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27/11/2016

Guitarristas #2: Jimi Hendrix (1942-1970)


Sabem o que separa o compositor do período barroco George Frideric Handel (1685-1759) do guitarrista de rock Jimi Hendrix? Além de cerca de 250 anos e dos (muito) distintos campos musicais, muito pouco, apenas uma parede na Brook Street, Londres. Alemão de nascimento, e depois de uma passagem por Itália, no início da década de 1710 Handel decidiu mudar-se para Londres, tendo assentado arraiais no número 25 de Brook Street a partir de 1723.

Jimi Hendrix, natural de Seattle, Estados Unidos, deslocou-se pela primeira vez a Londres em Setembro de 1966, tendo lá regressado dois anos depois, para ficar a viver no número 23 de Brook Street. Uma porta ao lado da antiga casa de Handel, ou a tal parede que os separou... Consta que, quando soube da coincidência, Hendrix fez questão de ir a uma loja de discos para comprar algumas gravações de obras de Handel, nomeadamente o Messias e a Música Aquática.

E aquilo que à partida pareciam dois estilos inconciliáveis de tão díspares, acabam por se unir pela pouca distância física e pela criação de uma organização que ambiciona promover a música de ambos, a Handel & Hendrix in London.

Jimi Hendrix nasceu há 74 anos, no dia 27 de Novembro de 1942.


Internet




Jimi Hendrix
Handel & Hendrix in London / The Official Jimi Hendrix Site / biography.com / Wikipedia

02/09/2008

Lugares #180

A década de 1660 foi particularmente negra para Londres: em 1665 a peste, que desde a idade média ameaçava a cidade, disseminou-se rapidamente, provocando mais de 68.000 vítimas mortais; ainda os seus efeitos se faziam sentir e, no ano seguinte, um incêndio devastou a cidade, deixando intacta apenas 1/5 da área dentro das muralhas. Começou numa padaria em Pudding Lane, no dia 2 de Setembro de 1666, passam hoje 342 anos, e, ajudado pelo vento, só ao fim de 3 dias se extinguiu. As casas, maioritariamente feitas de madeira, foram rápida e facilmente consumidas; quando o fogo acabou havia menos 13.200 em Londres...

Entre 1671 e 1677 os londrinos construiram um monumento, a que apropriadamente deram o nome de... O Monumento, para assinalar tão nefasto acontecimento. Construiram-no não muito longe do ponto onde o fogo começou; aliás, a altura do monumento, 62 metros, corresponde exactamente à distância a que se encontra do local onde se situava a malfadada padaria. Não muito longe mas também não tão perto quanto isso, pelo que os que se quiserem afoitar a visitá-lo terão que subir 311 degraus antes de atingir o seu topo! Por esta altura os estimados leitores já saberão o quão intrépida esta família é, e que se recusaria a desfalecer perante tal desafio, apesar de gigantesco! Sobrevivemos à subida pois claro e, como recompensa, ao regressar ao "rés-do-chão" recebemos 4 magníficos diplomas, um para cada herói, que desde então exibimos orgulhosamente. E para os mais cépticos, lá está escrito a dado passo, em cada um dos 4 documentos: "They drew up plans for a column containing a cantilevered stone staircase of 311 steps leading to a viewing platform". Incontestável proeza!



Refira-se, a terminar, que o projecto esteve a cargo de Christopher Wren (1632-1723), um extraordinário homem de que aqui se voltará a falar um dia.


Internet

Londres
Britannia / The Great Fire of London / Luminarium: Encyclopedia Project / Channel 4 / Wikipedia

Monument
City of London / London Travel / Wikipedia

17/02/2008

Lugares #174

Em Setembro deste ano não deixarei de aqui assinalar o dia em que começou o grande incêndio de Londres de 1666, que dizimou uma boa parte da cidade. Um dos edifícios atingidos foi a Catedral de São Paulo que, em várias versões, existia naquele local desde o século VII. É que a catedral já tinha sofrido calamidades semelhantes, como em 962 e em 1087, quando outros dois incêndios a deixaram igualmente em cinzas. Do incêndio do século XI resultou um dos mais altos edifícios da Europa, senão mesmo o mais alto; e em Londres só em 1964 alguém se lembrou de erigir algo mais alto...

O desenho da nova catedral, pela medieval ter sido destruída quase por completo pelo referido incêndio de 1666, ficou a cargo do grande arquitecto Christopher Wren (1632-1723). Que não teve tarefa fácil, diga-se, pois viu as duas primeiras propostas que fez serem liminarmente rejeitadas e só a terceira, aquela em que incorporou as ideias dos mandantes para lhes demonstrar o quão errados estavam, foi de imediato aceite! Foram precisos 35 anos para a construir, tendo sido terminada em 1710; e não foi por falta de incentivos ao nosso pobre Wren: em 1697 passaram-lhe o salário para metade, para que melhor se apercebesse da importância de andar para a frente com a coisa...



