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08/12/2009

SACDs #24: Sibelius, Symphony No.2, Pohjola's Daughter

Depois de vários séculos em que fez parte da Suécia, a Finlândia viu-se transformada num grão-ducado russo a partir de 1809, situação em que se manteria por um pouco mais de um século. Os sentimentos nacionalistas foram entretanto crescendo, principalmente a partir da segunda metade do século XIX e, pouco depois da Revolução de Outubro de 1917, de que resultou a subida dos bolcheviques ao poder, a Finlândia solicitou e obteve a almejada independência.

Um dos marcos mais significativos neste processo foi a edição, em 1835, do primeiro volume do poema épico Kalelava, resultante da recolha e compilação de folclore finlandês efectuadas por Elias Lönnrot (1802-1884). No ano seguinte lançaria um segundo volume, mas é a edição que publicou em 1849, em que novos poemas foram adicionados, que é considerada definitiva. Este poema serviu de inspiração a muitas obras, nomeadamente musicais, e já por aqui falámos de uma delas, a propósito de um outro disco: a Sinfonia Kullervo, de Jean Sibelius (1865-1857), estreada, com grande sucesso, no dia 28 de Abril de 1892. Mais para o final dessa década, em Novembro de 1899, Sibelius estrearia o quadro sinfónico Finlândia, um manifesto contra a ocupação russa.

Cada nova obra do compositor passou a ser de imediato interpretada como mais um grito de revolta contra o opressor, independentemente de ser esse o caso ou não e das afirmações do próprio Sibelius. Foi o caso da sua Sinfonia Nº2, a obra central do disco que aqui hoje trago. Em 1901, quando se encontrava em Itália, Sibelius começou a compor uns temas à volta da lenda de Don Juan, pensando ele que dali resultariam alguns poemas sinfónicos. Em vez disso resultou a sua Segunda Sinfonia, terminada em Janeiro do ano seguinte, estava já Sibelius de novo na Finlândia. Estreada no dia 8 de Março de 1902, os finlandeses reconheceram nela um novo grito de revolta contra o invasor...

Jean Sibelius nasceu há 144 anos, no dia 8 de Dezembro de 1865.




Jean Sibelius
Pohjola's Daughter, Op.49. Symphony No.2 in D major, Op.43.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0605
(2005, 2006)


Internet



Jean Sibelius
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28/04/2008

Sinfonias #27: Sinfonia Kullervo, de Jean Sibelius

O mínimo que se pode afirmar é que as opiniões sobre o compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) não são consensuais, tendo sido, por exemplo, "o pior compositor do mundo" para o compositor, maestro e teórico René Leibowitz (1913-1972), um quase desconhecido hoje em dia..., e "o maior sinfonista desde Beethoven" para o seu biógrafo, Cecil Gray (1895-1951).

Atingiu a fama cedo, com a Sinfonia Kullervo, uma das suas primeiras obras, e que é assim como que uma mistura de sinfonia, poema sinfónico e cantata. Sibelius estudou em Viena entre 1890 e 1891, e foi lá que começou a esboçar a obra. Aquilo que era para ser uma simples abertura acabou por se tornar numa obra de maior fôlego, para soprano, barítono, coro masculino e orquestra, estruturada em 5 andamentos e com uma duração superior a 70 minutos.

O compositor inspirou-se na epopeia Kalelava, compilada por Elias Lönnrot (1802-1884), em particular nos capítulos 31 a 36. Kullervo é o nome da criança que sobrevive a 3 tentativas de assassinato por parte do seu tio, Untamo, que já antes tinha massacrado quase toda a sua família, com excepção de uma irmã de Kullervo. Com quem este acabou por ter uma relação, por desconhecer os laços familiares, que terminou com o suicídio dela, primeiro, e com o dele, depois, não sem que antes tivesse chacinado o tio e toda a restante tribo. Uma tragédia de dimensões inimagináveis!

A Sinfonia Kullervo foi estreada há 116 anos, no dia 28 de Abril de 1892, com o próprio compositor a dirigir a orquestra. Sibelius nunca mais permitiu que ela voltasse a ser interpretada, pelo que foi a primeira e última vez que foi ouvida em vida do compositor.


CD



Jean Sibelius
Kullervo, Op.7.
Lilli Paasikivi (meio-soprano), Raimo Laukka (barítono)
Helsinki University Chorus
Lahti Symphony Orchestra
Osmo Vänskä
BIS BIS-CD-1215
(2000)


SACD



Jean Sibelius
Kullervo, Op.7.
Monica Groop (meio-soprano), Peter Mattei (barítono)
Men of the London Symphony Chorus
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO0574
(2005)


Internet

Jean Sibelius
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20/09/2007

SACDs #13: Sibelius, Kullervo

O compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957), ao contrário de outros que por aqui já passaram, não foi um talento precoce com uma entrada antecipada no mundo da música, nem teve uma longa carreira dedicada à composição; bem pelo contrário, a sua última composição, A Tempestade, data de 1925 e, nos últimos 30 anos da sua vida, dedicou-se quase em exclusivo à revisão de uma parte das suas obras. Nada que abalasse a sua reputação do maior sinfonista finlandês, e um dos mais representativos da sua geração, contudo, pelo que pôde viver dos louros... e da pensão vitalícia que lhe tinha sido atribuída em 1897, evidentemente!

Depois de efectuados os primeiros estudos musicais em Helsínquia, na segunda metade da década de 1880, Sibelius prosseguiu-os em Berlim, cidade onde permaneceu entre 1889 e 1890, para estudar contraponto com o professor, e igualmente compositor, Albert Becker (1834-1899). Aí teve a oportunidade de assistir a concertos ao vivo com várias celebridades já nossas conhecidas, como Hans von Bülow (1830-1894) e Joseph Joachim (1831-1907), além de ter travado conhecimento com Ferruccio Busoni (1866-1924). Depois de uma breve estadia em Helsínquia, Sibelius iria assentar arraiais em Viena, onde viveria entre 1890 e 1891 para continuar os estudos musicais, primeiro com Karl Goldmark (1830-1915) e depois com Robert Fuchs (1847-1927).

Foi nessa cidade que, instado por Goldmark a investir mais nas suas composições, Sibelius começou magicar a Sinfonia Kullervo, obra que terminaria em Abril de 1892, já no seu país natal. Um misto de sinfonia, poema sinfónico e cantata, Kullervo baseia-se na epopeia nacional finlandesa Kalevala, compilada pela etnógrafo Elias Lönnrot (1802-1884). A estreia, a 28 de Abril de 1892, foi um sucesso, o primeiro de Sibelius que, contudo, nunca mais permitiu que a obra fosse interpretada. Tal só viria a acontecer na década seguinte à do seu falecimento, sem que, contudo, viesse a atingir a popularidade de outras obras do compositor. Irrelevante para este vosso amigo, claro, e fosse o CD um LP e já estaria assim para o transparente...

Hoje assinala-se o cinquentenário do falecimento de Jean Sibelius.




Jean Sibelius
Kullervo.
Peter Mattei (barítono), Monica Groop (meio-soprano)
Men of the London Symphony Chorus
London Symphony Orquestra
Colin Davis
LSO Live LSO0574
(2005)


Internet

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