depois de suspeitas várias, lá logrou ouvir a troca de juras de amor entre Mélisande e Pelléas e, louco de raiva, matou o meio-irmão logo ali. Mélisande, por sua vez, viria a morrer pouco depois de dar à luz a filha do casal, deixando Golaud divido entre os remorsos de ter eventualmente contribuído para a morte da esposa e os ciúmes dos amores desta por Mélisande. A estreia desta ópera teve lugar em Paris, no dia 30 de Abril de 1902.

Mais modesto, o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) limitou-se, em 1905, a compôr a música de cena Pelléas et Mélisande, estruturada em 8 andamentos. Exibindo um tom menos emocional e mais escuro do que o da ópera de Debussy, esta obra de Sibelius foi estreada em Helsínquia no dia 17 de Março de 1905.

Já andava Debussy entretido a escrever a ópera e Patrick Campbell (1865-1940), uma famosa actriz inglesa, pediu-lhe para escrever uma música de cena para a peça Pelléas et Mélisande, entusiasmada como estava depois de assistir à respectiva estreia londrina, em 1895. Campbell queria traduzi-la para inglês e incluí-la no seu repertório, mas Debussy, indiferente a tais excitações, mandou-a às urtigas. A nossa actriz, contudo, não era senhora de desistir facilmente, virando-se então para Gabriel Fauré (1845-1924), e dessa vez com mais sucesso. Demasiado ocupado na altura, Fauré deixou a orquestração a cargo do seu aluno Charles Koechlin (1867-1950) mas, perante o sucesso obtido, viria posteriormente a extrair dela uma suite sinfónica, que ele próprio orquestrou e que teria a sua estreia no dia 3 de Fevereiro de 1901.

Ainda nos inícios do século XX, um compositor já nosso bem conhecido, Richard Strauss (1864-1949), desconhecendo que Debussy já tinha iniciado tal empreitada, sugeria a Arnold Schoenberg (1874-1951) que compusesse uma ópera igualmente baseada na peça Pelléas et Mélisande. Schoenberg, todavia, optaria por escrever um poema sinfónico, que o próprio compositor estrearia em Viena no dia 26 de Janeiro de 1905. Sem grande sucesso, diga-se, que só viria a encontrar uns anos mais tarde. Tal como no caso de Debussy, esta obra acabou por ser a única do género escrita por Schoenberg, que não mais se viraria para os poemas sinfónicos.

Todas estas obras, como está bom de ver, basearam-se na peça Pelléas et Mélisande do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), Prémio Nobel da Literatura em 1911, e que nasceu no dia 29 de Agosto de 1862, passam hoje 146 anos.


Internet

Maurice Maeterlinck
Nobelprize.org / Symbolism and Maurice Maeterlinck / biographybase / Famous Belgians / Algosobre / Maurice Maeterlinck / Wikipedia