Com tais antecedentes, compreende-se que os seus responsáveis levem a efeito frequentes simulacros de incêndios para, nomeadamente, avaliar da eficácia do sistema de evacuação de pessoas. Com o azar que nós temos, lembraram-se de efectuar um quando a visitámos, em Julho do ano passado; azar porque na altura chovia torrencialmente e os visitantes, nós incluídos, entre ignorar estridentes sirenes avisadoras de um incêndio improvável (se em 1400 anos só houve 3 que a devastaram, por que diabo haveria logo de haver outro logo em 2007?!) e apanhar um banho indesejável, nem hesitaram, e deixaram-se ficar no lugar. Acabámos todos por ser humilhantemente postos na rua...


Internet

Catedral de São Paulo
Official Site / Great Buildings / Wikipedia

24/10/2007

Lugares #168

Nos últimos tempos o compositor Edward Elgar (1857-1934) tem estado em destaque cá em casa, a propósito de um discos que tenho estado a ouvir atentamente: um deles, um disco triplo de que aqui falarei um dia, foi lançado já este ano pelas Elgar Editions, com gravações efectuadas entre a segunda metade da década de 1930 (a grande maioria) e 1950 (apenas uma obra); e um outro que acompanhou um número da revista da BBC que saiu há uns meses atrás, e que nos traz a Sinfonia Nº2. Um maestro já nosso conhecido, o inglês Malcolm Sargent (1895-1967) é outro dos pontos comuns entre estes discos, sendo de referir que as gravações foram efectuadas com uma diferença de quase 30 anos!

É sabido que os primeiros tempos de Elgar como compositor não foram nada fáceis, o reconhecimento demorou a chegar e o dinheiro não abundava. Daí a decisão do casal se mudar para Londres em 1889, depois de já lá ter dado o nó no dia 8 de Maio desse ano, crente de que as coisas seriam mais fáceis nessa cidade. A cerimónia teve lugar no London Oratory, uma igreja terminada apenas 5 anos antes e que, por estar situada na Brompton Road, é conhecida como o Brompton Oratory. Erradamente, dizem-nos constantemente, mas não fomos nós que lhe colocámos o nome...

A (bela...) fotografia aqui exibida só foi possível pelo facto de o autor ter ostensivamente ignorado os avisos espetados à entrada e, de máquina em riste, ter conseguido disparar furtivamente um par de vezes. Ainda longe dos níveis das actuações dos turistas japoneses, reconheço com alguma inveja, que conseguem manter aquelas expressões impassíveis enquanto as tiram a torto e a direito, com ou sem avisos e com guardas ou sem eles. Hei-de lá chegar...


Internet

Brompton Oratory
The London Oratory / Britain Express / British History Online / Wikipedia

31/07/2007

Lugares #161

Numa época em que os EBITs, os resultados trimestrais ou a distribuição de dividendos são do mais sacrossanto que existe, paradoxalmente, nem sempre os clientes das empresas, sem os quais não há resultados que resistam, são (bem) considerados. Que o digam os habitantes de Barcelona, por exemplo, que poderão ter recebido uns trocos em dividendos da EDP lá do sítio, mas estiveram uns quantos dias sem electricidade em casa. É que fica sempre melhor para o rating de uma empresa anunciar que distribuiu uns tantos milhões em dividendos, do que admitir que teve que pegar no dinheirinho e investi-lo por forma a tentar evitar o colapso das infraestruturas obsoletas...



Na semana passada o presidente do BES veio para as televisões anunciar os gordos resultados da primeira metade de 2007. Sempre melhores que os anteriores, como tem sido apanágio dos últimos tempos, mas nunca suficientes, na óptica dos doutos gestores da instituição. Este mesmo princípio aplica-se a todos os outros bancos, pelo que não há-de faltar muito até nova investida no sentido de começarem a aplicar as famosas taxas de utilização do Multibanco.

Pois na Segunda-feira da semana passada, a tal semana da apresentação dos gloriosos resultados do BES, este agregado familiar, que se encontrava em Londres em gozo de mais do que merecidas férias, ficou sem jantar. Graças ao BES que, demasiado ocupado, quiçá mesmo excitado, na preparação da tal apresentação dos magníficos resultados, se esqueceu de que tinha clientes, alguns dos quais fora do país. Durante várias horas foi totalmente impossível utilizar cartões, de crédito ou de débito. Bem que procurámos socorro ao longo da tarde, conforme as poucas notas iam desaparecendo da carteira (e quem já esteve em Londres sabe bem a que velocidade elas desaparecem...); quando, finalmente, conseguimos que alguém nos atendesse na linha directa de apoio ao cliente, foi-nos dito que "já tinham recebido outras reclamações em tudo semelhantes", e que "possivelmente havia um problema com a utilização dos cartões BES no estrangeiro" e que, portanto, "estavam a envidar todos os esforços no sentido de o resolver". Claro que "compreendiam a nossa situação" (sem cheta no bolso...), mas que, "como nós igualmente compreenderíamos, não havia nada que pudessem fazer de imediato para nos ajudar".

Nessa noite fomos todos dormir com a barriga cheia... de chá. Mas hoje, sabedores de quão lucrativo o nosso banco é, estamos muito mais felizes.